O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira (23), em decorrência de investigações sobre irregularidades no Banco Digimais. O caso traz à tona detalhes revelados em reportagem da revista piauí, assinada pela jornalista Consuelo Dieguez em março de 2026, que expõe uma crise profunda na instituição, cujo rombo estimado chega a 8,5 bilhões de reais.
A relação de Edir Macedo com o Digimais começou em 2009, quando ele adquiriu 40% do então Banco Renner, aumentando sua participação até assumir o controle total em 2020, quando a instituição foi rebatizada. Sob sua gestão, o bispo nomeou lideranças ligadas à Igreja Universal, como o bispo João Urbaneja, para comandar o banco, apesar da falta de experiência técnica desses nomes no mercado financeiro.
A reportagem da piauí aponta que o Digimais apresenta conexões estreitas com o escândalo do Banco Master, compartilhando os mesmos tipos de ativos e, em alguns casos, os mesmos gestores e administradores. A ID Corretora, que administra alguns fundos do Digimais, possui em seus quadros ex-executivos do Master, e o mercado suspeita que ela tenha absorvido carteiras da Reag, gestora ligada ao Master que foi liquidada pelo Banco Central.
Um mês antes do caso Master explodir, o Banco Digimais foi denunciado ao Banco Central após o fundo de investimento EXP1 relatar ter sido lesado em uma operação de 650 milhões de reais. Segundo a piauí, o fundo adquiriu carteiras de crédito consignado do banco, mas uma auditoria internacional descobriu que 22 mil contratos, no valor de 500 milhões de reais, eram falsos e não possuíam lastro. O Digimais teria admitido a inexistência dos créditos, que eram compostos por ativos originados justamente pelo Banco Master e pela Reag.
As fraudes praticadas por ambos os bancos, conforme detalhado pela reportagem, consistiam primordialmente na inflação artificial do patrimônio para forjar uma solidez financeira que permitisse a emissão desenfreada de novos títulos de dívida, os CDBs. De forma didática, a piauí explica que as instituições utilizavam “ativos podres” — como títulos da Vale da década de 1920 sem valor real ou terrenos superavaliados em mais de dez vezes o preço de mercado — para “maquiar” os balanços e elevar o patrimônio líquido. Com o balanço inflado artificialmente, os bancos podiam captar mais recursos de investidores, muitas vezes oferecendo taxas de retorno muito acima do mercado e utilizando a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como isca para atrair clientes, enquanto negociavam carteiras de crédito fictícias entre si para ocultar rombos bilionários.
Segundo a reportagem, hoje o Digimais é presidido por Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco Central, que foi chamado para tentar reestruturar a instituição, focando em áreas como crédito consignado e financiamento de automóveis. Sua missão principal é “limpar” o balanço do banco para torná-lo atraente para uma possível venda. A piauí aponta que sua nomeação pelo bispo Edir Macedo, que é de extrema-direita, foi vista como um movimento estratégico para negociar a dívida do banco junto ao Banco Central, atualmente presidido por Gabriel Galípolo, que é identificado com a esquerda. Logo após assumir, Bendine tomou a decisão de recusar o estorno de 650 milhões de reais solicitado pelo fundo EXP1, que havia denunciado a compra de carteiras de crédito falsas da instituição.
Outra ligação política feita pela reportagem é com o Partido Republicano, que atua como “braço político da Igreja Universal e de Edir Macedo” no Congresso por meio da bancada evangélica e do Centrão. Sob a presidência do bispo Marcos Pereira, um dos poucos homens de confiança de Macedo, a legenda transforma a crise técnica do Banco Digimais em um complexo dilema para o governo Lula (que busca a reeleição) e o Banco Central, que temem que uma intervenção rigorosa na instituição provoque instabilidade política e prejudique a governabilidade em anos eleitorais. Diante desse cenário, a situação do banco é vista como uma potencial “moeda de troca” política pela revista, uma vez que o apoio do Republicanos – que tem Tarcísio de Freitas em seus quadros – em futuras disputas presidenciais pode ser condicionado ao tratamento dado ao Digimais pelo órgão regulador.
Por fim, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é apontado pela reportagem da piauí como o órgão que deve arcar com o prejuízo bilionário caso o Banco Digimais venha a quebrar, uma vez que a instituição utilizou a garantia de depósitos de até 250 mil reais como “isca” para atrair clientes para seus CDBs de alto risco. A preocupação do FGC é imediata porque o rombo estimado em 8,5 bilhões de reais ameaça o patrimônio do próprio fundo, que já foi severamente afetado pelo colapso do Banco Master, custando 52 bilhões de reais aos seus cofres. Segundo a fonte, o FGC já dá o prejuízo como certo e propôs um acordo para assumir 70% da dívida, enquanto os 30% restantes seriam cobertos pelo controlador Edir Macedo, que elevou o risco para o fundo ao retirar 2 bilhões de reais da Record que estavam investidos no banco, deixando um passivo de 1,75 bilhão para o FGC pagar em caso de falência.
Leia também:
Luiz Fernando Juncal Gomes
23 de junho de 2026 1:28 pmCorreção
.
