4 de junho de 2026

O governo Tarso Genro após os protestos de junho

Do site Carta Maior
 
 
A disposição em dialogar, ouvir e abrir-se à participação da cidadania permitiu um posicionamento singular do governo gaúcho durante os protestos de junho.
 
26/12/2013 – Copyleft
 
Vinicius Wu
 
O grande acontecimento político do ano de 2013 foram os protestos de Junho. As reações ao processo de mobilização e as respostas apresentadas pelos governos municipais, estaduais e federal definiram, em grande medida, o ambiente político do país no último semestre. A mais recente pesquisa CNI-Ibope atesta que Tarso Genro foi o governador que mais cresceu em aprovação após as mobilizações (conta com 50%, segundo o Ibope). Analisar os motivos desse desempenho não parece ser algo irrelevante para a compreensão da política nacional no último ano.
 
Entre os jovens de 18 a 24 anos a aprovação de Tarso subiu quase vinte pontos percentuais no período que vai de Junho a Novembro do corrente ano. Nesta parcela da população, a aprovação do desempenho do Governador frente aos protestos chega a 62%, segundo levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Se considerarmos todas as faixas etárias, 58% dos gaúchos aprovaram a atuação de Tarso durante as mobilizações e apenas 28% desaprovaram. Trata-se de um resultado que distancia o Governador da maioria de seus congêneres país afora.

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Até mesmo em relação à atuação da Polícia Militar verifica-se que a maioria da sociedade gaúcha aprovou a condução do governo petista. Para 50% dos gaúchos, a Brigada Militar agiu com violência, mas sem exageros durante os protestos.
 
Outros 30% avaliam que a polícia gaúcha agiu sem violência e apenas 15% acreditam que agiu com muita violência, de acordo com o estudo da FGV.
 
Diversos fatores contribuíram para essa percepção geral positiva. A posterior aprovação do projeto que estabelece Passe-Livre para os estudantes das regiões metropolitanas tem relação direta com a formação da opinião majoritariamente simpática à reação do governo gaúcho. A proposta, surgida das ruas, foi incorporada pela Administração Estadual. Mas a grande diferença parece ter sido a capacidade de diálogo do governador e a existência de diversos canais, previamente estabelecidos, de consulta e escuta à sociedade no âmbito do Sistema Estadual de Participação.
 
O Gabinete Digital, criado ainda em 2011, possibilitou o estabelecimento de uma comunicação direta com os manifestantes, sem nenhum tipo de intermediação, expondo o Governador de forma transparente e acessível em um dos momentos mais tensos da política nacional nos últimos anos.
 
Uma das audiências publicas digitais, realizada em 20 de Junho com transmissão pela internet, contou com a participação de meio milhão de cidadãos e cidadãs, mobilizados pelas redes sociais digitais. Na ocasião, Tarso debateu diretamente com ativistas do Rio Grande do Sul e do país, recebeu críticas, ouviu e respondeu a diversas questões e retirou dali orientações para a atuação posterior de suas forças policiais. Foi um evento memorável, possível graças a uma atitude corajosa do governo. O diálogo, com alto grau de improviso e espontaneidade, foi realizado horas antes de assistirmos a uma das maiores manifestações populares já realizadas no país.
 
O Gabinete Digital realizou, ainda, uma série de outras audiências públicas digitais, nas quais o Governador do Estado debateu diversos temas com ativistas, especialistas e lideranças sociais. Todos os debates ocorreram com participação simultânea de milhares de pessoas pela rede, sem nenhum tipo de filtro ou censura. Algo singular no Brasil durante os intensos meses de Junho e Julho.
 
Através do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES/RS), o governo logrou processar proposições que surgiram das ruas e transformá-las em ações. O projeto que instituiu o Passe-Livre, por exemplo, foi sendo construído através de inúmeras rodadas de negociação, em meio à complexidade do diálogo com um movimento de massas declaradamente desprovido de lideranças. E nem por isso o processo deixou de ser ágil e gerar resultados.
 
