“É a economia que rege a política, esse governo não tem chance com essa política econômica. As reformas são necessárias, mas a base politica para elas serem aprovadas está numa economia em crescimento e nunca em um ambiente de recessão sem futuro”.
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CAMINHOS CRUZADOS DA POLÍTICA E DA ECONOMIA – Nas grandes crises do Brasil moderno, de 1930 até hoje, a economia dava as cartas para a política e vice-versa, de modo que não é possível interpretar a economia sem analisar a política.
Em 1930 foi a crise provocada pela queda da Bolsa de Novar York que derrubou os preços do café e junto com o café foi derrubado o poderoso Presidente Washington Luis, tão poderoso que quebrou o Pacto Café com Leite e impôs seu sucessor Julio Prestes de Albuquerque.
A primeira crise cambial dos anos 40, ao fim do Governo Dutra, interrompeu um clima de boa vida que secou com o fim dos dólares acumulados durante a Segunda Guerra.
De 1946 a 1949 foi uma festa de Hollywood. Meu pai vivia da importação de caminhões da marca International, nunca a família esteve tão bem, com férias nos EUA naqueles tempos de avião a pistão.
Subitamente acabaram as licenças de importação, o negócio desabou, o dinheiro acabou, abriu-se o caminho para o retorno triunfal de Getúlio Vargas, que saiu pela direita em 1945 e se reinventou pela esquerda nacionalista em 1950.
Como não havia mais dólares era preciso criar a Petrobras, a Eletrobras e o BNDES dentro de um discurso nacional-desenvolvimentista . Era a economia embalando a política como sempre.
Com Juscelino assumindo a Presidência, em 1955, em uma eleição contestada, sua única saída era o crescimento econômico a qualquer preço, o que foi feito com as encomendas de papel moeda à Thomas de la Rue & Co.Ltd. de Londres e à American Bank Note Co. de Philadelphia.
O Brasil era o maior cliente mundial das impressoras de papel moeda, trabalhavam 24 horas por dia imprimindo dinheiro para o Brasil, com o que Juscelino Kubitschek fez Brasilia e as 30 metas de desenvolvimento, inclusive a industria automobilística, a petroquímica, a naval, o incremento da agricultura, as industrias de televisores, geladeiras, aspiradores e liquidificadores, as novas grandes fábricas de cimento para a construção de Brasília, as primeiras grandes hidroelétricas federais, muitas rodovias, refinarias de petróleo, oleodutos.
Jango caiu por uma grande crise econômica. O primeiro PIB negativo em muitos anos, era a economia dando o lastro para a derrubada do Presidente, poucos falam que 1963 e 1964 foram anos péssimos para a economia, o que fez a cama para Jango cair, não foram só os tanques.
O Governo militar teve uma década e meia de bom desempenho econômico, com o que o apoio do povo e das elites era enorme. Os governos Médici e Geisel eram populares e só a esquerda radical lutava contra, a massa e os empresários estavam satisfeitos, havia emprego, lucros, fabricas novas, os loteamentos a prestação e as construções de casas em mutirão com o que se criaram 600 bairros novos em São Paulo e se ergueram os grandes sistemas de abastecimento de água de São Paulo e Rio bem como seus metrôs.
O descarrilhamento da economia ao fim do ciclo militar foi a pedra de toque da redemocratização, o regime já não mais garantia a prosperidade, veio a Nova República com quadros medíocres que aprofundaram a crise, arrastada pelo provincianismo do governo Sarney que abriu caminho para Fernando Collor.
A economia foi a maestra do tempo político.
No ciclo Itamar-FHC a mesma a economia governou a política, gerou o Real, a reeleição e uma certa organização sem muita prosperidade, com um desenvolvimento medíocre, apesar da moeda estável, foi o tempo da “modernização” e não do desenvolvimento integrado.
O ciclo PT-Lula foi brilhante no primeiro mandato, sofrível no segundo e tenebroso nos governos Dilma, gerando o impeachment pela economia. Se houvesse crescimento, Dilma passava batido em seus gigantescos defeitos.
Um dos segredos do primeiro Governo Lula foi o apoio majestoso do Governo George W. Bush, que tinha profunda admiração por Lula a ponto de convidá-lo para um fim de semana em sua casa de campo, ‘como um peão desses chegou à Presidência de um grande País?’, Bush não se cansava de admirar, ‘esse cara é extraordinário’, dizia.
Agora entra o Governo de transição com um receituário totalmente equivocado. Meirelles não tem envergadura, liderança, carisma para puxar a economia para fora da recessão, a escolha de um ultra-ortodoxo como Ilan Goldfajn no Banco Central é o arremate de chumbo, essa receita não leva a lugar nenhum porque parte de um erro profundo de diagnóstico.
Para a dupla dos carecas a inflação é o maior problema – o que está furado, o problema macro é a recessão, a inflação é acessório, mas o pior é colocar a política econômica no trilho do mercado financeiro, que jamais vai gerar empregos nem para um por cento dos desempregados.
A lógica do mercado financeiro é desgarrada da lógica da política econômica como parte da política geral e social, de nada adiante subir o rating e a inflação cair com as ruas tomadas por miseráveis. Nesse quadro político-perigoso NÃO VIRÃO OS INVESTIMENTOS, o País jamais sairá da recessão caminhando para uma senhora depressão.
A grande ilusão que foi vendida ao governo pelo PSDB-DEM é que agradando o mercado tudo volta a florir. Não vai acontecer. Não há tempo para as reformas nesse governo, é preciso esperar o novo eleito em 2018.
A única coisa que esse Governo pode fazer e estimular rapidamente a economia com grandes investimentos públicos que geram empregos imediatos, injetando dinheiro novo para criar demanda sadia. É um remédio na veia para resolver uma crise aguda que é a sobrevivência de 12 milhões de desocupados e suas famílias – coloca 4 pessoas por família, são 50 milhões de infelizes sem meios de sobrevivência, revoluções sangrentas começaram por muito menos gente sem meios de sobrevivência.
A economia está com capacidade ociosa de 40%, injetar um trilhão de Reais em dois anos nem faz coceira na inflação, se der alguma coisa é perfeitamente suportável.
O Brasil dos anos dourados de JK conviveu com inflação media no período de 36%. Hoje essa expansão monetária poderia acrescentar quase nada, uns 2 a 3% acima dos atuais 7%, 10% ao ano. Isso é o que a Índia aceitou para não parar de crescer nos últimos anos, um crescimento quase chinês, de 5 a 6% ao ano.
Ninguém desprezou a Índia por causa disso, ao contrario, é o país com rating melhor que o nosso, admirado e cortejado pelos bancos e fundos, exportador de capital, controla boa parte da siderurgia mundial e convive sem maiores problemas com inflação alta.
É impressionante a timidez dos governos dos últimos 10 anos, ninguém tem ousadia! Importaram essa porcaria chamada ” meta de inflação”, que encarroça nosso crescimento. Todos têm medo do Boletim FOCUS.
