Por Motta Araujo
Comentário ao post “Amaro Ramos, amigo do ex-presidente FHC, diz não ter ligação com cartel“
PINTO RAMOS E O LOBBY DE GRANDES PROJETOS – José Amaro Pinto Ramos é um lobista de grandes projetos e opera no Brasil há mais de 40 anos. Como todo grande lobista da área, opera com TODOS os governos, lobista não tem ideologia, se tiver NÃO serve como lobista. É ridiculo falar que Ramos era “amigo” de Sergio Motta, ele já operava nos governos anteriores em grande escala, lobista não é amigo, não tem lada, é um operador no mundo político.
O lobista de projetos é ESSENCIAL para que o projeto exista. É ele quem junta as pontas da concepção, do fornecimento, do financiamento que faz existir o projeto. Sem ele as pontas não se juntam e o projeto não sai. É um erro de conhecimento e de avaliação típica da galera burra taxar o lobista como um marginal que vive de corrupção, quem criou essa ideia foi a imprensa e o MP, para quem fora eles todos são bandidos.
Nos EUA o lobby é ABSOLUTAMENTE LEGAL, é a maior indústria de Washington, lobista dá nota fiscal e é respeitadíssimo. O maior escritório de lobby de Washington, Patton Boggs, tem 700 funcionários, 90% egressos do Governo e do Congresso, inclusive vários Senadores importantes, Thomas Boggs foi líder do Partido Democrata no Senado, tudo é às claras, Patton Boggs é lobista da China e da Arábia Saudita em Washington, entre seus mais de 100 sócios está o Senador Trent Lott, um dos próceres atuais do Partido Democrata.
A má reputação do lobismo no Brasil advém da HIPOCRISIA que coloca o lobby na ilegalidade e quando descoberto vira crime, CPI, escandâlo na VEJA, denuncia do Kennedy Alencar e do Merval, tudo isso em um festival de falsidades que FINGE que o mundo perfeito é constituído de pessoas de concurso público sem empreendedores para fazer o meio de campo, as pontes e ferrovias serem construídas, não é o Tribunal de Contas quem faz o país andar.
No Governo JK quando o Brasil teve espetacular crescimento industrial e de infra estrutura operavam os grandes lobistas que juntavam as pontas da engenharia, do fornecimento, do financiamento, nomes lendários se fixaram como Jorge Serpa, Ortiz Monteiro, Valentim Bouças, gente refinada, inteligente, que captava necessidades do país, procurava lá fora quem pudesse fazer, arrumava o dinheiro e apresentava ao Governo, eram reverenciados e não lançados às feras do MP e da Polícia como se bandidos fossem. Para ser lobista precisa cérebro, audácia e capacidade de articulação, não é para qualquer um, o Brasil mais uma vez mostra seu lado hipócrita, inquisitorial, atrasado, falso, primitivo, onde só vale quem está na folha do Estado e não vale nada quem é empreendedor, arrisca seus próprios recursos e seu tempo para trazer ao País alguma coisa de útil e inovadora.
Se o Brasil tivesse só promotores e delegados estaria no tempo de D.João VI, vivendo de vender cocada.
ed. não logado
22 de dezembro de 2013 2:07 pmMas que absolutamente cândido!
O colega André Motta Araujo “quase” me “convence”.
Faltou apenas um tiquinho, um pequenino “big bang” de ~14 bilhões de anos luz para chegar lá…
Talvez não perceba que uma das principais causas da deterioração das instituições americanas venha exatamente desta “absolutamente legal” atividade com “nota fiscal” (que sequer existe nos EUA).
Assim como as cínicas (mas legais): desregulamentação financeira, a prisão sem acusação, Guantánamo(s), das 357 onipresentes agências de “inteligência”, “intromissão ativa” em sociedades soberanas e outras pérolas (negras) da afamada terra das oportunidades (inclusive para negócios sicilianos e suas filiais cubanas).
