4 de junho de 2026

A real sobre o acampamento que bolsonaristas chamam de “espontâneo”

Não há espontaneidade nenhuma no acampamento 300 Pelo Brasil. Há organização sistematizada, pretensão paramilitar e vínculo declarado com o bolsonarismo

Jornal GGN – Começaram a repercutir no domingo (3), nas redes sociais, fotos de um acampamento em Brasília que visa “treinar” militantes de extrema-direita para promover atos que visam “derrubar” o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e sustentar a “governabilidade” de Jair Bolsonaro.

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Governistas como Bia Kicis e Flávio Bolsonaro se apressaram em afirmam no Twitter que trata-se de um movimento “espontâneo”, sem indução de lideranças políticas ou partidárias. Mas as imagens por si só provam o contrário. E uma simples pesquisa na internet mostra quem está por trás dos “300 Pelo Brasil”, “o maior acampamento contra a corrupção e a esquerda no mundo”.

 

 

Os 300 Pelo Brasil têm a ativista “pró-vida” Sara Winter como garota propaganda. Ela estrela o vídeo divulgado no site “vakinha”, que já alcançou mais de 40 mil reais em doações para financiar o acampamento.

Os recursos levantados serão “gastos com a contratação de uma propriedade particular para colher e treinar os ativistas, além do preparo de refeições e disponibilidade de chuveiros para banho. Haverão também gastos com a compra de barracas, material de protesto (cartolinas, canetas, megafones, caixas de som portáteis, microfones, alugueis de carros de som, etc)”, afirma o movimento.

As barracas vistas no acampamento – todas iguais, minando logo de cara a tentativa de pregar espontaneidade – geraram polêmica logo no primeiro dia. Internautas questionaram se as lojas Havan, do bolsonarista Luciano Hang, teriam patrocinado os 300 pelo Brasil com doações do equipamento.

Sara Winter é uma figura dedicada exclusivamente a idolatrar Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, sua função diária é atacar pautas e lideranças “de esquerda”. Vende palestras e seminários pelo Brasil e América Latina contra o aborto, ideologia de gênero e outros temas do tipo.

Quando Bolsonaro escolheu Damares Alves para ser a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Sara Winter – que é amiga pessoal e já havia trabalhado antes com a pastora, no gabiente de Magno Malta – logo ganhou um cargo: coordenadora de Atenção Integral à Gestante e à Maternidade.

Sara, em nome dos 300 Pelo Brasil, promete organizar a estrutura do acampamento para treinar militantes “em revolução não violenta” e “táticas de guerra de informação.”

A jornalista Jéssica de Almeida, que fez a thread no Twitter logo abaixo, entrou anonimamente no grupo dos 300 Pelo Brasil e recebeu a seguinte orientação: “Você não é mais um militante. Você é agora um militar”.

Segundo os organizadores, as agressões vistas no domingo em Brasília, contra jornalistas do Estadão e outros veículos, seriam “apenas o começo”. A promessa é de “extermínio da esquerda” – ou de quem ousar contrariar o governo.

 

 

 

Não há espontaneidade no acampamento 300 Pelo Brasil. Há organização sistematizada de influenciadores digitais ligados com relações políticas, pretensão paramilitar e vínculo declarado com o bolsonarismo. A dúvida é: quem mais está bancando toda a estrutura? Os 50 mil reais pretendidos com a “vakinha” são a única receita para um acampamento com “centenas” de integrantes, e que promete se dar por encerrado apenas “quando o Maia cair”?

https://www.youtube.com/watch?time_continue=86&v=I8tYUHEiRBg&feature=emb_logo

No vídeo acima, um homem com camiseta amarela se aproxima blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio durante uma transmissão ao vivo no final de domingo (3).

O empresário que se auto-declara “conservador” afirma que foi quem garantiu a estrutura para acomodar os militantes do acampamento, mostra que tem relacionamento com a deputada Carla Zambelli desde a época em que Eduardo Cunha era presidente da Câmara, e critica, por fim, a liderança de Sara Winter. “Ela vai ser engolida pelos caras”.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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9 Comentários
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  1. Paulo

    4 de maio de 2020 3:36 pm

    Vendo a idolatria de algumas mulheres, por Bolsonaro, eu me pergunto: será q Nelson Rodrigues estava certo?

    1. mirela maria vieira

      5 de maio de 2020 8:55 am

      por essa lógica enviesada, posso definir todos os homens como estupradores…

  2. Lúcio Vieira

    4 de maio de 2020 3:54 pm

    São os braços do milicinismo civil, já que o militar e armado já está formado

  3. Ana Tiga

    4 de maio de 2020 4:12 pm

    A palavra financiar (diferente de patrocinar (ou sustentar) é muito apropriada para esclarecer o processo de manter estas organizações mascaradas.
    Financiar é uma espécie de empréstimo que geralmente cobra juros ou participações.
    No caso destas organizações “clandestinas” que existem no braZil desde antes da “redentora” de 64, financiadores estrangeiros (ou nacionais) mandam o “capital inicial” e depois, estando no poder, empregam os militantes em cargos públicos ainda que fantasmas (mórmoleza), tendo evidentemente o devido retorno do assalto ao estado, mediante privatizações, concessões e alterações de leis para favorecê-los. Quanto aos militantes portanto, NÓS os pagamos para que eles nos controlem, ameacem ou agridam.
    Quem não sabe por ex. que a Funabem (a Febem federal) era utilizada para abrigar, com excelentes salários, diárias e reembolsos, militantes do CCC?
    Vc? Se for da época, saiba que foram pagos com seus impostos…

  4. Carlos Elisio

    4 de maio de 2020 4:19 pm

    Ou seja, um bando de vagabundos contra a democracia e financiados por uma malta empresarial. Estao aproveitando que as pessoas interessadas na integridade do outro mantém-se de quarentena e portanto nao montarao um acampamento para estancar as bravatas destes otarios.
    O que precisamos afastar de imediato são os corruptos da famiglia ora aboletados no poder. Do congresso as eleições cuidarão.

  5. Marcos Barbeiro

    4 de maio de 2020 9:05 pm

    Àquela coisa bizarra existe mesmo?? Achei que àquele vídeo tinha sido produzido pela esquerda pra ridicularizar os bolsominions…, mas pelo jeito a esquerda nem precisa fazer força, eles se ridicularizam sozinhos!!!

  6. Anônimo

    5 de maio de 2020 1:34 am

    A imprensa de esquerda ainda fica impressionada com os “gorpista”, tinha que juntar um povo e correr este pessoal daí.

    1. Carlos Elisio

      5 de maio de 2020 11:49 am

      E isso que eles querem, que um grupo se oponha fisicamente para bozo vociferar que para violência os comunas do pt se aglomeram.
      A crise de saúde vai passar e as respostas do povo serão firmes. Ate lá, que se contaminem e tentem respirar.

  7. AMORAIZA

    8 de junho de 2020 8:28 pm

    “em revolução não violenta” e “táticas de guerra de informação.”

    O que seria essa “revolução não violenta” num acampamento de pessoas armadas?
    Pistolas d’água e palavrões homéricos que só a sara sabe dizer?
    Hummm! Tá mais para contrabando de armas.
    Acho engraçado o nosso governo “democrático” incentivar acampamento em frente ao palácio do planalto com gente armada.
    Se é contra o governo é crime, se é a favor, é “manifestação espontânea” do povo que ama seu governante.
    Morri e acordei numa realidade paralela.
    Afff!!!

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