Enviado por Mara L. Baraúna

Ataulfo Alves de Sousa (Miraí, MG, 2 de maio de 1909 — Rio de Janeiro, 20 de abril de 1969)
Nasceu na Zona da Mata em Minas Gerais, na Fazenda Cachoeira, no município de Miraí. Um dos sete filhos (Ataulfo, Alaor, Paulinho, Tita, Maria Mercedes, Maria Antonieta e Norina) de Dona Matilde Rita de Jesus e do lavrador, violonista, sanfoneiro e repentista Severino de Souza (conhecido como Capitão Severino, apesar de nunca ter sido militar). Ataulfo desconhecia a origem de seu sobrenome.
Com oito anos já fazia versos, respondendo aos improvisos do pai. Com a morte deste, a família teve de se mudar para a cidade, onde aos dez anos começou a ajudar a mãe no sustento da casa: foi leiteiro, condutor de bois, carregador de malas na estação, menino de recados, marceneiro, engraxate e lavrador, ao mesmo tempo em que estudava no Grupo Escolar Dr. Justino Pereira.
Aos 18 anos, aceitou o convite do Dr. Afrânio Moreira Resende, medico de Miraí, para acompanhá-lo ao Rio de Janeiro, onde fixaria residência. Durante o dia, trabalhava no consultório, entregando recados e receitas, e, a noite, fazia limpeza e outros serviços domésticos na casa do médico. Insatisfeito com a situação, conseguiu uma vaga de lavador de vidros na Farmácia e Drogaria do Povo. Rapidamente aprendeu a lidar com as drogas e tornou-se prático de farmácia. Depois do trabalho voltava para casa no bairro de Rio Comprido, onde costumava frequentar rodas de samba. Já sabia tocar violão, cavaquinho e bandolim, e organizou um conjunto que animava as festas do bairro.
Em 1928, com apenas 19 anos, casou-se com Judite. Tiveram 5 filhos: Adélia, Matilde, Adeílton, Adelino (que morreu muito cedo, ainda criança) e Ataulfo Júnior. O casamento durou até a morte do compositor.
Nessa época, em que já começara a compor, tornou-se diretor de harmonia de Fale Quem Quiser, bloco organizado pelo pessoal do bairro.
Em 1933, Bide, que viria a fazer sucesso com o samba Agora é cinza (com Marçal), ouviu algumas composições suas no Rio Comprido, e resolveu apresentá-lo a Mr. Evans, diretor americano da Victor. Foi então que Almirante gravou o samba Sexta-feira, sua primeira composição a ser lançada em disco. Dias depois, Carmen Miranda, que ele havia conhecido antes de ser cantora, gravou Tempo perdido, garantindo sua entrada no mundo artístico.
Em 1935, através de Almirante e Bide, conseguiu seu primeiro sucesso com Saudade do meu barracão, gravado por Floriano Belham. Seu nome cresceu muito quando apareceram as gravações do samba Saudade dela, em 1936, por Silvio Caldas e da valsa A você (com Aldo Cabral) e do samba Quanta tristeza (com André Filho), em 1937, por Carlos Galhardo, que se tornaria um dos seus grandes divulgadores. Passou a compor com Bide, Claudionor Cruz, João Bastos Filho e Wilson Batista, com quem venceu os Carnavais de 1940 e 1941, com Oh!, seu Oscar e O Bonde de São Januário.
Em 1938, Orlando Silva, outro grande interprete de suas musicas, gravou Errei, erramos.
Em 1941, fez sua primeira experiência como intérprete, gravando seus sambas Leva, meu samba… e Alegria na casa de pobre (com Abel Neto).
Em 1942 a situação financeira difícil e a hesitação dos cantores em gravar sua ultima composição fizeram com que ele próprio lançasse, para o Carnaval do ano, Ai, que saudades da Amélia; gravado com acompanhamento do grupo Academia do Samba e abertura de Jacó do Bandolim, o samba, feito a partir de três quadras apresentadas por Mário Lago para serem musicadas, resultou em grande sucesso popular. Juntos fizeram ainda Atire a primeira pedra, para o Carnaval de 1944, e em 1945 lançaram Capacho e Pra que mais felicidade.
Resolvido a continuar interpretando suas músicas, juntou-se a um grupo de cantoras, organizando um conjunto que, por sugestão de Pedro Caetano, foi chamado de Ataulfo Alves e suas Pastoras. Inicialmente formado por Olga, Marilu e Alda. Representativas da década de 1950, quando faziam sucessos musicais de fossa e de amores infelizes, são suas composições Fim de comédia e Errei, sim, gravadas por Dalva de Oliveira.

