Bogotá quebra tradição conservadora e elege prefeita lésbica e feminista

A vitória de Claudia López abre uma nova página em um país onde historicamente governam homens das elites conservadora e liberal

A nova prefeita de Bogotá, Cláudia López | Foto: Raul Arboleda / AFP

da Carta Capital 

Bogotá quebra tradição conservadora e elege prefeita lésbica e feminista

A centro-esquerdista Claudia López, lésbica assumida e destaque da luta contra a corrupção na Colômbia, foi eleita neste domingo (27) prefeita de Bogotá. Na capital, López, de 49 anos, obteve 35,23% dos votos em uma disputa apertada com o liberal Carlos Fernando Galán (32,47%).

“Mudamos a história! (…) Ganhamos a Prefeitura Maior de Bogotá”, disse, após a eleição que fez dela a primeira lésbica eleita para comandar a prefeitura da capital colombiana. Com um beijo afetuoso em sua companheira, a senadora Angélica Lozano, López comemorou a vitória, enquanto um pequeno grupo de simpatizantes cantava “Claudia, prefeita de Bogotá”.

A cidade votou para que “desaprendamos o machismo, o racismo, o classismo, a homofobia e a xenofobia”, declarou López, debaixo de uma chuva de papel picado e sob aplausos de seus seguidores reunidos em um auditório privado.

A vitória de López abre uma nova página em um país onde historicamente governam homens das elites conservadora e liberal. Ela vai assumir o cargo em 1º de janeiro para comandar uma capital de 7,2 milhões de habitantes, sufocada por problemas de mobilidade e alta percepção de insegurança.

Conhecida por seu temperamento explosivo e sua disciplina, a prefeita eleita impulsionou sem sucesso, em 2018, uma consulta popular contra a corrupção na política. Como acadêmica, investigou o chamado fenômeno da parapolítica: a aliança de líderes públicos com sanguinários grupos de ultra-direita, o que a forçou a buscar o exílio.

Também é conhecida pela veemente oposição à direita que governa a Colômbia há pouco mais de um ano, com Iván Duque à frente.

“Ser mulher não é um defeito, ser uma mulher de caráter, firme (…) não é um defeito. Ser gay não é um defeito, ser filha de uma família humilde não é um defeito”, disse em entrevista à AFP na semana passada.

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López foi eleita em um dos processos mais pacíficos em anos na Colômbia, apesar de alguns episódios de violência que marcaram sua campanha. “Foram as eleições regionais mais pacíficas dos últimos anos”, disse Juan Carlos Galindo, diretor do Registro Nacional, chefe do organismo encarregado de organizar as eleições.

Os colombianos – segundo Galindo – praticamente puderam votar em todos os postos habilitados nas primeiras eleições regionais organizadas desde o acordo de paz com a ex-guerrilha das Farc, em 2016.

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2 comentários

  1. Parabéns à prefeita eleita Claudia López, esperamos que ela seja coerente, progressista, governe com e para os mais pobres, melhorando as condições econômicas de vida do povo, transforme Bogotá, forneça com a sua equipe e as representações populares, melhores salários, educação, saúde, saneamento básico, desenvolvimento para a cidade. Que não se limite em defender apenas às lutas específicas femininas, homens e mulheres tem os mesmos direitos e deveres com a população.

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  2. Belo exemplo de “não notícia”… O fato dela ser mulher, vegana, gostar de couve, usar chapéu ou o raio que der na cabeça não quer dizer absolutamente nada! Essas pautas identitárias só servem para desviar a atenção para os assuntos que REALMENTE interessam, como o avanço do neoliberalsimo e a ditadura dos bancos sobre a população com esta política de extermínio em massa que querem nos impor. Quantos ‘gabeiras’ ainda vão inventar para enganar os trouxas? Já deu!

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