Em uma pesquisa em português, de piada, perguntaram aos bancos quanto eles querem de juros e aí o BC segue o “quiz” do Chacrinha: “Vocês querem quanto de juros? Então tomem, nós vamos dar!”
Ai dão a SELIC que eles querem. Não tem coisa mais estupida no planeta. Agora a ata do Copom diz que os juros só vão cair quando se fizer o ajuste fiscal, então não vão cair nem em 10 anos, é humor negro da Casa Mal Assombrada.
É absurdo emitir R$ 1 trilhão de Reais em dois anos? Que coisa! Ninguém acha absurdo o Tesouro do Brasil pagar R$1 trilhão de juros em dois anos, o mesmo valor para nada. Imprimir dinheiro é a solução, está ai a nossa Casa da Moeda que pode trabalhar 24 horas, um pouco de inflação alivia a vida dos devedores, o maior dos quais é o Tesouro, estimula toda a economia, especialmente os pequenos negócios e faz diminuir a dívida publica, a dívida das famílias e das empresas.
Maior bizarrice é não ter inflação mas ter juros de País com hiperinflação, os bancos cobram 500% no cartão de credito e quando a inflação baixou um pouco OS JUROS NÃO CAÍRAM.
A emissão de DÍVIDA PUBLICA é a mesma coisa que a emissão de moeda porque cria quasi-moeda, que é meio circulante COM JUROS. Coisa completamente idiota, pois não emitimos moeda mas emitimos títulos públicos remunerados que também significam liquidez, MAS estéril, que não serve para nada, a não ser sustentar rentistas em Miami.
É a economia que rege a política, esse governo não tem chance com essa política econômica. As reformas são necessárias, mas a base politica para elas serem aprovadas está numa economia em crescimento e nunca em um ambiente de recessão sem futuro.
Rpv
7 de setembro de 2016 4:26 pmPregar no deserto é fichinha
Priorizar o crescimento (em obras) em detrimento do rígido controle da inflação (pró mercado financeiro)???
Cuidado André, que a Globo vai mirar sua artilharia pesada contra você.
– Bom dia Brasil
– Jornal Hoje
– Jornal Nacional
– Jornal da Globo
– Globo News
– G1
– Rádio CBN
– Jornal O Globo
– Revista Época
E lá vem Sardenberg, Miriam Leitão, Renatas, Willams, Merval, Jabor, Noblat, sem falar nos “economistas de mercado/PSDB” convidados para lhe crucificar.
Ah, depois vem a infantaria: Veja/Abril, Folha, Uol, Estadão, Jovem Pan, Isto é. Se faltar reforço entra tbm as redes do Bispo, do Silvio e daquele pobrezinho que mora num casebre.
É mole ou quer mais? Diante disso, pregar no deserto é fichinha.
Isso é pregar no deserto com bombardeio pesado em cima. Nem Jesus Cristo.
Ah, agora falando sério para gastar não se pode esquecer da gestão senão da m…: – Onde, como, porque, quanto custa, em quanto tempo, que tecnologia, quem, etc.
Junior Sertanejo
7 de setembro de 2016 4:46 pmPelo visto minha grita pela
Pelo visto minha grita pela Rede Social- 50 linhas tem surtido efeito.Andre Araujo reduziu o comentario dele de 333 caractres para um pouco mais de 100.Ja e albums coisa.
j.marcelo
7 de setembro de 2016 4:46 pmAA sei q vc é bastante
AA sei q vc é bastante crítico quanto ao governo Dilma(quase todos nós) mas ñ tem jeito,
este governo Temer é para LESAR A PÁTRIA MESMO e o pior é q querem tirar os ganhos
daqueles q podem “levantar o País”(gastando),os trabalhadores, todos nós sabemos aonde vai dar
isso, É TERRA ARRASADA E BANQUEIRO RINDO(dos trabalhadores e empresários produtivos)
Felipe@
7 de setembro de 2016 4:50 pmPrezado André, se o atual
Prezado André, se o atual governo fizer hoje o que você sugere ele não termina o ano.
A intenção é arrebentar com tudo “o que está aí” mesmo. Se de um lado as leis trabalhistas, o SUS e a Educação são enfraquecidos, de outro cria-se uma massa gigantesca de gente desesperada (desempregados e sem uma camada de segurança – poupança), disposta a tudo.
Em poucos anos haverá mais dinheiro do orçamento sendo destinado ao serviço da dívida – e não apenas os míseros quase 50% atuais! – e uma enorme parcela da população disposta a qualquer coisa para poder sobreviver.
Diogo Costa
7 de setembro de 2016 5:00 pmCrises, golpes, Índia, metas de inflação e etc
As grandes crises econômicas servem como justificativa fácil para golpistas que não respeitam o voto popular. Nenhuma crise justifica uma ruptura institucional – ainda mais nos dias de hoje. Dito isto, avancemos no debate.
Nunca houve crise econômica durante os anos de governo de João Goulart. A saber:
1. PIB no governo João Goulart (fonte IBGE)
1961: 8,6%
1962: 6,6%
1963: 0,6%
1964: 3,4%
Dizer que Jango caiu em função de uma ‘grande crise econômica’ é algo absolutamente falso e sem sentido.
Iguais à recessão atual o Brasil só conheceu outras duas. A saber:
2. Três maiores crises econômicas do Brasil nos últimos 100 anos (fonte IBGE e IPEA)
Crise 1930/1931: -2,1% do PIB em 1930 e -3,3% do PIB em 1931
Crise 1981/1983: -4,3% do PIB em 1981, ligeira recuperação de 0,8% do PIB em 1982 e queda de -2,9% do PIB em 1983
Crise 2015/2016: -3,8% do PIB em 2015 e projeção de -3,2% do PIB em 2016
Além dessas três crises citadas, houve outras mais ou menos significativas. Entre elas vale o registro da crise no governo Collor. A saber:
Crise 1990/1992: -4,3% do PIB em 1990, ligeira recuperação de 1% do PIB em 1991 e queda de -0,5% do PIB em 1992
A tese de que Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros ou João Goulart foram derrubados (ou tiveram complicações com setores oposicionistas) em função de crises econômicas é ampla, geral e irrestritamente falsa.
A era de ouro do desenvolvimento econômico brasileiro ocorreu entre 1942 e 1981. Foram 39 anos CONSECUTIVOS de crescimento do PIB – o que deve ser até um recorde mundial.
Foi neste ‘período de ouro’ que o Brasil ultrapassou o PIB da Argentina (em 1950) e que saiu da incômoda posição de não estar nem entre as 50 maiores economias do mundo para chegar em 1981 como a 8ª potência econômica do Planeta.
Com a crise de 81/83 o pacto nacional desenvolvimentista vira poeira cósmica, a indústria perde competitividade e o país passa por períodos de hiperinflação e perda relativa no PIB industrial mundial.
Por fim, vamos ao tema sobre metas de inflação e sobre a Índia. Vejamos:
O sistema de metas de inflação está hoje amplamente disseminado entre as maiores potências econômicas do Planeta Terra. Aqui não se trata de defender que o sistema é bom ou ruim, mas sim de constatar que não é uma jabuticaba brasileira e que tampouco é adotado apenas por países parvos e sem noção.
