A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, foi eleita pela revista Time como uma das 12 mulheres do ano de 2023.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 2. Irmã da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, Anielle é a primeira e única brasileira a ser indicada na lista de “mulheres do ano” da Time até agora.
Outras brasileiras, como Dilma Rousseff e Sônia Guajajara, entraram na lista de “100 pessoas mais influentes” do mundo, em outros anos.
Segundo o perfil publicado pela Time, Anielle nunca planejou entrar para a política, mas isso mudou após a perda de sua irmã, quando, incansavelmente, se dedicou à busca por justiça. “Eu perdi o medo quando eles mataram a minha irmã. Agora eu luto por algo muito maior do que eu mesma”, disse à revista.
Anielle é irmã de Marielle Franco, ex-vereadora do Rio de Janeiro que foi assassinada em março de 2018. Marielle era uma ativista política contra racismo e violência policial, moradias precárias, machismo e LGBTfobia. Após 4 anos desde o assassinato, o caso ainda não foi solucionado.
O perfil de Anielle na Time
Atual ministra da Igualdade Racial e fundadora do Instituto Marielle, com agora 33 anos, Anielle cresceu na favela carioca da Maré, zona norte do Rio de Janeiro.
Aos 16, recebeu uma bolsa para jogar vôlei nos Estados Unidos, onde permaneceu por 12 anos, tendo estudado jornalismo e inglês em duas faculdades historicamente negras, o que moldou sua identidade.
“Eu não imaginava o quão incrível seria”, diz ela, sorrindo, “em termos de cultura, representação e minha compreensão da agenda antirracismo”.
Anielle seguiu os passos da irmã na luta por direitos e igualdade, e, inclusive, fundou uma ONG em sua homenagem, o Instituto Marielle Franco. Isso, em 2018, no período em que o ex-presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, colocava em xeque os direitos humanos no país, dizendo em um discurso em Araçatuba (SP), que, se eleito, a bandidagem iria morrer pela falta de repasses da União, e que as ONG’s de direitos humanos prestavam um desserviço ao país.
A revista revela que agora com 38 anos – mesma idade que Marielle tinha quando faleceu – Anielle se encontra em uma posição de destaque enquanto ministra da Igualdade Racial e que está cada vez mais perto de realizar o sonho de sua irmã, que tanto lutava por um Brasil mais justo.
Apoio do governo
Anielle Franco disse à revista que, agora, com o apoio do governo federal, pretende combater inúmeras desigualdades que corroboram para o genocídio da população negra.
Anielle já se reuniu com o ministro da Justiça, Flávio Dino, e se ofereceu para desenvolver políticas que combatam o policiamento racista, além de coordenar discussões com os autores e moradores de favelas.
“Queremos produzir uma estratégia de trabalho com ações concretas. Não podemos ficar aqui especulando enquanto as pessoas estão morrendo”.
Além do apoio do governo de Lula, a ministra diz que também precisará do respaldo de políticos aliados a Bolsonaro e que partirá de pessoas que estejam dispostas a falar, e que isso pode indicar um significado positivo. “Se conseguirmos chegar a algumas pessoas, isso fará uma grande diferença”, informou à Time.
A herança intolerável
O perfil na Time ainda revela que os assassinatos cometidos pela polícia chegaram a níveis recordes durante a presidência de Bolsonaro: 84% das vítimas eram negras. E que, em 2022, houve um salto de 60% no número de negros passando fome no Brasil.
Além disso, Bolsonaro desfez orçamentos de programas destinados a ajudar comunidades marginalizadas. “Esse era um projeto político que ele estava perseguindo – deixar de lado tudo o que era para os negros, mulheres, pobres e pessoas LGBTQI”, diz Franco à revista.
Um outro número destacado no perfil é o recorde de mulheres negras que concorreram nas últimas eleições no país. Foram 29 eleitas na Câmara contra apenas 13 em 2018. Ainda assim, o dado representa menos de 6% das cadeiras no país em que as mulheres negras correspondem a 28% da população.
“Eu espero que a população negra ocupe o papel de protagonistas na nossa sociedade, e não apenas a capa de jornais como vítimas de um genocídio”, completa à Time.
Confira a lista de mulheres do ano 2023 na Time
Conheça as outras 11 indicadas ao “Mulheres do ano”:
a atriz australiana Cate Blanchett;
a atriz e cantora norte-americana Angela Bassett;
a ambientalista paquistanesa Ayisha Siddiqa;
a executiva japonesa Makiko Ono;
a jornalista iraniana Masih Alinejad;
a jogadora de futebol norte-americana Megan Rapinoe;
a ativista ucraniana Olena Shevchenko;
a cantora e compositora norte-americana Phoebe Bridgers;
a escritora, produtora e atriz norte-americana Quinta Brunson;
a boxeadora e modelo somali Ramla Ali;
a ativista mexicana Verónica Cruz Sánchez.
AMBAR
2 de março de 2023 8:21 pmAnielle precisa urgentemente de um consultor de imagem.
AMBAR
2 de março de 2023 11:02 pmSobre racismo e políticas públicas – https://www.youtube.com/watch?v=GyQAX-tKsSo