A autocrítica petista a lá carte

Os debates sobre os diversos temas nacionais estão sempre a reboque do que é escandalizado pela mídia nacional. Como o próprio Nassif diz, as críticas válidas em relação aos Governos do PT se perdem na sopa mais engrossada por factóides e distorções. Isso sem dúvida leva ao desmerecimento das críticas justas, colocando-as no mesmo balaio do intencional político e não do intencional construtivo.

Mas, partimos para a fraqueza humana e a velha guerra dos debates, onde a principal arma, acreditva eu, fosse a detecção, no oponente, das contradições argumentativas. Eu disse acreditava porque é patente que um dos símbolos da vitória argumentativa é a chamada “autocrítica”. Funciona assim: caso o oponente político faça o mínimo de mea-culpa há estouro de champanhes do lado contrário, o famoso e irritante “eu não falei?”

É entendível. Quando um adversário busca a autocrítica do oponente argumentativo, e muitas vezes ideológico, isso serve como forma de legitimar posições, além de gerar dividendos por meio do fortalecimento dos vencedores como gurus em diversas artes: desde economia e política até direitos humanos.

É nesse enredo que a blogosfera e os articulistas de opinião na rede jornalística mais tradicional vão construindo suas armadilhas e coexistindo. Todos com suas opiniões sem deixar espaço para a estocacidade. Todos à espera da fraqueza do divergente ao cobrarem de forma ininterrupta a autocrítica adversária.

Cobra-se autocrítica do PT sobre seus erros. Parece e é justo cobrar? Sim e Não. Não por quê? O problema que até mesmo essa cobrança de autocrítica passa pela falha da auto-autocrítica. Como definir essa autocrítica do partido que governa ha doze anos a sétima maior economia do globo?

Cada um dos críticos, mesmo aqueles que se exibem da forma mais imbecil possível, pensa em uma forma diferente de o PT fazer sua autocrítica. Mais especificamente, a autocrítica deve necessariamente casar com aquilo que um crítico particular do partido pregava, do contrário, não haverá sensação de vitória plena, ou seja, não haverá o “eu não falei?”

É mais ou menos assim. Reinaldo Azevedo quer que Lula e Dilma ajoelhem na sua frente pedindo perdão por ter, como ele propaga, er levado à corrupção à enésima potência. Arnaldo Jabor, por sua vez, deseja uma autocritica petista nos moldes do perdão pelo “bolivarianismo” que estamos tentamos implementar no Brasil”. Defensores dos direitos dos gays querem que Dilma retrate-se a altura pelo que eles acreditam ter sido a era de trevas dos Direitos Humanos no Brasil: o primeiro governo Dilma. Há as viúvas mais violentas que desejam desde a volta das doenças que acometeram Dilma e Lula, até o próprio enforcamento dos dois por toda a corrupção que o PT “criou” no Brasil, como forma de autocrítica petista. O Aldo Fornazieri, antigo missivista do Blog deve estar esperando que o PT mande uma carta para ele dizendo que sim, ele estava certo sobre o fim do PT e que o partido não conseguiu dar coesão as diversas vertentes existentes dentro dele: perdão por não ouvi-lo.

Mas não poderiam faltar os divergentes em teoria econômica. Mirian Leitão espera calorosamente, depois de doze anos repetindo que “agora vai!”, que ela estava certa sobre a crise que abateria o Brasil. O Nassif, por exemplo, está querendo que o governo faça a autocritica sobre a combinação mortal de juros e aumento da Selic, mas também há outros desejos, como a vinda formal do ministro Cardozo ao GGN e o devido pedido de desculpas pela omissão em diversos casos, desde aqueles envolvendo os direitos humanos até questões do partidarismo desenfreado da polícia federal.

A Globo quer pronunciamento em rede nacional dizendo que as regras de concessão do pré-sal, com a BR com 30% e operadora única, não estavam certas. Além disso, se sobrar um tempinho, que a política de valorização do salário mínimo estava errada e que será paralisada para não comprometer ainda mais o custo Brasil e pressões inflacionárias.

Em suma, há pedidos de autocrítica referentes a diversos pontos. De fato muitos válidos. Caso não sofressem o risco de cair na vala da homogeneização do discurso. Pois no final, ao que parecesse, é que cada crítica requer uma específica autocrítica para satisfazer de fato a argumentação contrária, uma espécie de autocrítica a lá carte. Tal como um prato de retratação feito sob encomenda para satisfazer uma das sensações mais vaidosas que existem: a de que fato estávamos certos. O velho “eu não falei?”

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