5 de junho de 2026

Aleister Crowley e Bohemian Grove: o oculto no classic rock e na política

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Membros da elite artística ou política repercutindo nomes como Aleister Crowley, manipulando magia cerimonial e participando de estranhos rituais coletivos. As conexões documentadas entre aquele que é considerado o maior ocultista do século XX, Aleister Crowley, com o classic rock ou vídeos que documentam a elite política e financeira internacional participando de um bizarro ritual coletivo anual em Bohemian Grove, Califórnia, atiçam a imaginação dos teóricos da conspiração. Mas a atração das elites pelo oculto talvez se deva mais a um tentava de expiação da sua má consciência na tentativa de se tornarem senhores de seus próprios infernos. Porém, a ampliação midiática de antigos simbolismos e formas-pensamentos pode trazer consequências imprevisíveis.

A genialidade tanto do classic rock quanto das elites políticas parece estar na forma como foram capazes de mobilizar e comercializar o esoterismo e ocultismo no século XX. Essa mobilização de símbolos, personagens e mitos originais dessa esfera metafísica da cultura criaram os princípios básicos de manipulação pela indústria do entretenimento de arquétipos ou egrégoras antigas, criando uma espécie de contínuo midiático atmosférico.

A formação desse contínuo midiático resulta no renascimento, renovação ou fortalecimento de formas-pensamento que podem ser tanto direcionados de forma proposital (propaganda, publicidade, jornalismo etc.) ou com resultados caóticos ou inesperados como, por exemplo, incidentes violentos – é o caso do massacre do Colorado nos EUA em 2012 e suas conexões sincromísticas com o personagem do Coringa no filme Batman: o Cavaleiro das Trevas, ou a relação entre o “maníaco do shopping”, que em 1999 disparou freneticamente uma submetralhadora contra a plateia de 40 pessoas, resultando em três mortos e vários feridos no cinema de um shopping em São Paulo que exibia O Clube da Luta.

Cientistas nazi da SS no Tibet em busca das

supostas origens míticas arianas – 1938

Na política temos o evento inaugural da doutrina Nazista cuja propaganda política utilizou uma releitura de um símbolo budista tibetano (a suástica) e fundamentou seus princípios em mitologias pagãs e místicas antiquíssimas como o mito de Atlântida (da qual seria originária a raça ariana), a conexão mística e espiritual entre monges tibetanos e os arianos europeus (o que fez Himller enviar cientistas da SS em uma incursão ao Himalaia em busca de evidências “científicas” dessa conexão).

Na política atual temos o, agora, não tão secreto suposto ritual babilônico de culto a antiga divindade chamada Moloch, realizado anualmente por membros da elite política, financeira e midiática mundial em uma localidade chamada Bohemian Grove, na Califórnia.

E na cultura pop temos as conexões do classic rock com o mais famoso e controvertido ocultista do século XX, o inglês Aleister Crowley (1875-1947), com bandas como, por exemplo, Rolling Stones e Led Zeppelin nos ano 1970.

A “Besta” no classic rock

Muitos livros recentes mapeiam e documentam as estreitas conexões que a indústria do entretenimento elabora entre o rock e o ocultismo. Livros como o de Christopher Knowles The Secret History of Rock’n’Roll , o de Stephen Davis  Hammer of the Gods , e o de Gary Lachman Turn Off Your Mind : The Mystic Sixties and the Dark Side of the Age of Aquarius revelam como o rock abandonou o imaginário hippie-pop dos anos 1960 com jovens comendo granola no Céu para depois ingerir a pílula vermelha de Crowley sob a promessa de que o homem poderia reinar com o espírito livre em seu próprio inferno. Esses livros relatam também eventualmente o momento fáustico quando Mefistófeles veio recolher o preço que seus famosos invocadores deveriam pagar: o vício das drogas, a sanidade destruída e as amizades desfeitas.

Os Rolling Stones: às vezes o que diz o
rótulo de um produto é verdade

E nada melhor como arma para ajudar nessa rebelião contra os céus do que o mito Aleister Crowley. Considerado o maior ocultista do século XX, fundador da Ordo Templi Orienti (OTO), considerado por muitos “o pior homem na Terra” e chamado pela imprensa como “A Besta”. Foi expulso de quase todos os países onde tentou se estabelecer. Para muitos biógrafos Crowley teria sido não só recrutado como espião pela Inteligência Britânica durante a Segunda Guerra, como também integrado sociedades ocultistas como a Sociedade Thule na Alemanha que mais tarde teria conduzido Hitler ao poder. Criador da filosofia e religião Thelema, dizia que “não estou contente em apenas acreditar em Satanás, mas quero ser o seu chefe no seu próprio gabinete”.