Todos os países do NAFTA (EUA, Canadá e México) adotam o sistema de metas de inflação. Todos os países da Aliança do Pacífico adotam o sistema de metas de inflação (com destaque para Chile, Peru e Colômbia).
Vejamos outros países e blocos que adotam este sistema: Zona do Euro, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia e, adivinhem, todos os países do BRICS. É isto mesmo: TODOS os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) adotam o sistema de metas de inflação.
A Índia, citada no post como exemplo a ser seguido, foi a última grande economia mundial a adotar o sistema de metas de inflação. Este sistema entrou oficialmente em vigor agora há pouco, no mês passado. A meta oficial de inflação na Índia é de 4% ao ano com margem de 2% para mais ou para menos (é uma meta mais restrita do que a meta atual do Brasil).
É possível criticar o sistema de metas de inflação? Sem dúvidas algumas. Mas para fazer essa crítica é preciso ver a realidade e o panorama do mundo atualmente. Todas as grandes potências adotam este sistema, sendo ele bom ou ruim. O Brasil tem condições de romper com este sistema que é adotado hoje de forma disseminada em todo o globo terrestre?
Este é o debate.
Ou o mundo inteiro está errado ao adotar o sistema de metas de inflação, e o Brasil deve romper com o mundo; ou o mundo inteiro está certo e o Brasil é que não consegue fazer o que a maioria dos países tem feito a partir da adoção deste sistema.
Andre Araujo
7 de setembro de 2016 5:39 pmQualificando estatisticas :
Qualificando estatisticas : 1961 a maior parte do ano foi do Governo Janio, 1962 foi o Governo parlamentarista, 1963 foi o unico em que Janogo governou, teve o pior desempenho, 1964 a maior parte do ano já foi o Governo militar.
Respeito suas opiniões e mantenho a minha, a India aceitou maior inflação por anos para manter o crescimento a taxas altas, agora pode puxar o freio, com crescimento se pode atacar a inflação, assino embaixo.
É preciso manejar a politica monetaria de acordo com a situação, inflação zero pode levar à completa estagnação, as vezes é necessario produzir inflação, outras vezes é necessario combate-la, agora o Brasil precisa de expansão monetaria e pode tolerar um pouco mais de inflação em bneficio da geração de empregos, é preciso ser cego e burro para se ter sempre a mesma politica não importa qual a situação.
bfcosta
7 de setembro de 2016 6:08 pmAcho que a próxima questão
Acho que a próxima questão agora é explicar porque o sistema de metas de inflação no Brasil resulta em juros monstruosamente maiores que a média internacional e com tendência à sobrevalorização cambial, o que não parece ocorrer no resto do mundo.
Anderson Pierre
7 de setembro de 2016 7:20 pmMuito bem escrito
Texto muito bem fundamentado. Merece um post só dele. Parabéns!
Ricardo Ag
8 de setembro de 2016 3:37 amDiogo, sobre Jango:
É
Diogo, sobre Jango:
É fundamental contextualizar qualquer estatística econômica, e esta não é diferente: nos anos 60, a população brasileira crescia a taxas incomparavelmente superiores às atuais: a média de filhos por casal era de 5 a 6, hoje é de menos de 2.
Some-se a isso a inflação galopante de quase 100% ao ano e você poderá dimensionar o desastre que é um país assim NÃO CRESCER por um ano.
Ou seja, o que houve nos momentos pré-queda de Jango foi sim uma grave crise econômica.
Leandro A.
7 de setembro de 2016 5:05 pmMas será que querem uma
Mas será que querem uma economia crescendo? Parece um grande butim do rentismo, onde a prioridade é garantir recursos para os juros.
Até que ponto os Donos do Poder estarão dispostos a sacrificar a democracia por seus ganhos e privilégios? Pois mesmo conseguindo alçar Temer à presidência, tal passo poderá ser logo suplantado em razão dass manifestações populares e a evidente falta de legitimidade internacional, como ficou patente no G20. Nesse ponto, com crise econômica e inquietação social, estaria aberta a porta para o precipício, com o retorno dos militares. Portanto, talvez não estejam tão preocupados assim com a recuperação da economia, pois o fracasso mediato joga também com seus interesses políticos (à título de exemplo, o editorial da Folha clamando pela repressão).
W K
7 de setembro de 2016 5:41 pmMinha sugestão:
a) criar ou promover um escritório de grandes projetos de infraestrutura, como por exemplo, para autobahns entre todas as capitais do país, mais estradas de ferro eletrificadas e em duas vias entre as maiores cidades; qualquer baizinha um pouco menos sem-vergonha se tornaria um portozinho qualquer (nem que seja apenas para pesqueiros); uma rede de fibra ótica em terabits entre todas as cidades com mais de 20.000 habitantes e interconexão entre essas autobahns, portos, estações de trem e aeroportos, e também usinas geradoras de energia (eólicas, hidroelétricas, nucleares, solares, e de outros ares).
Em seguida, transformam-se estes estudos em concessões – sem se preocupar com plano detalhado.
b) Juntar toda a dívida pública brasileira em reais numa mesma conta, prefeitura e estado com dívidas entrega as mesmas a essa conta, com o compromisso severamente vigiado de não se endividarem durante pelo menos 15 anos, e logo em seguida, gerar na Casa da Moeda dinheiro suficiente para pagar o total dessa dívida. Simplesmente abrir uma conta corrente e depositar o valor total da dívida em favor de cada credor. Credor que não buscasse seu quinhão em 60 dias, este seria confiscado. Me parece que a maior parte da dívida pública o é em reais, não em moeda estrangeira. E se necessário, implantar-se-ia um severo controle cambial.
No dia seguinte abrir a concorrência para a seleção dos ganhadores das concessões acima. Afinal, quem andava vivendo de juros, vai ter que por sua bufunfa em algum lugar, por exemplo, nessas concessões. E leva a concessão quem apresentar o menor preço de pedágio / tarifa. E o concessionário também ficaria responsável pelo projeto detalhado e a sua construção. Como as nossas grandes construtoras estão com certa capacidade ociosa e a turma da bufunfa virá correndo, não haveria necessidade de propinamento, não é?
Depois de mais alguns meses, implanta-se uma redução generalizada de tributos (alíquotas).
O que se espera obter: uma redução drástica do desemprego, um belo aumento da renda com a diminuição de alíqutoas, uma linda e nova infraestrutura e a consequente viabilização de negócios hoje ainda deficitários. E claro, haveria dinheiro mais do que suficiente para acertar a saúde e a educação.
Muitos críticos vão dizer que dinheiro impresso é igual a inflação; em contraposição a isso, na Obamia andaram fazendo os tais QE2, e na Europa também andaram imprimindo moeda; nem por isso a inflação aumentou por lá.
antonio rodrigues
7 de setembro de 2016 5:54 pmO autor do post aproveita a
O autor do post aproveita a situação ´para fazer mais um elogio a ditadura militar brasileira e a seus ditadores.
