4 de junho de 2026

Bush pensou em atacar Irã

Do Estadão.com.br

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Em livro, Bush revela planos para atacar instalações nucleares do Irã

Ex-presidente dos EUA fala sobre bastidores da Casa Branca e do Pentágono em suas memórias

09 de novembro de 2010 | 10h 17

estadão.com.br

WASHINGTON – O ex-presidente dos EUA George W. Bush planejava atacar o Irã para impedir o país de ter acesso a armas nuclear, informou o jornal britânico The Guardiannesta terça-feira, 9. O diário teve acesso a um exemplar da obra “Decision Points” (Momentos decisivos, em tradução livre), lançada hoje, na qual Bush fala de decisões polêmicas tomadas durante seu governo. 

No livro, Bush conta que ordenou o Pentágono a “estudar o que seria necessário para atacar o Irã” para a nação islâmica não conseguisse montar um arsenal nuclear. Bush teria considerado também um ataque contra a Síria.

Inst”Instruí o Pentágono a estudar o que seria necessário para um ataque. Isso para paralisar a bomba-relógio, pelo menos temporariamente”, escreveu Bush no livro de quase 500 páginas.

Segundo a obra, alguns assessores acreditavam que um ataque ao Irã fortaleceria a oposição no país islâmico, enquanto outros pensavam que a ação estimularia o sentimento antiamericano nos iranianos. “Uma coisa é certa: os EUA jamais devem permitir que o Irã ameace o mundo com uma arma nuclear”, escreve o ex-presidente.

Bush também escreveu sobre um ataque planejado contra uma usina nuclear na Síria em 2007. O americano desistiu da investida contra o complexo, posteriormente destruído por Israel.

Bush escreve que recebeu informações de que a usina teria fins “suspeitos” e que conversou por telefone com o então primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, sobre um possível ataque. “George, estou pedindo para você bombardear o local”, disse o israelense a Bush, segundo descreve o livro.

O americano diz que alegou a Olmert que não poderia atacar sem a certeza de que a usina tinha como objetivo a construção de armas nucleares – posição não utilizada na invasão do Iraque, onde jamais foram encontradas armas de destruição em massa, como alegava Bush.

Olmert, por sua vez, disse que a estratégia de diplomacia sugerida por Bush era “perturbadora” e optou pelo ataque. “Ele não pediu um sinal verde. Eu não dei o sinal verde. Ele fez o que achou necessário fazer para proteger Israel”, alega o ex-presidente.

Ainda no livro, o ex-presidente diz ter uma “sensação de enjoo” a cada vez que pensa sobre o fracasso em encontrar armas de destruição em massa no Iraque, depois da invasão de 2003 que tirou Saddam Hussein do poder.

Em entrevista à rede CBS, justamente para promover o livro, Bush se negou a se desculpar pela invasão. “Pedir desculpas seria basicamente dizer que aquela foi uma decisão errada. E eu não acredito que tenha sido uma decisão errada”, disse ele na primeira entrevista na televisão desde que deixou a Casa Branca, em 2009.

As declarações são similares aos comentários expostos em suas memórias. “Apesar de todas as dificuldades que seguiram (à decisão de invadir o Iraque), os EUA estão mais seguros sem um ditador homicida que perseguia armas de destruição em massa e apoiava o terrorismo no coração do Oriente Médio”, disse Bush.

Segundo o ex-presidente, ainda pode demorar um pouco até que a história seja capaz de julgar seu período na presidência. “Espero ser considerado um sucesso. Mas eu vou estar morto quando eles finalmente perceberem.” 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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