Há certas coisas que morro e não consigo entender. Uma delas é o artista LUIZ CLÁUDIO, mineiro de Curvelo, ser praticamente desconhecido ou esquecido hoje em dia. Além de haver sido um intérprete de voz lindíssima, Luiz Cláudio foi também excelente compositor, havendo inclusive musicado poemas de Guimarães Rosa e de Carlos Drummond de Andrade. Desse último recebeu rasgados elogios, chegando mesmo a receber essas palavras: “Fico satisfeito por saber que incluirá a música de ‘Viola de bolso’ no próximo long-play. Claro que pode usar o mesmo título para dar nome ao disco. Isto só me dá prazer, pois gosto de sua arte de autêntica raiz mineira”.
Luiz Cláudio foi ainda Arquiteto e Artista Plástico, havendo publicado o livro MINAS SEMPRE VIVA, livro de arte contendo seus desenhos e acompanhado de um álbum duplo com músicas do folclore mineiro. Minas sempre viva tem a luxuosa apresentação de Carlos Drummond de Andrade.
Ainda assim, pouca gente conhece o multifacetado artista mineiro. Luiz Cláudio de Castro faleceu em 2013. Quem dele havia se esquecido, relembre-o. Quem não o conhecia, escute-o!
Ivan de Union
6 de janeiro de 2014 2:20 pm“Há certas coisas que morro e
“Há certas coisas que morro e não consigo entender. Uma delas é o artista LUIZ CLÁUDIO, mineiro de Curvelo”:
Ja entendeu entao. Minas eh o beijo da morte pra seus artistas.
Ronaldo Pereira
6 de janeiro de 2014 2:57 pmA interpretação do meu
A interpretação do meu conterrâneo para Maninha é uma das melhores que já tive o prazer de ouvir.
lucianohortencio
6 de janeiro de 2014 6:05 pmPara Ronaldo Pereira!
Realmente, lindíssima interpretação, caro Ronaldo.
Aí vai um vídeo com imagens e voz de Luiz Cláudio, ao vivo!
Abraço do luciano
[video:http://www.youtube.com/watch?v=KYdN90I8bMk%5D
lucianohortencio
6 de janeiro de 2014 6:17 pmPara o Ivan!
Aí vai uma entrevista interessante com o Luiz Cláudio.
Abraço do luciano
Publicado em 10/01/2013Publicado em 10/01/2013
Por Lívia Fernandes
Quando nos questionamos sobre o jeito mineiro de receber as pessoas, a convicção de que esses filhos de Minas Gerais sabem, e realmente sabem, recepcionar e agradar suas visitas se concretiza a partir do primeiro e acolhedor “boa tarde”. E foi assim, sentado na sala de sua casa, ao lado de sua doce e apaixonante esposa, Heloiza Helena e de sua única neta, Laura, que Luiz Cláudio de Castro proseou sobre sua vida regada de muita tinta e Bossa Nova.
Luiz Cláudio nasceu na cidade de Curvelo, interior de Minas, no ano de 1935. Quando pequeno, aos cinco anos, ganhou de seu pai um cavaquinho ao qual, segundo ele, foi o marco inicial de sua carreira. Ao mesmo tempo em que a música embalava sua vida, a pintura ia ao lado colorindo os caminhos pelo qual passou e ainda passa. Seu reconhecimento nacional e internacional é de fato honroso e digno de um prefácio escrito de próprio punho por Carlos Drummond de Andrade.
E para mergulhar nessa história de cultura, brasileirismo, Bossa Nova, arte e cumplicidade, a Revista Inside conversou com o casal que iniciou seu romance a partir de uma voz em um rádio de madeira e de uma aluna de internato carioca encantada pelo dono de sua melodia preferida, “Pobres de Paris”.
“E se o rio é o seu chão, Minas Gerais é a sua paixão”. Como o senhor traduziria esta afirmação? O que é, para o senhor, ser mineiro? É este o segredo de tanto sucesso?
