25 de junho de 2026

‘Arcos Brasileiros’ une o violino e a rabeca

Vanille Goovaerts e Ricardo Herz: projeto reinventa o violino popular e valoriza a rabeca como símbolo de identidade sonora do Brasil
Vanille e Ricardo por Carmen Fernandes

O álbum “Arcos Brasileiros” une violino e rabeca em repertório autoral que valoriza ritmos da música popular brasileira.
O projeto inclui álbuns, partituras em PDF e registro audiovisual para uso pedagógico e divulgação cultural online.
Vanille Goovaerts e Ricardo Herz resgatam a rabeca e reinventam o violino, destacando sua história e presença na cultura brasileira.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

“Arcos Brasileiros” une dois universos sonoros que, embora irmãos de origem, trilharam caminhos distintos na história musical brasileira: o violino e a rabeca. Idealizado e executado por Vanille Goovaerts e Ricardo Herz, o álbum, que será lançado nas plataformas digitais em 23 de janeiro, apresenta um repertório autoral e inédito que valoriza os timbres, ritmos e gestos da música popular brasileira, revelando a riqueza e originalidade desses dois instrumentos em gêneros como xote, baião, maracatu, frevo, chamamé, toque de Iuna, boi, forró, samba, ijexa, choro, marchinha, entre outros.

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Com o objetivo de desconstruir a ideia do violino como um instrumento exclusivamente ligado à tradição europeia, “Arcos Brasileiros” propõe uma nova linguagem para esse arco, mais rítmico e harmônico, que sabe acompanhar, dialogar e improvisar. Ao mesmo tempo, resgata a rabeca, seu antecessor direto e protagonista de manifestações culturais riquíssimas do Brasil. A proposta responde a uma necessidade urgente de valorização da rabeca, instrumento que, apesar de suas raízes profundas em manifestações culturais brasileiras, ainda é pouco difundido e conhecido fora dos círculos tradicionais. Da mesma forma, o violino, introduzido no Brasil desde o período colonial com o nome de rabeca, foi progressivamente associado à música erudita nos grandes centros urbanos, enquanto nas regiões periféricas e rurais continuou sendo chamado de rabeca e estigmatizado como um instrumento menor. “Arcos Brasileiros” busca reconciliar esses dois universos e mostrar que, historicamente, nunca houve separação real entre eles, ambos fazem parte de uma mesma árvore sonora.

O projeto resultará em quatro produtos principais: um álbum de áudio com o repertório original; um segundo álbum de utilização como playback, com faixas separadas para uso pedagógico e acessível a músicos que não lêem partitura ou com deficiência visual; uma edição em PDF das partituras, permitindo a circulação desse repertório no meio acadêmico e entre estudantes; e um registro audiovisual do processo criativo e performático, destacando o gestual e a expressividade corporal presentes na música popular, elementos que só o vídeo é capaz de transmitir plenamente.

O crescimento dos projetos sociais voltados ao ensino de cordas friccionadas no Brasil, vem formando milhares de jovens violinistas. No entanto, ainda há uma carência de repertório e metodologias que valorizem a cultura musical brasileira nesse processo. Ao disponibilizar material didático acessível e inspirado na música popular nacional, este projeto contribui diretamente para uma formação mais conectada com a realidade cultural do país.

Além disso, a valorização do gestual, do corpo e da dança na performance é parte fundamental da musicalidade popular – elementos que este projeto faz questão de registrar e compartilhar com o público por meio de vídeos disponíveis nas plataformas digitais dos artistas. A divulgação de todo o conteúdo será feita de forma 100% online, como uma escolha ética e sustentável.

Para Vanille, “a rabeca, apesar de sua importância histórica, ainda é pouco conhecida fora dos círculos tradicionais. Este projeto a coloca em evidência, celebrando sua sonoridade única”. E Herz conclui, “O violino já foi chamado de rabeca em todo o Brasil. Com a urbanização e a elitização da nomenclatura no século XX, criou-se uma falsa cisão entre violino (erudito) e rabeca (popular). ‘Arcos Brasileiros’ reintegra essas narrativas.”

SOBRE OS ARTISTAS 

Vanille Goovaerts

Violinista francesa formada em jazz pelo Conservatório de Chambéry, Vanille se apaixonou pela rabeca e pelo forró em 2018, iniciando uma intensa pesquisa musical no Nordeste e em São Paulo. Estudou com mestres como Luiz Paixão, Cláudio Rabeca e Aglaia Costa, além de se envolver com luthiers e manifestações populares. Radicada no Brasil desde 2019, integra diversos projetos como o Ronco do Violino, Ari Colares e a Canoa, Xaxado Novo, Forró das Minas, além dos grupos Octeta e Ensemble Choro Erudito. Tem um duo com Ricardo Herz desde 2019. Em sua trajetória, Vanille busca expressão, conexão e o compartilhamento profundo proporcionado pela música popular brasileira.

Ricardo Herz

Um dos nomes mais importantes do violino popular no Brasil, Ricardo Herz é reconhecido por sua técnica inovadora que traz ao violino as nuances da sanfona, o ronco da rabeca e as melodias do choro. Vencedor do Prêmio Profissionais da Música 2021 nas categorias “Artista Instrumental” e “Autor de Música Instrumental”, Herz tem uma sólida formação que inclui a USP, a Berklee College of Music e o Centre des Musiques Didier Lockwood. Com 10 álbuns lançados, atuou em duetos com Yamandú Costa, Nelson Ayres, Antonio 

Em 2024, lançou o álbum Sonhando o Brasil. Herz também é pioneiro no ensino do violino popular brasileiro, tendo lançado o primeiro curso online sobre o tema.

 REPERTÓRIO

  1. INTRODUÇÃO ARCOS BRASILEIROS
  2. MARACATÚNGARO- Ricardo Herz
  3. SEU DOMINGOS – Ricardo Herz
  4. GIRA GIRA – Ricardo Herz
  5. BOINAS, BIGODES e GUARDA CHUVAS- Ricardo Herz
  6. CHAMAOQUÊ? – Ricardo Herz
  7. SEGURA! – Ricardo Herz
  8. ODÉON –  Ernesto Nazareth
  9. MOURINHO(S) – Ricardo Herz 
  10. O REVOAR DA SAUDADE – Ricardo Herz 
  11. NOITES PERNAMBUCANAS- Vanille Goovaerts 
  12. BOI – Ricardo Herz   
  13. BORBOLETA -Vanille Goovaerts
  14. INOCENTE- Ricardo Herz 
  15. MINHOCA – Ricardo Herz 
  16. FORRÓ COLORIDO- Vanille Goovaerts
  17. SALVE MESTRES- Vanille Goovaerts
  18. CAPOEIRA- Ricardo Herz

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. Antônio Carlos Galdino

    19 de janeiro de 2026 6:21 pm

    Escutem o álbum Mexericos da Rabeca de 1997. É o trabalho pioneiro do grande músico José Gramani que elevou a rabeca à instrumento de música de câmera. Além de ser ineditamento ter o acompanhamento de um cravo.

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