25 de junho de 2026

Banqueiros do bicho dominam bets e lavagem de dinheiro no país, enquanto máfia do cigarro usa conexões políticas para expandir

O pesquisador Ricardo Nemer detalha como a proteção política e a lavagem de dinheiro sustentam a máfia do cigarro no Rio

Ricardo Nemer destaca prisão tardia de Adilsinho, líder da máfia do cigarro no Rio, e venda de máquinas apreendidas.
Pesquisa aponta conivência política com crimes como jogo do bicho e tráfico, mantendo redes de proteção no Rio de Janeiro.
Banco do jogo do bicho financia campanhas; fintechs facilitam ilegalidades, mas prisões de banqueiros e doleiros são raras.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em entrevista ao jornalista Luís Nassif, para o programa TV GGN 20 Horas, no Youtube, Ricardo Nemer, advogado e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), falou falou sobre a prisão do bicheiro Adilsinho, apontado como “capo da máfia do cigarro”, e a intrínseca relação entre política e ilegalismos no Brasil.

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Nemer destacou que a prisão de Adilsinho, principal nome da máfia do cigarro no Rio, demorou a acontecer, apesar de um mandado de prisão contra ele existir desde 2023. Durante esse período, máquinas de fabricação de cigarro apreendidas pela polícia foram revendidas a criminosos, ou seja, o ramo segue estável. E há uma razão para isso. O pesquisador enfatizou que “não existe crime sem política”, exemplificando com a situação das delegacias no Rio de Janeiro, onde pontos de drogas e jogo do bicho são conhecidos dos investigadores e policias, mas persistem, porque os criminosos têm as costas quentes.

Nemer citou estudos que mostram o crescimento do tráfico de drogas no Rio de Janeiro em decorrência da mesma rede de proteção do jogo do bicho. Para reforçar o elo entre política e criminalidade, ele mencionou o livro “Nos Porões da Contravenção”, que descreve a promiscuidade entre o jogo do bicho e militares durante o governo militar, permitindo que a mesma rede de proteção da contravenção se estendesse às drogas.

As favelas são apontadas como um mercado fértil para cigarros falsificados, especialmente entre 2010 e 2012, onde era comum encontrar bancas de cigarros paraguaios e nacionais falsificados. A lucratividade e a dificuldade de importação levaram à fabricação desses cigarros na própria Baixada Fluminense.

Nemer reiterou que “não existe ilegalismo, crime sem conivência da política de políticos”, pois são eles que nomeiam delegados e definem a logística policial. Ele mencionou a existência de redes de proteção para diferentes grupos criminosos (ADA, TCP, CV) e para banqueiros do jogo do bicho.

Ao comparar a indústria do cigarro falsificado com o universo da contravenção, Nemer afirmou que é “muito grande”. Ele explicou que quem atua no ilegalismo “vai somando o capitalismo”, apropriando-se de diversas atividades. Como exemplo, citou a milícia que vende segurança e compra bens de ferro-velho, como fios de cobre roubados, destacando a falta de operações contra os compradores desses materiais.

O pesquisador lamentou que policiais bons sejam alocados em trabalhos burocráticos, tornando difícil o combate a esses crimes. Ele afirmou que o jogo do bicho hoje financia campanhas políticas e escolas de samba, e o tráfico apoia campanhas de políticos.

Mesmo com o avanço das apostas online (bets), o jogo do bicho mantém sua expressão, e Nemer garantiu que os banqueiros do bicho possuem suas próprias plataformas de apostas. Ele mencionou o aplicativo “Palpitinho”, usado para apostas no jogo do bicho via celular, operado por pessoas ligadas ao jogo do bicho.

Nemer criticou a falta de fiscalização sobre fintechs e bancos, que facilitam a movimentação financeira de ilegalismos. Ele destacou que, embora estude o mercado de drogas e o crime de financiamento de tráfico, nunca viu um banqueiro ou doleiro ser preso. Ele citou casos como o HSBC nos Estados Unidos e o Santander no Brasil, que pagaram multas por lavagem de dinheiro, mas nenhum diretor foi preso, sugerindo que a prisão de um diretor poderia levar a delações premiadas.

Assista a entrevista completa abaixo:

Nota da redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de I.A. para transformar o conteúdo original produzido pelo canal TV GGN em textos. O uso de I.A. não dispensa, em hipótese alguma, a apuração, revisão e edição por parte da equipe de jornalismo.

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