Segundo ele, Medici e Geisel eram lideres “populares”.
Se tal fossem não precisariam ser ditadores.
Bastaria convocar uma eleição e ganha-la.
Conta outra Andre.
Andre Araujo
7 de setembro de 2016 6:56 pmEm momento algum faço
Em momento algum faço apologia, este artigo hoje esta reproduzido no jornal oficial do Partido Comunista do Brasil
O VERMELHO, o que mostra a seu eixo de realidade e não de ideologia. A popularidade dos governos Medici e Geisel está registrada em todas as historias mais cocneituadas do periodo militar, notadamente a quadrilogia de Elio Gaspari,
o regime se sustentou por tanto tempo por sua popularidade, quando esta caiu o regime começou a ruir, , os regimes contemporaneos chileno e argentino duraram muito menos tempo por causa de impopularidade.
joel lima
7 de setembro de 2016 6:10 pmAo ler sua síntese muito boa
Ao ler sua síntese muito boa da equação economia-política, parece que o Brasil, André, tem uma sina que não consegue quebrar = foi o país que mais cresceu no mundo de 1900 a 1980 – mas nesse período todo não teve moeda e uma inflação muito alta. Entre 1980 a 1995, foi hiperinflação e encolhimento. E entre 1995 até agora tivemos uma moeda, mas crescimento medíocre.
Concordo que entre ter inflação e recessão, mil vezes inflação; é como ter que escolher entre ter uma hepatite ou um câncer. . Agora, será que não vamos conseguir um dia ser um país em que se possa ao mesmo tempo crescer muito e não ter uma inflação alta a ponto de destruir a moeda ? O que se deveria fazer para tornar essas duas coisas não excludentes?
Luis Armidoro
7 de setembro de 2016 6:32 pmO que mais irrita é ver um
O que mais irrita é ver um país com poptencial, um povo trabalhador (o asno que contestar esta afirmação deve ir estudar), empresários inovadores e conectados à realidade do seculo XXI; serem aniquilidados pelo que há de mais atrasado, a elite ociosoa aliada ao capiktal financeiro, para travar o país em crescer
É um m omento mpassageiro, em que os medíocres, os mdentirosos, os oportunistas e toda a corja que os segue irão prevalecer; mas o Brasil me seu povo são maiores do que eles
Ainda verei (tenho 50 anos) um país independendente, cônscio de seus direitos e deveres, encarando de frente estas potências atrasadas e ultrapassadas
José Vicente de Magalhães
8 de setembro de 2016 1:41 am“povo trabalhador”. QTem
“povo trabalhador”. QTem gente muito boa principalmente na direita que acha que o povo alemão trabalha e produz muito mais. Paguém mil reais por mês a um alemão e mandem ele produzir….
Hydra
7 de setembro de 2016 6:44 pmO poste e o cachorro…
Ditado antigo aqui dos confins do Brasil, diz que o poste não pode mijar no cachorro…Assim como economia não determina a política, embora em determinadas conjunturas, as demandas econômicas restrinjam o alcance das escolhas.
Em casos de extrema escassez de recursos, por exemplo, fatores econômicos podem empurrar decisões dramáticas.
Mas ainda nesses casos-limite, teremos o dilema político (moral) a ser resolvido: Quem será protegido pelo Estado e quem será expurgado?
O texto é saudável ao debate, mas traz esse erro essencial.
Ainda que em meio a crises colossais (na verdade, esses ciclos episódicos são apenas instrumentos pedagógicos, pois o capitalismo é, per si, um sistema onde a crise – assimetria – é a sua própria essência e razão de existir), temos a política como premissa, e nunca o contrário:
Decidir cortar trilhões de dólares, ceifando empregos e direitos sociais, encolher o Estado Bem-Estar par alimentar a fome pantragruélica do mercado, sob o argumento (sofisma) de que o contrário é a barbárie, é apenas um biombo ideológico (semiótico) para esconder escolhas políticas:
Salvar gente ou salvar o mercado (e seus donos)?
Então, Sr André, a economia é só um conjunto de decisões políticas sobre:
– Quem vamos tributar;
– Quem vai ganhar mais;
– Quem vai ganhar menos;
– É no fim das contas, saber quem vai comer alguma coisa no fim do dia, e quem vai lucrar bilhões de dólares com algum soluço cambial ou ataque hostil a alguma corporação cambaleante.
Não é à toa que o mundo mergulhou nessa “era das trevas conectadas e convergentes”, depois que ruiram os limites para frear a fúria de alavancagem rentista, que diluiu os últimos resquícios de regulação, naquilo que Marx chamou de fetiche…Porém, antes, foi uma decisão política:
Não segurar mais nada, bancos de varejo, bancos de investimento, fundos, corretagem, hipotecas, derivativos dos derivatovos dos derivativos, tudo misturado e sem fronteiras, mantidos em casa de tolerância com as agências de rating como cafetinas, e os Bancos Centrais como garantidores finais dessa orgia toda, reféns, é claro, da noção difundida pelo Sr André, de que a Economia está über alles, e portanto, o fatalismo não nos salvará a não ser que nos rendamos a ele.
A percepção (falsa) de que a Economia rege a Política é profecia que espanca a realidade até que ela confesse ter aderido a tal versão, e como tal, se autorrealiza.
E em determinado ponto, nunca mais saberemos o que determina o quê, e esse, senhores, é o ponto de não retorno.
Seria ótimo que a Economia regesse a Política…
Essa “crença religiosa” divulgada pelos sacerdotes do deus-mercado teria o condão de nos acalmar, frente a certeza que modelos econométricos e os cabeças de planilha trazem em suas fórmulas e planos.
Anderson Pierre
7 de setembro de 2016 7:08 pmEmissão de moeda
O artigo fala um monte de baboseiras (ditadura popular, simplismo dos aceetos de Lula e queda de Jango). Mas acerta quando põe a economia definidora da política e a solução de emissão de moeda. É muito mais lógico emitir dinheiro, que dá alguma industrialização, que cair na armadilha do crédito e dos juros altos. Mas se não me engano, a CF de 88 proíbe emissão de moeda pelo BC. O controle fica na forma de crédito nos bancos privados. Questão muito batida pelo prof Benayon.
Andre Araujo
7 de setembro de 2016 8:49 pmComo assim proibe o BC de
Como assim proibe o BC de emitir moeda? Para que existe então um banco central?
Anderson Pierre
8 de setembro de 2016 7:52 pmBC x União
Tem razão quanto ao BC fazer a gestão do crédito e emissão, mas acredito que esta fique prejudicada em virtude das restrições à União, autorizando somente o empréstimo à instituição financeira e não a simples emissão de moeda. Segue comentário do professor citado:
“39. Assim, a desnacionalização e a primitivização tecnológica, consequências das políticas adotadas desde o final de 1954, tornaram-se ainda mais intensas. A condição colonial ficou evidente na Constituição de 1988, não só através do dispositivo fraudulentamente inserido no art. 166 (Vide § 5 acima) para privilegiar as despesas com o serviço da dívida, mas também de outras normas, como o art. 164.
