4 de junho de 2026

Caderneta de poupança tem saques recordes em julho

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Jornal GGN – Os brasileiros retiraram da caderneta de poupança um total de R$ 2,453 bilhões a mais do que depositaram, o que foi considerado o pior resultado para o mês desde o início da série histórica calculada pelo Banco Central, em 1995, e o sétimo resultado negativo consecutivo da poupança este ano. No acumulado do ano, a captação da aplicação está negativa em R$ 40,9 bilhões.

Em julho, os saques na poupança somaram R$ 169,9 bilhões, superando os depósitos, que alcançaram R$ 167,4 bilhões. O valor total nas contas dos poupadores chegou a R$ 648,24 bilhões. O volume dos rendimentos creditados nas cadernetas dos investidores registrou R$ 4,138 bilhões.

No acumulado do ano, de janeiro a julho, os saques da poupança estão superando os depósitos em R$ 40,995 bilhões. Como os saques ainda foram menores que o rendimento, o patrimônio total da poupança subiu de R$ 646,561 bilhões em junho para R$ 648,246 bilhões em julho.

Uma série de fatores tem contribuído para a fuga de recursos da poupança em 2015. Em primeiro lugar, a alta da Selic (taxa básica de juros da economia) – atualmente em 14,25% ao ano – tornou a poupança menos atraente que outras aplicações.

Na visão do diretor de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC), Miguel José Ribeiro de Oliveira, este resultado pode ser atribuído a uma série de fatores, como o aumento da rentabilidade das aplicações financeiras em títulos públicos, como fundo de renda fixa, CDB’s, tesouro direto, etc, em detrimento a uma menor rentabilidade da poupança – em julho de 2015, os Fundos de Renda Fixa apresentaram uma rentabilidade de 0,90% contra uma rentabilidade de 0,73% da caderneta de poupança. Em doze meses, os fundos de renda fixa tiveram uma rentabilidade de 10,32% contra uma rentabilidade de 7,53% da caderneta de poupança.

A retração econômica e o resgate de recursos para complemento de renda foram outros fatores que influenciaram o volume de resgates no período. Com tal quadro deve permanecer ao longo do ano, a Anefac diz que “a tendência para os próximos meses é de que este movimento de redução no volume dos depósitos da poupança se acentue, agravado ainda mais em um ambiente econômico mais recessivo com a elevação nos índices de inadimplência e de desemprego”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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