Perdoem-me os debatedores, mas trago aqui um tema pessoal a que ouso dar uma relevância universal. Bem vindo ao nosso mundo de meu primeiro neto, JORGE. Nasceu em 21/09/2014.

Ele, como a maioria absoluta dos brasileiros é mais um miscigenado (os humanos podem ter a mistura de genes) o que não significa ´mestiço´ (mistura de raças, pois os humanos não possuem ´raças´ diferentes: cães, gatos, bovinos, equinos e a maioria das espécies possuem características raciais que os diferenciam dentro da mesma espécie) já os humanos, conforme a genética, possui idênticas características em todos os continentes, com a coincidência de 99,9% dentre os 27.000 genes. A melanina e o caroteno são proteínas definidoras da cor da pele, dos olhos e dos pelos humanos, considerada pela ideologia do racismo a maior característica do que ensina ser uma ´raça diferente´ e são apenas proteínas que define a cor da pele, dos olhos e dos pelos humanos, correspondendo a cerca de 10 a 20 genes dentre os 27.000 de nosso DNA. Segundo os geneticistas não configura uma diferença racial, mas a simples existência ou não da melanina uma substância protetora da pele. As células que produzem a melanina são responsáveis pela proteção da pele contra os raios ultravioletas. As pessoas de pele clara correm maior risco de câncer de pele quando habitam as regiões tropicais por isso os médicos recomendam o uso continuado de protetores solares.
Aliás, ao contrário do que pensam os marqueteiros do Neymar, não somos todos macacos. Se pensarmos bem, vamos ter ciência que todos os humanos são miscigenados, e que todos somos, portanto, irmãos. Quando as ´patricinhas´ e os ´mauricinhos´ se dirigem a um humano o chamando de ´macaco´ é apenas uma ofensa pessoal, oriunda na crença de ´raças diferentes´ sem qualquer relação com a realidade biológica. E penso, em dúvida, porque fazer aqui, de um evento tão pessoal, tão familiar, uma reflexão e um compromisso de caráter tão universal. Fernando Pessoa explica:
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
Nada nos faz mais universal do que projetar na beleza do Tejo o belo rio de minha aldeia. Portanto, conforme ensinou ORTEGA Y GASSET, nos anos 1930, temos o dever de entregar às futuras gerações um ambiente social melhor e mais harmonioso do que o recebemos. E assim, saúdo ao JORGE, meu neto na figura simbólica de minha aldeia e por ele e por todas as crianças e adolescentes, de todas as origens, seja a motivação a mais para que eu continue sendo um ativista contra os ideais do racismo representado pelo falso conceito genético da classificação humana em ´raças´ diferentes.
A afirmação da unicidade da espécie humana, sem a falsa classificação racial e sua presumida hierarquia da superior e inferiores, em que o racismo aproxima a ´raça negra´ dos símios, desumizando-a como a raça inferior, ´quase humana´, consiste na verdadeira luta contra o racismo e na edificação de uma sociedade melhor do que a que recebemos.
A consciência mundial da luta contra o racismo somente se tornou imperativa com o final da 2ª guerra mundial e revelado ao mundo os crimes racistas do nazismo e fascismo. O primeiro grande ativista contra o racismo foi FRANTZ FANON que inspirou MALCOLM X, LUTHER KING, NELSON MANDELA e seus seguidores. Em 1956, num encontro de intelectuais em Paris, FANON nos legou uma sábia síntese da luta contra o racismo e pela destruição do conceito edificado pelos ideais racistas: “Numa sociedade com a cultura de raça, a presença do racista será, pois, natural”.
Nós não podemos considerar natural a convivência com o racista. Diga não ao conceito de ´raças´ em especial contra a edificação de direitos com base numa doutrina de ´raça estatal´, em que o estado e não mais o cidadão passa a ter práticas de segregação de direitos raciais.
Enfim, por JORGE e todas as futuras gerações não podemos deixar que o conceito de raças humanas diferentes, conforme a doutrina racista seja sedimentada pelo estado brasileiro. Esse o compromisso de um avô: que todos os nossos rios de nossas aldeias sejam mais bonitos que o Tejo e que sejam todos vistos, simplesmente como humanos e iguais.