Talvez não perceba que lobby não é exatamente uma atividade acadêmica, com diploma universitário, mas a institucionalização do tráfico de influência e dinheiro em redes de poder, que podem ter desde PhD´s até smart, savvy analphabets.
Talvez não perceba o estrago que isto traz às sociedades e às democracias, quando se entra num círculo vicioso de usar o poder para incrementar o poder, seja lá o que interesse a esse poder (que obviamente não está, por ex., com crianças africanos do Sudão).
Talvez não perceba que o congresso americano (como muitos outros, incluive o nosso) e demais instituições de interesse público são “absolutamente” reféns da infestação dos lobbies e não dos interessses da sociedade.
Tudo uma questão de princípios e valores.
Interesses e objetivos.
Públicos ou privados.
E não venha me argumentar que “o mundo é assim mesmo”
Até por que, em inglês não há uma palavra que expresse a diferença entre “é” e “está”.
Se fosse original eu diria:
“Absolutamente nada a ver”.
Motta Araujo
22 de dezembro de 2013 8:26 pmO lobby tem mais de 150 anos
O lobby tem mais de 150 anos como atividade nos EUA, nasceu nlo lobby do Hotel Willard em Washington, onde se encontravam senadores e lobistas. É atividade essencial da economia americana, partindo do principio que a atividade sempre existirá, então é melhor regula-la e torna-la transparente e controlada.
Aqui no Brasil se prefere a hipocrisia, o caixa 2, a mala preta, o fingimento do que uma atividade controlada, tributada e
transparente. Nos EUA as contribuições politicas são livres, DESDE que declaradas. O lobista cobra seus fees e pode doalos a politicos MAS tem que ser às claras, não há nenhuma restrição.
Diz muito sobre a cultura politica de cada Pais.
ed. não logado
22 de dezembro de 2013 11:13 pmCaro colega AA, vc não está
Caro colega AA, vc não está insinuando que não existe caixa 2, mala preta, sonegação e hipocrisia nos estêites, certo?
Vou admitir que não.
Quanto ao batismo americano nos “lobbies” de hotéis há 150 anos, tenho a convicção de que ela já existia nas termas romanas há uns 2000 anos atrás (“termistas” talvez?). E antes…
Quanto a ser “atividade essencial” … que “sempre existirá …”, etc., as atividades mafiosas legais de Atlantic City, Las Vegas e quetais também são inerentes à economia e a cultura locais. E se pararem, quebram as cidades, But…
Lobbies são talvez essenciais para os negócios empresariais americanos. Mas não para a sociedade ou a economia (que transcende evidentemente, empresas).
Ou vc acredita que não se pode ganhar negócio de outras formas? Arrumar um emprego sem indicação? CNH sem pagar? Mudar ou fazer leis considerando a resultante de todos os interesses envolvidos? E não a do “lobby” mais forte?
Ou vc acha que lobby é uma questão de “competência argumental” e não de rede de relações (poder) e dinheiro?
Não é uma discussão sobre crime.
Note que no dia “n” anterior à mudança da lei, adultério era crime, passível de prisão, etc.
No dia “n+1”, passou a ser um problema de cada um (ou cadas dois, ou melhor três, isto é, às vezes 4 ou mais).
Não estou dizendo que lobby é crime (nem que não é, depende da lei).
Estou afirmando que é uma atividade nociva, danosa, nefasta às sociedades. Porque subverte interesses comuns por particulares. Desigualadora e furtiva.
Que gera bilhões em “negócios”, sabemos todos. Mas específicamente, entre os envolvidos. O resto é sobra, se sobrar. Raramente (as vezes coincide) para o interesse público, que tem seus representantes sequestrados por estes interesses.
Concordo que mercados negros (vide lei seca americana, experiência única americana) costumam trazer males maiores.
Mas os próprios lobbies já “convenceram” os governos que o oposto de proibir é “liberar geral”. Ora entre um e outro existem inúmeras gradações de regulamentação. NECESSÁRIAS para que haja controles de interesse da sociedade. E não dos fornecedores de bebida (ex: não vender para crianças). Ou dos bancos, que existem para a sociedade.
