5 de junho de 2026

A lógica do “ungido” de Jair que desembocou no 8 de janeiro

Guerra informacional, pressão sobre generais e fé política abriram caminho para o golpe de 8 de janeiro, explica Marcelo Godoy à TV GGN
Foto: ALAN SANTOS/PR, via Agência Brasil

No centro da radicalização que levou o Brasil ao 8 de janeiro, está o modelo de autoridade que mistura fé, obediência e política.

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Segundo o jornalista Marcelo Godoy, referência na cobertura das Forças Armadas e autor do romance Olhos Negros, essa chave moral, do pai patriarcal, ungido e incontestável, ajuda a decifrar a cultura que alimentou o golpismo no país.

Em seu livro recém-lançado, embora ficcional, ele retrata uma família moldada pelo domínio religioso e espelha a lógica que enxerga na relação de Bolsonaro com sua base.

“Ele se vê como ungido. Ele define o que é o mundo para os seus filhos, define o que é o mal, o que é o pecado, o que é permitido. Tudo o que os filhos são, são em função dele, por meio dele”, explica Marcelo, em entrevista à TV GGN, no YouTube [confira abaixo].

Para Godoy, essa lógica patriarcal, em que a figura masculina-religiosa reivindica autoridade absoluta sobre os “filhos”, explica não apenas o núcleo familiar retratado em Olhos Negros, mas também o vínculo emocional e de submissão que parte da caserna estabeleceu com Bolsonaro.

Quando o assunto passa à condenação dos militares envolvidos no 8 de janeiro, Godoy rejeita a ideia de que a crise seja apenas de disciplina. Entre muitos oficiais, laços de turma e afinidade política pesaram mais que a Constituição, e a lealdade pessoal se sobrepôs ao dever institucional.

“O problema não é não se submeter ao Judiciário. O que pesa são as lealdades pessoais. São colegas de 40 anos de Exército. Instrutores da Aman. Gente que formou quem está na ativa hoje”.

Sobre o papel dos militares na tentativa de golpe, Godoy elimina qualquer ambiguidade. Não se tratou apenas de desinformação espontânea ou de militância digital, houve, sim, uma operação militar em curso.

“A guerra hoje é multidomínio. Não é só tanque na rua. É informacional, é digital. E houve uma operação psicológica — uma operação militar clássica”.

O jornalista explica que essa “ação psicológica” seguiu o manual doutrinário do Exército — o mesmo ensinado no Comando de Operações Especiais, em Goiânia —, e teve como alvo principal o próprio Alto Comando das Forças Armadas.

Em vez de tanques pressionarem quartéis, o objetivo era emparedar os generais com intimidação moral e pública, até que cedessem ao golpismo. “Generais da ativa receberam no WhatsApp mensagens com suas fotos dizendo: ‘E aí, general? O senhor vai ficar quieto?’”

O objetivo, segundo Godoy, era semear medo e constrangimento entre oficiais de quatro estrelas, empurrando-os para legitimar a ruptura institucional. “Isso foi uma operação para emparedar o Alto Comando”.

Na prática, explica ele, os oficiais eram expostos como traidores caso não apoiassem o golpe, numa tentativa de transformar a honra militar — eixo central da identidade castrense — em mecanismo de coerção.

Assista ao programa completo abaixo:

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    28 de novembro de 2025 6:28 pm

    Não existe mais distinção entre crime organizado, crime financeiro, crime administrativo e organização criminosa evangélica. Seu Jair é o avatar de um país paralelo em que ilegalidade é ou pode ser legal e a legalidade é ou deve ser ilegal. Em termos constitucionais podemos dizer que seu Jair foi elevado à condição de fonte única da norma fundamental hipotética que garante a legitimidade de tudo que ele e os parceiros criminosos dele fazem. “A constituição sou eu” disse seu Jair elevando-se a pedra fundamental do novo sistema poder que colidiu com a Constituição de 1988 e perdeu. A derrota, condenação e prisão dele enfraqueceu o sistema de poder que ele corporifica e paradoxalmente fortaleceu a posição dele nesse mesmo sistema, porque a direita criminosa não tem candidato e está apavorada agora que a legalidade começou a destroçar os crimes em massa que vinham sendo cometidos com lucros extraordinários. A última estaca a ser enfiada no coração desse capitão vampiro que comanda uma legião de vampiros é a condenação dele pelo genocídio pandemico. Todavia, a esquerda parece ter arquivado essa questão. E a imprensa alternativa não vê essa questão como uma solução definitiva para acelerar a derrota da direita criminosa.

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