7 de junho de 2026

A morte de Jack Welch, o gestor que primeiro entendeu a nova globalização

Soube pela primeira vez de Jack Welch em conversa com Walther Moreira Salles, no início dos anos 90. Ele voltava de uma de suas viagens anuais pelos Estados Unidos e Europa e contava a revolução empreendida por Welch na centenário General Eletric.

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Aproveitara o caixa da empresa para redirecioná-la para os ganhos financeiros, para a participação acionária em outras empresas. Mas não apenas isso.

Havia mudanças substanciais na economia, especialmente nas economias centrais, mas que a gente conseguia enxergar ensaios na brasileira – mal saída do pesado período de centralização anterior.

As empresas descobriam a terceirização, os subprodutos da sua própria atuação, como sistemas de computação desenvolvidos. A terceirização abria espaço para novas formas de negócio, desde os mais simples, como administração de refeição ou de transporte nas empresas, até os mais complexos, como a terceirização da distribuição.

Empresas que já tinham seus sistemas de transporte passavam a administra-lo como negócio à parte, oferecendo a distribuição a outras.

Obviamente, nos países mais avançados o processo era muito mais rápido. E Welch teve a visão de entender os novos tempos, estando à frente de uma das maiores companhias globais.

Entendeu que não havia mais espaço para o controle centralizado, da empresa sobre suas operações, dos executivos sobre seus subordinados. Ninguém conseguiria aproveitar os novos tempos enxergando a realidade de forma compacta e centralizada.

E criou regras objetivas de simplificação e modernização da gestão:

  1. Definir claramente o objetivo da empresa e a importância de crescer.
  2. Desburocratizar todos os escalões da empresa e conferir ao gerente o papel de liderança, não de comando.
  3. Estimular a meritocracia e a participação em resultados.
  4. Colocar os radares em novos setores e novas empresas promissoras

Estava dado o tiro de partida para o grande processo de conglomerização liderados pelas grandes corporações globais.

,

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Eden SP

    2 de março de 2020 3:29 pm

    A partir da segunda metade do século XX, o mundo foi testemunha de uma miríade de executivos que se popularização para além do mundos do negócio. São inúmeros nomes nesta constelação, mas poucos produziram efeitos tão rotundos que, de tão marcante, tornaram-se, por si só, conceitos. Nessa lista, pode-se incluir Lee Iacocca (Chrysler – reivenção de empresas), Louis Gerster Jr. (Johnson & Johnson – ética empresarial), Percy Nils Barnevik (Asea Brown-Boveri – pioneiro no conceito de empresa global, atual local). De personalidade forte e não menos polêmica (por conta des gigantescas demissões por ele patrocinadas), Welch talvez seja quem mais se destacou nessa constelação. Destacados conceitos de gestão, se não por ele inventado, foi por ele exitosamente implementado (Six Sigma). Pode-se considerar que o impacto de Welch no mundo da gestão foi similar aos conceitos toyotistas. Ademais, farejava quase que intuitivamente os negócios que deveriam ser passados para frente (como a “vaca sagrada” da divisão de iluminação e lâmpadas), os que deveriam ser adensados (divisão da equipamentos de saúde e turbinas) e aqueles que deveriam ser melhor explorados (finanças e Oleo & Gas). Por tudo isso não abria mão das métricas, quase que reinventando esse entendimento no mundo empresarial.

    Morre um executivo de sucesso, mas permanece viva uma lenda única, para os críticos e para os seus admiradores.

    1. Eduardo

      2 de março de 2020 5:00 pm

      Eden, sou jejuno nesse assunto, não considere impertinente a minha pergunta, é por ignorância mesmo. Apesar de você ter citado “conceitos toyotistas” o executivo da Toyota não deveria estar no topo, ao lado de Welch ?

  2. Ugo

    2 de março de 2020 3:46 pm

    E a GE agora vendendo as joias de família. O que será que ele não conseguiu enxergar?

  3. MARCOS PERINI

    2 de março de 2020 7:55 pm

    Um grande mantra: Desfazer-se das empresas do último quartil. Independentemente de lucro ou resultado positivo. Simples e destruidor. Tentaram implementar em bancos aqui no Brasil. Agências que ficassem no último quartil seriam fechadas. Gerentes que ficassem no último quartil seriam descomissionados. INDEPENDENTEMENTE DO RESULTADO. Poderiam todas dar lucro de 100% ou cumprir 100% da meta. Mesmo assim, os/as últimas 25% seriam eliminados do negócio. Dinossauros empresariais. Passavam os dentes nos empregos e se entupiam de dólares na participação gigantesca nos lucros. Acho que faz parte do problema atual de concentração explosiva.

  4. 2 de março de 2020 9:41 pm

    O perfil gentil de um destruidor de empregos, de um destruidor da vida dos trabalhadores da empresa que o tornaram multimilionário. A fala gentil para a nova escravidão ou terceirização, nome gentil para o corte de qualidade de vida, de direitos, de salários de trabalhadores. Ah! O eterno tucanismo, ou a novílíngua, que chama de colaborador a quem é o explorado da vez.

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