21 de maio de 2026

5 anos depois, PF admite que havia escuta ilegal na cela de Youssef

Na primeira investigação, delegado havia dito que grampo estava lá desde 2008, para investigar o traficante Fernandinho Beira-Mar, que passou uma temporada preso na Superintendência de Curitiba

Jornal GGN – Cinco anos depois de ter sido revelado pela defesa de Alberto Youssef, a existência de um grampo ilegal na antiga cela do doleiro, na Superintendência em Curitiba, foi admitida em relatório produzido por um perito da Polícia Federal. A informação foi confirmada pela Folha de S. Paulo nesta sexta (12).

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Segundo o jornal, uma análise feita pela PF mostrou que a escuta instalada sem autorização judicial captou falas de ao menos 3 presos da Lava Jato em 2014. São 260 horas (11 dias) de conversas entre Youssef, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e a doleira Nelma Kodama.

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A apuração começou a ser feita entre 2015 e 2016, mas “até hoje as circunstâncias da instalação da escuta ainda não foram esclarecidas”, frisou o jornal. Recentemente, a PF voltou a colher, em São Paulo, depoimentos de Youssef para “um processo administrativo disciplinar sobre o agente responsável pela instalação do equipamento de escuta, Dalmey Werlang.”

“O advogado de Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, disse que não sabia da existência da análise e que a polícia negou o acesso da defesa às sindicâncias.”

Segundo a Veja, numa audiência de julho passado, o doleiro afirmou Sergio Moro disse a seus advogados que não deu autorização para o grampo na cela.

O relatório dessa sindicância chega à conclusão, no entanto, da “inexistência de diálogos que pudessem ser considerados relevantes ou que pudessem, em tese, ser usado contra os interlocutores”.

SINDICÂNCIA E BEIRA-MAR

Em 2014, quando o assunto veio à tona, o então delegado Maurício Moscardi Grillo abriu uma primeira sindicância, mas alegou, sem ouvir os envolvidos, que a escuta encontrada havia fora legalmente instalada em 2008, “para investigar o traficante Fernandinho Beira-Mar, que chegou a ficar preso na superintendência.”

“Obviamente, aproveitando-se do fato de ter sido encontrado o artefato no forro de sua cela, Alberto Youssef e sua defesa difundiram o fato de maneira irresponsável na convicção de tumultuar e ocasionar alguma nulidade formal para a Operação Lava Jato”, escreveu o delegado na ocasião.

Grampos ilegais já foram a base para anulação de grandes operações, a exemplo da Satiagraha.

Redação

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12 Comentários
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  1. Ugo

    12 de julho de 2019 12:48 pm

    E quem mentiu foi promovido. Tristes trópicos!

  2. AMORAIZA

    12 de julho de 2019 1:04 pm

    A exigência imprescindível que se faz de um candidato à vaga de delegado da polícia federal, cargo muito bem remunerado, por sinal, é que ele tenha sólida formação em direito e saiba com grande proficiência sobre direito penal, processual penal, constitucional, administrativo, entre as demais áreas afins.
    O despacho do cidadão que, nomeado delegado da polícia federal, vem demonstrar que ele não atende o mínimo da exigência para a investidura no cargo.
    Quando ele diz:
    ““Obviamente, aproveitando-se do fato de ter sido encontrado o artefato no forro de sua cela, Alberto Youssef e sua defesa difundiram o fato de maneira irresponsável na convicção de tumultuar e ocasionar alguma nulidade formal para a Operação Lava Jato”, escreveu o delegado na ocasião.”
    Ele quer dizer:
    1-Tinha escuta sim, e daí?
    2-Se quiser reclamar, problema seu!
    3-Se denunciar ainda pode ser acusado de tumulto processual (ou, vai se ferrar!)
    4-Achou ruim? Podemos arranjar uma acusação por “obstrução da justiça”
    Com isso o cabra – ele, autoridade – abusou de seu poder para desrespeitar o direito à privacidade do detento; interferir no bom andamento do devido processo legal; cercear a defesa do indiciado.
    Enfim, ou não tem compatibilidade com o cargo ou é indigno dele.
    Está demorando pra vigorar essa lei de abuso de autoridade.
    No mais, nem mesmo o “supremo com tudo” vão poder negar as nulidades.

    1. Ivan de Union

      13 de julho de 2019 12:42 am

      Caso estereotipico de “palavra de delegado”. De merda.

      O “obviamente” ja eh um desastre analfabeto, mas entao ele editorializa ainda mais o que ainda nao disse!

      (E pensar que meu queixo caiu o dia que ouvi uma juiza dizer “at all” em uma sentenca…)

  3. rafagels

    12 de julho de 2019 1:52 pm

    Eh de se esperar – no minimo – a demissao do delegado Moscardi Grillo. Na melhor das hipoteses processo e cadeia nele.

    1. AMORAIZA

      12 de julho de 2019 8:20 pm

      Moscardi Grillo. Não é um inseto. São dois insetos na mesma pessoa.
      É muita coincidência.

  4. Marina

    12 de julho de 2019 2:00 pm

    Já grampearam até advogado e não deu nada…

    1. Jossimar

      12 de julho de 2019 6:42 pm

      Grampearam até presidente da república e não deu em nada para eles.
      para a presidenta deu impeachment.

      1. AMORAIZA

        12 de julho de 2019 8:21 pm

        Não é curioso isso?
        O traidor da pátria vira herói e tem mais poder que a presidência.
        Realmente o rabo balançou o cachorro.

  5. Antonio Claudio Brunetti

    12 de julho de 2019 3:34 pm

    Grampearam até advogado = COMENTÁRIO ACIMA =

    Na verdade grampearam até a presidenta da republica e um ex-presidente !!!!

    estão desMOROnando a democracia .

  6. paul moura

    12 de julho de 2019 8:32 pm

    Podemos começar por aí…. pressionar e processar o delegado responsável pela apuração…. alguem lembra de quem se trata….. ahhh.. um grillo falante…. que acha que ácido ascórbico é nocivo a saúde humana…kkkkkkk
    vamos pra cima dele… um elo fraco, fraquíssimo até porque…. deixa pra lá.

  7. +almeida

    13 de julho de 2019 2:04 pm

    Cinco anos depois? PQP e nada acontece com os corruptores da lei e da ordem? e lá vai a justiça descendo a ladeira rumo a desonra, o descrédito e a escravidão total, pelo feitor capital.

  8. Hausen

    16 de setembro de 2019 12:52 am

    Mais uma boa razão para anular de cabo a rabo a operação “Lava Jato “. Grampo ilegal de investigados é crime. Ameaçar a família de investigados, como foi feito com a família de Paulo Costa, também é crime.

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