Certamente, se estes mesmos canais de participação e diálogo – Gabinete Digital e CDES – tivessem sido constituídos às pressas, apenas para dar respostas às mobilizações de Junho, o resultado teria sido bem diferente. Dificilmente conquistariam legitimidade e reconhecimento público para se tornarem ferramentas válidas ao processamento dos debates suscitados pelos protestos de 2013. Mas, por terem sido organizados desde o primeiro ano do Governo Tarso, conquistaram a legitimidade necessária ao desfecho positivo que obtiveram.
 
As pesquisas de opinião comprovam o acerto do governo do Rio Grande do Sul ao apostar na conformação de um complexo Sistema de Participação Cidadã, que vai se tornando referência internacional. Recentemente, a Organização das Nações Unidas (ONU) concedeu um prêmio ao Governo gaúcho pelo Sistema e o Banco Mundial já havia premiado também o Gabinete Digital, experiência que já conta com expressivo reconhecimento dentro e fora do país.
 
E a participação da sociedade atesta a validade da experiência. A última consulta ao orçamento, realizada pelo Governo gaúcho, contou com a participação de mais de 1,2 milhões de pessoas. E o Gabinete Digital promoveu a maior consulta pública digital já realizada até aqui no Brasil no ano de 2012.
 
É possível afirmar, sem incorrer em nenhum exagero, que o Governo Tarso é outro depois dos protestos de Junho. A disposição em dialogar, ouvir e abrir-se à participação efetiva da cidadania permitiu um posicionamento singular do governo gaúcho durante as grandiosas mobilizações de Junho.
 
Frente àquele que foi o principal evento político do ano de 2013, o Governo do Rio Grande do Sul fez valer toda a história de estímulo e valorização da participação popular, originária das administrações petistas de Porto Alegre, que inspiraram o mundo através do Orçamento Participativo e do Fórum Social Mundial.
 
O ano de 2013, portanto, deixa um aprendizado valioso para a esquerda gaúcha que pode – e deve – ser compartilhada com a esquerda brasileira, em especial no próximo ano, quando a capacidade de renovar a esperança do povo brasileiro em nosso projeto transformador e democrático estará, novamente, diante de um teste decisivo.
 
(*) Secretário-Geral do Governo do Rio Grande do Sul. Coordenador do Gabinete Digital.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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7 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    30 de dezembro de 2013 12:01 pm

    Povo nas ruas impulsiona

    Povo nas ruas impulsiona qualquer governo.

    Os dados obtidos por Tarso são impressioantes:

    “Entre os jovens de 18 a 24 anos a aprovação de Tarso subiu quase vinte pontos percentuais no período que vai de Junho a Novembro do corrente ano. Nesta parcela da população, a aprovação do desempenho do Governador frente aos protestos chega a 62%, segundo levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Se considerarmos todas as faixas etárias, 58% dos gaúchos aprovaram a atuação de Tarso durante as mobilizações e apenas 28% desaprovaram. Trata-se de um resultado que distancia o Governador da maioria de seus congêneres país afora.”

    Quem enfiou a cabeça na terra, feito avestruz, fazendo de conta que o problema não era seu, dançou.

     

  2. leonidas

    30 de dezembro de 2013 12:29 pm

    Essa historia de enfiar a

    Essa historia de enfiar a cabeça na Terra me lembrou o Lula que nao apareceu em momento algum durante aqueles dias

    Imagino que nao tenha se sentido confortavel mesmo que fosse para apenas dar uma opiniao sobre os fatos 

    Justo ele que gosta tanto de falar né?

    Estranho…rs

    1. Roberto Monteiro

      30 de dezembro de 2013 1:20 pm

      Será?