L. C.: Com certeza! Esse jeito simples, gostoso e curtido. Ser mineiro é ser ímpar, não é um jeito ruim, não é bobo, é maravilhoso. Não é a mesma coisa que os outros. Ser mineiro é tudo isso, é ser sucesso e talento. É ser simples e feliz!
O que o levou a escolher Guaratinguetá para fixar residência? Há quanto tempo os senhores moram na cidade?
Luiz C.: Estamos há três anos em Guaratinguetá, mas ficamos a vida toda vindo para Guará, nós vínhamos muito nas férias, quando ainda namorávamos.
Heloiza H.: Somos doidos até hoje pela cidade, é muito parecida com Minas. Aqui não utilizo nem carro, é uma tranquilidade. As crianças, Luiz Eduardo e Sônia Maria, cresceram praticamente aqui. Temos um carinho muito grande. Não sei como conseguimos ficar 55 anos longe. O Rio é bom para passear. Na nossa idade, morar no Rio de Janeiro é fogo.
Durante sua carreira, no momento em que teve de optar pela arquitetura ou pela música, o que o levou a escolher a música?
Luiz C.: A música eu tenho desde pequeno em minha vida, quando ganhei um cavaquinho, pelo qual sou apaixonado. Mas também adoro desenhar e pintar. Acho que gosto das duas coisas. Eu comecei a cantar profissionalmente por que a música me forneceu melhor mercado, me permitiu sair de Curvelo. Na época de Juscelino Kubitscheck foi o momento que começou o meu reconhecimento. Comecei a cantar na Rádio Cruzeiro.
Heloiza H.: Ele tinha um trio lá em Curvelo, eles cantavam muito em exposição agropecuária. Em uma dessas, o Juscelino Kubitschek foi, os viu e falou para o diretor da Rádio Inconfidência que estava lá, contratar o Luiz Cláudio para tocar na rádio. Assim, ele foi para Belo Horizonte com 15 anos. Com algum tempo cantando na rádio foi chamado para ir ao Rio de Janeiro. Ele foi sendo levado pela música. No Rio o chamaram para cantar na rádio Máric Veiga, na mesma época em que trabalhava Chico Anysio e tantos outros. A partir disso, passou para a Rádio Nacional. Mas, segundo ele, quando mais novo queria ser pintor, ele já me disse isso.
Sua primeira banda foi o trio Travadores do Luar. Quais lembranças o senhor guarda desta época?
Luiz C.: Surgiu em Curvelo, foi a primeira manifestação inteligente de música com três vozes, bonitinho, meninos sérios de gravata, com sucesso, que cantavam nas festinhas da cidade. Foi neste momento que fui convidado para tocar na Inconfidência e depois fui para o Rio, no ano em que fui convidado para gravar um disco que fez sucesso no Brasil inteiro com temas natalinos. Era uma banda única e original.
Heloiza H.: Interessante é que, antigamente, não era qualquer pessoa que gravava disco não. Só gravava mesmo quando tinha um gogó daqueles, pois não havia edição. Hoje em dia há as edições, não precisa ter a voz maravilhosa. Luiz Cláudio é o típico cantor de rádio. Eu acho que curtia muito mais a carreira dele do que ele. O Luiz Cláudio no Rio não era uma pessoa que aparecia muito, ele não gostava. Mas nossa casa vivia cheia, recebíamos visitas de pessoas como Beth Carvalho, Clara Nunes, que era amissíssima do Luiz Claudio, João Gilberto, entre tantos outros. Era uma delícia!
Quais cantores o senhor carrega para a sua vida?
Luiz C.: Bing Crosby, que é da mesma época de Frank Sinatra. Tom Jobin, Milton Nascimento, entre outros brasileiros, todos me influenciaram, são maravilhosos. Tem também o Billy Blanco, Dori Caimmy e Marcos Vaz.
Como a pintura entrou na sua vida? Foi antes ou depois da música?
Luiz C.: Surgiram juntas. Um complementou o outro. A música me forneceu um caminho para ganhar dinheiro, sair de Curvelo. Mas a pintura nunca deixou ser minha paixão. Inclusive, o dono das pastilhas Valda vivia comprando minhas artes.
