4 de junho de 2026

As crianças mimadas e a dificuldade de um debate amplo

Por Gilberto

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Comentário ao post “Eleições 2014: três tenores sem partitura

A maneira de evitar o voluntarismo é o envolvimento da sociedade, o estímulo a um debate amplo que introjete as bandeiras em todos os setores do país, na burocracia pública, nos empresários, nos trabalhadores, na academia

Nassif,

Me desculpe,  mas quem está disposto a fazer isto hoje? Vivemos um instante de profunda anomia, em que qualquer grupo capaz de reunir uma centena de pessoas se considera representante de um sentimento nacional.  Se acha no direito de impor seus vagos “princípios” a todos,  em nome da liberdade. 

As lideranças políticas apenas refletem isto.  Uma resposta (impossível) que atenda a todos estes desejos difusos. Somos reféns da nossa própria falta de imaginação e irresponsabilidade. Não adianta pensar que algum político seja capaz de responder a isto. É como tentar responder à uma criança insaciável,  para quem o atendimento de um desejo só serve para alimentar o próximo. 

Chega de só cobrar indistintamente,  é necessário que toda sociedade amadureça e descubra ao menos parte de sua responsabilidade na criação de um rumo que não será, com certeza,  o “desejo” particular de cada criança mimada que pensa representar o mundo.

Desencanem dos candidatos.  Pensem um pouco no que é possível que cada um de nós faça para mudar o jogo. Não atendendo exclusivamente a nossos desejos difusos e inconsequentes,  mas com a gana de criar uma sociedade justa e igual para todos. Somente nós seremos capazes de criar esta partitura. Escolher o tenor e esperar que ele a traga só nos trará uma nova decepção.

 

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6 Comentários
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  1. Ivan de Union

    23 de abril de 2014 4:55 pm

    Excelente!
    Quanto mais eu

    Excelente!

    Quanto mais eu penso no assunto mais “paro” aqui:

    “Pensem um pouco no que é possível que cada um de nós faça para mudar o jogo.”

    Gente, nao vai ser sem judiciario que qualquer futuro brasileiro vai ser possivel.

    Justica primeiro, o resto cai no lugar por ser “comportamento emergente”.

    1. Gilberto .

      23 de abril de 2014 5:47 pm

      Ótimo

      Ivan,

      É isto!

      Despachemos os marqueteiros de plantão e os fundamentalistas que não respeitam a laicidade garantida pela Constituição (apesar da inclusão do  ” sob a proteção de Deus”, que só sofreu a oposição do deputado José Genoino). 

      Criemos então a uma lista dos pontos fundamentais que queremos ver discutidos na campanha. Quem fugir da raia, está fora. Não terá, ao menos, o meu voto…

      1. JoselitoSN

        23 de abril de 2014 7:37 pm

        a REGULAMENTAÇÃO da:
        – mídia

        a REGULAMENTAÇÃO da:

        – mídia (valorando a pluraridade de ideias e ideais)

        – drogas (levando em consideração que a “saúde pública” supostamente protegida pela proibição do consumo superlota os presídios e gasta o tempo da polícia prendendo aquele que está ali usando uma substância que faz mal ao proprio usuario, tal qual o alcool, tabaco e demais drogas da farmácia)

        a REFORMA da atual (des)REGULAMENTAÇÃO:

        – tributária (considerando que quem recebe mais paga mais, imposto de grandes forntunas por exemplo, e a incidencia de imposto de veiculo automotor naqueles que têm motor mais nao sofrem incidencia do imposto, como os iates jatos particulares e helicopteros)

        – política (valorando o processo político interno, deixando a escolha de um candidato à população, e nao às “lideranças partidárias”, bem como debatendo medidas que retirem do poder econômico a influência que hoje existe)

  2. Assis Ribeiro

    23 de abril de 2014 7:24 pm

    Gilberto, um espetáculo de

    Gilberto, um espetáculo de comentário.

    Aí está o problema brasileiro, a falta de cidadania.

     

    1. Gilberto .

      23 de abril de 2014 8:34 pm

      Legado

      Pois é Assis,

      Primeiro, obrigado!

      Talvez, esta falta de cidadania, seja um dos frutos de alguns séculos de política assistencialista. Mas TODOS os povos recebem, para o bem ou para o mal, um legado.

      Não podemos portanto insistir neste pensamento, algo sebastianista, de eterna espera. Nem na possível explicação da culpa de uns, ou do legado de outros. O salvador, o eterno supridor, NÃO virá.  Não adianta esperar Godot… Existir, não é só cobrar ou tergiversar.

  3. Gilberto .

    23 de abril de 2014 8:12 pm

    O que eu espero da campanha

    Já tenho alguns itens na minha lista de desejos, Como fiz em outras campanhas, sempre consulto os candidatos sobre pontos que considero fundamentais. Sugestões para aumentar a lista, serão bem vindas.

    1. Que o discurso econômico NÃO paute ou sirva de desculpa para fugir de outros assuntos.

    2. Que as pesquisas de opinião ou as percepções dos marqueteiros NÃO definam a pauta da discussão ou o mote das campanhas.

    3. Que a cada crítica feita apareça, translúcida, a solução pretendida ao problema apontado.

    4. Que cada candidato se mantenha coerente e fiel ao seu passado e não apresente versões edulcoradas daquilo que pretende fazer no futuro.

    5. Que a percepção do que deve ser alcançado seja percebida pelos candidatos através do contato direto com o maior número de pessoas possível, pertencentes à todas as classes sociais e às diversas regiões do país.

    6. Que as alianças políticas tenham a maior consistência possível, o que não quer dizer que não possam ser plurais, desde que se firmem em alguns compromissos básicos e concretos. 

    7. Que o financiamento de campanha (infelizmente ainda possível através de empresas nesta eleição), seja público, transparente e divulgado DURANTE a campanha de preferência pelo próprio TSE.

    8. Que falemos de política e não de religião. 

     

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