      Leônidas, eu não sou muito bom de memória, mas estranhei esta tua afirmação de que o Lula enfiou a cabeça na terra (planeta Terra é com maiúscula). Talvez não tenha falado tanto, realmente, mas que falou, falou. Por isso recorri rapidamente ao Google e encontrei algumas falas do ex-presidente:

      5.310.000 resultados (0,22 segundos)
      Resultados da pesquisa
      Lincoln Secco: Lula talvez o que melhor entendeu no PT os …
      http://www.viomundo.com.br/politica/lincoln-secco-5.html‎

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      16/09/2013 – Também chamou a atenção a avaliação de Lula sobre os protestos de junho. Nenhum outro orador falou daquele tema! Lula disse que não …
      Em artigo no NY Times, Lula fala sobre os protestos de junho | GGN
      jornalggn.com.br/…/em-artigo-no-ny-times-lula-fala-sobre-os-protestos-…‎

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      Em artigo no NY Times, Lula fala sobre os protestos de junho. qua, 17/07/2013 – 08:47 – Atualizado em 02/09/2013 – 09:24. Sugerido por Robson Lopes. Do NY …
      Na Câmara, Lula defende reforma política e diz que povo foi à rua …
      noticias.uol.com.br/…/apos-medalha-no-senado-lula-e-homenageado-ta…‎

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      29/10/2013 – Em seu discurso após receber a homenagem, Lula disse que os protestos que tomaram conta do país em junho se devem à melhora no nível …
      G1 – Protestos foram surpresa para esquerda e direita, diz Lula …
      g1.globo.com/…/protestos-foram-surpresa-para-esquerda-e-direita-diz-lu…‎

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      02/08/2013 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (2) que as manifestações iniciadas em junho em todo o país pegaram de …
      Lula sobre protestos: não existe problema sem solução – geral …
      http://www.estadao.com.br/…/geral,lula-sobre-protestos-nao-existe-problema-s…‎

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      17 de junho de 2013 | 23h 20. Notícia. Email. Print. A+ A-. Tweet. DAIENE CARDOSO – Agência Estado. Contrariando as expectativas, o ex-presidente Luiz …
      Protestos no Brasil são ‘saudáveis’, diz Lula – politica … – Estadão
      http://www.estadao.com.br › Política

    2. J Fernando

      30 de dezembro de 2013 1:41 pm

      Alguns consideram que ele agiu certo

      Não sendo Lula o presidente e sim a Dilma, a manifestação deveria (como foi) ser da parte dela.

      A maioria dos protestos, antes da manipulação midiática, era contra prefeitos ou governadores em relação ao aumento dos preços de passagens. Se Lula tivesse se manifestado neste momento, seria considerado um aproveitador, da mesma forma que consideramos a mídia, que se posicionou ao lado dos manifestantes quando percebeu que poderia tirar proveitos políticos dos protestos.

      Na minha opinião, Lula agiu corretamente ao se manter calado.

    3. MarcoPOA

      30 de dezembro de 2013 1:47 pm

      Dilma!

      A protagonista era a Presidenta da República, Dilma Rousseff e seu governo!

      Qualquer opinião que Lula desse seria imediatamente usada pela ‘mídia amiga’ pra perturbar mais e tentar colocar um contra o outro!

      luiz Inácio calou corretamente, já que de outra forma, se não tivesse sido Presidente, seria um dos lideres daquelas manifestações!

      Todo mundo usou todo mundo, alguns só se deram conta quando estavam sendo usados. Foi uma legitima ‘orgia social’!

      A origem dessas ‘manifestações’ pode ter vindo de vários lugares (inclusive de fora), mas foram trabalhadas com maestria por quem já tinha ‘know-how’ no assunto. Após alguns meses voltamos novamente ao zero!

      1. Assis Ribeiro

        30 de dezembro de 2013 2:31 pm

        Marco, Fernando, e Roberto

        Leônidas, “rsrsrsrsrs”,….

        não consegue se situar nem no tempo.

  3. Durvalino

    30 de dezembro de 2013 6:49 pm

    …. alias nao entendo ate

    …. alias nao entendo ate hoje porque o trabalho pioneiro de Tarso sobre a reforma politica, com fulcro na internet e participaçao direta da populaçao no portal cidadania, nao foi encampado pelo governo federal e pior ainda …  o plebiscito foi guardado no arquivo morto. 

     

     

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