As pontas soltas da operação que matou miliciano na Bahia

Governador do Rio e polícia elogiam iniciativa, mas secretário de Segurança da Bahia fala em inquérito; corretor de imóveis visitou local onde Adriano da Nóbrega foi morto mesmo sem estar à venda

Adriano Magalhães da Nóbrega, o Capitão Adriano, morto na manhã de domingo na Bahia. Foto: Reprodução

Jornal GGN – Os abrigos que esconderam o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega levantam uma série de questionamentos sobre a rede que deu apoio ao ex-policial, que ficou foragido por ano – além da própria versão oficial sobre a morte dele.

A versão oficial afirma que Adriano tinha em mãos uma pistola 9mm, estava sozinho em um terreno cercado, e foi baleado depois de reagir a tiros contra a polícia. Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, moradores dizem que a ação foi rápida, e os tiros foram ouvidos por pouco tempo.

O dono da fazenda, o empresário e pecuarista Leandro Abreu Guimarães, também foi preso durante a operação acusado de porte ilegal de armas — ele tinha duas espingardas e um revólver não registrados. Em depoimento, ele disse que Adriano chegou à região de Esplanada no final de 2019 afirmando que estava em busca de fazendas para comprar.

Segundo Leandro, Adriano aparentava nervosismo na véspera de sua morte e, ameaçado, ordenou que fosse levado ao sítio do vereador Gilsinho de Dedé (PSL), um dos que havia sido alvo do suposto interesse do ex-policial.

Embora não esteja à venda, o vereador declarou que seu sítio, onde Adriano acabou sendo morto, foi visitado por um corretor de imóveis da região há cerca de dois meses.

Enquanto o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), e a polícia da Bahia, ligada ao governo Rui Costa (PT), elogiaram a operação policial, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, disse que haverá um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar para apurar as circunstâncias da morte do miliciano.

Em meio a esse debate, a cena do crime segue com proteção precária – o que pode prejudicar a investigação policial. O portão principal do sítio em Esplanada estava fechado com uma corrente nesta segunda, mas havia espaços abertos na cerca de arame farpado, e a porta da casa estava aberta, sem isolamento.

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Homenageado duas vezes na Assembleia Legislativa do Rio por Flávio Bolsonaro, Adriano é citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” no gabinete do então deputado estadual, e teve a mãe e a esposa nomeadas por Flávio. O advogado de Adriano disse que ele relatou a preocupação nos últimos dias de que pudesse ser morto como “queima de arquivo”.

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2 comentários

  1. PQP,só agora?Eu estou falando dessa verdadeira peneira bahiana (a execução do miliciano bolsomorista) a secular seculoro.Essa turma daqui ainda não aprendeu nada comigo.

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