Aras e as suspeitas sobre a Lava Jato Paraná, por Luis Nassif

Agora, com as revelações de Aras, não haverá como não iniciar a devassa sobre os abusos cometidos pela Lava Jato Paraná e seus yuppies do setor público.

O depoimento do Procurador-Geral da República Augusto Aras ao grupo Prerrogativas, ontem à noite, foi histórico. Foi a mais contundente crítica já feita contra os abusos da Lava Jato Paraná. E para uma audiência que contava com alguns dos mais ilustres juristas garantistas do país, Aras colheu aplausos unânimes não apenas por expor os vícios da Lava Jato, mas os princípios que devem nortear a atuação do Ministério Público.

O MPF não deve ser o órgão punitivista que assume todos os casos pensando na condenação, disse ele, reforçando as análises de Lenio Streck. Deve ser um promotor de justiça, colher todos os elementos e firmar convicção sobre o caso, sem posições apriorísticas. Não deve também se basear no julgamento midiático, nem montar parcerias com a mídia visando ganhar força através da espetacularização dos casos para pressionar o Judiciário, que invariavelmente assassina a reputação das vítimas mesmo antes de levantar provas e/ou evidências de crimes cometidos.

As informações fornecidas pela PGR em relação à Lava Jato de Curitiba são chocantes, mesmo para os críticos da operação. 38 mil pessoas com dados depositados, 50 mil documentos, uma base de dados muito maior do que todas as bases do Ministério Público Federal sem nenhuma supervisão. Era o poder absoluto, compartilhado entre procuradores com intenções políticas, ex-procuradores que ingressaram no mercado da advocacia corporativa, uma operação com ligações estreitas com advogados que atuam no milionário mercado das delações premiadas e das disputas corporativas.

Houve quem julgasse precipitada a divulgação da base de dados, antes de uma perícia para averiguar irregularidade eventuais. Mas o tamanho da base é uma evidência óbvia de ilegalidade. Como pode um controle estrito sobre informações de 38 mil pessoas sem nenhuma forma de controle superior ou externo? Em uma das conversas divulgadas pela Vazajato Deltan Dallagnol menciona as tratativas com uma empresa de bidgatas, para turbinar a base de dados. Inclusive, ele apareceu até como garoto propaganda da empresa em uma live. A empresa fornece sistemas para governos de estados, procuradorias, ministérios públicos. Dias depois, surgiram denúncias de propinas pagas a outras empresas para colocar seu produto. O que demonstrava claramente o apoio incondicional e nenhum pouco seletivo ao mundo dos aliados.

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As esperanças suscitadas pelas palavras de Aras, no entanto, não são suficientes para esclarece pontos controversos do governo que o indicou, o mais obscurantista da história.

O Ministro da Justiça André Mendonça está transformando a Polícia Federal em uma polícia política, invadindo residências de governadores adversários com todo o aparto midiático que caracterizou o lavajatismo.

Há uma ofensiva clara do governo contra populações vulneráveis, índios, quilombolas, além de ataques contra o meio ambiente.E, principalmente, há em curso uma série de pedidos de impeachment de Bolsonaro.

Nessa luta contra o obscurantismo cada dia é um dia. Nas próximas semanas, ao montar as comissões temáticas da PGR se saberá melhor qual o fôlego da gestão Aras em direção ao reencontro do Ministério Público com os princípios levantados pela Constituição de 1988. A prova de fogo será a maneira como serão tratados os grupos ligados a direitos humanos que, em nenhum momento, se aliaram ao corporativismo tacanho dos lavajatistas.

A posição de Aras desnudou o populismo corporativo de seus antecessores, especialmente Rodrigo Janot, um fraco que sucumbiu às pressões da mídia e da base lavajatista do MPF. Aliás, o próprio Janot tentou se prevalecer da cumplicidade imoral com a mídia, em uma sessão do Conselho Superior do MPF, no qual articulou com jornalistas policiais uma armação tentando desmoralizar sua colega Raquel Dodge, e impedi-la de disputar a PGR.

Agora, com as revelações de Aras, não haverá como não iniciar a devassa sobre os abusos cometidos pela Lava Jato Paraná e seus yuppies do setor público.

7 comentários

  1. A grande mídia está em polvorosa, defenderam com unhas e dentes o seu pupilo moro,o herói contra a corrupção, agora tem um elefante na sala que teriam que esconder.

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    • Tal grupo só agiu dessa forma porque tinha “amparo” de alguém ou de instituições outras, com possíveis objetivos escusos.
      Os supostos “podres” que serão agora expostos valerão para quem?
      Não creio que servirão para reabilitar o órgão.

  2. Ora, para quem apurar? O tal conselho que deixa prescrever tudo? O caso exige cpi, e que sirva de exemplo para que nunca mais isso aconteça……ou há Justiça ou meia-justiça……

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  3. Será que ele continua nesse caminho com a campanha que a Globo vai fazer para desacreditá-lo ou até mesmo criminalizá-lo por algum motivo?

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  4. Temos a certeza que a Lava Jato representa uma excrecência dentro do sistema judiciário e democrático no país. Também, temos a certeza de que o PGR Aras, nomeado procurador fora da lista tríplice do MP por Bolsonaro, é seu homem de confiança na defesa do sistema neofascista instalado no poder. Assim, representa um grande perigo à democracia, especialmente aos Poderes Legislativo e Judiciário, a posse de todos esses terrabytes de informações nas mãos do bolsonarismo. Se pensávamos que a coisa estava ficando feia, então ainda não vimos nada do que está por vir de ruim num futuro bem próximo, que vai jogar a nação para um rumo obscuro, para o breu do eterno.

  5. Em Aras desancando a Lava a Jato leva Moro na enxurrada . No horizonte afasta-se a ameaça da eventual candidatura do ex-juiz, em contrapartida tem-se a suposta indicação de Aras ao supremo. Claro, são simplórias elucubrações de um leitor idem. De outro modo o futuro pode elevar o PGR ao título de Aras, o justo.

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