Coluna Econômica – 12/09/2011
Há consenso mundial de que o Brasil será o celeiro do mundo nas próximas décadas, ator central na produção de alimentos para dar conta do aumento exponencial do consumo – devido à incorporação das grandes massas globais no mercado.
Nos anos 70 emergiram os grandes produtores de açúcar, os chamados “barões da cana”, especialmente na região de Ribeirão Preto. Houve incursões internacionais audaciosas, como da Copersucar – presidida por Jorge Wolney Atalla, adquirindo o Açúcar União e fábricas nos Estados Unidos.
A aventura não deu certo. Faltava estrutura de gestão administrativa, financeira, quadros com experiência internacional. O Brasil ainda não alcançara a maioridade.
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Depois, o setor passou por um conjunto de crises devido aos sucessivos planos econômicos, à política de apreciação cambial e ao desmonte da política de crédito rural, em meados dos anos 90, sem colocar novos instrumentos no lugar.
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As grandes transformações ocorreram nos anos 90. Frutificaram iniciativas pioneiras, como a soja de Mato Grosso, levada por Olacyr Moraes; a tecnologia do cerrado. Alem disso, a política cambial do Real provocou enorme êxodo rural, levando à concentração no campo; houve crises sucessivas nas usinas de açúcar, obrigando à consolidação do setor.
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Nos últimos dez anos, o setor experimentou um salto sem precedentes. Novos atores entraram em cena, com visão financeira e estratégica, percebendo a importância de controlar a distribuição. Foi o que motivou a Cosan a se associar à Shell; a Friboi a adquirir a Swift e assim por diante. E também usineiros a recorrerem ao mercado de capitais para consolidação do setor.
Essa mesma visão estratégica levou o ex-governador de Mato Grosso Blairo Maggi a fechar o pacto de Cuiabá com um conjunto de ONGs ambientais, sabendo que qualquer problema com o meio ambiente fecharia os mercados europeus.
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Chegou a hora, agora, do setor começar a pensar estrategicamente. Não dá mais para se escudar na bancada ruralista pensando apenas no imediato. Tem que montar um centro de inteligência estratégica, à altura da relevância que começa a assumir no cenário mundial.
Essa inteligência precisa, primeiro, identificar as vulnerabilidades – insumos fundamentais dos quais o Brasil não é autossuficiente. Depois, montar trabalhos consistentes sobre as principais prioridades na área de logística e infraestrutura.
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Um passo adiante será começar a trabalhar maneiras de se acoplar à diplomacia comercial brasileira. Não basta exportar etanol: tem que se buscar o mercado externo levando usinas, tecnologia e capitais brasileiros..
O aumento das famílias, a divisão das terras, promoveram diversos ciclos migratórios que ajudaram a ocupar o Brasil. Foi assim com os mineiros que desbravaram o Paraná, os gaúchos que desbravaram o centro-oeste, os sul-mineiros que foram para o cerrado.
Agora, esse transbordamento se dará para países vizinhos e tropicais. Fazendeiros brasileiros já exploram fazendas em Angola; usineiros já produzem na América Central. É a agricultura brasileira começando a conquistar o mundo.
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