19 de junho de 2026

A história da Fábrica Nacional de Motores

Por Motta Araujo

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EMPRESAS HISTÓRICAS – FÁBRICA NACIONAL DE MOTORES – Criada em 1939 pelo Governo Vargas para fabricar motores de aviação sob licença da Curtiss-Wright americana, que forneceu as máquinas e os desenhos. Seu incentivador foi o Coronel Antonio Guedes Muniz. A fábrica era em Xerém, no início da Serra, perto do município de Duque de Caxias.  O primeiro motor de avião ficou pronto em 1946 mas com o fim da guerra perdeu sentido essa fabricação, os EUA vendiam quase de graça imensos excedentes de guerra, só de aviões C-47 que poderiam ser convertidos em DC-3 os EUA venderam muito baratos 11.000, com o que foram criadas 400 linhas aéreas novas pelo mundo, inclusive umas 20 no Brasil.

Em 1949 a FNM fez um acordo com a Isotta Fraschini, tradicional marca italiana de motores automoblíisticos, com o que foi fabricado o primeiro caminhão, o D-7.300 a diesel, com capacidade de 7,5 toneladas.

Em 1951 a Isotta Fraschini foi substituída pela Alfa Romeo, com cujos desenhos se fabricou o D-9500 e depois o D-11.000 de 6 cilindros. Vale dizer que a Alfa Romeo, antiga indústria italiana fundada pelo engenheiro Nicola Romeo antes da Primeira Guerra, fabricava aviões, tornos, caminhões e automóveis, tendo sido muito mais tarde incorporada pela FIAT.

Em 1960 foi fabricado o primeiro veículo de passageiros, o Sedan 2.000, conhecido como JK.

Em 1968 a FNM produziu o primeiro Alfa Romeo, em 1984 o Alfa Romeo 2300, inteiramente fabricado no Brasil.

Já naquela época grande número de fábricas de autopeças como Metal Leve, Cofap, Sofunge, Albarus, tomavam impulso, atraídas pelos incentivos e proibição à importação do Governo JK.

Em 1977 a FIAT comprou o controle da FNM e em 1979 a empresa foi fechada, produziu em sua vida 15.000 veículos, pioneira absoluta na fabricação de veículos no Brasil, muito anterior ao plano GEIA do governo JK, imagine-se com que dificuldade se produziam caminhões nessa fase da indústria brasileira.

De 1945 ao começo da produção da Mercedes já no governo JK, os caminhões mais vendidos no Brasil eram os da International Harvester, os caminhões International  tinham excepcional reputação mas eram 100% importados. O Governo JK ofereceu à International a oportunidade de fabricar caminhões no Brasil, não aceitaram e perderam o mercado certo no País,  para os fabricantes que vieram no plano do GEIA entre 1956 e 1960. Hoje a antiga International, a mais antiga fabricante de caminhões dos EUA, foi fundada ao tempo da Guerra Civil, está no Brasil produzindo motores para outras fábricas sob o nome de Navistar, que é a mesma antiga International.

O grande truque que JK usou para trazer em 5 anos mais de 10 grandes empresas automobilísticas foi a Instrução 113 da SUMOC, pela qual as firmas podiam entrar com máquinas usadas como capital de suas subsidiárias no Brasil.

A FNM deixou saudades e com todo seu pioneirismo merece o respeito dos brasileiros daquela época, apesar de todas as dificuldades de fabricação, os caminhões FNM eram robustos e resistentes às péssimas estradas de então, duraram muito tempo e muitos caminhoneiros tinham carinho por seus “”fenemês”.

 

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20 Comentários
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  1. antonio francisco

    25 de fevereiro de 2014 4:03 pm

    Um dos terrenos da fábrica FNM, no Rio

    Por estarmos num mesmo lugar e à mesma hora (o adro de uma igreja), foi inevitável puxar conversa com um senhor que estava com olhar entristecido, ar de quem dependia mesmo muito de Deus para resolver seus problemas.

