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  1. Fiódor Andrade

    25 de dezembro de 2013 6:30 am

    Na Papuda, presos não-políticos são estimulados a ler

    Enquanto os condenados da AP 470 têm seu acesso aos livros restringido a duas horas diárias, os presos comuns são estimulados a ler e chegam a pass até até quatro horas por dia lendo. A leitura conta inclusive para a remissão penal.

    Para os presos políticos da Papuda, o acesso aos livros é mais limitado do que em Guantánamo.

    Presos do DF leem dez vezes mais que a média do brasileiro – Distrito Federal – R7
    r7.com

     

    Projeto remissão de pena: presos poderão ser beneficiados com 48 dias a menos na prisão se lerem uma obra literária por mês e fizerem uma resenha sobre o livro a cada 30 dias
    Projeto remissão de pena: presos poderão ser beneficiados com 48 dias a menos na prisão se lerem uma obra literária por mês e fizerem uma resenha sobre o livro a cada 30 dias

    Presos têm um grande potencial para leitura. Uma pesquisa de mestrado feita na UnB (Universidade de Brasília) mostra que os detentos do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, leem em média 3 livros por mês, dez vezes a média do brasileiro, de 0,33 livros mensais ou quatro por ano, de acordo com dados da 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2012.

    A pesquisadora Maria Luzineide Costa Ribeiro, responsável pelos estudos da UnB, disse que cerca de 70% dos presos que estão na PDF 1 (Penitenciária do Distrito Federal 1) no Complexo da Papuda, em São Sebastião, região administrativa do DF, tornaram-se leitores assíduos de livros de romance, ação, autoajuda  e literatura estrangeira dentro da cadeia. Os dados fazem parte da  dissertação de mestrado dela no curso de Letras apresentada no segundo semestre do ano passado.

    Luzineide foi professora de Língua Portuguesa do sistema prisional durante 14 anos. Ela disse que nesse período observou que mesmo encarcerados e sem nenhum tipo de estímulo os internos tinham o hábito de ler. Interessada em pesquisar o assunto e confirmar essa impressão, ela levou a proposta para o Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB e deu início aos estudos no ano de 2009.

    Em 2010, ela voltou a penitenciária como pesquisadora e fez um primeiro levantamento. Aplicou questionários e avaliou os presos, que na Papuda são separados por crimes. Em 2011, ela e a equipe da UnB passaram 15 dias na cadeia promovendo oficinas literárias, com métodos dos próprios mestrandos da instituição.

    — A recepção foi muito boa. Depois de coletar todos os dados, eu confirmei o que já sabia. Os presos realmente têm pré-disposição para a leitura.

    Ela explicou que o próprio sistema ajuda a exercer esse hábito entre os internos, porque eles ficam 22h por dia dentro da cela. Os locais estão superlotados, mas por conta do ócio eles procuram ocupar o tempo fazendo leituras, mesmo com barulho, falta de espaço e conforto.

    — Eles leem de dois a quatro livros por mês. Devem passar três ou quatro horas por dia lendo e se esforçam para concentrar na leitura, mesmo com o ambiente inadequado para esse procedimento.

    Entre os autores preferidos estão Machado de Assis, Paulo Coelho e Oswaldo de Andrade. Os estilos de livros, no entanto, são os mais diversos. Os preferidos são temas de ação, romance, literatura estrangeira e até mesmo autoajuda.

    Leia mais notícias no R7 DF

    Para a pesquisadora, se não fossem as condições estruturais ruins e de superlotação, provavelmente o índice de leitores assíduos seria ainda maior.

    — Seria ideal, porque a própria polícia faz a distribuição dos livros. Existem bibliotecas lá, com acervo de quase 11 mil livros. As famílias também podem levar livros para os presos. Após a leitura, o título levado é doado para a instituição e passa a ser de uso coletivo. Se não fossem essas condições ruins [de superlotação e falta de local apropriado para leitura], certamente teríamos muito mais leitores dentro da cadeia.

    Entre outros dados avaliados durante os quatro anos de estudos, Luzineide descobriu que 24% dos presos leem por prazer e 50% para adquirir conhecimento. Outros 20% fazem isso para se afastar de problemas, porque querem ocupar o tempo e a cabeça, e 10% faz por pura necessidade, com o objetivo de fugir do ambiente e da realidade.

    — É importante dizer também que 52% não tinha o hábito de leitura antes de entrar na prisão. O próprio ócio produz isso.

    Presídio Feminino

    No Presídio Feminino de Brasília, também conhecido como Colmeia, que fica entre o Gama e Santa Maria, regiões administrativas do DF, a situação não é diferente. Durante os estudos, a pesquisadora levantou que 80% das detentas são leitoras assíduas.

    Para ela, essa é uma informação que não assusta tanto porque, naturalmente, as mulheres têm o hábito de leitura no dia-a-dia “muito maior que os homens”.

    — Se fora da prisão é assim dentro então a tendência é continuar ou aumentar mais ainda. Lá, porém, elas não ficam o dia todo dentro da cela e por isso têm mais espaço e conforto para ler, porque passam a maior parte do dia livres dentro do presídio.

    Entre os livros prediletos das detentas estão obras relacionadas a autoajuda e auxílio espiritual, em especial as que remetem a infância ou família.

    Remição de pena pela leitura

    O próximo passo do projeto da pesquisadora, batizado de Portas Abertas, é promover um programa de Remição de Pena na PDF I, autorizado pela portaria nº 276 do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) em junho de 2012.

    O dispositivo legal prevê que o preso pode diminuir até 48 dias de pena se estiver disposto a ler um livro por mês, apresentando uma resenha sobra cada obra lida a cada 30 dias. Luzineide está otimista com a proposta e acredita que isso aumentará ainda mais o hábito pela leitura dentro da cadeia.