Não é evidentemente a sociedade que existe para os bancos! (só banqueiros poderiam pensar isso).
A desregulamentação (assim como o ramo financeiro) das doações já faz >95% do parlamento ser refém destes interesses (e NÃO dos seus eleitores), falsificando a democracia, que passa a ser o retrato de uma lobbycracia desde as campanhas. Ou não é este o mundo que estamos vivendo?
Sim, aqui é “mais pior de ruim ainda”. E daí? Se num país bem mais equilibrado, já é ruim (e piorando), imagine num país (ainda) desequilibrado como o nosso?
Não podemos depender do “gênio” de Lulas, que consegue com sua inacreditável habilidade política, vencer o poder econômico, a poderosa mídia em permanente e massacrante campanha contra, os escândalos, os juízes, o MP, os adversários mais “bem preparados”, e ainda eleger “postes”, “cantando a pedra” antes!.
Precisamos depender de instituções.
Não de (bem vindos) milagreiros ocasionais.
Gilson Raslan
22 de dezembro de 2013 8:50 pmCORRETÍSSIMO
Ed, concordo com você. Esse tal de lobby corresponde ao nosso QI (quem indica).
Quero ver uma pessoa residente em um grotão, sem ligação com figurões da política, mesmo com PHD e com vasto conhecimento, consegue, pelo menos, chegar perto da alta cúpula de qualquer governo.
Assim, penso que lobby é atividade para pessoas que tem condições de cooptar políticos, para levar vantagem; é atividade de ganho fácil, sem nenhum risco, que tem como arma oferecimento de vantagens pessoais a políticos e a seus financiadores.
Rodrigo C Moreira
22 de dezembro de 2013 2:31 pmEsse artigo é
Esse artigo é brilhante.
Queridos, o lobista nada mais é que um captador de negócios, como um representante comercial ou um corretor.
Nada de ilegal em sua atividade. O problema é quando o sujeito paga propina para garantir os negócios. Mas isso nao é lobby, é crime – com lobby ou sem lobby.
A melhor parte do texto é a seguinte: “(…)tudo isso em um festival de falsidades que FINGE que o mundo perfeito é constituído de pessoas de concurso público sem empreendedores para fazer o meio de campo, as pontes e ferrovias serem construídas, não é o Tribunal de Contas quem faz o país andar”.
Pessoal, cresçam. No mundo das pessoas normais, que nao foram “ungidas” pelo concurso público, captar negócios é normal. E não há nada de errado nisso.
Anão Imaturo
22 de dezembro de 2013 7:07 pmTomar Toddinho pra aprender a fazer negócios
Do alto de seu “crescimento”, o querido colega nos manda tomar toddinho para aprender que, na vala comum do “cinismo natural”, alterar constituições, fazer leis, criar sistemas de saúde, ou mesmo guerras, são meramente…
Negócios.
junior50
22 de dezembro de 2013 7:41 pmAqui não pode, fazemos lá fora
Caro Motta,
Grandes empresas brasileiras, inclusive estatais contratam escritórios de lobby muito ativos nos Estados Unidos, incluindo um de nossos mais “caros” amigos, Bill Rhodes ( ex- CityCorp) e decano da AmericanChamber, que mesmo depois de seus mais de 75 anos ainda está bem ativo, ou:
Unica ( produtores de cana de açucar e alcool) com o David Thomas e a Leticia Phillips
Embraer ( Flórida e Washington), cliente do Becker (www.becker-poliakoff.com/governement-law-lobbing
Petrobrás e Vale, fazem parte da lista do http://www.fara.gov – dependencia do Depto. de Justiça norte americano que controla as atividades de lobbies externos, e as regula.
O lobby aberto, diminui as oportunidades de corrupção, portanto é pouco interessante para nossos politicos, a regulamentação desta atividade.