Em 1954 participou do show O Samba nasce no coração, realizado na boate Casablanca, quando lançou o samba Pois é… O pintor Pancetti gostou muito da música e, inspirado nela, fez um quadro com o mesmo nome, que ofereceu ao compositor. Compôs então Lagoa serena (com J. Batista), dedicando-a a Pancetti, que, novamente, o homenageou com a tela Lagoa serena.
Convidado por Humberto Teixeira, em 1961 participou de uma caravana de divulgação da música popular brasileira na Europa, para onde levou Mulata assanhada e Na cadência do samba (com Paulo Gesta), que acabara de lançar. Retornou no mesmo ano e fundou a ATA (Ataulfo Alves Edições), tonando-se editor de suas músicas. Por essa época, desligou-se de suas pastoras, por motivos estritamente financeiros, na ocasião Nadir, Antonina, Geralda e Geraldina, passando a se apresentar sozinho, esporadicamente.
Em 1966, mesmo debilitado por seu problema de úlcera no duodeno, viajou para Dacar, Senegal para representar o Brasil no I Festival de Arte Negra.
Com a piora da úlcera no duodeno, morreu após uma intervenção cirúrgica, no Rio de Janeiro em 20 de abril de 1969.
Ataulfo Alves pertence à elite de uma geração de compositores que fixou o samba como gênero musical, liberando-o herança do maxixe. A essa geração, que sucedeu a dos pioneiros Sinhô, Caninha e Donga, pertencem ainda figuras como Ismael Silva, Wilson Batista, a dupla Bide e Marçal e outros bambas.
A diferença entre o samba de Ataulfo e o desses compositores é que, oriundo do sertão mineiro e descendente de um violeiro cantador, ele incorporou à sua música influências da toada rural, daí resultando a cadência arrastada e um certo jeito dolente e melancólico que a caracterizam.
Foi conselheiro e presidente da UBC (União Brasileira de Compositores) e diretor da ADDAF (Associação Defensora de Direitos Artísticos e Fonomecânicos). Compôs mais de 700 músicas.
Em 1962, em Miraí, a Rua do Rosário (que já fora Rua do Buraco) onde morou foi transformada na Rua Ataulfo Alves.
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Um lenço branco foi a sua marca registrada. Com ele, costumava “reger” o seu conjunto.

Recebeu vários “slogans”: General do samba, O diplomata do samba, Embaixador do samba brasileiro ou O mais elegante sambista (chegou a ser eleito um dos 10 mais elegantes pelo “papa” da crônica social Ibrahim Sued). “Quando fui apontado como um dos 10 mais elegantes pelo Ibrahim, eu aparecia nas fotografias com um terno de 10 anos atrás. É que, naquela época, eu não podia pagar um bom alfaiate. Mas, depois de eleito, surgiram grandes alfaiates que, interessados em ganhar publicidade, ofereciam-se para me fazer roupas de graça”.
Ganhou também o título de Carioca Honorário da Assembleia Legislativa da Guanabara, pelos relevantes serviços prestados à nossa música popular.
Retirado de:
Leia mais em:
Ataulfo Alves: samba, símbolo da cultura e identidade brasileira, de Rilza Rodrigues Toledo e Sonia Maria Dal-Sasso
Centenário de Ataulfo Alves: o mestre do samba carioca com sotaque mineiro, de Fabiana Castro Carvalho
Cidade de Miraí festeja centenário de Ataulfo Alves
“Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada, Zé”
As mulheres que fazem o samba de Ataulfo Alves e Herivelto Martins, de Larissa Archanjo de Oliveira
Rádio Batuta. Instituto Moreira Salles. Pesquisa e texto: Carla Paes Leme
Sérgio Cabral eterniza a vida e obra de Ataulfo Alves
Alguns sucessos de Ataulfo Alves:
Jair Fonseca
3 de maio de 2014 2:24 pmItamar Assumpção fez ótimas
Itamar Assumpção fez ótimas versões de Ataulfo Alves, as quais gravou. Aqui, ao vivo, com “Requebrado da mulata”.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=3DVN1NXUtCA%5D
Jair Fonseca
3 de maio de 2014 2:28 pm“Quanto mais conheço o homem
“Quanto mais conheço o homem / Mais eu gosto do meu cão”.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=n7FVTHBOJJ0%5D
LeoTuch
7 de maio de 2014 1:18 amHomenagem Ataulfo
Olá – Sou músico do Rio de Janeiro e estou produzindo um show a acontecer no mês que vem no Espaço Cultural Correios em Recife, chamado Ataulfo Alves Cahcundum!
Pela proximidade de sua postagem, pensei que talvez pudéssemos divulgar o meu evento aqui no seu espaço no jornal.
Posso enviar mais detalhes sobre o projeto via email.
Obrigado e um abraço!
Leo T