Aeronáutica firmou contrato sigiloso de R$ 175 milhões para comprar satélite

Especialista afirmou que a decisão da compra, que dispensou a necessidade de licitação, é "absurda e injustificável"

Imagem: ESA/internet/Projeto Earth Watching

Jornal GGN – O Comando da Aeronáutica assinou nesta quarta-feira, 30 de dezembro, um contrato sigiloso de US$ 33,8 milhões (cerca de R$ 175 milhões) com a finlandesa Iceye para compra de um satélite, sem licitação, que apresenta dúvidas a respeito de sua necessidade e eficácia. As informações são da coluna de Rubens Valente, no Uol. 

O contrato, classificado como reservado, foi firmado sem a necessidade do processo de licitação, dispensado pelo comandante da Aeronáutica, o brigadeiro do ar Carlos Moretti Bermudez. A decisão foi publicada no Diário Oficial do último dia 22, sob a justificativa de preservação da “segurança nacional”.

Em nota, a Aeronáutica afirmou que a aquisição irá integrar “o primeiro sistema do Projeto Lessonia-1, previsto no Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), cujo principal objetivo é prover infraestrutura espacial para ser usada estrategicamente, e de modo potencializador, no Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), no Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), no Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), no Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e afins”. 

Ouvido pela coluna, o cientista Gilberto Câmara, que dirigiu o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de 2005 a 2012 e atual diretor do GEO (Grupo de Observação da Terra, em português) afirmou que a decisão da compra é “absurda e injustificável”. 

“É uma conversa mal explicada e que só tem, para mim, uma justificativa: os militares querem dizer que também têm a capacidade de medir o desmatamento para eventualmente desconsiderar o dado do Inpe. Para mim é a mesma história, que já vem de algum tempo. O dado do desmatamento incomoda os militares, que querem ter o controle sobre ele. Esse gasto não se justifica, é um absurdo. No país da covid-19 estamos jogando fora R$ 175 milhões quando o governo não tem nem seringa para dar vacina”, avaliou Câmara. 

Ele ainda explicou que esse tipo de satélite pode ser eficiente para “diferenciar gelo de água, como na Finlândia”, mas é não para observar a Amazônia, já que não consegue diferenciar, por exemplo, árvores de gramíneas.

 

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