23 de junho de 2026

Analistas debatem avanço da extrema-direita na América Latina e o cenário político após as eleições na Colômbia

Em debate promovido pelo jornalista Luís Nassif, analistas discutem o avanço de governos conservadores na região

O cenário político da América Latina passa por uma transformação profunda, marcada pelo recuo das forças progressistas e pelo avanço de uma nova configuração de governos de direita e extrema-direita. Para debater essa conjuntura, o jornalista Luís Nassif reuniu em seu programa o cientista político e analista de relações internacionais Pedro Costa Junior e o professor de serviço social da UFRJ e autor do livro “A Internacional da Lava Jato”, Luís Fernandes. O encontro trouxe reflexões sobre o atual momento da Colômbia, as particularidades de sua recente eleição e as estratégias geopolíticas que moldam o continente.

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Durante a discussão, Pedro Costa Junior contextualizou a transição histórica da região, lembrando que os anos 1990 foram dominados pelo neoliberalismo do Consenso de Washington, seguidos pela chamada “onda rosa” nos anos 2000, caracterizada por governos que iam da centro-esquerda à esquerda mais acentuada. Atualmente, segundo o analista, a América do Sul vive uma “onda cinza”, na qual o Brasil se consolidou como um cerco de resistência, cercado por vizinhos governados pela direita e extrema-direita, com exceção do Uruguai.

Ao analisar especificamente o caso da Colômbia, Pedro destacou que o governo de Gustavo Petro foi o primeiro de esquerda na história do país, realizando um importante trabalho de mobilização social e sindical. Embora o candidato governista — descrito como um quadro mais tecnicista e sem o carisma ou a veemência de Petro — tenha sido derrotado em uma disputa acirrada decidida por cerca de 250 mil votos, a esquerda conseguiu se colocar de forma inédita no mapa político colombiano e promete fazer uma oposição forte.

O analista alertou ainda para a possibilidade de Petro sofrer perseguição por meio de lawfare devido à sua projeção política. Sobre o candidato vencedor, De La Espriella, Pedro Costa JR apontou que ele se apresenta como uma fusão de dois laboratórios dos Estados Unidos na região: o modelo econômico ultra-neoliberal de Javier Milei, na Argentina, e o modelo de segurança pública de Nayib Bukele, em El Salvador, prometendo prisões colossais e emulando a estética e o discurso do líder salvadorenho.

Luís Fernandes complementou o debate analisando a consolidação dessa extrema-direita, que agora se apresenta com um projeto de poder mais estruturado e internacionalizado do que em anos anteriores, quando focava prioritariamente na guerra cultural. Ele ponderou que, diferentemente de outras derrotas recentes sofridas por forças progressistas no continente, que resultaram em encolhimento político, a esquerda colombiana demonstrou crescimento. Apesar do revés eleitoral, o campo progressista alcançou sua maior votação histórica em um país onde, entre 1986 e 2016, a esquerda e os movimentos populares foram severamente criminalizados e alvo de um número abissal de assassinatos políticos.

Por fim, Fernandes relacionou a conjuntura continental às teses de seu livro sobre a Operação Lava Jato. O professor explicou que o avanço conservador se apoia fortemente no domínio de duas pautas principais: a segurança pública e a cruzada anticorrupção sob um viés moralista. De acordo com o autor, a atuação da Lava Jato não teria ocorrido sem uma articulação internacional promovida pelo que define como imperialismo jurídico e legal, liderado pelo Estado norte-americano e por elites associadas a instituições brasileiras. Fernandes apontou que esse mecanismo atende ao interesse dos Estados Unidos de captar recursos ilícitos que antes migravam para outros centros econômicos, uma estratégia que ganha relevância diante da perda de espaço econômico do país frente à disputa global com a China.

Nota da redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de Inteligência Artificial para transformar o conteúdo original produzido pela equipe de jornalistas e analistas do canal TV GGN em reportagem para este portal. Os textos são revisados por um editor antes de sua publicação, para garantir a veracidade e correção das informações.

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