A revolta de Crowley contra os Céus e os Infernos expressada através da magia cerimonial e Cabala no famoso O Livro da Lei sintetizado na frase “fazes o que tu queres” foi a inspiração para jovens artistas dentro de um gênero musical cujas pressões corporativas do show business cresciam nos anos 70. Talentosos artistas tentavam se rebelar contra os demiurgos do rock and roll.

O primeiro exemplo é o dos Rolling Stones. A maioria das pessoas acha que a música Sympathy for the Devil foi apenas uma tentativa de Mick Jagger dar uma aparência mercadológica maligna para a banda para se diferenciar da imagem mais virtuosa dos Beatles.

Às vezes o que o rótulo de um produto diz é realmente verdade! No final dos anos sessenta, os Rolling Stones caíram sob o feitiço de Kenneth Anger, um cineasta independente norte-americano satanista e membro da OTO, em Pasadena, Califórnia (cujos membros incluíam L. Ron Hubbard – fundador da Cientologia, a atriz Jane Wolfe e o cientista Jack Parsons). Anger foi, sem dúvida, a principal influência para Sympathy for the Devil .

David Bowie desenhando

a simbologia cabalista

da Árvore da Vida

Além injetar satanismo em suas músicas, os Rolling Stones compuseram uma estranha trilha sonora para o curta de Anger Invocacion For My Demon Brother em 1969. O gosto da banda em brincar com o ocultismo eventualmente despareceu, mas, como Knowles menciona em seu livro, Satanás viria a possuir novamente os Rolling Stones na década de oitenta , quando a banda começou a introduzir o patrocínio das empresas às suas turnês . Suas almas foram perdidas para sempre…

Led Zeppelin e David Bowie

Jimmy Page era um devoto fiel de Crowley: comprou a antiga casa da “Besta” e possuía uma enorme biblioteca de seus mais diletos livros sobre feitiçaria e magia ritual. Page também foi amigo de Kenneth Anger e financiou alguns dos seus empreendimentos, até mesmo ajudando-o com seu filme Lucifer Rising (que envolveu Mick Jagger e Charles Manson). É assumido que Page nunca se divorciou da magia ritual, embora negue publicamente nunca mais se envolveu com satanismo após se desentender com Kenneth Anger.

Led Zeppelin nos anos 70

Isso não impediu o surgimento das lendas de que as escolhas espirituais de Page foram a causa direta da morte do baterista John Bonham, a quase paralisia de Robert Plant após um acidente de carro e posterior morte de seu filho, e outros infortúnios bizarros que a banda sofreu durante a sua trajetória de ascensão.

Bowie também era um adepto de Aleister Crowley. Ele também expressou o ocultismo, mas de uma forma muito idiossincrática: manutenção de sua urina preservada em frascos como arma de proteção contra espíritos; levava em suas turnês uma biblioteca com volumosos livros sobre magia ritual; e afirmava publicamente que um grupo de bruxas estava atrás dele por várias razões. Canções como Station to Station e Quicksand evocaram sua paixão pelo esotérico, mencionando a sociedade ocultista inglesa Golden Dawn (da qual Crowley foi um dos fundadores), a Cabala, e magia tibetana.

Quando Bowie ficou mais velho e sóbrio e percebeu que sua saúde estava em risco, suavizou sua espiritualidade.  Bowie acabou abraçando a teologia gnóstica cristã, o que passou a envolver um forte fascínio pelo mito gnóstico de Sophia: personagem mítico que representa a sabedoria que decaiu do verdadeiro Deus e que deu à luz a divindade demiúrgica (Jeová) do Antigo Testamento. Isso é perceptível em músicas como I’ve Been Waiting For You Heathen.

Bohemian Grove: a política vai à Babilônia

Desde que o jornalista Alex Jones, munido de uma câmera digital secreta, se infiltrou no Bohemian Grove no ano 2.000 e documentou um bizarro ritual ocultista com a participação de membros da elite mundial todos se perguntaram: por que banqueiros, políticos e executivos de mídia internacionais estão lá parados, observando homens com hobbies negros e vermelhos fazendo um estranho ritual diante de uma gigantesca estátua de coruja, depositando em uma pira incendiária o que parece ser um boneco representando um sacrifício humano?

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Wilson Ferreira

Wilson Roberto Vieira Ferreira – Mestre em Comunição Contemporânea (Análises em Imagem e Som) pela Universidade Anhembi Morumbi.Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA/USP. Jornalista e professor na Universidade Anhembi Morumbi nas áreas de Estudos da Semiótica e Comunicação Visual. Pesquisador e escritor, autor de verbetes no “Dicionário de Comunicação” pela editora Paulus, e dos livros “O Caos Semiótico” e “Cinegnose” pela Editora Livrus.

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