Aceito livros como presente de natal: Narrativos e Líricos; Joyce Melo, poetisa do Grupo Ágape

 

Por Joyce Melo – Poetisa do Grupo Ágape, resgatando pelos versos

 

Aceito livros como presente de natal, você não precisa ser muuuuuito meu amigo pra me dar não, certo?

Gêneros Narrativos e Líricos são os que costumo ler.
 
Escritores: Jonh Green, Makus Zusak, Nicholas Sparks, Cecilia Ahern, William P. Young, Augusto Cury; e tantos outros escritores que ainda não tive o prazer de ler as obras.
 

“Os versos que escorrem da minha boca, são verdadeiros, minha cor de pele? Sou negra e não me engano com essa falsa morenidade”.

Tenho 14 anos, moro no bairro de Sussuarana, em Salvador, Bahia, e sou Pernambucana.

 

 

Biografia I FANPAGE Grupo Ágape
Com pouco mais de dois anos, o Grupo vem resgatando através da poesia e da arte, valores que infelizmente são esquecidos no dia a dia. Reúne adolescentes e jovens negros da periferia de Salvador. Eles fazem poesia ou declamam textos de outros autores. Neles contam a dura realidade do gueto. A cada quinze dias organizam um sarau. Usam o anfiteatro Abdias Nascimento. O espaço pertence ao Centro de Pastoral Afro Pe. Heitor Frisotti – CENPAH. A construção é simples e se confunde com as casas de Sussuarana. O bairro fica no coração da península de Salvador, mas o jeito de ser tratado é o da periferia. 
Cada verso é uma fotografia da realidade. A entrar em cena é a vida da comunidade. O ritmo da apresentação é acelerado. A voz é firme. O recado é claro. As palavras trazem uma energia que influencia o dia-a-dia. Os desafios são apresentados, mas nada de ficar resignados. As causas dos problemas são desmascaradas e os responsáveis identificados. Atrás da periferia tem um sistema que age na covardia. O bem estar é privilégio só para uma minoria. O povo sofre. Falta saúde, educação de qualidade e moradia. Há jovens que embarcam na criminalidade, mas há outros, como o Ágape, que preferem lutar pela comunidade. Estes não se conformam de ficar na invisibilidade social ou de virar manchete da página policial. Reagem. Têm caráter. Estão orgulhosos da própria identidade. Mostram que a periferia não é só celeiro de bandidos. É laboratório de poetas, escritores, músicos e artistas em geral. Não querem ficar de camarote, vendo as coisas acontecer à revelia. Encontram-se para pensar e agir. Querem se mobilizar para o novo acontecer. Sabem por certo que o futuro não cai do céu nem vai vir de cima para baixo. Brota da luta do presente. Suas oficinas são focos de resistência e criadores de esperança. Estão cansados de quem pensa e age por eles. Resgataram suas raízes e retomaram o controle de suas histórias. Vivem como protagonistas. Já estão carecas de saber que “Parasita hoje / Um coitado amanhã / Corrida hoje / Vitória amanhã / Nunca esqueça disso”. (A Vida é Desafio, Racionais MC’s)

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