11 de junho de 2026

Bolsonaro é suspeito de interferir em operação contra Milton Ribeiro. Caso é remetido ao STF

Bolsonaro é suspeito de interferir em operação policial contra o ex-ministro Milton Ribeiro; MPF pede investigação ao STF
Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação, preso pela PF por esquema de corrupção no MEC. Foto: Agência Brasil
Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação, preso pela PF por esquema de corrupção no MEC. Foto: Agência Brasil

Grampos realizados no ex-ministro da Educação Milton Ribeiro levantaram suspeitas de que Jair Bolsonaro pode ter agido para obstruir as investigações da Polícia Federal. Por causa disso, o Ministério Público Federal desmembrou o inquérito que investiga o escândalo dos pastores do MEC e demandou da Justiça no Distrito Federal o encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal.

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O juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal, atendeu ao pedido do MPF e encaminhou o caso para o Supremo. No STF, o caso será analisado pela ministra Cármen Lucia.

Para o MPF, há “indício de vazamento da operação policial e possível interferência ilícita por parte do residente da República Jair Messias Bolsonaro nas investigações”. Dessa forma, pede que os indícios “sejam desentranhados dos autos e remetidos, de maneira apartada e sigilosa, ao Supremo Tribunal Federal”.

O delegado do caso, Bruno Calladrini, já havia reclamado de interferência nos trabalhos. Segundo ele, superiores agiram para que o ex-ministro de Bolsonaro recebesse tratamento diferenciado. Preso em Santos, Ribeiro sequer chegou a ser transferido para o DF. A polícia vai investigar se houve interferência.

GRAMPOS EM RIBEIROS

Um dos áudios captados pelas autoridades mostra Ribeiro dizendo a um parente que “ele acha que vão fazer uma busca e apreensão…em casa…”. A Polícia acredita que o ex-ministro de Bolsonaro foi avisado antecipadamente da operação deflagrada na última quarta, 23.

Em outra gravação, Milton Ribeiro diz que só falta resolver o inquérito dos pastores. “Tudo caminhando, tudo caminhando. Agora… tem que aguardar né…. alguns assuntos tão sendo resolvidos pela misericórdia divina né…negócio da arma, resolveu… aquele… aquela mentira que eles falavam…que os ônibus estavam superfaturados no FNDE… pra… (ininteligível) também… agora vai faltar o assunto dos pastores, né? Mas eu acho assim, que o assunto dos pastores… é uma coisa que eu tenho receio um pouco é de… o processo… fazer aquele negócio de busca e apreensão, entendeu?”

ENTENDA O CASO

Milton Ribeiro e dois pastores ligados a Bolsonaro – Gilmar Santos e Arilton Moura – foram presos na quarta-feira, 23, no âmbito da Operação Acesso Pago. A PF investiga tráfico de influência e corrupção na liberação de verbas do FNDE para prefeituras.

Segundo as investigações, os pastores eram intermediários impostos entre prefeitos e o governo federal. Para facilitar a liberação dos recursos federais, os pastores teriam cobrado propina. Milton Ribeiro foi gravado afirmando que abriu as portas do MEC para um dos pastores a pedido de Bolsonaro.

Na quinta, 24, o desembargador Ney Bello mandou soltar Ribeiro e todos os presos da operação.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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1 Comentário
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  1. Clarivaldo Santos Freire

    24 de junho de 2022 1:41 pm

    A estranheza começa pela conduta pessoal do pastor: Anda armado por que?
    Se o chefe lhe deu ordem ilegal, cumpriu por que?
    E, por fim. Se o inquérito é equivocado, perseguição ao delegado por que?

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