40. Esse determina que a competência da União para emitir moeda seja exercida exclusivamente pelo Banco Central (BACEN), e o proíbe de conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira. Dispõe, ademais, que os saldos de caixa da União serão depositados no BACEN.
41. Ora, o Tesouro, que deveria ser o emissor da moeda e financiar parte dos investimentos públicos desse modo, não pode fazê-lo. Portanto, a Constituição força o Tesouro a endividar-se, emitindo títulos públicos. Com isso, assegura lucros absurdos aos bancos privados, os quais recebem recursos do BACEN, a baixo custo, e os aplicam em títulos do Tesouro, que pagam juros elevadíssimos.
42. Esses juros são fixados pelo COPOM (Comitê de Política Monetária), controlado pelo BACEN, um feudo dos bancos privados. Essa é mais uma fonte de enriquecimento sem causa, como a decorrente do privilégio de criar dinheiro do nada, fazendo empréstimos em múltiplo dos depósitos.”.
junior50
7 de setembro de 2016 10:56 pmIndia, juros e M1
A União Indiana assumiu agora, 05/08/16, o regime de metas de inflação, estabeleceu 4,00 % ( intervalo de 2,00 até 6,00 ), só que encontra-se com uma inflação de 5,77% ( jul 2016 ), e o que o governo indiano fez para baixar esta inflação, leva-la o mais possivel ao “centro da meta ” :
Uma ação de BACEN completamente oposta a nossa, pois em vez de aumentar a taxa de juros, que estava em civilizados 6,50%, deu nela um corte de 0,25%, sinalizando ao mercado a intenção de expandir a base monetária, e a divida publica da India é de mais de 65,0% do PIB, mas eles querem investimentos produtivos, e não especulação financeira, consideram que o aumento do crédito, investimentos industriais em suas empresas, parcerias externas, levam ao aumento da produtividade, da manutenção do nivel de consumo, itens que combinados e bem pilotados microeconomicamente, irão levar a inflação a niveis desejados, que não são os 4,00%, mas até uns 5,00 %, bastante aceitaveis.
É possivel, mesmo sem expansão monetária, ou imprimir dinheiro quase falso, levando o M1 as alturas, ou como diria um ex-amigo – ” no limite da irresponsabilidade ” – bastaria desempoçar a liquidez ,que encontra-se concentrada nas operações de arbitragem juros x cambio / mercado de hedge, claro que existem riscos em um processo deste tipo, como a fuga do capital especulativo, pois uma “porrada” nos juros assustaria esta turma, ia ser um barata voa, a midia ficaria histérica, mas o capital resultante, desempoçado, mesmo que 40% ” fugido “, sairia da ciranda dos 14,25% + US$/Juros x hedge, para o investimento direto, portanto não seria necessária uma expansão inconsequente para fazer a roda novamente girar.
Mas, caro AA, se fosse só a macroeconomia nosso problema, varias opções estariam abertas para sairmos do sufoco, mas problemas acessórios, que mesmo para um planilheiro como eu, e pára possiveis investidores institucionais, coaduna-se com sua explanação inicial, de que não são apenas os “numeros”, mas a politica que os movem, as percepções referentes a um governo fraco ( Dilma tambem era ), um judiciario ativo alem da conta ( insegurança juridica ), a tensão social ( manifestações assustam investidores ), tambem são parte da equação.
Na realidade, pelo que vejo, converso, tento “vender “, diariamente, todas as variaveis acima quando consideradas, somadas a certeza, que reformas importantes não irão prosperar a tempo possivel, e caso evoluam serão fatiadas, reduzidas e sujeitas ao escrutinio ,sem nexo economico, do judiciário – tipo tentar explicar para um investidor de fora, que um juiz de 1a instancia, pode em uma canetada bloquear um negócio de bilhões, é trabalho de Sisifo -, então carissimo André, é muito mais seguro, mais rapido em resultados, permanecer no “curto prazo”, onde 14,25% é a “base”, pois se um operador de fundos, só der de retorno ( off tax ), este rendimento anual, ele estará no olho da rua, o negócio só gira a partir de 18,00 %.
Paulo F.
8 de setembro de 2016 12:08 amPobreza intelectual
É absurdo emitir R$ 1 trilhão de Reais em dois anos? Que coisa! Ninguém acha absurdo o Tesouro do Brasil pagar R$1 trilhão de juros em dois anos, o mesmo valor para nada. Imprimir dinheiro é a solução, está ai a nossa Casa da Moeda que pode trabalhar 24 horas, um pouco de inflação alivia a vida dos devedores, o maior dos quais é o Tesouro, estimula toda a economia, especialmente os pequenos negócios e faz diminuir a dívida publica, a dívida das famílias e das empresas. Maior bizarrice é não ter inflação mas ter juros de País com hiperinflação, os bancos cobram 500% no cartão de credito e quando a inflação baixou um pouco OS JUROS NÃO CAÍRAM. Andy os caras não etendem, mesmo com seu discurso claro. A indigencia e pobreza intelectual que assola 80% dos que detem os processos decisórios em Economia não enxerga (ou não tem vontade para isso) quão simples é a solução, Preferem pagar juros a dinamizar a atividade econômica! Quanto a questão do juros cairem devemos lembrar que o inicio da queda de Dilma, politicamente, foi exatamente quando os juros se encaminhavam para patamares civilizados .
José Vicente de Magalhães
8 de setembro de 2016 1:26 amSr. André Araújo, claro que
Sr. André Araújo, claro que concordo com as suas honestas teorias, mas…. Vejamos: é realmente a economia que pauta a política. Só que quem manobra a economia são OS POLÍTICOS.
Pode até ser esse o número de “infelizes” (40 milhões) mas, se alguém que ganha menos de 1500 reais é feliz…. Logo, vamos ter que aumentar esse número.
Outra coisa que o Sr. sabe mas não escreveu: emissão de moeda gera COMISSÕES ?
Mais uma: entre esses desempregados está algum parente de vereador, deputado estadual ou federal? Algum parente, mesmo distante de Senador? Eu refiro-me aos nobres membros da situação.
É isso aí que move a política Sr. André, não são as teorias científicas. As teorias, pelo menos nos lugares por onde andei, só servem para preencher papel de jornal, porque a realidade é que uma campanha a deputado federal custa, se for barata, cinco milhões, e o salário deles não passa de um milhão nos quatro anos e eles saem de lá RICOS. Eu conheço alguns.
Essa é a realidade que teria de mudar, mas para isso teríamos que empurrar isto para a Escandinávia ou importar de lá os eleitores. Se bem que já tive notícias de que há algo de podre também no reino da Dinamarca.
Ze Guimarães
8 de setembro de 2016 2:06 amO ajuste que funciona
Todas as greves falharam, porque cedo ou tarde o capital demite os funcionários, e recontrata outros, com salário até menor.
Todos os protestos falham, porque são encobertos e ocultados pela mídia, que se não é noticiado é tido como não existente, pelo mundo.
