Assessores de Damares na greve dos PMs do Ceará. Pode? Por Marcelo Auler

A notícia da presença dos assessores de Damares Alves aparece perdida no meio de uma reportagem do O Povo, na qual o Capitão Wagner tenta sustentar o insustentável. Alega que os tiros dado no senador Cid Gomes foram legítima defesa

Sérgio Queiroz e Damares Alves (Foto: reprodução do site do MDH)

Assessores de Damares na greve dos PMs do Ceará. Pode?

por Marcelo Auler

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Na insurreição dos policiais militares do Ceará, que são facilmente associados a milicianos, há um movimento insuflando a insubordinação. Isto é público. O que pode parecer estranho, porém, é a participação de assessores diretos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) na defesa de tais manifestantes. Dois deles estavam, na quarta-feira (20/02), ao lado do deputado federal e pré-candidato a prefeito de Fortaleza, Capitão Wagner (Pros), na tentativa frustrada de uma audiência com o governador Camilo Santana (PT), para “mediar os interesses da categoria”, como noticiou o jornal cearense O Povo. O governador não recebeu o grupo.

A notícia da presença destes dois assessores de Damares Alves aparece perdida no meio de uma reportagem do mesmo jornal na qual o Capitão Wagner tenta sustentar o insustentável. Alega que os tiros dado no senador Cid Gomes (PDT) foram legítima defesa – Wagner diz que tiros em Cid foram “legítima defesa” e pretende registrar B.O contra senador. Na reportagem consta o que destacamos na ilustração abaixo.

“Estavam com Wagner o secretário nacional de Proteção Global, Sérgio Queiroz, o diretor de Proteção e Defesa de Direitos Humanos, Herbert Barros, ambos vinculados ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e os deputados federais Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM) e Major Fabiana (PSL-RJ)”.

Já soa estranho a presença, em Fortaleza, de uma deputada do PSL do Rio de Janeiro, Major Fabiana, em pleno dia de funcionamento do Congresso Nacional. Estava ali para defender policiais militares como ela. Apesar de eles estarem amotinados, promovendo a insegurança pública e descumprindo a Constituição que impede movimentos grevistas dos servidores que recebem armas do governo para defender a população. Porém, parece mais inexplicável a participação nesta movimentação de dois servidores públicos federais, cujas funções, aparentemente, são de defender os Direitos Humanos.

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Certamente alegarão que estavam negociando uma solução pacífica. Defendendo o Direito Humano dos policiais militares amotinados e seus familiares. Alegação que dificilmente fará sentido quando se percebe que ambos acompanhavam o deputado Capitão Wagner.

Afinal, o passado deste capitão registra outros atos de insubordinação da polícia militar. Foi o líder do movimento de paralisação da Polícia Militar e Bombeiros no Ceará, no final de 2011 e início de 2012. Na época, já tinha concorrido a deputado estadual pelo Partido da República. Sem falar que, como todo o povo cearense sabe, está em campanha aberta pela prefeitura de Fortaleza.

Mais estranha ainda a presença em Fortaleza de Queiroz, um pastor evangélico e procurador da Fazenda Nacional licenciado desde que assumiu o cargo no MDH. Pois, na mesma quarta-feira em que ele se juntava ao deputado Capitão Wagner, anunciou-se que não mais atuará no ministério em que se encontra. Como registrou Eduardo Barreto, na Revista Época, o passe” do servidor foi requisitado por Onyx Lorenzoni, para lhe auxiliar no Ministério da Cidadania.

Queiram ou não, a presença, em Fortaleza, na quarta-feira, destes dois servidores federais – Queiroz e seu subordinado, Barros -, junto a políticos que defendem policiais militares que estavam praticando atos contrários à Constituição e relacionados às atividades de milicianos, só aumenta a convicção de muitos que o  governo de Bolsonaro insufla as milícias. Tal e qual fez no Rio de janeiro ao longo de sua carreira parlamentar. Inclusive com seu filho, o hoje senador Flavio Bolsonaro, empregando parentes de milicianos em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro – ALERJ. Mais ainda, visitando milicianos presos, como ocorreu com o ex-capitão Adriano Nóbrega e foi noticiado pelo O Globo, nesta quinta-feira (20/02) – Flávio Bolsonaro visitou ex-PM Adriano Nóbrega na prisão, diz vereador.

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3 comentários

  1. Propagando fake news? Sérgio Queiroz não esteve em Fortaleza. Abaixo a nota da Secretaria e o conselho de que tenham o mínimo trabalho de conferir antes as inverdades que propagam.

    *Nota de esclarecimento*

    O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos esclarece que é inverídica a informação publicada pelo jornal O Povo, de Fortaleza/CE, de que o secretário Nacional de Proteção Global desta Pasta, Sérgio Queiroz, esteve na cidade para negociar a pacificação após conflitos entre o governo estadual e policiais militares manifestantes.

    O único representante do Ministério presente à capital cearense foi o diretor de Proteção e Defesa de Direitos Humanos, Herbert Barros, designado para avaliar riscos de violação de direitos humanos no local.

  2. Né isso não, peregrino.
    O buraco é mais embaixo.
    Veja que a PF é um presente do bozo pro moro.
    Moro precisa agradar o bozo pra ganhar pirulito.
    Bozo precisa dos favores do moro pra livrar a cara dos filhos e ao tempo se fortalecer no poder.
    Sabendo-se que 90% do executivo é composto de militares;
    Sabendo-se que o bozo está puto com o congresso;
    Conhecendo-se a esperteza do bozo e seu conhecimento militar em estratégias, alimentado pelos seus mentores militares e os seus amores pelo trump;
    Vejamos se o cabra não está preparando um golpe militar de verdade, com fechamento do congresso e tudo o mais.
    Começa pela agitação das polícias pipocando nos estados – desestabilizando os governadores (seus opositores, em maioria ), fato que justificaria a intervenção militar nos estados para “por termo a grave comprometimento da ordem pública”. (art.34, inciso III da CF), que pode ser decretada pelo mandatário danação de ofício , por decreto presidencial (art.84, X da CF)
    Daí para a ditadura é um palito.
    Sabe porque?
    Vai que o trump não se reelege, ele, o bozo, pelo menos, estaria garantido no poder, e a esquerda, completamente desarticulada, não poderia esboçar reação, o que garantiria longa vida aos verde saúvas instalados no planalto.
    Se trump se reelege o bozo se alegra e o trump também porque tem um lacaio fiel na américa de baixo.
    Se trump não se reelege, a américa também se alegra com o fortalecimento do bozo. Será uma oposição a menos na américa de baixo, que com o enfraquecimento do brasil não conseguiria se rearticular.
    Viagem na maionese que espero que se dissipe como uma nuvem negra que vejo no horizonte.

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