Em entrevista ao jornalista Luis Nassif para o programa TV GGN 20H desta segunda-feira, 24, João Cezar de Castro Rocha fez uma previsão da extinção do bolsonarismo e da figura de Jair Bolsonaro no cenário político nacional, mas alertou para um cenário contrário que pode bagunçar o tabuleiro para 2026.
Para o escritor e historiador, o bolsonarismo e a figura do ex-presidente já apresentam sinais claros de enfraquecimento perante a opinião pública. A esvaziada vigília organizada em frente ao condomínio Solar de Brasília 2, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, e as manifestações de pouco impacto em frente à sede da Polícia Federal são sinais desse declínio. A falta de comoção popular mais enfática em sua defesa, algo que já foi visto em outras etapas históricas do Brasil, como as ocupações em frente aos quartéis após a vitória de Lula em 2022, demonstram o derretimento do bolsonarismo como força política. Castro Rocha exemplifica: “os caminhoneiros não pararam o país”.
Fragilidade física e mental
No cenário atual, o fim do mito é questão de tempo, visto as rusgas na imagem do líder. Mas o momento é extremamente delicado. O ex-presidente tem uma saúde frágil e, em momentos em que a Justiça foi de encontro a ele, o hospital já foi local para intimações. Bolsonaro também tem apresentado fraqueza mental, especialmente nos últimos dias em que esteve em prisão domiciliar.
O caso-chave é a tentativa de romper a tornozeleira. Mesmo que se sustente a tese de que ele tenha rompido o equipamento por surto, curiosidade ou, segundo a versão oficial da Polícia Federal, por um plano de fuga, em todas as situações há sinais de um homem em conflito, mentalmente fragilizado e com saúde debilitada.
E, para João Cezar de Castro Rocha, é nessa fragilidade que se sustenta a única possibilidade de reverter a queda do bolsonarismo.
Mito, a vítima
O grande receio do analista é a vitimização da figura de Bolsonaro como fato político para 2026. Uma vitimização com um acontecimento concreto que possa ocorrer durante o período em que está preso. Em 2018, já se viu o impacto do fato político da facada, quase fatal, que o levou à presidência.
Castro Rocha defende a tese de José Dirceu, duramente criticado pela entrevista concedida à BBC News Brasil, em que afirma: “Bolsonaro não tem condições de ir para a prisão comum”.
Não se trata de pura compaixão com uma figura em deterioração física e imagética. Existe um cálculo para evitar a criação de fatos políticos que possam vingar a narrativa de vítimização de Bolsonaro.
“Não podemos permitir a vitimização de Bolsonaro.”
Ele analisa que, em prisão domiciliar, com atendimentos médicos constantes, não haveria espaço para uma vitimização. E completa: “Se tiver um acontecimento concreto…”, como no caso da facada, “um mártir pode mudar o rumo político de uma nação.”
O falso messias
A figura de Jair Bolsonaro, como o messias salvador, também tem rusgas. Como aponta Castro Rocha, um líder messiânico morre pela causa, no caso do ex-presidente existe uma inversão de papeis.
“Bolsonaro é um líder messiânico que sacrifica a causa para salvar a própria pele.”
Ele cita a atitude de Carlos Marighella, líder da Ação Libertadora Nacional, após o sequestro de um embaixador americano. Como a repressão seria muito forte, inúmeras oportunidades foram dadas a ele para sair do país. A resposta de Marighella foi “Um comandante morre com as suas tropas”. Ele ficou no Brasil sabendo que estava condenado, conclui Rocha.
Diversos são os exemplos de lideranças que marcaram a história pelo sacrifício em prol da causa.
Dessa forma, Castro Rocha conclui que a diferença essencial entre Bolsonaro e as figuras messiânicas bíblicas, como Jesus, que aceitou a prisão e a morte em nome de uma causa coletiva, está no fato de que o ex-presidente procura preservar a própria sobrevivência política, e não o ideal que o projetou como líder.
Rui Ribeiro
25 de novembro de 2025 10:34 amFaz sentido. Então bota esse verme em prisão domiciliar, com vigilância 25 horas por dia. Não esqueçamos que ele foi eleito por causa da feakeada.
José de Almeida Bispo
26 de novembro de 2025 7:57 amKkkkkkkkkkk
Rindo da estupidez dos “deuses” da elite, em, involuntária e irracionalmente içar aos píncaros o capetão, pelo ódio contra o operário, e que hoje vive com a batata quente nas mãos, atordoada, sem saber o quer fazer.
(Não estou sugerindo que o articulista pertença ao citado grupo; mas a racionalidade com que escreve, me leva a tecer comparativos)
Bolsonaro será Bolsonaro até a morte.
Como Lula, e por outros caminhos, obviamente. Ele é o malandro ideal, já devidamente instrumentalização – a tal da guerra híbrida – no “deep army”, desde o fim do Governo Figueiredo. A vingança dos golpefrotistas.
Chegar onde chegou, é mais um produto da tucanagem abjeta de Serra e FHC. Que, voluntária ou involuntariamente, engoliram a iscas dos tiranóides frotistas.
Chupa que é de uva!