Heloiza H.: Acho que o desenho foi primeiro né, Luiz Cláudio? Ele entrou para faculdade um ano depois de nos casarmos, em 1961. Ele exerceu a carreira, se aposentou e tudo mais. Foi arquiteto do estado.
Luiz C.: Eu escolhi a arquitetura porque ela está muito ligada à arte, é do meio. Chico Buarque entrou, mas no segundo ano parou. Tom Jobin também parou.
O poeta Carlos Drummond de Andrade não poupou palavras ao elogiar sua voz e seu dom musical. Como o senhor vê esta homenagem?
Luiz C.: Foi maravilhoso, uma homenagem dessas não é para qualquer um. Uma honra. Foi quando eu estava fazendo o “Minas sempre Viva” e tinha uma letra do Drummond que eu musiquei. Gravei, mandei para o Drummond e pedi para ele escrever o prefácio, que o fez de próprio punho. Uma honra!
http://www.editoraexpedicoes.com.br/inside/?p=519
Ivan de Union
6 de janeiro de 2014 10:14 pmFabuloso! 55 anos depois
Fabuloso! 55 anos depois eles voltam pra Curvelo. Advinhe a razao…
Porque pelo menos os brasileiros aqui so voltam pra Minas pra morrer mesmo.
No entanto, eu tenho 39 anos fora de la, Luciano… Eles me botaram no chuleh!
Adorei, agradecidissimo!
lucianohortencio
6 de janeiro de 2014 11:01 pmVoltaram pra Curvelo?
Onde você leu isso, Ivan?
Luiz Cláudio viveu seus últimos anos em Guaratinguetá, onde faleceu em 28 de agosto de 2013.
Abraço do luciano
Ivan de Union
6 de janeiro de 2014 11:08 pm(!!! Eu li errado!!)
(!!! Eu li errado!!)
Jair Fonseca
7 de janeiro de 2014 2:07 amNão me lembro se foi o
Não me lembro se foi o extraordinário cronista e poeta Paulo Mendes Campos (mineiro) que escreveu que tem algo de errado com um mineiro que não vai embora de Minas…
Franklin
6 de janeiro de 2014 10:21 pmAmigo luciano, realmente uma
Amigo luciano, realmente uma voz ímpar, a de Luis Claudio.
Uma pena estarmos no Brasil, onde não são valorizados os verdadeiros talentos.
lucianohortencio
7 de janeiro de 2014 6:49 pmAmigo Franklin!
Certa vez li um depoimento de um filho do Edu da Flauta, exímio instrumentista, que narrava que seu pai afirmava sempre: Enquanto houver uma só pessoa pra me ouvir, eu toco com prazer.
Falo isso para lembrar que, apesar de a maioria de nós brasileiros não prestigiar nossos reais talentos, sempre haverá bons ouvidos, tais quais os teus, para ouvir e valorizar nossa boa música e melhores intérpretes. O que importa não é tanto a quantidade de oiças e sim a qualidade dos bons ouvidos musicais.
Abraço do luciano
Jair Fonseca
7 de janeiro de 2014 1:45 amÓtimo, Luciano!
Obrigado por isso, meu caro! Muito bem lembrado! Outro artista ilustre de Curvelo é o escritor e poeta modernista Lúcio Cardoso, autor, entre muitas outras obras, de Crônica da casa assassinada, uma espécie de acerto de contas com o lado escuro de Minas, bem lembrado pelo Ivan…
lucianohortencio
7 de janeiro de 2014 6:55 pmAmigo Jair Fonseca!
Muito obrigado a você por tão gentis palavras e por ter citado outro filho de Curvelo, tão excelente quanto Luiz cláudio, o célebre Lúcio Cardoso.
Abraço fraterno do luciano
mello
7 de janeiro de 2014 3:47 pmNa verdade, a bela
Na verdade, a bela voz do Luiz Claudio me lembra um pouco a do Dick Farney….excelentes, os dois.
lucianohortencio
7 de janeiro de 2014 6:52 pmAo Mello!
Muito obrigado por participar e comentar, caro Mello!
Abraço do luciano