Mas tem um protesto que é infalível. Não só é infalível, como talvez seja a arma invencível, contra o golpismo. Imagine comigo que nestes tempos de crise, a elite realmente consiga o que quer corte todos os direitos, leve o desemprego para a estratosfera e consiga acabar com SUS, educação e tudo o mais.
Aí o povo, como reação à crise e ao desemprego extremo, para voluntariamente de ter filhos. Não estou falando de uma leve queda de natalidade, mas de uma queda extrema e voluntária, principalmente de todos os que estão desempregados e ou ganhando baixos salários. A taxa de natalidade do país cairia em coisa de um ano para próximo a zero. Nada mais justo, pois se odeiam tanto os pobres, vamos privar as futuras gerações que seriam nossos filhos de sentirem este ódio.
Em 11 anos, a maioria das escolas primárias fecharia ou faliria por falta de alunos; em 17 anos a maioria das escolas de ensino médio fecharia ou faliria por falta de alunos. Mantida a natalidade zero, por todo este tempo, a elite começaria a ficar preocupada. Um luta completamente pacifista, pois ninguém pode determinar quantos filhos uma pessoa será obrigada a ter.
Em 18 anos, as forças armadas sentiriam o baque. Sem contingente algum, para alistamento, teriam de ficar sem novos recrutas, sem novos cadetes para suas escolas de oficiais. Provavelmente ampliariam a idade de alistamento, para não terem de fechar os quartéis.
A elite começaria a pensar em atrair mão de obra estrangeira. Mas como atrairia, se os salários aqui são baixíssimos? Só se convidassem haitianos, ou africanos para vir trabalhar aqui, coisa que a elite não concordaria.
Mas continuando, com trinta anos de greve de natalidade falta extrema de jovens para trabalhar de operários, pedreiros, eletricistas, mecânicos, gera uma alta extrema na mão de obra destas profissões, devido a lei da oferta e da procura, A elite começa a ir a loucura. A economia iria entrar em colapso profundo. Depressão econômica seria apelido.
Provavelmente voltariam atrás oferecendo alguns direitos aos que quisessem ter filhos e incentivos, e reconquistaríamos o que foi perdido. Os Plebeus de Roma conseguiram seus direitos, ao sair da cidade e ameaçando construir uma nova cidade fora de Roma, deixando os Patrícios sem mão de obra, após o que eles voltaram atrás e concederam direitos. Aí o povo voltaria a aumentar um pouco a natalidade.
————
Mas vamos supor que nem assim, a elite cedesse.
E mesmo que a elite não voltasse atrás, a natalidade zero continuasse, num protesto que fosse até o fim, a elite ficaria acuada. Após 70, 80 anos, dezenas de milhões de brasileiros morreriam de velhice, as cidades ficariam desertas, as estradas, os campos, exceto pelos filhos e netos da elite, que já não teria poder algum, pois viveriam em cidades desertas, como no filme “Eu sou a Lenda”. Talvez morariam em fortalezas como no cenário do fim do filme, pois a segurança num país de cidades desertas é nenhuma.
Mahatma Ghandi se estivesse vivo, aprovaria uma idéia destas, pois é completamente pacifista. No caso, a liberdade e a Dignidade de vida seriam mais importante do que tudo o mais, até do que a existência do próprio país.
Se alguém tiver sugestões, melhorias, ou enxergar falhas nesta narrativa, por favor fique a vontade para comentar ou contribuir com novas ideias.
MBPP
8 de setembro de 2016 11:52 amÉ isso mesmo.
Muito bom André. Tenho a mesma opinião e sentimento, com essas loucuras da equipe econômica infelizmente estamos condenados por mais alguns anos.
Jose Americo
8 de setembro de 2016 1:01 pmÓtimo artigo…
Considerações extremamente valiosas. Discordo pontualmente de algumas opiniões do AA, mas este artigo foi direto no que interessa: a quem serve essa rendição às tais metas de inflação, a pretexto de gerar desenvolvimento e investimentos com o controle da dívida pública, se esta dispara nesse ciclo vicioso da SELIC? Enquanto isso milhões estão desesperados sem conseguir pagas as contas do dia a dia.
O brizolista
8 de setembro de 2016 6:52 pmEstou cansado dessa linha de
Estou cansado dessa linha de pensamento, mas, ainda assim, escreverei um textão! Espero que passe pelos censores do GGN.
Até acredito que a economia governa a política. No entanto, no Brasil, da maneira como a sociedade foi se conformando, há até algo mais importante do que engravatados falando de dinheiro para a elite: homens de farda que sabem bem o que fazer com o seu cassetete.
Em 1822, o Brasil tornou-se independente em plena era de estagnação econômica e com uma ampla dívida inicial com bancos ingleses. D. Pedro I governou, ainda assim, com um Conselho Imperial formado apenas por portugueses. Parlamento era mera formalidade. Governou com mão de ferro, impondo sua vontade perante os brasileiros. Curiosamente, em 1830 houve safra recorde de café no Vale do Paraíba fluminense. No ano seguinte, novo recorde de produção. Era tanto dinheiro que até os traficantes de escravos quebraram unilateralmente o modus vivendi com o Reino Unido e voltaram com o tráfico sem restrições, dessa vez mais forte do que nunca. Ainda assim, D. Pedro I esnobou o Brasil em 1831 e decidiu voltar para Portugal para assumir o trono do velho reino, com ajudinha da Inglaterra. Esnobou o Brasil, mas governaria com mão de ferro até a morte, se necessário, e ninguém questionaria, a despeito da estagnação econômica, caso controlasse as revoltas regionais e impedisse o haitianismo, ou seja, a revolta dos escravos.
Passados os anos de regência, D. Pedro II continuou usando as rendas do café para empreender guerras fraticidas, dentro e fora do Brasil. O Brasil empenhava a maior parte do erário fazendo guerras, como queria o Partido Conservador, cuja façção áulica empossou o adolescente pedrinho e adorava se impor por meio de guerras. Até a década de 1870, as rendas do café não deixaram o Brasil mais rico, pelo contrário, eram dadas como garantia pelos empréstimos que o Brasil pegava para pagar as contas das armas que comprava, principalmente depois do genocídio do Paraguai. Na década de 1880, o país ficou mais conservador. A Argentina ficou mais liberal e mais rica, dado os investimentos estrangeiros do capital inglês em sua principal província provedora de carne e trigo. Isso dava um quê de desenvolvimento aos hermanos, enquanto que, no Brasil, o padrão ouro gerava uma crise de liquidez em nossa economia. Isso gerava ressentimentos na colônia italiana, principalmente, já que estavam substituindo os escravos na lavoura de café e não ganhavam um puto pelo seu trabalho. Isso incomodava a elite imperial? Claro que não. Os italianos eram escravos brancos. O que gerava mal-estar no Exército era o crescimento da Argentina. O que gerava mal-estar na elite imperial era o fim do CONTROLE SOCIAL representado pelo instituto da escravidão, que veio em 1888. O governo do Partido Liberal ainda disse que iria pagar indenizações, mesmo sabendo que isso era humanamente impossível, dadas as restrições orçamentárias do império. Bom, o imperador foi instado a passar férias em Paris, sem passagem de volta.