Motta Araujo
23 de dezembro de 2013 1:28 amO BRASIL E O LOBBY NOS EUA –
O BRASIL E O LOBBY NOS EUA – O governo do Brasil é o unico entre os grandes paises que não tem estrutura de lobby em Washington, aliás nunca teve, há uma enorme resistencia do Itamaraty contra. A China trabalha com 15 firmas de lobby em Washington, até os paises bolivarianos tem contrato com firmas de lobby , o Equador usou até poco tempo a Paton Boggs, pagando a mesnalidade de 60 mil dolares, a Venezeula de Chavez tambem tinha bons lobistas em Washington.
A Patton Boggs é a maior do ranking, com 600 funcionarios, dos quais 90% vieram do Executivo ou do Congresso.
O papel do bonista não é concorrente da diplomacia, cada qual tem uma função, a Embaixada não tem pessoal para ir todo dia ao Congresso, nem todo o network para isso, tambem não pode contactar os bastidores dos Ministerios importantes para o Brasil, como o da Agricultura, alem disso a conversa de um executivo de um Ministerio com um diplomata nunca será do mesmo tipo que fará com um lobista bem conhecido dele, o dialogo com um lobista poderá ser mais aberto do que com um diplomata.
O Brasil só perde com essa ausencia, deveria ter uma presença mais atuante tanto na Administração como no Congresso,
especialmente quando as relações não estão boas e podem ser melhoradas.
Os bons lobistas em Washington podem ser ex-embaixadores, ex-ministros, congressistas, tem que ter nome e boa reputação, qualquer deslize queima o nome do lobista e o exclui da profissão.
ed. não logado
23 de dezembro de 2013 3:31 amVisões dúbias, atitudes dúbias … mas consistentes
Nisto concordo (vide meus comentários): SE todos têm lobistas, também precisamos (BR) ter.
Não à espionagem, mas SE espionam, também precisamos contra-espionar.
Não à bombas nucleares, mas SE eles têm, também precisamos ter.
Mas sem assimilar ou aceitar estas visões.
Continuar trabalhando pacientemente para mudá-las.
Aceitá-las não é defendê-las.
alfredo machado
23 de dezembro de 2013 9:40 amLOBBY
junior50,
Este é o resumo da ópera, demonizar a atividade no patropi para manter os canais de “$$$ por fora” de Brasília fluindo normalmente.
No exterior, como falo há muito tempo, o nosso país sofre demasiadamente com a ausência de lobistas, notadamente em Washington. A única vitória expressiva obtida na OMC, a do algodão, deveu-se à contratação de um lobista americano especialista no assunto.
Em Washington, queiram ou não a capital do mundo empresarial, de lobistas são uns 3 mil chineses, outros tantos japoneses e os brazucas, continuando a olhar o lobista como um marginal, devem ser contados a dedo por lá.
Um abraço
Zanchetta
22 de dezembro de 2013 10:49 pmO único lobbysta aceitável é
O único lobbysta aceitável é o Zé Dirceu… ele até tentou trabalhar no lobby de um hotel ultimamente….
macedo
22 de dezembro de 2013 11:52 pmPalestra com um lobista
Uma vez assisti uma palestra dada por um lobista profissional nos EUA cuja profissão é regulamentada por lá. Segundo ele, à epoca existiam mais de 13.000 lobistas registrados em Washington/DC.
Estes tem de apresentar anualmente (2 ou 4 vezes) declaração mostrando quais foram suas atividades desenvolvidas, com quais políticos se encontraram e quais os assuntos discutidos, bem como descrever para quais empresas fazem lobby. Isto decore da lei “Lobby Disclosure Act” de 1995. (http://www.senate.gov/legislative/Lobbying/Lobby_Disclosure_Act/TOC.htm)
Na palestra alguém perguntou sobre a prática que pagamento de “agrados” aos congressistas por parte de lobistas. Ele disse que além de ser ilegal (óbvio) como a concorrência é muito grande entre os lobistas para trabalharem para as grandes empresas, se algum lobista for pego “molhando a mão” de alguém, ele entra em uma lista negra e não consegue mais trabalhar como lobista.
