Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, atribui o erro das pesquisas do 2º turno de 2026 a uma oscilação inesperada no comparecimento: a direita foi hipermobilizada no 1º turno, a esquerda no 2º, e a maioria dos institutos não antecipou a virada. A explicação, publicada em sete mensagens na rede X em 27 de outubro, é a versão de uma empresa que errou e que tem interesse em explicar o erro.
Pesquisa mede opinião e mobilização
A tese de partida de Roman é que pesquisa eleitoral não mede só opinião. Mede também a disposição de sair de casa no dia da votação, e é esse segundo componente, em sua análise, o mais difícil de estimar. Muita gente declara voto ao entrevistador e depois não comparece, num padrão que os institutos nem sempre conseguem prever.
Para ele, foi isso que quebrou o 1º turno. O comparecimento dos eleitores de Flávio Bolsonaro ficou muito acima do dos eleitores de Lula, o que surpreendeu os institutos. Segundo Roman, as respostas das pesquisas e o histórico indicavam que a base lulista deveria ter ido mais às urnas. Se a abstenção dessa base não tivesse sido atípica, afirma, Lula teria terminado em primeiro lugar, em linha com o que as pesquisas mostravam.
A consequência, na leitura do executivo, foi a dúvida que contaminou o 2º turno. Havia sinais de maior engajamento da esquerda, mas era difícil medir sua magnitude. Como a surpresa do 1º turno fora a desmobilização, pareceu razoável supor que ela se repetiria.
A pressão sobre os institutos
Roman descreve um ambiente em que errar a favor da direita se tornou a escolha mais segura. Depois do erro do 1º turno, diz ele, os institutos foram ameaçados judicialmente. Entre os turnos, o TSE adotou novas regras e exigências que, na avaliação do executivo, pareciam desenhadas para perseguir pesquisas que errassem.
O contexto que ele cita inclui a censura, pelo ministro Kassio Nunes Marques, de uma pesquisa da AtlasIntel que mostrava queda de Flávio após a divulgação dos áudios com Daniel Vorcaro. Roman cita ainda a movimentação de políticos por uma CPI sobre as pesquisas, decisões de juízes estaduais que embargaram levantamentos e pedidos de informação, de teor político segundo ele, enviados por vários conselhos regionais de estatística.
É uma caracterização feita por uma parte interessada. As decisões judiciais, as novas regras do TSE e o pedido de CPI são verificáveis e merecem checagem independente, assim como a versão dos órgãos envolvidos.
O pêndulo do 2º turno
Nesse cenário, afirma Roman, as projeções superestimaram a repetição do comparecimento da direita e subestimaram a mobilização da esquerda. Ele diz que os modelos de eleitor provável de vários institutos, em vez de apontar vantagem para Lula pelo novo nível de engajamento de sua base, ampliaram na véspera a vantagem de Flávio. Roman ressalva que isso não implica fraude ou manipulação em nenhuma pesquisa.
O que aconteceu, segundo ele, foi o inverso do 1º turno: o eleitor de direita compareceu menos do que o esperado e o eleitorado de Lula se mobilizou como nunca. A maioria dos institutos não antecipou essa oscilação.
Sobre a própria empresa, Roman diz que a AtlasIntel foi exceção. Ela apresenta um único cenário, incorpora o modelo de eleitor provável em todas as estimativas e mostrou tendência de alta para Lula ao longo do 2º turno. A vantagem de Flávio caiu para 1,6 ponto percentual na pesquisa de véspera e para 0,6 ponto na atualização final do Atlas Tracking PRO. Ainda assim, reconhece, a empresa percebeu o pêndulo, mas com premissas conservadoras demais sobre a dimensão da desmobilização da direita e da mobilização da esquerda.
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