A república é inaugurada com um ato interessante de Rui Barbosa: aprova o encilhamento sem sanção presidencial, o que , por si, já demonstra o caráter dessa nova era. Além disso, o banco emissor de moeda, no Rio de Janeiro, pertencia a Rui Barbosa, em sociedade com Conselheiro Mayrink, banqueiro e conselheiro econômico do ex-imperador. Só podia dar merda. Ainda assim, existe um busto do Rui Barbosa no Senado Federal. Via, na sessão do impeachment, Rui Barbosa olhando para baixo e para a esquerda, com aquela cara de pastel, na direção da Dilma, e não pude conter meu riso fleumático. Isso é Brasil… Bom, Rui Barbosa inaugurou a década do caos, com direito a crise econômica e fiscal, e a república não caiu por causa disso. Floriano Peixoto ainda tentou matar Rui Barbosa, que se exilou em Londres, mas quem saiu da ditadura foi Floriano Peixoto e não a elite brasileira. O Exército, naquela ocasião, estava subvertendo a ordem do CONTROLE SOCIAL, colocando seu aparato de inteligência contra uma elite inconsequente. Quem deveria sair era o caboclo popular e cachaceiro, com fama de “corpo fechado”, que saia de madrugada do Palácio do Itamaraty e pegava o bonde para o subúrbio, que estava sentado na cadeira da presidência. Rui Barbosa é que deveria voltar para fazer suas papagaiadas.
Em 1930, outro grande trauma. Uma grande crise econômica e nova desvinculação do padrão ouro. Insistência na defesa dos preços do café, a despeito do aumento dos estoques, ano a ano. Elite de Minas Gerais insatisfeita, por considerar que essas políticas favoreciam a elite de São Paulo, em período de crise. Washington Luís impõe seu sucessor. Dessa forma, Washington Luís perde o sutil CONTROLE SOCIAL sobre as elites refratárias e encerra o Pacto de Ouro Fino. Os mineiros caem na lábia de Borges de Medeiros, que indica seu apaniguado Getúlio Vargas para a candidatura à presidência. Um baixinho, obeso e estrábico, uma pequena figura bizarra, que representaria o interesse das elites insatisfeitas. Ele perde a eleição, é claro. Borges de Medeiros não sairia de cena sem antes, é claro, declarar uma guerra civil contra o poder central, bem à moda gaúcha. O Cardeal Leme pede para Washington Luís não revidar, para evitar a guerra civil. Entrega o poder para o general Tasso Fragoso, que ainda pensa em dar um golpe de estado ele mesmo; mas acaba entregando as chaves do Palácio do Catete para Getúlio. O resto é a genialidade de Getúlio, que até hoje seus detratores não conseguiram engolir. Pior para eles. Ainda assim, é melhor falar de Getúlio quando se fala de regime militar, pois é quando os tenentes que Getúlio acolhe no seio de seu governo viram os generais do Estado-Maior, mimetizando o próprio Vargas, em especial Ernesto Geisel, que fez parte da guarda pessoal do ex-presidente.
Em 1954, outra crise. Não necessariamente uma recessão, mas uma crise de inflação em um país em plena urbanização. João Goulart, ministro do trabalho, decide aumentar em 100% o salário mínimo. PERDA DO CONTROLE SOCIAL. SOCIALIZAÇÃO DA CRISE e não socialização das perdas econômicas. O resto é papagaiada de Carlos Lacerda e mau-caratismo do bandido do Benjamin Vargas.
Em 1964, a má-fé da elite brasileira. Novamente uma crise de inflação, herdada dos anos de JK, o que colocou pressão no governo de Jânio. É bom lembrar que, até 1964, a economia do Brasil continuaria aquecida, o que mataria o poder de compra do brasileiro seria a inflação. Hoje em dia, mais de cinquenta anos após o golpe, a elite brasileira não consegue dizer esplanadamente que João Goulart tentou fazer um ajuste recessivo em 1963, o que gerou um crescimento nulo no mesmo ano, no âmbito do Plano Trienal. o Plano Trienal era de autoria do então ministro do planejamento, o magnânimo Celso Furtado. Celso Furtado foi o maior dos desenvolvimentistas, mas resolveu fazer um ajuste recessivo nos três últimos anos de governo de João Goulart por entender que havia, de fato, inflação de demanda, não somente inercial. Assim como Joaquim Levy fez tentou fazer um ajuste recessivo, Furtado também caiu nesse erro, que, na verdade, nem era um erro. Abriu caminho para o golpe, como em 2016. Os Estados Unidos ainda dificultaram a vida do Brasil na ocasião em que Jango visitou Nova Iorque. Chegou lá para passar o chapéu nos bancos e não conseguiu nada. Na primeira semana de governo de Castelo Branco, Lyndon Johnson assinou alguns cheques em branco, da mesma forma que o Congresso Nacional facilitou a abertura de créditos suplementares sem a anuência do parlamento. E o CONTROLE SOCIAL? Bom, a elite não poderia correr o risco de encarar uma reforma de base até o fim do mandato, em 1965… Ainda mais com um Brizola concorrendo à presidência.
Regime militar. Milagre econômico. Média de crescimento de 10% ao ano. Espetacular. Somente menos espetacular do que Getúlio Vargas que conseguiu uma média de crescimento de 8% ao ano com a agroexportação nacional em recessão de 2% ao ano, em média, chegando a 5% no período de crise mais aguda na década de 1930. Na era Vargas, o crescimento médio da indústria foi entre 10% e 15% ao ano, em todos os anos, exceto os anos de guerra, em que o valor da inflação corroeu o crescimento. Ainda assim, a Era Vargas teve um crecimento superior ao do regime militar, comparados os 18 anos de um e os 21 anos de outro. Os militares investiram na indústria, fizeram grande estoque de dívida em moeda entrangeira, emitiram moeda, tudo o que Getúlio Vargas já tinha feito. O único que tinha o feeling tecnológico do Getúlio era o Geisel. O segundo PND foi a consubstanciação de tudo aquilo que Vargas não conseguiu fazer. JK acabou com a FNM? Coloca dinheiro na Embraer. Getúlio não conseguiu as ultracentrífugas para iniciar nosso programa nuclear? Faz um acordo com a Siemens. Taca-lhe grandes obras públicas, cresce forçadamente. Ameaça a Argentina. Denuncia o acordo militar com os EUA, que já não dava ao Brasil vantagem militar sobre ninguém. Dialoga com as esquerdas e começa uma abertura do regime. Só que esse staff econômico, comandado por Delfim Netto e Mário Henrique Simonsen, não eram do mesmo quilate do de Osvaldo Aranha. Não tinham o timing de Osvaldo Aranha. Fizeram tudo ao mesmo tempo e agora, emissão de moeda, dívida externa, tudo sem o menor critério. Quando o Fed aumentou para 10% os juros básicos da economia americana, a ditadura acabou. ACABOU. Mas a ditadura tinha o CONTROLE SOCIAL do Brasil. Por essa razão, devia-se passar o controle do país para as mãos de outras pessoas, mas preservar aquilo que havia de mais importante: o CONTROLE SOCIAL do povo brasileiro, ignorante e desesperado, para as mãos da mesma senil e diminuta elite, agora urbana e industrial.