Em particular ele trabalhava para uma associação de pequenas empresas de construção e reformas. Ele enfatizava que por lá até mesmo pequenas empresas conseguem fazer lobby no congresso, desde que é claro estejam organizadas e tenham recursos para contratar lobistas. Há até mesmo uma agência governamental para fazer a interface entre o governo federal e os pequenos empresários, a “U.S. Small Business Administration” (http://www.sba.gov/advocacy).
O lobby real acontece antes mesmo que um regulamento seja colocado em consulta pública. Há jornais especializados nas notícias do congresso e senado americanos, como The Hill [http://thehill.com/] e The Politico [http://www.politico.com/].
Ele mencionou como a mídia é utilizada para se fazer lobby. Ele distribuiu cópia de alguns anúncios retirados da mídia impressa.
Em um deles por exemplo o banco Goldman & Sachs dizia que ajudava no apoio ao pequeno empresário, provavelmente sendo parte de uma campanha de melhoria de relações públicas após a crise financeira iniciada no final de 2007 e algumas notícias sobre os elevados bônus recebidos pelos executivos de bancos que recebiam ajuda do governo para não falir. Em outro um anúncio, da Boing sobre as qualidades de um VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado), possivelmente em razão do anúncio de cortes do orçamento da defesa.
Estes anúncios em particular foram tirados do jornal The Politico, publicação lida por membros do congresso.
Quando estava por lá eu vi uns anúncios no metrô de Washington da Boing, em outdoors dentro das estações sobre as qualidades de seu mais recente avião de caça F35, cujos custos superaram em muito o esperado levando o governo americano a reduzir substancialmente a encomenda inicial de 1000 aeronaves deste tipo, a um custo unitário de U$200milhões. Eu ficava pensando: que raios um passageiro comum do metrô quer saber de um caça suersônico de última geração? É que ao que parece congressistas por lá andam de metrô!
Um aspecto mencionado pelo lobista é de como por vezes em publicações respeitáveis, aparecem noticias que parecem ter sido escritas pelo departamento de marketing de alguma empresa fazendo lobby. Disse para os presentes sempre questionarem porque determinada notícia foi publicada em determinado veículo de comunicação de da forma como foi publicada (se aparece uma fotografia no alto da página, embaixo, etc.).
Quando ele falou isso lembrei imediatamente da série de reportagens “O Caso Veja” do Nassif onde determinado colunista defendia uma empresa de telecomunicações italiana.
No caso da licitação FX2 dos caças isso ocorreu o tempo todo com colunistas, sem serem especialistas na área de defesa, publicavam em suas colunas, defesa da compra de um ou outro modelo de caça. Fica evidente que foi uma matéria plantada por uma das empresas participantes da concorrência. Ainda que a concorrência do FX2 finalmente se encerrou.
Outro caso que eu me lembro ocorreu anos atrás, por volta de 1997, antes das privatizações do setor de telecomunicações. Na ocasião a Telebrás estava em meio ao processo de escolha da tecnologia digital para atualização das redes de telefonia móvel celular que ainda utilizavam tecnologia analógica (AMPS). Havia dois padrões de tecnologia digital em disputa, o TDMA e o CDMA.
Era frequente aparecerem artigos na mídia impressa (não especializada) defendendo um ou outro padrão, escritos por jornalistas não familiarizados com o tema. Também ficava aparente a tentativa de lobby para influenciar a decisão final.
Ele comentou como por vezes uma notícia é publicada justamente na véspera de alguma reunião, votação ou evento importante que vai afetar o setor abrangido pela lei/regulamento de alguma forma.
Perguntei até que ponto “think tanks” são contratados para fazer estudos suportando determinadas posições defendidas por lobistas. Ele ficou um pouco constrangido com a pergunta mas reconheceu que isto ocorre. Mas disse que o maior patrimônio de um “think tank” é sua reputação. Assim se começa a aceitar pagamento para fazer estes estudos com viés favorecendo determinada opinião perdem credibilidade e podem perder seus financiadores, pois são entidades sem fins lucrativos.