    Depois de trivialidades, ele finalmente decidiu-se a contar o que fora fazer ali, nas proximidades da sacristia: um amigo lhe dissera que um dos capuchinhos era muito amigo de certa autoridade federal do Ministério da Fazenda. E ele fora até lá para que o padre intercedesse por ele  junto à autoridade 

    Enquanto o tal padre não vinha, o senhor contou pra mim que um terreno enorme na Baixada Fluminense que Getúlio havia desapropriado para implantar a fábrica (ou uma das instalações) da Alfa Romeo, ainda não tinha sido pago, apesar de terem sido tomadas todas as medidas possíveis para que isto acontecesse. A pasta com documentos  que ele portava era realmente volumosa. Fiquei com muita pena daquele homem. Nunca mais o vi, mas fiquei na torcida para que nalgum dia o indenizassem.

    Quanto ao portentoso Fenemê, um de meus irmãos foi motorista de um deles quando trabalhava na Coenge, na construção de estradas e de campos de aviação.

     

    http://antigosverdeamarelo.blogspot.com.br/2010/10/caminhao-fnm.html

  2. Cristiano Mendonça

    25 de fevereiro de 2014 4:28 pm

    A FNM

    Apenas uma observação: O sedan 2000 citado era um Alfa Romeo, que foi chamado aqui de JK 2000. Em 1968 ele foi rebatizado com seu nome original Alfa Romeo 2000, passando por um aprimoramento da qualidade e por um incremento de potencia, pulando dos 95 HP para 115 HP. O Alfa Romeo 2300 B começou a ser produzido em 1974 e era sim um projeto com desenvolvimento feito pela FNM.

    1. Ari Silveira

      25 de fevereiro de 2014 6:17 pm

      O JK 2000 foi o primeiro

      O JK 2000 foi o primeiro carro brasileiro com motor OHC (overhead cam), ou seja, com comando de válvulas no cabeçote. Mais precisamente, DOHC, pois tinha duplo comandos de válvulas. Só nos anos 70 é que vieram a ser lançados novos carros com motor OHC: Chevrolet Chevette (1973), Volks Passat (1974), Ford Maverick 2.3 (1975) e Fiat 147 (1976). Com duplo comando, só o Tempra 16v, já nos anos 90.

      1. Ricardo Cesar

        25 de fevereiro de 2014 10:02 pm

        Só para complementar, os

        Só para complementar, os comando eram “tocados” por corrente, enquanto que os carros modernos (e aqueles citados) tem os comandos tocados por correia dentada. A solução da Alfa, além de simplicar o desenho do motor, permitia fluxo cruzado na camara de combustão (mistura ar combustível entrava de um lado e os gases queimados saiam do lado oposto), o que proporcionava um desempenho excepcional, além de um motor estéticamente maravilhoso, com carburadores horizontais, um show!

  3. Giovani Blumenau SC

    25 de fevereiro de 2014 4:59 pm

    Ainda Rodam Muitos

     

     

    Pois é caro AA,

    Ainda é possível ver muitos rodando, até pelas estradas duplicadas, mas muito mais no transporte de contâiners em trajetos curtos aqui próximo à Blumenau-SC , no porto de Itajaí-SC  e muitos no porto da minha cidade natal em Rio Grande – RS, mas muito usados em caçambas pesadíssimas de adubo que exigem altíssimo torque, coisa que os caminhões modernos não oferecem igual 

    Eu mesmo quando jovem dirigi várias vezes estes “monstros”, entre reduzidas e longas, haviam uma dezena de marchas disponíveis em “caixa-seca”, ou seja, não sincronizadas, que os mais experientes trocavam sem embreagem.

    As vezes o motor saia do “ponto” e os motoristas eram tão craques que ajustavam no acostamento da estrada mesmo.

    Sem dúvida são muitíssimos robustos, haja visto a longevidade dos que funcionam, um mecânico uma vez nos afirmou que os modernos Scânia, se inspiraram nos motores dos Alfa para desenvolver os seus, disse-nos que é exatamente o mesmo motor , com bielas mais curtas, que proporciona maior rotação e menor torque.

    O fato é que eles ainda incrivelmente andam pelas estradas e prestam serviços até os dias de hoje.

