4 de junho de 2026

A solução do caso Banco Panamericano

Coluna Econômica

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Gabriel Jorge Ferreira é um velho advogado, amantes de bons faroestes de Hollywood e que faz parte da história do sistema bancário brasileiro, seja como ex-presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), homem de confiança do legendário Walther Moreira Salles.

Na condição de presidente do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) coube a ele a incumbência de resolver o pepino do Banco Panamericano, do empresário Silvio Santos.

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ReceRecentemente, o banco vendeu participação acionária para a Caixa Econômica Federal. Na terça-feira, o Mercado foi informado de que tinha um rombo de R$ 2,5 bilhões – mais do que o seu patrimônio liquido.

Os antigos gestores recorreram a um golpe que serviu ou para desvio de dinheiro ou para mascarar má gestão. Por ocasião da grande crise de liquidez de 2008, o Banco Central incentivou os bancos menores a venderem suas carteiras de crédito. O banco pegava os contratos de financiamento e repassava para instituições maiores mediante um determinado desconto, que servia para a compradora se remunerar pela compra.

O que o Panamericano fazia era aumentar seu capital, com o dinheiro que entrava, mas sem dar baixa na carteira de crédito, que saía.

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Ao contrário dos rumores de primeira hora, foi estritamente de mercado a solução encontrada para o rombo.

Em 1995, após as quebras do Banco Nacional, Econômico e Bamerindus, os bancos foram estimulados a criar um fundo destinado a cobrir prejuízos de correntistas com a quebra de bancos. Esses prejuízos eram o principal fator a provocar corrida bancária sempre que um banco quebrava.

Com esse propósito foi criado o FGC, como instituição privada, sendo constituído por depósitos de todos os bancos.

Na semana passada, o FGC possuía fundos da ordem de R$ 28 bilhões.

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Quando explodiu o problema Panamericano, montou-se uma operação típica de socorro, com todas as garantias sendo apresentadas. O fundo emprestou R$ 2,5 bilhões para o Panamericano, algo que não tinha sido pensado na sua constituição. A lógica era simples. Emprestando o dinheiro – e tendo garantias – era muito mais saudável do que esperar a quebra do banco e cobrir os prejuízos dos correntistas – caso em que o dinheiro não seria recuperado.

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O comportamento de Silvio Santos foi exemplar.

Para obter o empréstimo, entregou como garantia as 44 empresas do grupo, incluindo a rede de televisão. E obteve condições favoráveis, de três anos de carência para começar a pagar, dez anos de prazo. Se o banco se recuperar e gerar lucros, o empréstimo será quitado normalmente. Caso contrário, as garantias serão executadas.

A Caixa Econômica Federal não deverá sofrer nenhum prejuízo, já que não participava da gestão do banco. Além disso, Silvio Santos chamou a si a responsabilidade total pela recapitalização da instituição.

A operação mostra a maturidade do mercado bancário brasileiro, após os grandes problemas do pós-real – que exigiu o lançamento do Proer para impedir uma crise bancaria.

E poderá ter implicações relevantes no novo desenho da televisão brasileira, que em breve começará a emergia com a entrada de novos grupos. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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