O compositor paulistano Celso Viáfora acaba de lançar o CD “Amores Absurdos” (independente, com apoio do ProAc, e distribuição da Tratore). Ao ouvi-lo, senti algo próximo de como se estivesse tomando um daqueles medicamentos que agem por impregnação: seu efeito vai entranhando no sangue aos poucos, doses homeopáticas de sensação de alívio e bem-estar.
Parêntese: o CD nasceu enquanto Celso escrevia o seu primeiro romance, cujo título também é Amores Absurdos (distribuído pela Catavento): personagens e cenas que pediam música, palavras que nasciam para voar sem se prender ao papel. Um CD e um livro, gêmeos culturais.
Retomando: o poeta Celso é um melodista que dá voz ao que lhe vem das entranhas. Não bastasse, tem ideias que o levam a buscar formas de tornar palpáveis os seus sonhos, como se realizá-los fosse tão importante quanto imaginá-los.
E são deles, os sonhos, que fala o repertório do álbum. Para emoldurá-los, Celso trouxe o contrabaixista Neymar Dias para tocar e escrever os arranjos para um quarteto de cordas. Além disso, há também as participações da cantora Dandara Modesto, que divide com ele o solo da canção de abertura do CD, “Ponte dos Sonhos” (Sérgio Santos e Celso); de Toninho Ferragutti, acordeom em “Memória” (Celso Viáfora); do percussionista Gabriel Alterio (em “Água de Mágoa”) e do Trio Manari de percussionistas de Belém do Pará, que participa de duas faixas – “Dia de São Benedito” e “Balaio dos Sonhos” (ambas de Celso Viáfora), música que fecha o CD e que conta ainda com o charango do belenense Manoel Cordeiro, ele que também toca guitarra em “Dois Tempos de Um Lugar” (Celso Viáfora).
“Nem Terminou”, parceria de Celso e Pedro Viáfora (pai e filho), tem letra circular, que se vale da melodia e de um ótimo arranjo para quarteto de cordas para comprovar um ciclo de vida que acaba, mas que, no entanto, segue em frente; “Hã o Que” (Celso Viáfora e Pedro Altério) é um rap que trata dos desmandos e corrupções nacionais – um modelo atual de canção de protesto, no qual a desilusão dá vez ao humor; em seguida, num tom de lírico desabafo, Celso canta “Questão de Fé” (dele e Paulo Monarco): Nunca fui de ter fé em um Deus carrancudo/ Tenho fé em poder, ao morrer, responder por tudo. Uma das mais lindas é “Hoje e Nunca Mais” (Rafael Altério e Celso). Com bela introdução tocada pelo violoncelo e um não menos belo intermezzo a cargo das cordas, a poesia de Celso toca fundo. Meu Deus! A seguir, “Um Sonho Emprestado” (Breno Ruiz e Celso) tem a simplicidade e a ingenuidade dignas do poeta sonhador. Difícil segurar…
Feito o remédio que cura por impregnação, cada faixa do CD é como uma pílula que preenche de emoção até levar às lágrimas. Pois ali, numa sequência avassaladora de canções tão profundas e conceituais, o ouvinte está sempre sujeito a espantos, que são como trancos a incitar emoções.
Celso Viáfora é, hoje, um profeta que verseja sobre a vida e seus significados misteriosos; poeta moderno como poucos. Modesto, todavia, trata de dar a entender a quem o escuta que ele pouco sabe além do que sabemos nós… acredite quem quiser.
Nilva de Souza
28 de dezembro de 2013 8:46 pmPróxima aquisição. Adoro o
Próxima aquisição. Adoro o Celso Viáfora. “(…) Modesto, todavia, trata de dar a entender a quem o escuta que ele pouco sabe além do que sabemos nós… acredite quem quiser.”
Fernando J.
29 de dezembro de 2013 12:22 amSESC Pompeia sex 31.01.
SESC Pompeia sex 31.01. 21h00
Venda online a partir de
20/01/2014 17:30
Venda nas unidades a partir de
22/01/2014 17:30
Celso ViáforaLANÇAMENTO DO LIVRO E DO CD AMORES ABSURDOS
O show celebra o lançamento do romance Amores Absurdos, junto com o CD de mesmo nome, com composições inéditas que ilustam musicalmente algumas passagens do livro.
O compositor, arranjador e violonista Celso Viáfora tem em sua extensa carreira 9 CDs e 1 DVD, que contaram com participações de grandes nomes da música brasileira, como Ivan Lins, Yamandú Costa, Seu Jorge, Demônios da Garoa, Roberto Menescal, Quinteto em Branco e Preto, entre outros.
Neste show, o músico vem com uma formação inusitada: o quinteto de cordas regido pelo contrabaixista Neymar Dias, o baterista Gabriel Alterio, além de seu violão e voz.
Local: Teatro