Aldemir Bendine, o Dida, foi presidente do Banco do Brasil, e não do Banco Central.
Jose carlos lima
23 de junho de 2026 2:32 pmMais um esquema criminoso envolvendo bolsonaristas que será “sorteado” pra ficar com o super Mendonça?
Como se explica que todo e qualquer processo que possa envolver a clã Bolsonaro tem que ficar nas mãos desse boneco de ventríloquo do boldonarismo?
Estamos diante de uma Lava Jato piorada, olha só o trio de extremistas de direita empoderados: Joaquim Zbarbosa, Moro e Mendonça que avocou para si casos envolvendo até o INSS
Mendonça eh tão sem escrúpulos que censurou qualquer publicação que faça referência aos esquemas criminosos do Flavio Rachadinha, para que o povo vote sem ter acesso a longa capivara do Collor piorado mil vezes
jucemir rodrigues da silva
23 de junho de 2026 6:29 pmQue não haja murmúrios quanto a envolvimento do Bispo Edir Macedo em mais essas picaretagens.
Edir é um homem de Deus: sua atividade sempre e unicamente se limitou à pregação da doutrina cristã.
Se chamado a depoimento sobre esse escândalo do Digimais, bastar-lhe-á repetir o que declarou perante o juiz em um rolo antigo e hoje esquecido sobre empresas de sua propriedade.
O vídeo do depoimento sumiu do YouTube, mas, felizmente, salvei-o.
Segue a transcrição de um trechinho.
“Na realidade, o nosso trabalho, ele se restringe estritamente a espiritual. A parte jurídica-administrativa, física da instituição, eu não não me envolvo. Não me envolvo porque tenho os meus princípios. A Igreja vive e se sustenta de inspiração, ideias. E essas ideias, essas inspirações bíblicas obviamente passam por nós; e nós nos atemos à constituição disso aí. A parte administrativa, nada disso eu tenho conhecimento.(…)Não me envolvia, não me envolvo e não me envolverei. Essa é a minha linha de conduta.”
No mais, lembro o alerta de Silas Malafaia quanto a um rolo envolvendo Valdemiro Santiago: ‘Não se toca num ungido do Senhor’.
Tal como Edir e Valdemiro,o próprio Silas é um ungido.
As malas cheias de todos são a prova da bênção divina.
AMBAR
24 de junho de 2026 12:11 pmUngidos não, UNTADOS com legítimo óleo de peroba.
Evandro Condé
23 de junho de 2026 6:54 pmE o detalhe que não podemos esquecer: ambos os bancos com o dedo de evangélicos.
Alexandre de melo
23 de junho de 2026 8:59 pmO único conforto nessa estória é saber que todo este dinheiro foi doado aos pobres. Lembrando aos católicos , espíritas e umbandistas que não devem votar em pl, pr e bolsonaros para não trairem suas religiões.
AMBAR
23 de junho de 2026 9:15 pmO que a Piauí vê como problema em termos de crise pré eleitoral, poderia ser visto como oportunidade para a esquerda conquistar o governo paulista e azedar de vez a influência da direita. Quero ver como vão enrolar o defunto fétido da Digi+ para revenda.
Fernando Bastos
23 de junho de 2026 9:21 pmO Vorcaro foi preso. O Edir Macedo será? Ou não?
Fábio de Oliveira Ribeiro
24 de junho de 2026 7:28 amEssa operação cheira a cortina de fumaça. Além de ter protegido o vagabundo Flávio Bolsonaro, o Sinistro do STF joga a manada evanjegue contra Lula (cuja PF fez a operação policial que resultou na perseguição do líder evanjegue).
Nelson Viana dos Santos
24 de junho de 2026 7:48 amImpressionante a sujeira ligada ao autodenominado bispo.
Há décadas, e os mais velhos devem se lembrar, a imprensa mostrou ele a cúpula da igreja dele nos EUA, passeando de lancha, e colocando maços e maços de dólares nas roupas, isso entre gargalhadas e deboches. De lá para cá, a igreja só cresceu e é grande apoiadora do fascismo nacional — vide a relação com o atual governador de São Paulo com a instrumentalização da PM e assim por diante. Agora, a fraude bilionária do banco. O roteiro já está escrito: a culpa será lançada sobre o governo e, o pior, a massa dos fiéis irá acreditar.
A se perguntar se nos Evangelhos existe alguma passagem na qual o Filho de Deus ensina como abrir um banco, emprestar dinheiro a juros escorchantes, fraudar balanços…A falta de vergonha e decência estende-se para as várias dezenas de deputados eleitos que se dizem cristãos, sejam católicos ou evangélicos. Sinto pena desse nosso país e pena de Jesus, que nada tema ver com essas criaturas sinistras.
Luiz Fernando Juncal Gomes
25 de junho de 2026 1:16 pmCorreção
.
Aldemir Bendine, o Dida, foi presidente do Banco do Brasil, e não do Banco Central.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
26 de junho de 2026 7:23 amPensamento universal: Jesus é o caminho e eu o pedágio.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
27 de junho de 2026 8:29 amDescobriram p significado da sigla DIGIMAIS: Dízimos garantem ir mais longe!