Por José Ronaldo Martins
Comentário ao post “O que deu errado com o modelo do setor elétrico“
Desde 21/04/2012, uma regulamentação da ANEEL estabelece critérios para a microgeração de energia elétrica, permitindo que até mesmo residências possam gerar energia e abastecer o sistema. A exemplo da Europa, essa geração pode ser feita, por exemplo, através de placas fotovoltaicas instaladas nos telhados e áreas expostas à luz solar.
Na Europa, esse modelo é amplamente incentivado como alternativa à construção de termoelétricas – seja a combustível fóssil ou material físsil – e há linhas de financiamento subsidiado para a instalação dos equipamentos necessários: as placas, reguladores de tensão, alternadores e dispositivos de segurança e manobra. Se a unidade gerar mais do que o necessário para o seu consumo, alimentando o sistema mais do que retirando deste, o proprietário recebe um pagamento em moeda corrente, que ele pode, por exemplo, utilizar para pagar o financiamento.
Apesar de haver a regulamentação da ANEEL, de as concessionárias já estarem aceitando esse tipo de fornecimento, de haver empresas especializadas na instalação e tramitação das autorizações correspondentes, não há qualquer linha de crédito para o interessado utilizar além do CDC normal, com taxas escorchantes. Além disso, se a unidade gerar mais do que seu consumo, o proprietário receberá um crédito para ser utilizado em até 36 meses…
Será que já não está na hora de permitir que a pessoa física possa receber um dinheiro de vez em quando ao invés de somente “contribuir” como um saco sem fundo?
A verba para construção de uma hidroelétrica poderia ser aplicada nesse programa com linhas de financiamento decentes e que permitissem ao cidadão médio adquirir, instalar e manter o equipamento (sim, manter). O retorno em termos de produção de energia seria em um prazo bem mais curto do que o da construção da usina, sem necessidade de autorizações ambientais, licitações e etc. As empresas especializadas progrediriam e sua quantidade aumentaria para atender à demanda e, provavelmente, devido à escala, os equipamentos barateariam.
Além do mais, o sol está por aí há um bom tempo e deverá permanecer ainda por bastante tempo.
Athos
18 de março de 2014 11:22 amMeu amigo com 200 agentes já
Meu amigo com 200 agentes já tem corrupção bacaray.
Já imaginou como fica com 2.000.000?
Isso é pra daqui a 20 anos aqui no Brasil.
Isso só é feito em sistemas microscópicos comparados só Brasileiro, como por exemplo o da Alemanha, França e os só EUA.
Sistemas pequenos. ..comparados ao nosso.
Ricardo Cesar
18 de março de 2014 11:59 amConcordo em parte com você.
Concordo em parte com você. Minha grande questão é, quanto custa, em termos de carbono, toda essa tecnologia “limpa”?
Athos
18 de março de 2014 4:23 pmOutro argumento é que a China
Outro argumento é que a China está instalando desde o ano passado 6GW por ano de painéis.
Secou o mercado.
E o custo…complete a frase.
marcelo
18 de março de 2014 11:26 amFiz um orçamento. pra gerar
Fiz um orçamento. pra gerar mais ou menos o que eu consumo, 12 mil reais. Paga-se em 20 anos, sem contar o custo de oportunidade. Ou seja, não se paga.
O que parece é que o governo não quer que isto prospere. Lobby das distribuidoras que teriam a receita diminuida? Lobby das construtoras de Hidroelétricas? Lobby das usinas termoeleétrica?
E seria o tipo mais complementar à energia hidrica. Já que quanto mais seco o tempo, mais sol.
AlvaroTadeu
18 de março de 2014 12:31 pmFaltou clareza
No texto do Marcelo, “Fiz um orçamento. pra gerar mais ou menos o que eu consumo, 12 mil reais. Paga-se em 20 anos, sem contar o custo de oportunidade. Ou seja, não se paga.”
Eu entendi que ele consome R$ 12 mil reais/ano. Ou seria o orçamento de R$ 12 mil, para ser pago em 20 anos? Se ele gasta tudo isso de eletricidade, um mil reais mensais, não precisa de financiamento, só quem tem zilhões de aparelhos eletro-eletrônicos ligados o dia inteiro pode chegar a esse consumo. Aí, me parece que R$ 12 mil é o preço do orçamento. Se ele vai pagar em 20 anos, qual é a dificuldade?