  4. BRAGA-BH

    25 de fevereiro de 2014 6:22 pm

    Alfas

    Os Alfas ou Fenemes até hoje ainda são muito procurados por empresas que necessitam de transportes de curta distancia e que possam carregar mais peso. Na cidade de Papagaio, interior de Minas, a maioria do transporte de lajes de pedra ardósia são transportadas das minas para as serrarias  no lombo destes indomáveis cavalos mecanicos. Segundo seus proprietários não é dificil ver um Alfa com 30 ou 35ton de pedra rodando pelas estradas avermelhadas daquele município. Motor de fácil manutenção, chassi robusto mas de uma caixa de marchas que costuma dar nó nos braços de muito motorista competente. O ‘rasga frango’ é um dos momentos em que vc utiliza as duas mãos pra mudar as marchas.

  5. Ari Silveira

    25 de fevereiro de 2014 6:25 pm

    Xerém

    Apenas um erro: Xerém não fica “perto do município de Duque de Caxias”. Xerém é um distrito de Duque de Caxias, portanto faz parte do município. Pode-se dizer que Xerém fica perto da sede do município de Duque de Caxias.

  6. DanielQuireza

    25 de fevereiro de 2014 7:24 pm

    A popular “Fenemê”

    A popular “Fenemê”

  7. Klaus BF

    25 de fevereiro de 2014 8:28 pm

    As portas.

    Um detalhe o qual não esqueço é o abrimento das portas que era ao contrário.

    1. nélio

      28 de setembro de 2014 2:59 pm

      alfa

      Que os “arfa” eram inseguros todo mundo sabia, bastava furar um diafragma da cuíca ou uma mangueira de ar que ja não tinha mais como parar. O freio de mão era no cardan, se o caminhão estivesse em movimento ja não segurava nada. Por isso os engenheiros ja fizeram pra abrir ao contrário com a ajuda do vento e o motorista podia pular fora.

  8. W K

    25 de fevereiro de 2014 8:47 pm

    E o baiano caroneiro,

    que chegou num posto de gasolina, esbaforido:

    “Óxente, será que tu não viste um caminhão fenemê, placa megê, cor amarelo jerimum, com freio a bafo e buzina de vento, com quatro baiano lá dentro faltando um, que era eu ? “

  9. Ricardo Cesar

    25 de fevereiro de 2014 9:55 pm

    O CAixa Preta com certeza

    O CAixa Preta com certeza comentaria algo sobre os Alfas….

  10. junior50

    26 de fevereiro de 2014 12:28 am

    Henrique Laje

     AA,

     Já que vc. lembrou do Cel. Engenheiro Guedes Muniz e seus M-7, M-9, M-11, poderia tambem nos “brindar” com um artigo sobre Henrique Laje e a Cia. Nacional de Navegação Aerea, a 1a industria aeronautica do Brasil.

      E GV era mesmo uma “coisa”, recebeu em 1939 os planos os e as licenças da Curtis-Wright, para a FNM, ao mesmo tempo que firmou com os alemães da Focke-Wulf, o acordo que possibilitou a Fabrica do Galeão, a fabricação/montagem dos FW-44 de treinamento e dos FW-58 Weihe de bombardeiro.

       Detalhe de “mercado”: A Navistar americana, em breve, poderá ser um pouco gaucha – as negociações estão andando, devagar, mas a parte brasileira do possivel negócio, já representa os “pesados” da Navistar no Brasil, e os monta em Canoas e Caxias do Sul, associada a Agrale.

    1. Motta Araujo

      26 de fevereiro de 2014 12:47 am

      Ja diz aqui um longo

      Ja diz aqui um longo historico de Henrique Lage, há uns tres meses passados, infelizmente não foi elevado a post.

  11. Motta Araujo

    26 de fevereiro de 2014 12:49 am

    Agradeço os comentarios e

    Agradeço os comentarios e desculpo minha ignorancia especifica sobre as questões de modelos e caracteristicas dos veiculos, não sou realmente do ramo;

  12. Tufaile

    26 de fevereiro de 2014 1:19 am

    Quando fechou a FNM diziam

    Quando fechou a FNM diziam que diversas maquinas operatrizes se encontravam enterradas no terreno da fabrica, numa clara alusão para que a mesma não desse certo.

    Ouvi também que a maioria dos automóveis fabricados eram destinados a deputados e senadores.

