Batman x Superman: a sexualidade nos filmes de HQs

Em 27/03/2016 fui ao cinema ver Batman v Superman: Dawn of Justice. O filme é tão ruim que sai do cinema desanimado. A princípio pareceu-me impossível falar qualquer coisa sobre o mesmo. No caminho de casa, revendo-o mentalmente algo interessante me chamou a atenção. A evidente diferença entre a personagem de Gal Godot antes e depois de ela assumir sua super-identidade.

A foto acima diz tudo. Diana Prince tem os seios pequenos e inevitavelmente sujeitos à gravidade. Os seios da Mulher-Maravilha são firmes e fartos. Esta transformação me fez lembrar outras que ocorrem nos filmes de HQ produzidos com uso intensivo de computação gráfica.

No filme Superman Returns (2006) o “pacote” do ator Brandon Routh foi digitalmente reduzidohttp://www.thesuperficial.com/brandon_routh_is_packing-12-2005. A identificação entre o Superman e Jesus neste filme é evidente e os produtores devem ter imaginado que seria uma heresia mostrar Cristo com um imenso “pacote”.

É curioso o pudor dos produtores de HQs e de filmes de Hqs. Em Batman e Robin (1997), algumas cenas sugerem a homossexualidade do herói. A castidade do Capitão América (2011) é mais ou menos evidente. Os idealizadores deste filme se esforçaram para que o soldado exemplar não despertasse impulsos sexuais nas adolescentes que foram aos cinemas?

Apesar de ser três ou quatro vezes maior do que seu eu humano, o Hulk nunca fica inteiramente despido em Avengers (2012). Os produtores de Watchmen (2009), contudo, não tiveram nenhum problema em mostrar o penis do Dr. Manhatan.O problema talvez seja a cor. Um penis azul pode se mostrado, um verde ou vermelho deve ser escondido.  Um filme de HQ brasileiro teria coragem de mostrar o penis verde e amarelo do Capitão Lamarca?

A estetização (Superman Returns, Batman e Robin), sublimação (Hulk e Capitão América) e super exploração (Watchmen e Mulher Maravilha em Batman v Superman: Dawn of Justice) do sexo nos filmes de HQs é um tema interessante. A questão se tornou ainda mais controvertida a partir do momento que alguns personagens passaram a ser criados inteiramente por computação gráfica e atores começaram a ser recriados por computador para ganhar (os seios da Mulher Maravilha) ou perder (o “pacote” diminuto do Superman) características sexuais.

Os acréscimos, reduções, modificações, ajustes, supressões feitas por computador não apenas transformam sexualmente os personagens, mas a forma como eles são apreendidos pelo respeitável público. O valor atribuído a cada personagem passa a ser associado às suas características sexuais marcantes e digitalmente construídas.

O vilão criado por Lex Luthor em Batman v Superman: Dawn of Justice, por exemplo, não tem características sexuais definidas. Ele nasce, luta e morre nu. Sua aparência é masculina, mas não tem um penis visível como o Dr. Manhatan. A ausência de penis sugere que o vilão é uma fêmea. Ou será que estamos diante de uma vilã que ficou musculosa? De quem este personagem herdou suas características sexuais? Do falecido General Zod ou do próprio Lex Luthor? A bestialidade criminosa de Luthor está ligada à sua anormalidade sexual?

Na estrutura profunda do filme Batman v Superman: Dawn of Justice podemos ver a tradicional oposição bem/mal. Mas há outras oposições que foram sugeridas pela obra. Uma delas é a oposição entre ausência/presença de seios fartos e firmes a sugerir que a duplicidade sexual de Diana Prince/Mulher Maravilha está ligada ao desejo que ela desperta e representa. Outra é a oposição entre normalidade/anormalidade sexual. Não há dúvida na trama do filme: a ambiguidade sexual do(a) vilão/vilã criado por Lex Luthor ou a anormalidade sexual do próprio Luthor ameaçam a humanidade. 

Em relação a esta oposição (normalidade/anormalidade sexual) a mensagem de Batman v Superman: Dawn of Justice é claramente puritana, moralizante e machista. Nenhuma ambiguidade ou anormalidade sexual deve sobreviver ou permanecer em liberdade.

O fascismo sexista do filme em questão me parece evidente. Suponho que os arquitetos dos regimes políticos que punem a ambiguidade sexual e o homossexualismo (como a Arabia Saudita, o Irã e a Rússia, por exemplo), não se sentirão particularmente ofendidos com o lançamento de Batman v Superman: Dawn of Justice. Muito pelo contrário, o filme parece ter sido feito para agradar os machistas russos, iranianos e sauditas. De fato, Batman v Superman não contém absolutamente nada que desvalorize os pares fixos perfeitos homem/masculinidade e mulher/feminilidade. Além disto, retrata de forma positiva a prisão e destruição de tudo que foge à normalidade sexual.

 

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1 Comentário

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Walleu

- 2017-06-01 18:33:03

dur

Que merda de critica em

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