Os verdes fanáticos, verdes como as camisas das legiões de bobalhões do Plínio Salgado, acham muito bonito aqueles quilômetros de paineis solares captando energia solar para transformá-la em energia elétrica. A fabricação desses paineis é altamente poluente. Toma um espaço absurdo e eles são caríssimos. No deserto do Colorado, 1 km quadrado de paineis para sustentar uma cidade de dez mil habitantes, que deve consumir o mesmo que uma cidadezinha brasileira de 50 mil habitantes.
Paineis solares são interessantes em residências pobres do Nordeste, onde o cabeamento para levar eletricidade a umas poucas residências tivesse um preço absurdo, e nessa situação, os paineis fossem mais baratos. Seriam custeados inteiramente pelo governo, que cobraria uma pequena taxa para os consumidores sentirem-se responsáveis pela geração da energia que consomem.
Ivan de Union
18 de março de 2014 1:07 pm“Eu entendi que ele consome
“Eu entendi que ele consome R$ 12 mil reais/ano. Ou seria o orçamento de R$ 12 mil, para ser pago em 20 anos?”:
O segundo. Mas 5 mil dolares por equipamento que produz a eletricidade “que eu consumo” esta quase de graca. Parece que ele fez a conta errada mesmo.
marceloS
18 de março de 2014 4:23 pmcusto equipamento
O custo do equipamento é de 12 mil reais. Para um desconto de aproximadamente 50 reais por mês na conta de luz. Levaria 20 anos pra empatar o investimento. Se colocar o custo de oportunidade aí, não se paga. Quanto mais as taxas oferecidas pra empréstimo. Sem falar no risco, não pequeno, de mudanças de regras no meio do caminho. Ou seja, finaceiramente Inviável.
Athos
18 de março de 2014 4:25 pmAmigo, lobby? O lobby era pra
Amigo, lobby? O lobby era pra não sair a regulação da Aneel.
Já saiu. VA a luta!
Pague e faça. Boa sorte.
Ivan de Union
18 de março de 2014 12:08 pmParabens pelo post e pela
Parabens pelo post e pela sugestao, JRMartins. Nao sei se voce ja estava no blog quando essa regulamentacao apareceu e foi discutida aqui. O consenso aa epoca foi mais ou menos esse: voce tinha muito mais a perder do que ganhar virando “fornecedor” de eletricidade, e ainda gastava uma grana preta do proprio bolso.
O assunto parou la, claro. Todas as engrenagens que poderiam ter se movido continuam exatamente como as deixamos ha 2 anos atraz. Paradas no tempo por pura ma vontade.
BRAGA-BH
18 de março de 2014 12:42 pmIncentivos
Vários países da Europa, mesmo sendo um micro-cosmo se comparado ao nosso Sistema Elétrico Interligado, possuem uma legislação pra lá de moderna quando o assunto é energia elétrica através de fontes alternativas. Placas fotovoltaicas e equipamentos inerentes simplesmente tem taxação de impostos próximos a zero. A produção/utilização destas fontes é incentivada pelos governos pois não existem outras alternativas a não ser a da energia nuclear que depois de Fukushima deu uma freada bastante grande. Existem paises na Europa que já utilizam geradores de energia produzidas à base de lixo. São instalações ultra modernas que, inicialmente tem um investimento altíssimo mas que em pouco menos de 20 anso já se pagam por duas vias: a produção de energia e a solução ecologicamente correta para o lixo!!
Iniciativas existem. Modelos a serem copiados também. Basta apenas escolher aquele que melhor se encaixe ao nosso país, ao nosso sistema.
Eduardo Salvato
18 de março de 2014 1:09 pmGeradores eólicos para residências.
A lei que regulamenta esta prática, é a Resolução ANEEL 482.
Esta resulução entrou em prática a pouco mais de 1 ano, e esperamos que como toda nova lei, ela seja atualizada e mehorada a fim de democratizar o uso de geradores eólicos em residências.
Vou esclarecer alguns fatos aqui.
1- Se você instalar 1000Watts de painéis fotovoltáicos, você terá uma produção mensal de aproximadamente 250kWh/mês. Ou seja, este sistema abasteceria uma casa cuja a conta de luz gira em torno de R$ 150 por mês. Você também preisaria ocupar metade do seu telhado com placas solares.
