Conhecer qualquer cidade através da observação de seus monumentos públicos pode revelar uma forma de caminhar pelos desejos de um escultor, de uma elite, de um governante, de um povo. Na maior cidade do Brasil, o mesmo acontece. São Paulo, terra sem garoa.
Pode dar um orgulho danado ou a preocupação com o descaso. Muito orgulho ou ainda muita tristeza de saber que tudo é muito lento.
Se uma escultura está linda, bom.

Esta representa a “música” e no momento não apresenta bom aspecto, quando fiz a imagem, estava linda. Aguardamos medidas para renovar o trabalho do italiano Luigi Brizzolara em 1922 no centenário da Independência do Brasil.
Se não está, a recuperação é demorada. E demora tanto que nem percebemos quando melhorou.

A obra “índio pescador” de Francisco Leopoldo e Silva, nascido em Taubaté, e colocada na década de 40 já esteve assim. Hoje se encontra em bom estado na Praça Oswaldo Cruz.
Cabe a nós essa tarefa de conduzir o olhar para o patrimônio construído além de refletir sobre as formações sociais que surgiram na capital paulista. Podemos ver artistas locais como o Julio Guerra, responsável pela homenagem ao bandeirante “Borba Gato” de Santo Amaro e chamar atenção ao fato de ser ele o mesmo autor da obra “Mãe Preta” no Largo do Paissandu. São propostas bem diferentes.
Também o italiano Domenico Calabrone com painel no antigo edifício do Hotel Hilton é ainda autor da obra ao lado da Catedral, “Totem da Sé”, uma quase morada das aves.
O trabalho de um guia também é mostrar vitrais, palmeiras imperiais, refletir sobre as questões sociais, sobre os indígenas. O Guarani não dispõe de espaço no Centro para falar de sua cultura. Temos que lembrar das construções com a mão de obra escrava, falar das antigas festas de São Gonçalo. A forte presença do europeu com italianos, espanhóis, ou portugueses, dos orientais e mais fortemente na década de 1940 dos nordestinos e mineiros com sua força de trabalho e manifestações. Enfim, todo mundo colaborou com a maior cidade da América do Sul.
Assim é conduzir o olhar de um morador ou visitante para que conheça a história da fundação de São Paulo composta pelas lutas por sobrevivência desses povos sempre a chegar.
Ou seja, a tarefa de mostrar o que numa cidade tem que ser conhecido, comparado, freqüentado, fotografado, cantado e preservado.
Aos mais velhos vamos lembrar do lampião de gás, do bonde ou das noites de seresta. Aos jovens, um sonho, o de ser dada a chance de levar adiante essa história para que ao compreender, consigam preservar e elaborar futuros passos.
Você já reparou que no Largo da Batata tem escultura em homenagem à Aldeia de Pinheiros?
Fonte de pesquisa: Esculturas no espaço Público em São Paulo, Miriam Escobar.
Fotos e texto: Vera Lucia Dias
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