A nova e pusilânime república teve suas crises. Isso realmente impediu dois presidentes de governar? Não esperem que eu acredite nisso. Collor acabou com o “Overnight”. Dilma tentou até o último dia de seu mandato diminuir o spread bancário, a despeito do ajuste recessivo em má hora, incorporando Celso Furtado. Porque não derrubaram o FHC nas suas duas crises cambiais? Contem-me uma piada melhor, pelo amor de Deus… O petismo abriu portas para os mais pobres, ainda que baseados quase exclusivamente na sociedade de consumo, o que inviabilizou, em parte, a defesa desse governo perante os mais pobres, que viram seu poder de compra diminuir. No mais, o petismo, com esse comportamento, é a reencarnação do DESCONTROLE SOCIAL, O HAITIANISMO DO SÉCULO XXI. Não, o medo original da nossa elite não é comunismo. É O HAITIANISMO. O comunismo, para a nossa elite, nada mais foi do que a forma que o haitianismo assumiu no século XX, e que agora ganha a forma do petismo no século XXI, na cabeça deles. Essa sociedade fraturada não consegue superar a partição social original, o que é a raiz de inúmeras instituições que conhecemos hoje em nosso país, como nossa polícia truculenta e política aristocrática, e nunca deixarão de ser.
No mais, acho que emissionismo é solução desesperada. Tem de ser feita em último caso, sem alarde, para não engatilhar a inflação de imediato. O mercado financeiro tem de passar por um período de dúvida antes de ter certeza que o governo está emitindo moeda sem lastro, como ocorreu nos Estados Unidos até 1971. O primeiro passo, na minha humilde opinião, de um simples ignorante, é ter estoque considerável de dívida em moeda estrangeira e pagar juros civilizados. Desde o início do Plano Real, quando nacionalizamos a nossa dívida, estamos na mão de uma pequena camarilha da banca privada, que dita o quanto de juros o governo deve pagar, ou seja 33% de juros reais ao ano, contra 2,2% nos EUA. Metade da dívida o estado deveria ser contraída com instituições multilaterais estrangeiras, pois os juros são muito mais baixos, mesmo que isso represente riscos. Se metade dos juros pagos pelo Bacen forem pagos em moeda estrangeira, com a moeda bem desvalorizada, há a perspectiva de diminuição do estoque de dívida a médio prazo, tanto pelos menores juros a serem pagos como por uma hipotética valorização da moeda. De qualquer forma, abriria a possibilidade de os juros caírem pela metade. Isso daria fôlego para o orçamento federal investir e folga para os tomadores de empréstimos privados. Se alguma coisa desse errado, como aumento de juros do Fed, aí sim, emissão de moeda pra pagar a dívida, com subsequente aumento de inflação. Isso, pra mim, faz mais sentido.
Ze Guimarães
9 de setembro de 2016 9:26 amDom Pedro I foi expulso
Caro Brizolista
Uma correção: Dom Pedro I não “decide” voltar para Portugal, nem “esnobou” o Brasil, ele foi expulso do país, porque era libertino, alcóolatra, leviano, e sob a a influência de seu “amigo” chalaça e suas amantes, ameaçava cancelar a independência e devolver o Brasil para o domínio português. O povo brasileiro, junto com as elites e as forças armadas deram um “passa-moleque” no Dom Pedro I e o obrigaram a renunciar e voltar para Portugal com uma severíssima advertência de que não voltasse nunca mais.
Dom PedroI, sob a boa influência de Dona Leopoldina, a esposa, e os Andradas, apoiou a independência. MAs aí, o chalaça, seu ” amigo” que era favoravel ao partido portugues que não se conformava com a independência, fez de tudo para levar Dom Pedro para o lado negro da força. Levou Dom Pedro para os caminhos mais tortuosos de toda sorte de vicios, aos piores prostíbulos do Rio de Janeiro. Dom Pedro certa vez estava tão bêbado que quis entrar de cavalo em uma igreja no RJ…. Por fim Dom Pedro I passou a trair a esposa, com as piores prostitutas da época, a maioria delas era do partido portugues e fizeram a cabeça dele para que traísse a independência e mandasse prender e exilar os irmãos Andradas, que eram os artífices da independência. Em especial, sua amante, Domitíla de Castro, a marquesa de Santos, que trabalhava para o partido portugues e pela qual Dom Pedro se apaixonou, transtornou a cabeça dele. Dom Pedro I traia a esposa Dona Leopoldina e o Brasil tanto de dia como de noite, com a Marquesa, e com opartido português, por isto Dom Pedro I contraiu o desprezo dos brasileiros.
Dona Leopoldina escapou de ser assassinada por envenenamento várias vezes, o partido portugues não tinha sossego em suas tentativas criminosas de matá-la. Tentaram difama-la junto a sociedade da época também, mas foi em vão, pois o povo confiava na sua Imperatriz. foram os irmãos Andradas e Dona Leopoldina os mentores da Independência, e o partido Português bem sabia disto
Por fim, num de seus acessos de loucura, quando estava fortemente embriagado, Dom Pedro I disse a Leopoldina que estava em estado de gravidez avançada, que deveria ir para Portugal, ter seu filho lá. Leopoldina recusou, lógicamente, sabendo que isto faria o Brasil perder sua independencia, e ela bem sabia ser uma idéia da amante dele. Dom Pedro I ficou furioso, começou a gritar com ela, a sacudiu e empurrou, e ela caiu de costas, batendo a cabeça e morrendo de hemorragia interna, ela e o feto. O povo brasileiro, que amava a sua Imperatriz, e sabia ser ela a responsável pela independência ficou tomado de cólera, ira de desprezo por Dom Pedro I. Ele não a matou conscientemente, mas mesmo para os padrões da época, o crime de Dom Pedro chocou a sociedade do Rio de Janeiro. A partir daí a carreira política de Dom Pedro I acabou. Ele emitia decretos, os mais contraditórios, que eram ignorados pelo povo, para depois revogar logo em seguida.
Por fim, quando o povo viu que Dom Pedro I ameaçava mesmo desfazer a independência, deu um basta nas leviandades do monarca. Obrigaram-no a renunciar e voltar para Portugal, para o bem do país.
Uma coisa tinha de bom aquela época, o povo tinha um patriotismo acima de tudo, coisa rara na política hoje em dia.
O brizolista
9 de setembro de 2016 8:54 pmOmiti a figura desta grande
Omiti a figura desta grande mulher, mas não ignoro sua importância. Estava muito além da capacidade intelectual de D. Pedro I. Ao contrário do marido, era extremamente ciosa da necessidade de boa condução do novo império. Morreu em péssima hora, pois poderia contornar com destreza os problemas do período regencial.