2- Se você instalar um gerador eólico de 1000Watts, você ocupará 30% do espaço que as placas fotovoltáicas ocupariam e produzirá entre 500kWh/mês até 720kWh/mês. Bsata chumbar um poste no chão e conectar o gerador eólico. Bem simples.
No sistema fotovoltáico você gastará em torno de 24mil reais ( instalado e protocolizado na distribuidora).
No sistema de energia eólica, você gastará os mesmos 24-25mil reais, entretanto o sistema irá gerar o dobro da energia pelo menos e se pagará em torno de 8 anos.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=kY1QK_WB6DI&feature=youtu.be%5D
PeixeBr
19 de março de 2014 11:37 amNem sempre há vento
Muito boa a ideia, eu até já pesquisei na internet um sistema desses (só achei uma empresa fazendo sistema eólico residencial). Mas temos que lembrar que o sol está no Brasil todo mas nem todos os lugares temos o vento que há, por exemplo, na beira da praia em Florianópolis no vídeo que você postou.
hc.coelho
18 de março de 2014 1:35 pmAinda é muito cara
A geração fotovoltaica é ainda muito cara e o padrão do potencial hidroelétrico do Brasil, espetacular se comparado a qualquer outro país, inviabiliza este aproveitamento. Na europa é ele ou a nuclear, aqui é ele contra a agua. No futuro vai melhorar a tecnologia de capatação de fotovoltaica e, no fururo, talvez precisemos dela. Dá para esperar trnaquilo. O aproveitamento hoje usado para aquecer agua é muito mais barato, válido, e importante redutor de outros modos de geração.
Vou insistir que não temos problema nesta área. Para fácil entendimento. Tenho uma pequena industria no interior e tenho uma usina hidroelétrica própria para abastecê-la. Assustado com uma seca e parada da minha industria, comprei, sob conselho de especialistas, algumas geradoras a dizel. Claro que incorporei nos meus custos do produto o custo do investimento e a operação leve e continuada. Durante 5 anos fiquei com a impressão que havia gasto atôa, pois os geradores ficavam totalmente parados e eu ainda tinha que fazê-los funcionar periodicamente por manutenção e confiabilidade. Quer dizer, älém do custo do investimento eu ainda tinha que gastar com combustivel para mantê-los vivos. Hoje a seca voltou e confirma que fiz um bom negócio, conforme previsto é claro, porque o prejuizo total com a parada da industria ia ser três vezes maior se eu não tivesse feito o tal investimento. O único problema é que meus vizinhos, tipo pig, passam, veêm a gastança com combustível e dão rizadas achando que estou gastando além da conta. Não estou. Amanhã volta a agua e retorna o ciclo. Fiz um ótimo negócio com as minhas “térmicas”. É assim com o Brasil. Entendido?
Não temos problema com energia. Temos é uma fortaleza de energia que nehum pais do mundo tem. No geral estamos mais para sobras.
Adicionando para os preocupados: hoje, março de 2014, geramos 1 ( uma) Furnas com heólicas no nordeste e no RGS. Dentro de 4 anos estaremos gerando o mesmo que uma Itaipu, só com vento. É sensacional. Vejam no site da EPE.
Alex Back
24 de março de 2014 5:11 pmTrocar hidreletrica por solar é furada
Concordo que é a atual regulação da microgeração é contraprodutiva.
Ninguém vai querer botar dinheiro (muito dinheiro) pra recuperar em 15-20 anos.
Obviamente não se deseja a independência energética da população.
A maior conta de arrecadação de impostos no Brasil é justamente a energia (combustíveis e eletricidade).
Se algum dia se desejar pulverizar a concentração de poder das gigantes da energia, basta cortar impostos dos equipamentos e se permitir o intercâmbio de energia com a rede, ao custo da distribuidora, porém também sem a incidência de impostos.
Por outro lado, a energia gerada em grandes usinas tem ganhos de escala economica, tornado-a muito mais barata que a microgeração. E ainda temos vastas reservas energéticas, seja hídrica, eólica ou termica a gás ou carvão. Isso é fato.
Ou seja, em minha opinião a escolha está entre a modicidade tarifária (custo da energia mais barata) ou a pulverização do poder do setor energético.