The Guardian: Lula condena Bolsonaro por fazer do coronavírus uma ‘arma de destruição em massa’

Para o jornal, aliados, adversários e analistas entenderam ser um sinal evidente de que Lula estaria desafiando o líder de extrema-direita do Brasil nas próximas eleições presidenciais

Jornal GGN – O jornal inglês The Guardian noticiou o discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deste 7 de setembro. O jornal evidencia, no discurso proferido, a acusação que Lula faz de Bolsonaro querer transformar a pandemia em uma ‘arma de destruição em massa’. Para o jornal, é uma sinalização forte de Lula de retorno ao cenário político.

Para o jornal, aliados, adversários e analistas entenderam ser um sinal evidente de que Lula estaria desafiando o líder de extrema-direita do Brasil nas próximas eleições presidenciais, ao criticar como Bolsonaro lidou com a crise sanitária que já matou mais de 127 mil brasileiros.

‘Estamos nas mãos de um governo que não valoriza a vida e banaliza a morte. Um governo insensível, irresponsável e incompetente que desrespeitou as diretrizes da Organização Mundial da Saúde e transformou o coronavírus em uma arma de destruição em massa’, evidenciou o jornal do discurso de Lula.

‘A esmagadora maioria das pessoas mortas pelo coronavírus são pessoas pobres, negras e vulneráveis ​​que foram abandonadas pelo estado’, acrescentou o jornal sobre o discurso de Lula.

O The Guardian aponta o impedimento de Lula de concorrer ao cargo depois de ter sido destituído do cargo e quando foi preso, afastado da corrida presidencial vencida então por Bolsonaro.

Também importante destaque dá ao fato de que muitos já suspeitam que sua condenação pode ser anulada em breve por causa de questões sobre a imparcialidade do juiz Sergio Moro que, após prender Lula, foi nomeado ministro da Justiça de Bolsonaro.

Caso se confirmasse a suspeição de Moro, Lula poderia concorrer contra Bolsonaro naquela que seria sua sexta corrida presidencial em uma carreira de quatro décadas.

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O jornal também aponta que Lula, em seu pronunciamento de 24 minutos e primeiro presidente da classe trabalhadora do Brasil, deu a dica de que estava planejando um renascimento.

Lula descreveu como, durante este isolamento, refletiu muito sobre o Brasil e sobre ele, acertos e erros, e o papel que ainda é reservado a ele na luta do povo por melhores condições de vida.

‘Coloco-me à disposição do povo brasileiro, principalmente dos trabalhadores e excluídos’, anunciou, antes de concluir: ‘Do fundo do meu coração, digo a vocês: estou aqui. Vamos reconstruir o Brasil juntos’, evidenciou o jornal.

O The Guardian também noticiou que os aliados do PT foram mais explícitos que o próprio Lula, compartilhando seu discurso no Twitter com a manchete: ‘Em discurso histórico, Lula se coloca à disposição do povo para voltar a ser presidente’.

O ex-ministro das Relações Exteriores de Lula, Celso Amorim, disse ao Guardian que o discurso não deixou dúvidas de que Lula “queria ser e seria” um candidato-chave na eleição de 2022. ‘É uma virada, na minha opinião … Para mim, é claro que vamos assistir a uma disputa Lula-Bolsonaro’, previu Amorim.

Amorim admitiu que a participação de Lula dependia da Justiça e sugeriu que Lula poderia ser campeão de outro candidato ou concorrer à vice-presidência.

‘Mas ele está claramente se colocando à frente como líder. Quem quer que seja o candidato, o líder é o Lula … Ele está claramente se posicionando como figura central. Se ele vai fazer isso como Cristina Kirchner, ou se ele será o candidato [principal] – não sabemos nada disso ainda e vai depender de uma série de fatores que nem todos dependem dele’, completou Amorim.

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Lula fez uma crítica acirrada ao governo de Bolsonaro, que já durava 20 meses, em sua declaração, programada para coincidir com o dia da independência do Brasil, evidenciou o jornal.

Lula acusou o populista pró-armas de patrocinar um ataque ‘intolerável’ às comunidades indígenas brasileiras, de entrar em uma relação ‘humilhante’ com os Estados Unidos e de estar obcecado em destruir a cultura brasileira e armar cidadãos. ‘O povo não quer comprar revólveres ou cartuchos de rifle – o povo quer comprar comida’, publicou o jornal sobre a fala de Lula.

E mais, o ex-presidente também fez alusão a reportagens sobre os supostos vínculos de Bolsonaro com membros da máfia do Rio: ‘Com a ascensão do Bolsonaro, os paramilitares … e assassinos de aluguel deixaram de ser cobertos por repórteres policiais e estão aparecendo em colunas do diário’.

O The Guardian ouviu Daniela Campello, professora de política da Fundação Getulio Vargas, classificou o discurso de Lula como uma declaração inequívoca de suas aspirações presidenciais.

‘Ele se apresentou absolutamente como o principal oponente [de Bolsonaro] … e acho que agora há a expectativa de que de alguma forma ele se tornará elegível [para a eleição] novamente’, disse a professora.

‘Mas a sensação que tenho é que estamos presos em uma disputa do passado que dificilmente olha para o futuro”, acrescentou Campello. “Não vi uma nova agenda aqui. Infelizmente, agora a esquerda não tem ar fresco’, finalizou.

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