O professor que estava coordenando a palestra lembrou da época em que trabalhava no governo na área da aviação civil (que nem o antigo DAC por aqui). Disse que jamais aceitou “agrados” das empresas e que jamais mudaria suas convicções por causa de pequenos presentes recebidos. Então ele lembrou que por vezes em almoços de negócios com empresas de aviação estes eram pagos por estas. Embora estas pequenas “gentilezas” nunca fizeram este mudar suas convicções, percebeu que com o tempo, como recebia muitos recados de ligações telefônicas de empresas , na hora de priorizar quais ligações responder, inconscientemente este começou a dar prioridade justamente a estas empresas com as quais tinha melhor relacionamento e que lhe faziam pequenas gentilezas. Assim, disse para estar atento com estes pequenos brindes oferecidos pelas empresas reguladas.
Palestra interessante.
Flavio Martinho
23 de dezembro de 2013 12:17 amAcho que, neste caso, é
Acho que, neste caso, é menos, muito menos. Tanto que tentaram, há não muito tempo, regulamentar a atuação dos lobistas mas o lobby não permitiu.
Atuar nas sombras deverá ser mais lucrativo. Como é mais lucrativo para alguns o aborto clandestino, a droga proibida, etc.
Flavio Martinho
23 de dezembro de 2013 12:17 amAcho que, neste caso, é
Acho que, neste caso, é menos, muito menos. Tanto que tentaram, há não muito tempo, regulamentar a atuação dos lobistas mas o lobby não permitiu.
Atuar nas sombras deverá ser mais lucrativo. Como é mais lucrativo para alguns o aborto clandestino, a droga proibida, etc.
ed. não logado
23 de dezembro de 2013 2:43 amCorrupcinhas, dubiedades e alto nível
As vezes o colega Luciano brinca com a existência do “ed.” e do “ed, não logado” aqui no blog.
Mas no fundo, há dois “eds.” realmente meio dúbios em suas posições e opiniões.
Isso porque a vida é cheia de “ses”, de diferentes cenários, premissas, épocas, locais, níveis, etc.Por ex;
Sou contra limitações de fronteiras, passaportes e vistos. Mas SE todos têm, sou a favor dos meus.
Sou contra o caixa 2 de campanha, mas SE todos fazem, quem não fiizer não vai conseguir competir bem..
Sou a favor de punir Caixa 2, mas SE não se pune todos (começando pelos mais relevantes e antigos), não se pune ninguém.
Sou por um Supremo absolutamente republicano (para o país), mas SE ele está politicamente aparelhadó por outros …
Enfim, podemos ter “perfeitamente” posições diferentes e até opostas: as do mundo real, pragmáticas) e as do mundo ideal, sonhático.
Partir para o idealismo pode nos levar para o esquerdismo radical, que ignora a realidade das imperfeições humanas.
Partir para o realismo total e pragmatismo nos leva ao cinismo oportuno do darwinismo (social), do “nós é nós, o resto é b#st@”, do “a vida é assim”, assuminfo as imperfeições como favas contadas e ignorando que PODEMOS melhorá-las e não meramente assumi-las (ou consolidálas, piorá-las), embora reconhecendo-as como reais.
Feiita esta “curta e rápida” introdução, percebo que os colegas falam de 2 tipos gerais de lobby:
1) Os de fornecimento (como mencionam os colegas Macedo, Rodrigo, Junior50 e o próprio AA: Projetos, concessões e serviços, equipamentos, infraestrutura, armamentos, etc. Podem ser vistos como “negócios” (embora governamentalmente devam atender ao interesse público). Decididos provavelmente por gestores especialistas (ex: FA´s, ministério, estatais), mas também por políticos (hmmm) ou misto.
2) Os políticos, institucionais e estratégicos: criar ou bloquear emendas constitucionais, leis, sistemas públicos (saúde, educação, habitação, regulamentação financeira, etc. Estes não devem estar subordinados a “negócios”, mas ao interesse público, da sociedade, do país, do mundo. Decididos (espera-se) por políticos (assessorados).
