A Lava Jato suíça também a caminho do banco dos réus

De acordo com a decisão de Keller, o parlamento suíço poderá votar o levantamento da imunidade federal de Lauber. 

Bundesanwalt Michael Lauber kommt zu einer Anhoerung bei der Gerichtskommission, am Mittwoch, 20. Mai 2020 im Bundeshaus in Bern. (KEYSTONE/Peter Klaunzer)

O ciclo da Lava Jato está a caminho do fim. Em dois países, a operação promoveu procuradores e lhes conferiu um poder quase absoluto – sustentado na opinião pública.

No Brasil, criou vários mitos de pés de barro. Um a um estão tombando pelo caminho, começando pelo ex-Procurador Geral Rodrigo Janot, passando pelo ex-juiz Sérgio Moro e chegando aos procuradores de Curitiba que se deslumbraram com o poder adquirido.

Na Suíça o ciclo também chega ao fim, com as investigações sobre o Procurador Geral Michael Lauber.

Lava uma grande pressão do governo Obama para a Suíça fechar sua lavanderia de dinheiro. Dois casos ajudaram na lavagem de imagem, a Lava Jato, especialmente as contas da Odebrecht, e a FIFA, também um escândalo brasileiro. Surfando nas duas ondas, Lauber se tornou uma personalidade nacional

O Relatório de Gestão de 2016, do Ministério Público Suíço, comemorava o sucesso da frente contra a Lava Jato: “O encerramento coordenado dos processos na Suíça, no Brasil e nos EUA constituem um sucesso para a luta internacional contra a corrupção”, escreveu. “Elas são resultado de uma estreita cooperação e coordenação das autoridades implicadas”.

Assim como aqui, o excesso de poder levou ao deslumbramento e à falta de limites.

Ontem, segundo o Financial Times, o governo suíço nomeou um promotor especial para analisar acusações criminais contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o próprio Michel Lauber.

Não é pouca coisa. Lauber controla todas as investigações criminais na Suíça e investigou durante anos a corrupção no futebol.

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As primeiras denúncias, do ano passado, diziam que Lauber teve inúmeras reuniões secretas com Infantino. O que inviabilizou seu julgamento na Suíça.

Segundo e-mails vazados, Infantino tinha interesse que Lauber suspendesse investigações sobre sua conduta enquanto diretor de assuntos jurídicos da UEFA, a confederação de futebol da Europa.

As investigações sobre Lauder se estenderam também sobre outros casos de corrupção, incluindo a Leva Jato e as contas da Odebrecht. E um terceiro escândalo surgiu com as posições aparentemente simpática de Lauder em relação a Moscou,

O Congresso suíço encaminhou um dossiê de três denúncias criminais contra Lauber, com pedido de autorização legal extraordinária para analisar de forma independente a atuação de Lauber e de Infantino. Para comandar os trabalho foi nomeado promotor especial Stefan Kellet, ex-investigador judicial militar.

De acordo com a decisão de Keller, o parlamento suíço poderá votar o levantamento da imunidade federal de Lauber.

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