21 de junho de 2026

A briga de narrativas entre a Lava Jato e a PGR

Não tem sentido a explicação da Lava Jato Curitiba, de que o compartilhamento de banco de dados pode permitir vazamentos e uso indevido para achaque. O risco maior é o do controle absoluto de um grupo sobre o banco de dados, sem nenhuma espécie de supervisão externa

Algumas informações sobre a disputa Augusto Aras x Lava Jato do Paraná.

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  1. Há uma disputa de narrativas, com a imprensa se colocando a favor da Lava Jato por dois motivos. Um, pela parceria histórica. A desmoralização da Lava Jato tiraria um enorme trunfo da mídia, tanto em credibilidade quanto nas apostas em Sérgio Moro para as próximas eleições. Outro, pela proximidade de Aras com Bolsonaro. Daí a importância de não se deixar levar por intrigas de procuradores plantadas na imprensa.
  2. Lindora Araujo, subprocuradora braço direito de Augusto Aras, é pessoa de trato difícil. Mas não pairam suspeitas maiores sobre ela. Na qualidade de supervisora das operações do MPF, tem desenvolvido um trabalho positivo com a Lava Jato Rio, segundo os próprios procuradores.  Nas conversas com a Lava Jato do Rio de Janeiro, para liberar os depósitos suiços de Barata Filho, o poderoso dono das empresas de ônibus da cidade, segundo fontes da própria Lava Jato, sua preocupação era liberar recursos para o Covid.
  3. É fato que Aras possui material sobre a Lava Jato do Paraná. Do Rio, recebeu apenas as mensagens do doleiro Dario Messer, sobre suposta mesada paga a um dos procuradores do Paraná. Portanto, material adicional deve ter vindo dos contatos com o advogado Tacla Duran.
  4. A tentativa de ligar a ação sobre a Lava Jato de Curitiba com Flávio Bolsonaro não se sustenta. As investigações sobre Flávio Bolsonaro estão com o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro.
  5. Não tem sentido a explicação da Lava Jato Curitiba, de que o compartilhamento de banco de dados pode permitir vazamentos e uso indevido para achaque. O risco maior é o do controle absoluto de um grupo sobre o banco de dados, sem nenhuma espécie de supervisão externa – nem de suas chefias. Aliás, o deslumbramento da Lava Jato de Curitiba fez com que passassem a tratar a Operação como uma entidade à parte, sem obrigação de prestar contas a nenhum superior. Essa atitude levou a todos os abusos revelados pela Vazato.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. nilo filho

    30 de junho de 2020 11:51 am

    A cosca de Curitiba teme ser escancarada…

  2. Bruno Cabral

    30 de junho de 2020 12:05 pm

    “o compartilhamento de banco de dados pode permitir vazamentos e uso indevido para achaque”… Logo a Farsa a Jato, especialista em vazamentos seletivos como o grampo ilegal da Presidente Dilma e todas as operações “secretas” que contavam com reportéres da TV do plim plim…

  3. Brasileira

    30 de junho de 2020 12:05 pm

    Nassif, excelente seus artigos sobre a Lava Jato.Queremos saber mais sobre PGR X Lava Jato.

  4. fel

    30 de junho de 2020 12:39 pm

    O dd tem razaõ em relaçaõ ao uso de vazamento para achaque, afinal ele é especialista nisso.

  5. João Ferreira Bastos

    30 de junho de 2020 5:03 pm

    https://www.youtube.com/watch?v=ROsYfTvHs4U

  6. Lidia Zorrilla

    30 de junho de 2020 5:22 pm

    Na Grécia clássica o maior pecado era a húbris, o orgulho desmedido; era a causa frequente da queda dos heróis.
    Falta cultura à rapaziada de Curitiba.

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