Por uma humanidade mais justa, solidária e fraterna e pela edificação de um novo ritmo de desenvolvimento sustentável de todas as nações para a preservação do planeta para as gerações futuras de humanóides.
CELSO ORRICO
27 de setembro de 2014 11:01 pmSalve Jorge!!!
oparabéns ao avô e à todos que contribuiram para a chegade de Jorge..
Bom fim de semana
[video:http://youtu.be/SeDcDJ8JH3k%5D
joao
27 de setembro de 2014 11:41 pmMilitão
Parabéns!
A você, a família que cresce e aos pais. Muitas felicidades.
Discordante Frequente
27 de setembro de 2014 11:49 pmColega Militão que costumo discordar
Parabéns pelo netão e que ele supere todas as suas (dele e do avô) espectativas na vida, inclusive as que escreveste no final. Um nascimento sempre emociona!
Posto isso, e pra não desacostumar, lembro-lhe que o problema social ou do preconceito não está exatamente nas raças ou sua inexistência, mas exatamente nas diferenças, sejam elas quais forem:
O que precisamos é saber ou aprender a conviver bem com elas, seja uma cabeça chata, uma negritude de pele (gosto da azulada e da cor de jambo), de sua vermelhidão, amarelice, morenice, branquice ou alvura albina, dos ólhos redondos ou amendoados, verdes, azuis, castanhos ou negros, das loiras (burras ou não), ruivas, morenas, de cabelos lisos, ondulados ou encaracolados, dos carecas, gordos rolhas de poço e magros, altos e baixos pintores de rodapé, dos gays, lésbicas, bisex, autistas, com síndromes de Down, de Tourette, islâmicos, judeus, católicos, espíritas, ateus, idosos, de voz grossa ou fina, pescoçudos e pezudos, barrigudos e bundões, peitudas e despeitadas, mais ricos ou menos, etc e tanto.
E que Jorge venha a viver nesse mundo onde as diferenças podem ser mais iguais.
Mas sem nunca deixar de ser diferentes por isso.
Athos
28 de setembro de 2014 1:33 amParabéns!
Parabéns!
Luis Fraga
28 de setembro de 2014 5:08 amParabéns ao avô….E que
Parabéns ao avô.
…E que mais este brasileiro, o Jorge, seja bemvindo ao mundo e ao país. Que possa ser uma criatura feliz, vivendo num Brasil mais justo, com menos desigualdade social, menos criminalidade, mais igualdade de oportunidades, um país livre de qualquer tipo de preconceito.
Um país onde o sentimento e a sinceridade prevaleça acima da retórica e da hipocrisia.
rdmaestri
28 de setembro de 2014 7:51 pmParabéns, porém…
Parabéns Militão, porém eu estou na frente! Já tenho dois netos e sei a felicidade que é ter um neto.
A minha neta nasceu em terras distantes e meu filho sabendo das experiência do Pai (cinco filhos) me convocou para ser babysitter dela durante três meses, mudei de mala e cuia e durante o primeiro mês advinha quem conseguia fazer a minha hiperativa neta a dormir?
Aproveita bem, pois os primeiros cinco anos são fantásticos, eles crescem em todos os sentidos como verdadeiras abóboras e a cada dia é um fato novo.
J.Roberto Militão
30 de setembro de 2014 1:50 amPrezados,
Vejam se não tenho toda a razão na radical negativa da possibilidade de ´raças´ diferentes na humanidade. E de prosseguir no embate pela absoluta igualdade dos humanos em face do estado.
Agradeço os cumprimentos e os votos. Como diz o Rogério é interessante a gente ver a fila andando e com ela o sentido de nossas esperanças, desejos e renovação de comromissos de vida.
Aqui a fotos deles, João e Bruna, com Jorge: um miscigenado. Os pais ainda são universitários da Federal do ABC e devem continuar a vida acadêmica, por um mundo melhor.
e aqui, a avó Ruth, minha mãe a bisavó ´Vó Maria´, a Bruna e eu recomendando ao pai, meu filho João… sentado. rss