Homenagem a Sérgio Cabral, por Rui Daher

Homenagem a Sérgio Cabral, por Rui Daher

Tento parar a sanha assassina de Harmônica. Depois da caneta BIC e do perfunctório AGRO-PINO, pensei que ele daria um tempo.

Pedi sugestão a Luiz Melodia no Conselho Consultivo do “Dominó de Botequim”. E ele cantarolou baixinho: “Deixa andar, deixa andar … Podem me prender/Podem me bater/Podem, até deixar-me sem comer/Que eu não mudo de opinião/Daqui do morro/Eu não saio, não/Se não tem água/Eu furo um poço/Se não tem carne/Eu compro um osso/E ponho na sopa/E deixa andar/Fale de mim quem quiser falar/Aqui eu não pago aluguel/Se eu morrer amanhã, seu doutor/Estou pertinho do céu”.

– Deixa o Harmônica andar, Rui. Ele tem muito trabalho pela frente. Viu, hoje, o Fux. Acho que em 4 anos será o maior serial killer do planeta.

– Falô Melô.

Como eu e todos inspirados leitores lembramos Zé Keti, o compositor e cantor carioca José Flores de Jesus (1921-1999), quando no palco do Teatro de Arena do Rio de Janeiro, encenou o “Show Opinião”, produzido pelo Centro de Cultura Popular (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Dirigido por Augusto Boal (1931-2009) sobre textos de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), Paulo Pontes (1940-1976) e Armando Costa (1933-1984), o show estreou em 11 de dezembro de 1964, pouco mais de 8 meses depois do golpe civil-militar.

As cenas abaixo constam de “Desafio” (1965), filme de Paulo César Saraceni (1932-2012).

Já o vídeo seguinte é de 2014, quando a cantora Joyce e o grupo Casuarina, apresentados pelo jornalista, escritor, compositor e musicólogo Sérgio Cabral comemoraram os 50 anos do show. É delicioso.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=ZUaBG-VwqLM

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Aproveito, justamente, para falar sobre Sérgio Cabral, um dos fundadores de “O Pasquim”, de que tanto precisaríamos nesse incerto futuro.

Sérgio está hoje com 79 anos. Nasceu em Cascadura e foi criado em Cavalcante, Rio de Janeiro. Aos 17 anos começou nos Diários como repórter policial. Em 1979, com Tarso de Castro e Jaguar fundou “O Pasquim”. Era a pior fase da repressão militar.

Chama-me a atenção: sim, éramos jovens, presos, torturados, e a nada temíamos. Hoje em dia, os jovens de esquerda, diante do governo de ultradireita que desgraça o Brasil, e mesmo nós em finitude, tememos falta de publicidade e processos canalhas.

Sérgio produziu ótimos musicais. Escreveu lindas letras. Em três legislaturas, elegeu-se vereador do Rio de Janeiro. Na minha opinião, foi quando errou e gerou o ovo de serpente, causa de hoje sofrer do Mal de Alzheimer.

Leio: “Quando fala sobre seu filho preso pela operação Lava-Jato, afirma que seu “menino” morreu quando ainda era criança”.

Amigo de Noel Rosa, Martinho da Vila e tantos outros sambistas, o boêmio Cabral era assíduo no tradicional bar Petisco da Vila, um dos berços do samba e das noites cariocas. Fechou depois de 44 anos, acusando a administração do filho. Um pai, se entendeu, entristeceu.

 

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12 comentários

  1. MINHA HOMENAGEM AO CANALHA PAI DE OUTRO….

    Nada como um dia após o outro. O tempo é mesmo senhor da razão. Mais um da Elite Esquerdopata, que se dizia não ser Elite. Ensinou muito bem ao filho. Parabéns pela ajuda na construção destes 40 anos Redemocráticos. Transfiramos as criticas do Pasquim, sobre um Governo que combatia estas ratazanas que chegaram ao Poder a partir da Anistia de 1979, para os dias de hoje, livres, pseudo-democráticos. Onde a População Brasileira ‘seria’ o Senhor da Nação !! Espetacular Projeto !! Projeto que tem outros nomes nesta Elite que não se diz Elite. Sobrenomes e biografias abjetas como Neves, Covas, Arraes,…Nepotismo? Política não é Profissão? Como o país pode chegar a isto? Fale para Nós, caros Leonel Brizola, Tancredo Neves, João Goulart, como dando apoio a um Ditador Assassino Fascista, seu Familiar, e o endeusando até o dia da morte, chegaríamos a uma Democracia Republicana? Parabéns SC, Pai de mais uma Quadrilha Carioca. O RJ já tem tão poucas?!! E a Polícia e o Poder Judiciário dizem procurar o Crime Organizado nos Morros Fluminenses? Seria cômico…(P.S. O Pasquim ( e tenho vários) combatia a CENSURA com humor. Pelo menos isto) O Brasil é de muito, mas muito fácil explicação. Abraços e ótimo 2019.    

  2. Acrescento que Sérgio Cabral

    Acrescento que Sérgio Cabral foi um dos mais importantes pesquisadores de música popular do Brasil, com dezenas de livros importantes sobre diversos artistas e temas, sem falar nos milhares de artigos esparsos que publicou. 

    Só uma pequena correção: O Pasquim foi fundado em 1969, não em 1979.

    • Jair,

      me enganei mesmo, mas como expliquei ao Francisco fui comprador do 1º número e colecionador dos seguintes. Ficaram muito velhos e tive de jogar fora, então comprei as antologias. Abração

  3. Da Arte de Conversar com os Vivos, Mortos

    Rui, esse mundo literal, raso, rosa, azul, goiaba, laranja e do ‘deixa que eu mato no peito’, mesmo com Harmônica à solta e agora podendo armar-se com quatro ou mais trabucos, está uma chatice.

    Ora bolas, se tu conversa com Melô, Darcy e tantos outros no Conselho Consultivo do ‘DB’, qual o ‘perrépes’ do Cabralzão ter trocado dedos, palmas e até mesmo braços, de prosa, com o ‘Poeta da Vila’ e tornados amigos, em mesas do finado ‘Petisco’, ouvindo ao fundo, até aqueles tais três apitos da falida fábrica Confiança.

    E por que não também com Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Anacleto de Medeiros apreciando o pôr do sol em Paquetá?

    Quanto ao de fato, inesquecível ‘meia nove’ do Pasquim, até faz sentido se ficar por conta da preocupação com o que Harmônica possa aprontar, ainda mais agora com quatro trabucos. 

  4. bom ver e ouvir a arte que

    bom ver e ouvir a arte que revela a história de um tempo de aritstas tão importantes

    para c ultura brasileira, como essa turma e especialmente a do boal, nara.. elis, chico,  etc e tal…

  5. + comentários

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