Como em termos de lobby governamental (por que há concentração de lobistas americanos em Washington, DC?), ambos tem o componente do interesse público, as diferenças (negócios e política) acabam tendo interseções inevitáveis, um tanto misturadas. Exemplifico: SIVAM é um “negócio” ou é estratégico? Caças? Pré-Sal? Privatizações foram negócios ou uns, sim e outras, não?
Notemos que mesmo nestes “negócios”, sem acontecer um tusta de “propina” (lobbies não se preocupam com estas mixarias aatórias), o interesse do país pode ter sido prejudicado pela “competência” dos lobbies vencedores.
Alguns aqui falam em “propina criminosa”: as coisas não funcionam tão ridiculamente assim. A menos de milhões muito bem “refugiados” (para que existem refúgios?) um dinheirinho, uma canetinha ou reloginho, um fim de semana tod pago pode soar até desonroso para um lobbista com 2 “b”s.
Ninguém precisa ganhar uma propina de 100 mil dólares quando pode receber U$ 1 milhão na próxima campanha. Ou ter recomendações para os meus filhos em Harvard, e depois num escritório de advocacia, de lobby ou instituição financeira. Todos com bônus milionários (objetivos e subjetivos…).Ou o primo do amigo ganhar contratos particulares com empresas. Ou aqueles empréstimos e financiamentos difíceis de conseguir e de pagar. Ou …
Fazer a vida, sua e da family, como Bill aproveitou os contratos com a IBM que mamy Gates apresentou e acompanhou maternalmente.Pergunto-me quem seria Bill Gates sem o contrato com a IBM (Basic e DOS).
Na rede, vai um lavando a mão do outro e todos giram milhões. Zero cents de propina. Sem relógios, canetinhas e dólares íntimos.Nada de camerinha . Mil maneiras de fazer tudo em altíssimo nível.Nada de mufumfo, Só 5 estrelas.
Os muitos milhões ganhos pelo lobista entram no preço? Então já temos aí um prejuízo público! Quem acaba pagando não somos nós?. Quem autorizou estas “comissões” milionárias em nosso nome?
Num mundo mais sério (pensando numa mãe África em nível com a Europa ou AL, vai), mesmo em negócios, precisaríamos meramente de “equipes de vendas e marketing competentes”. Inerentemente próprias.
Mas no mundo real, é evidente que esta equipe nem chegaria a colocar suas propostas.
Mas não porque os lobbies são necessários para vender.
São necessários porque os concorrentes também usam lobbies.
Aí a moral (e também a lei) começa a ser, viciosamente, cada vez mais “realista”.
E cínica.
Mácio Alves
23 de dezembro de 2013 6:30 pmO lobismo é o combustível da corrupção
O LOBISMO É O COMBUSTÍVEL DA CORRUPÇÃO
Pois fique sabendo, meu Senhor, que são os lobista das grandes construtoras que pressionam, e muitas vezes conseguem, conven$$er (escreve-se convencer) muitos políticos (prefeitos, principalmente) a construir ponte onde não precisa de ponte, estrada asfaltada onde não precisa de estrada asfaltada, refinaria em floresta, aeroportos em cadeia de montanha acidentada, estádio de futebol em município com menos de 10 mil habitantes, e que distribuem propinas para atingir todos esses objetivos. Foram alguns lobistas que convenceram um EX-prefeito de João Pessoa a contratar uma determinada empresa para construir uma RODOVIÁRIA que NÃO cabia ônibus em seus boxes. A empresa contratada estava realizando a sua primeira obra de engenharia e utilizou-se de alguns “lobiStas” para ganhar a “concorrência”. São os lobistas da construção civil que querem destruir o parque do Cocó, em Fortaleza-CE, para beneficiar as grandes construtoras. Onde tem lobista, meu Senhor,tem falcatrua. Anote aí.