9 de junho de 2026

Após tumulto, CPI encerra sessão e Barros será ouvido novamente como convocado

Líder do governo diz que a CPI já produziu muito "efeito negativo" porque "afastou muitas empresas interessadas em vender vacinas para o Brasil"
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – A CPI da Covid foi suspensa pela segunda vez por volta das 13h30 desta quinta-feira (12), após um ataque do ex-ministro da Saúde e líder do governo Bolsonaro, Ricardo Barros, aos trabalhos da comissão. Depois de algumas horas discutindo nos bastidores, os senadores não ligados ao governo decidiram encerrar a oitiva e intimar Barros na condição de “convocado”, e não mais convidado da CPI.

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Não há data marcada para a reconvocação de Barros. Por uma questão de estratégia, a senadora Simone Tebet sugeriu que a nova oitiva só aconteça após a abertura da “caixa preta da Covaxin”, para que Barros seja confrontado com as denúncias.

Barros causou alvoroço apresentando uma série de informações sem contexto, driblando resposta e, no ápice da confusão, atacando a CPI ao afirmar que a investigação atrapalha a vacinação em massa no Brasil, pois farmacêuticas estão se afastando com medo de serem investigadas.

“O mundo inteiro quer comprar vacinas e eu espero que essa CPI traga bons resultados para o Brasil, produza um efeito positivo para o Brasil, porque o negativo já produziu muito: afastou muitas empresas interessadas em vender vacinas para o Brasil, que não se interessam mais”, disparou Barros

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“O senhor está mentindo aqui, deputado”, disse Aziz. “Afastamos as vacinas que vocês, do governo, iriam tirar proveito”, retrucou. “A CPI atrapalhou negociatas, a relação de trambiqueiros com o Ministério da Saúde, a venda da Covaxin pela Precisa”, rebateu o senador Rogério Carvalho (PT) após a suspensão.

A senadora Simone Tebet fez a intervenção definitiva: “Essa CPI foi instalada não tem nem 90 dias. Antes dessa CPI estar instalada, senhor líder do governo Jair Bolsonaro, nós já tínhamos quase 400 mil vidas perdidas. Dizer que nós afastamos fabricantes idôneos de trazer vacinas para o Brasil?”, comentou a líder da bancada feminina, indignada com o ataque de Barros.

Após a decisão de encerrar a oitiva, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues, disse que Ricardo Barros fez media training e foi à comissão acompanhado da “tropa de choque” do governo – que, desta vez, contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro – com o intuito de tumultuar a CPI com informações desencontradas, descontextualizadas e falsas.

Na condição de convocado, o líder do governo será obrigado a responder às perguntas com objetividade. Ele poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal para ficar em silêncio.

Ao final da sessão, Barros disse à imprensa que é inocente e que “o combate à corrupção está no DNA do governo Bolsonaro.”

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(Tatiane Correia)

Redação

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