“A esquerda só fala pra quem é de esquerda, não tem a menor capilaridade em outros grupos”

"Só vai haver capilaridade se houver junto uma abordagem eficiente para desconstrução dos métodos usados para a demonização"

Comentário de Chris Rabello ao post “Esquerda tem capilaridade, mas falta narrativa própria e estratégia nas redes sociais, diz Letícia Sallorenzo”

“Capilaridade orgânica” nas redes sociais… sério? Pra mim a esquerda só fala pra quem é de esquerda, não tem a menor capilaridade em outros grupos. Ainda mais depois destes anos de demonização e bombardeio de desinformação. Você acha mesmo que a turma cooptada pela direita vai baixar a guarda do preconceito já enraizado para ouvir (e entender) uma narrativa que venha de alguém que se assuma com o rótulo de esquerda? Estamos num momento histórico em que o ponto disto já passou. Só vai haver capilaridade se houver junto uma abordagem eficiente para desconstrução dos métodos usados para a demonização.

Sabem quem tem capilaridade no povão? Os pentecostais. Isto depois de décadas de trabalho de base intenso de lavagem cerebral. E o bolsonarismo capturou esta base e juntou com sua base ‘indignada-com-tudo-que-está-aí’, que mistura misógenos (todos os anti-politicamente corretos), saudosistas da ditadura, milicianos, um balaio de gatos unidos pelo cimento do ódio, ignorância, ressentimento, etc. Enfrenta esta esfinge…

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4 comentários

  1. Pois é. Se a esquerda tivesse o poder de manipulação do sistema Trump/Bannon/ pentecostais americanos/zuckemberg/deep state seria diferente. O buraco é mais embaixo. É geopolítica e briga de fim de império. Na briga entre o rochedo e o mar a esquerda e o povo brasileiro são os mariscos. A esquerda brasileira errou ao engolir a balela da democracia ditatorial americana.

  2. Tem gente que acha que o problema de nosso tempo é um problema de tipo “técnico”. Que o problema são as redes sociais, ou uma obtusidade “técnica” da esquerda. Ou os algoritmos, novos “senhores da humanidade”. Que se a esquerda aprender a usar o Google ou o Facebook, virará o jogo. Pura ilusão.

    Não percebem que o problema fundamental é político.

    Tudo o que está acontecendo tem profundas raízes sociais. E o principal fato da situação é a putrefação do capitalismo, um modo de produção em aguda senilidade. Hoje, como ontem, a crise demole o “centro democrático” e joga a ação política para os extremos radicais, fascismo contra-revolucionário e socialismo revolucionário.

    A maioria da esquerda, emulando o avestruz, não quer se dar conta da situação. Preferem viver de ilusão para não ter que reagir à gravidade real da crise histórica. O “democratismo” burguês acabou. Mas libertar-se dessa concepção é, no fundo, deixar para trás todo um modo de vida. Poderiam os esquerdistas deixar a cômoda posição que adotaram nos últimos 30 anos para sujarem-se de lama ao lado do povo trabalhador? Colocaria o esquerdista seu pescoço em risco pela luta política?

    A adaptação às posições da burguesia arrastará inevitavelmente a quem isso se aferrar cada vez mais às posições direitistas. Nunca foi tão necessária a independência política da esquerda, assim como nunca foi tão difícil acordar os dirigentes de seu “sonho de Cinderela”. A esquerda, deslumbrada com os salões frequentados na madrugada do último período, se vê pela manhã em meio à lama da marginalidade política.

    A forçosa conclusão é a de que não há a difusão, a ampla propaganda, das ideias de esquerda, justamente porque há uma vacilação fundamental quanto à própria política de esquerda. Colocando de outra forma, trata-se de um dilema político. “Arriscar tudo para ser de esquerda ou acomodar-se e tornar-se de direita?” – eis a questão. Trata-se da mais grave tomada de posição, da definição de que lado do alambrado cada um estará no próximo período.

    Por tudo que acima foi exposto, conclamo os que imaginam tratar-se o problema de “propaganda insidiosa”, “lavagem cerabral”, “hegemonismo cultural” a pensarem uma segunda vez sobre a questão. Temos aqui um problema de resolução, de tomada de posição, que antecede uma campanha de agitação e propaganda. Portanto, sugiro que se dê menos relevo à consequência de uma ausência e que nos detenhamos por hora na causa da abstenção, pois aí reside o verdadeiro nó górdio que devemos desatar.

  3. Será que os pentecostais teriam essa tal “capilaridade” se a Igreja Católica Apostólica Romana do Senhor Wojtyła e o senhor Ratzinger não lançasse outra santa cruzada contra a Teologia da Libertação da América Latina com o o apoio de uma certa nação “protestante”? Será que os pentecostais teriam essa tal “capilaridade” se nosso querido Sarney não precisasse de 1 ano mais de mandato e o gênio da raça, FHC, precisasse reescrever a Constituição de 1988, aprovar a emenda da reeleição e buscar seu segundo mandato e o sonhado dos 30 anos tucanos? Será que os pentecostais teriam essa “penetração” na sociedade se estivessem pregando nas praças das grandes cidades com seus terninhos apertados da DUCAL e tudo no gogó? Pois é, fácil criar “achômetros” sobre a comunicação política.

  4. Eu assisti ao #CaiNaRoda mas quem é Chris Rabello ? Com todo respeito ao texto mas gostaria de saber quem ela é. O texto faz um contraponto à convidada do programa mas faltou informações sobre autora do texto

    Obrigado

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