27 de junho de 2026

A técnica nazista de transformar mentiras em verdades, por J. Carlos de Assis

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A técnica nazista de transformar mentiras em verdades

por J. Carlos de Assis

Métodos de comunicação nazista (Goebels) estabeleciam que uma mentira repetida várias vezes como técnica de propaganda tornava-se uma verdade para a opinião pública. Quando Henrique Meirelles fala que o rombo orçamentário de R$ 159 bilhões neste ano é culpa do déficit da Previdência, estamos diante de uma mentira que, graças à repetição pela grande mídia e principalmente pela Tevê Globo, transforma-se numa verdade definitiva.

O papel da mídia nesse processo é fundamental. No caso da Previdência ela não apenas tem deformado a notícia como esconde informações relevantes. Para os que tem dúvida sobre esse comportamento nazista basta observar o resultado do inquérito no Congresso sobre a situação do sistema previdenciário. A comissão mista de parlamentares que examinou o assunto confirmou que a Previdência é superavitária. A Globo ignorou o tema.

As técnicas de transformar mentiras em verdades não são exclusivas de Meirelles. Elas tem propósitos ocultos, tendo-se tornado uma marca de todo o Governo. Michel Temer transformou evidências de propinas para ele, rastreadas publicamente pela polícia, num ataque pessoal pelo Procurador Geral da República. Repetiu essa defesa várias vezes, comprou parlamentares para lhe dar uma aparência de razão e instaurou a dúvida em alguns.

Entretanto, como é necessário fazer em investigações policiais, é preciso encontrar a motivação da mentira. E isso não é nada difícil. Se não ficar provado que a Previdência tem um grande déficit, não há como justificar sua privatização em favor do sistema financeiro, o verdadeiro objetivo oculto da mentira. Mais do que isso: repetir sem parar que o setor público está quebrado é fundamental para justificar a privatização generalizada de estatais, dos bancos públicos e da Petrobrás.

A verdade encoberta pela mentira é que o Governo Temer tem como prioridade absoluta, além de evitar a cadeia para o Presidente e os ministros acusados de receber propinas, a redução no limite do espaço do setor público para ampliar o espaço, o lucro e o patrimônio do setor privado, mesmo que seja a expensas de áreas estratégicas. Para isso é preciso assegurar, de forma genérica, que o setor público é ineficiente, mal administrado e deficitário.  

Num país em que o Presidente, o líder do Governo no Senado e os dois principais ministros do Planalto estão sendo acusados de corrupção aberta e descarada, colocar em pauta dezenas de privatizações, notadamente as hidrelétricas, é altamente suspeito. Será que vão continuar a roubar? Será que estão tão empenhados com os leilões porque já acertaram receber algum dinheiro por conta? Ora, se Temer é ladrão, tudo pode se esperar do Governo!  

 

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3 Comentários
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  1. Mauricio BS

    7 de novembro de 2017 3:53 pm

    Previdência deficitária? Lembremos o governo anterior…

    Ora, não sejamos ingênuos. Durante o governo Dilma o discurso de uma previdência deficitária e a necessidade de uma reforma previdenciária também tinha sido aceito e defendido pela então Presidenta e seu governo.

    Da mesma forma, a auditoria da dívida pública foi barrada por iniciativa do governo Dilma; e nos 13 anos de governo do PT, eles fizeram cara de paisagem para este tema fundamental.

    Estes interesses perpassam tanto o PMDB como o PSDB e o próprio PT. Cabe registrar que a questão previdenciária em déficit não é uma invenção deste governo de ocupação. Neste ponto, ele apenas deu continuidade ao iniciado no governo Dilma, só que de forma mais acelerada.

    A única saída é uma ruptura com este modelo econômico, que TODOS os governos da chamada “nova república” aderiram subservientemente.

  2. carlosernestdias

    7 de novembro de 2017 6:13 pm

    A grande inimiga
    Mas a “nova república”, e mesmo antes, desde o golpe de 1964, seja no governo Collor, Itamar, Sarney, FHC, Lula, Dilma,
    não importa o governo, o país tem um grande poder inimigo chamado mídia televisiva privada.
    Não há sequer uma TV pública forte para contrabalançar o peso.
    Se pegássemos todos os posts e comentários postados apenas aqui no GGN, apenas nesse ano, sobre o descabido poder de manipulação mental e comportamental adquirido e exercido no Brasil pela grande mídia brasileira, e em especial pela Rede Globo, teríamos elementos de sobra para criar um grande movimento de combate a esse poder.
    Não é apenas na questão da previdência que grassa a mentirada, mas também em outras áreas como por exemplo na previsão do tempo.
    Há um conceito de um sociólogo britânico (R Williams) chamado “consciência prática”, o qual aponta na direção de tornar a consciência adquirida em práticas de transformação da realidade.
    Penso, portanto que devemos reunir os esforços e toda a consciência adquirida sobre o assunto, que já não é pouca,
    e partir para essa transformação, concentrando os esforços nisso, e depois na previdência, na educação, etc.
    Se não fizermos isso jamais sairemos do lugar, pois duas palavras ditas no Tribunal, digo, Jornal Nacional, fazem mais efeito na população do que tudo que dissermos por aqui ou em outros blogs progressistas.

  3. Gilberto Valiney

    7 de novembro de 2017 6:55 pm

    Essa técnica também foi usada pelo stalinismo.

    O comunismo soviético, e sobretudo o stalinismo, também fizeram uso da mentira e até subtraiam das fotos seus adversários políticos.

    A mentira não foi usada exclusivamente pelo nazismo, franquismo e getulismo, mas também pela esquerda stalinista.

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