    Não entendo como haja pessoas em nosso país torcendo para que sejamos sempre atrasados tecnologicamente.

  13. Thomas Morus

    26 de fevereiro de 2014 1:22 am

    Tempos idos

    Tempo em que tínhamos uma fábrica NACIONAL de motores. Hoje temos várias mas tirando a Agrale no Rio Grande do Sul , são todas multinacionais. O Brasil é o único país grande sem uma marca própria de automóvel. Será que não pagamos o “Custo Brasil” e o “Lucro Brasil” dos automóveis e caminhões por causa disto?

  14. marcio gaúcho

    26 de fevereiro de 2014 1:31 am

    BANANA NA CAIXA DE CÂMBIO E DIFERENCIAL

    Um antigo proprietário de caminhão FNM outra vez contou a seguinte história: numa de suas viagens para interior do nordeste brasileiro, nos anos 60, ficou sem óleo na caixa de câmbio. No meio do sertão, em meio a um bananal, não pensou duas vezes: amassou bananas e colocou para dentro! E funcionou, até chegar a uma oficina e colocar o óleo específico. Dizia que também era usada banana para o diferencial. Histórias dos heróicos motoristas dos “fenemê”, desbravadores desse grande Brasil!

  15. josé mauricio machado lima

    9 de julho de 2014 2:06 am

    Pista de aviação em Xerém

    Prezados, boa noite. 

     

    Entrei no blog buscando a informação sobre pista de pouso e decolagens de aviões em Xerém, distrito de Duque de Caxias, RJ. Conheço razoavelmente a história de Xerém, um local pelo qual tenho muito apreço e carinho. Uma das histórias diz sobre uma antiga pista de pouso e decolagens de aviões instalada em Xerém. Segundo o que apurei isso era de uma época, ainda na Segunda Guerra Mundial, durante a qual o governo brasileiro firmou com o governo norte americano uma espécie de convênio, para permitir a instalação de uma fábrica de motores de aviões lá em Xerém. A The Ford Motor Company instalou ali uma fábrica desses equipamentos, ainda durante a guerra, finda a qual os excedentes de guerra americanos tomaram conta do cenário industrial e essa fábrica foi desativada. Havia ali, de fato, um ponto de acesso aeronáutico, o qual ainda pode ser imaginado e visto nos fundos das atuais GB Criogênicos e Snecma, ambas instaladas na rua Dezessete, do Distrito Industrial de Xerém. O acesso se dá seguindo em direção às instalações da GB Criogênicos, passando pela moderna Nortec Química, quase defronte da Snecma e, depois da GB Criogênicos toma-se uma estradinha simples à direita, seguindo por ela. Vai-se encontrar, mais adiante, uma pista já degradada pelo tempo, em asfalto, absolutamente retilínea, com, pelo menos, um quilometro de extensão, compativel com o que seria o equivalente a uma pista de pouso das antigas. Está instalada num sentido nor-nordeste e aponta diretamente para a planta geral da antiga empresa Fábrica Nacional de Motores. Sua localização mais aproximada é 22.o36’57.52″S e 43o.18’32.85″O. 

    Se alguém souber mais sobre essa história, eu gostaria de conhece-la, também. 

  16. rdmaestri

    23 de agosto de 2015 6:30 am

    Motta, entrei meio tarde pois só vi hoje o que escreveste.

    Porém vou fazer uma vigorosa contestação a uma coisa que escreveste que o grande truque de JK de conseguir 50 anos e 5 foi…, posso te dizer que técnicamente o que JK fez foi atrazar cinquenta anos em cinco.

    Passamos a montar verdadeiros lixos no Brasil, como exemplo máximo a Aero-Willys que foi nada mais nada menos do que a tranferência COMPLETA E ABSOLUTA de uma fábrica que já estava desativada nos USA para o Brasil, quem ganhou nisto tudo foi os empresários paulistas e as multinacionais e quem perdeu foi o povo brasileiro.

    E vou dizer algo que te encantará, quem tentou fazer algo de positivo quanto a isto foi o FAMIGERADO COLLOR DE MELLO, que talvez tenha caído exatamente por isto.

    É um assunto meio longo, mas mereceria uma reflexão meio longa.

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