Minha tia Mirian namorava o Hélio Zoiudo, que tinha o disputado emprego de caixa do Banco do Crédito Real de Minas Gerais, que, em Poços, só perdia em importância para o Banco do Brasil.
O Hélio era boa gente, pelo que me lembro, e muito bom de briga, conhecido por sua força, valentia e boa índole: só brigava em brigas de brincadeira,
Até que um dia chegou o Circo Irmãos Garcia em Poços de Caldas, com um desafio inusitado: uma lutadora mulher desafiando os marmanjos da cidade. Não me lembro se a lutadora era Olga Zumbano, ou Alice Maluf, as duas campeãs da minha infância.
Olha Zumbano era dos Zumbano, a mais brilhante estirpe de lutadores da história do Brasil. A familia gerou Waldemar, míope no último grau, Ralp, que encantou o país em um Panamericano, Tônico, um boi bravo e o maior de todos, Éder. Mas tinha luz e músculos próprios.
Foi casada com o austríaco Hans Norbert, campeão europeu do peso meio-médio, apelidado de “a metralhadora austríaca”.
Os marmanjos ficaram injuriados quando foi anunciado o repto e trataram de estimular o Hélio Zoiudo a defender as honras dos machos poços-caldense.
E o pobre do Hélio seguiu para o matadouro, isto é, para o ringue do Irmãos Garcia, ante os olhares atentos de centenas de conterrâneos.
Não sei os detalhes da luta porque, por pudor e comiseração, quem assistiu guardou para si. Só sei que o Helio Zoiudo apanhou feito vaca na horta de italiano, embora fosse um touro de forte.
Não sei se foi esta a razão da separação da tia Mirian que, tempos depois, conheceu o tio Orlando, de São Sebastião da Grama, casaram-se e foram muito felizes.
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