O ecossistema que orbita Donald Trump sempre foi povoado por figuras que transitam entre o glamour da moda internacional e as sombras de negócios nebulosos. No centro desse turbilhão, surge agora o nome de Amanda Ungaro. A ex-modelo brasileira, que por quase duas décadas frequentou a mesa cativa do clã Trump em Mar-a-Lago, tornou-se a personificação do pesadelo que o “trumpismo” tenta, a todo custo, enterrar: a conexão viva entre a Casa Branca e o espólio de Jeffrey Epstein.
O “cupido” e o sistema
Para entender o peso de Ungaro, é preciso olhar para Paolo Zampolli. O empresário ítalo-americano não é apenas um ex-marido em uma disputa de custódia; ele é apontado como o homem que apresentou Melania a Donald Trump em 1998. Zampolli era o elo entre as agências de modelos e o poder.
Em entrevista recente ao jornal O Globo, Ungaro descreve uma simbiose perturbadora. Segundo ela, a ascensão de Trump em 2016 alterou a psique de Zampolli, que passou a agir como se detivesse uma parcela do poder soberano. A proximidade era tamanha que Melania Trump, hoje empenhada em negar laços com o esquema de tráfico sexual de Epstein e Ghislaine Maxwell, era presença constante na vida da família Ungaro-Zampolli, trocando presentes e mensagens pessoais.
O uso do Estado como arma pessoal
O caso de Amanda Ungaro ganha contornos de escândalo institucional quando a disputa pessoal transborda para o aparato estatal. Deportada em outubro de 2025, a brasileira acusa Zampolli de utilizar sua influência direta no governo – e sua amizade com o presidente – para acionar o ICE (Immigration and Customs Enforcement) e removê-la dos Estados Unidos em meio a uma briga pela guarda do filho de 15 anos.
Não seria a primeira vez que o nome de Trump aparece como “mediador” de conflitos domésticos do aliado. Relatos indicam que o próprio ex-presidente teria intercedido pessoalmente para manter o casal unido anos antes, sob a justificativa da preservação da unidade familiar – um verniz conservador para uma relação que Ungaro descreve como marcada por abusos sexuais e violência doméstica.
A sombra de Epstein
O fator mais explosivo, contudo, é a cronologia que liga Ungaro ao finado Jeffrey Epstein. A brasileira relata ter estado, aos 17 anos, a bordo do avião do financista, onde presenciou a estrutura montada por Ghislaine Maxwell.
Agora, diante de um pronunciamento de Melania Trump tentando se desvencilhar de qualquer vínculo com Epstein, Ungaro reaparece nas redes sociais com um tom de advertência. Suas postagens sugerem que o silêncio mantido por anos em troca de uma convivência na elite de Nova York e Palm Beach chegou ao fim. “Tenham medo do que eu sei”, disparou a brasileira, mirando diretamente no “sistema corrupto” que, segundo ela, sustenta a imagem pública da primeira-dama.
Embora as provas documentais prometidas por Ungaro ainda não tenham sido submetidas ao escrutínio público, o impacto reputacional já se faz sentir. Suas declarações tensionam diretamente a estratégia de comunicação adotada por Donald e Melania Trump, baseada na negativa de qualquer inserção do casal no círculo íntimo de Jeffrey Epstein.
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Duarte de Souza Rosa Filho
11 de abril de 2026 10:36 amSerá verdade ou desejo de 15 minutos de fama.
Evandro Condé
12 de abril de 2026 10:23 amPois é, de ameaças e denúncias vazias já estamos fartos.