A escalada do conflito no Oriente Médio atingiu um novo patamar de gravidade nesta quinta-feira (19), provocando um choque imediato no mercado de energia global. Em represália a bombardeios israelenses contra o complexo de South Pars — o maior campo de gás natural do mundo —, o Irã lançou uma ofensiva coordenada com mísseis e drones contra instalações petrolíferas e de gás no Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait.
O impacto econômico foi instantâneo. O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, saltou mais de 6%, superando a marca de US$ 115. Na Europa, o preço futuro do gás natural registrou picos de 35% de alta durante a manhã.
A QatarEnergy informou que os danos na cidade industrial de Ras Laffan destruíram 17% da capacidade de GNL do país, com previsão de recuperação apenas em três a cinco anos.
Retaliação e danos estratégicos
A ofensiva iraniana ocorre um dia após Israel atingir South Pars. Segundo fontes diplomáticas, a ação israelense teria buscado pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz. No entanto, a resposta foi uma demonstração de força contra os principais aliados ocidentais na região.
No Kuwait, duas refinarias da estatal local foram atingidas por drones, resultando em incêndios controlados. Na Arábia Saudita, o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, também foi alvo.
Ruído diplomático entre EUA e Israel
Apesar de o comando militar americano ter confirmado o uso de bombas de penetração profunda (GBU-72) contra bases de mísseis iranianas no Estreito de Ormuz, o presidente Donald Trump buscou distanciar Washington do ataque inicial de Israel a South Pars.
No fim da noite de quarta-feira (18), Trump afirmou que os EUA não tiveram envolvimento nem conhecimento prévio da ação israelense. O presidente declarou ainda que Israel não deve realizar novos ataques ao campo de gás.
Contudo, os EUA já avaliam o envio de tropas terrestres para a Ilha de Kharg, ponto nevrálgico por onde passam 90% das exportações de petróleo do Irã, para garantir a navegação no estreito.
Mercado financeiro em queda
O temor de uma guerra total e de um desabastecimento energético prolongado derrubou as bolsas mundiais. O índice Nikkei, do Japão, registrou queda acentuada de 3,4%, enquanto as principais praças europeias, como Londres e Frankfurt, recuaram mais de 2%. Em Nova York, os índices S&P 500 e Nasdaq operavam no vermelho no início do dia.
Enquanto a diplomacia tenta conter os danos — com 12 países árabes e islâmicos condenando as agressões em reunião em Riad —, o cenário no terreno permanece volátil.
No Líbano, ataques israelenses em Beirute deixaram ao menos 12 mortos, enquanto o Irã mantém o lançamento de bombas de fragmentação contra o território de Israel, acionando sirenes em Tel Aviv e Jerusalém.
Rui Ribeiro
19 de março de 2026 2:00 pmO apoio mundial dos imbecis ao Trump aumenta.