A Lava Jato da Educação inaugura o estado policial, por Luis Nassif

Com a operação, desvia-se o foco do abandono das políticas educacionais e volta-se a usar o álibi fácil da luta anticorrupção

A estratégia é obvia, a partir do uso da marca Lava Jato

O anúncio da Lava Jato na Educação é a inauguração oficial do estado policial no país. Não há fato definido, não há crime relatado. A própria denominação é o indício mais evidente de que haverá uma movimentação política na área.

A estratégia é óbvia.

Nos anos de governo PT, os dois setores mais beneficiados foram as empreiteiras, devido à volta das grandes obras, e a educação, devido às políticas implementadas, desde a expansão das universidades federais ao estímulo ao setor privado através do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil).

Em relação às universidades federais, a fórmula já foi dada no caso da Universidade Federal de Santa Catarina.

A CGU (Controladoria Geral da União) identifica qualquer irregularidade. Com base nisso, a Polícia Federal consegue autorização para condução coercitiva com humilhação pública das pessoas envolvidas. Nem será necessário identificar dolo ou crime. Basta um juiz e um procurador politicamente alinhados. Até hoje não se sabe qual o crime cometido pelo reitor da UFSC, levado ao suicídio.

Em relação aos grupos privados, a fórmula também é óbvia:

  1. Todos os grandes grupos educacionais foram beneficiados pelo FIES (Fundo de Financiamento Estudantil).
  2. Basta identificar algum tipo de contribuição ao PT para – dentro do padrão Lava Jato – estabelecer a ligação, sem a menor preocupação em identificar o chamado ato de ofício – isto é, a comprovação fática da ligação entre a contribuição e um ato de corrupção. Pouco importará se o grupo contribuiu para vários partidos.
Leia também:  Xadrez da Lava Jato como bode expiatório da hipocrisia nacional, comentário de Rafael Ramos

Como são grandes sociedades anônimas, qualquer movimento afetará o preço das ações no mercado.

Sendo efetiva ou não, a mera ameaça já funcionará como fator de inibição de qualquer crítica das universidades ao Ministro da Educação Ricardo Veléz, ou da Justiça, Sérgio Moro. Aliás, vem da área acadêmica as maiores críticas ao tal projeto de lei anticrime e ao amadorismo da nova equipe do MEC.

Não foi por outro motivo que a Universidade Federal Fluminense montou um grupo de estudos para sugerir parcerias com as Forças Armadas.

Com a operação, desvia-se o foco do abandono das políticas educacionais e volta-se a usar o álibi fácil da luta anticorrupção.

 

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17 comentários

  1. Até quando irá funcionar esta manipulação da opinião pública que usa a bandeira “combate à corrupção” para agasalhar os amigos e aliados, e para perseguir e abater os inimigos e adversários? Infelizmente, isto irá funcionar enquanto houver analfabetos políticos. E este é o objetivo declarado pelos adeptos da Escola sem Partido, e agora pelo Governo e seus Ministérios. É triste, mas a verdade é esta: Tonto e pau torto, não acaba nunca. Só uma verdadeira educação pode melhorar isto. Felizmente que educação pode ser feita em qualquer lugar e por quaisquer meios. Mãos à obra.

    • Até que tenhamos vergonha na cara e enfrentemos esses criminosos. Quando o reitor se suicidou não houve reação, então esses crápulas pensam que podem fazer tudo, pois ninguém reage. Pensam não, têm certeza.

      • jamais teremos reação…
        segredo é fazer com que diferentes grupos obedeçam a lógicas diferentes

        quando dá certo ficamos com alternância de movimentos, mas sem o que há de mais importante, um posicionamento concentrado
        ( redes sociais foram bombadas pra isso )

        é neste vácuo que eles injetam a antecipação do juízo de culpabilidade sem que ninguém perceba e para ter acesso, com o Estado Policial, ao capital de cada setor………………………….depois da educação será a saúde pública

  2. Para o estado policial que se levanta, o crime é a educação, o espírito crítico, a conscientização. Ao lado das escolas militarizadas, o processo destina-se à criação de zumbis desde a infância.

  3. Caro Nassif, me desculpa, mas não dá para ignorar o mercado financeiro como o setor mais beneficiado durante os governos do PT. Do contrário, fica forçada a argumentação.

    Aliás, é bom lembrar que durante o governo FHC, mesmo com o famigerado Paulo Renato de ministro, não havia universidades privadas compradas por grupos internacionais, nem com ação em bolsa de valores. Ambos são contribuições decisivas dos governos do PT – e do “melhor ministro da educação da história do Brasil”, segundo tentaram vender durante a campanha eleitoral – à piora da educação superior brasileira.

  4. Coincidentemente no mesmo dia que Haddad começa as caravanas pelo Ceará. Retrato de um governo sem projeto de país, tampouco de educação.

  5. ainda… colocando a universidade pública na linha de tiro… reforçarão a necessidade da educação a distância… das ilibadas universidades do bispo… da família Guedes… entre outras…

  6. Caro Nassif, vou te contar uma verdade: adoro quando se usa métodos stalinistas contra os stalinistas! Dá um medo, né!

    • Métodos stalinistas contra stalinistas???

      Vc ainda não soube q a Guerra Fria acabou??

      Os métodos q vêem sendo aplicados são os ditatoriais q a extrema direita sempre fez uso.

  7. O sistema educacional brasileiro está passando por um processo de “espartanização” donde a formação crítica do cidadão/profissional dá lugar ao condicionamento cerebral. O “novo” nada tem de novo basta olharmos para a História para verificarmos qual o legado que a Atenas cognitiva legou para a humanidade e o que a Esparta muscular e belicosa legou.

  8. + comentários

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