    — Sem estímulo nenhum eles já fazem isso. Com estímulo ficarão ainda melhores. Hoje eles leem de dois a quatro livros, fazem isso à vontade. Quando formos implementar esse projeto, ficarão limitados a um livro por mês porque se não perderemos o controle da situação, mas será um grande avanço de qualquer maneira.

    A ideia é que professores e alunos da UnB elaborem uma lista de obras literárias recomendadas para internos a partir do 9º ano (antiga 8ª série) que queriam ganhar o benefício. Em seguida, os professores aplicarão as resenhas dentro das salas de aula do próprio presídio e cada detento terá que redigir, de próprio cunho, o material sobre o livro que leu.

    As resenhas serão levadas para a universidade e corrigidas pela equipe. Se o interno conseguir alcançar média de sete pontos, será beneficiado com a remição de pena. Esse procedimento acontecerá durante os 12 meses do ano a todos aqueles que quiserem, de forma espontânea, participar do programa.

    — Esse projeto funciona desde o ano passado em duas penitenciárias federais. Vamos tentar adotar esse modelo e trazê-lo para cá. Os resultados podem ser bem positivos.

    A pesquisadora também informou que vai investigar a preferência de cada preso conforme o histórico criminal, uma vez que na PDF I da Papuda eles são separados pelos crimes. Ela disse que observou algumas preferências, mas nada que tenha sido objeto de pesquisa com dados conclusivos.

    A expectativa é que nos próximos quatro anos, porque ela deu início ao projeto de doutorado seguindo essa mesma temática, seja possível alinhar esses resultados com o projeto remição de pena pela leitura.

    — Tem prédio de homicidas, de traficantes, de estelionatários, roubos e crimes sexuais. Todos separados. Percebi que os internos que cumprem pena por assalto preferem livros de aventura. Os condenados por tráfico de drogas ou homicídios têm preferência por obras ligadas à religião, como se quisessem pedir perdão a Deus pelo o quê fizeram. Aqueles que estão isolados cumprindo pena por crimes sexuais leem, principalmente, livros relacionados a autoajuda amorosa.

    Source: http://noticias.r7.com/distrito-federal/noticias/presos-do-df-leem-dez-vezes-mais-que-a-media-do-brasileiro-20130324.html

    Do blog book-addict.com:

    Já conhece a biblioteca da prisão de Guantánamo? | Book Addict

    book-addict.com

    É possível encontrar bibliotecas até mesmo nos lugares mais improváveis. Um exemplo disto é a de Camp Delta, centro de detenção militar norte-americano localizado em Guantánamo Bay, em Cuba. O lugar possui aposentos repletos de livros divididos por idiomas e gêneros e, uma vez por semana, o representante do setor passa pelas celas carregando aproximadamente 50 deles. Caso os detentos obedeçam as regras da prisão, ganham o direito de escolher dois livros por vez ou mesmo fazer solicitações específicas.

    A biblioteca possui em torno de 18 mil livros, boa parte deles em árabe, juntamente com uma menor quantidade de revistas, DVD’s e videogames. Segundo o encarregado do local, identificado apenas como Milton, por motivos de segurança, os títulos mais populares são os religiosos, mas o setor também conta com traduções em árabe de autores populares como Gabriel García Marquez, Danielle Steel  e uma boa quantidade de volumes em inglês como os livros da série Harry Potter e O Senhor dos Anéis.

    Alguns dos presos já dominavam a língua quando chegaram ao local, outros foram aprendendo ao longo do tempo. Como prisioneiros de guerra, os detentos, considerados terroristas, não eram protegidos pela Convenção de Genebra e boa parte já permanece ali sem julgamento há mais de uma década. Milton, no entanto, não possui muito patrocínio para manter o setor em funcionamento, mas advogados e membros da família podem enviar doações. Diferente do sistema comum, os detentos podem segurar um mesmo livro por até 60 dias em suas celas.

    Um dos advogados locais informou a equipe do NY Times que as solicitações variam de romances tradicionais a revistas sobre atividades ao ar livre “pediu um preso que nunca havia visto a natureza pessoalmente”. Um dos seus clientes já realizou a leitura de 1984, de George Orwell, três vezes. Títulos que possuam muitos palavrões, sexo, violência ou temas extremistas e anti-americanos, no entanto, não são permitidos.

    É importante lembrar, porém, a péssima reputação que o local detém há alguns anos. Documentos do FBI obtidos em 2007 durante um processo da União Americana pelas Liberdades Civis, trouxeram a tona diversos incidentes de abusos e constantes humilhações por parte dos guardas de Guantánamo. Um documentário realizado pelo National Geographic, intitulado Inside Guantánamo (Dento de Guantánamo, em tradução literal) revelou várias atrocidades que aconteciam no local, incluindo torturas, espancamentos, estupros e total desrespeito às práticas religiosas dos prisioneiros. Após a posse de Barack Obama, o presidente assinou em 2009 um decreto para fechamento da prisão e exigiu uma revisão na forma como os presos seriam tratados até lá. Guantánamo, porém, continua em funcionamento até hoje e já vem se tornando uma mancha constantemente relembrada em seu atual governo.

    Caso vocês tenham interesse em ver mais fotos da biblioteca, alguns repórteres recentemente visitaram a prisão e tiraram vários fotos que foram publicadas em uma página do Tumblr.

    http://gitmobooks.tumblr.com/

     

    Crédito das fotos: Gitmobooks

    Com informações do New York Times

    Source: http://www.book-addict.com/2013/06/ja-conhece-biblioteca-da-prisao-de.html

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=SgOdHV-0SOA align:center]

  2. Webster Franklin

    25 de dezembro de 2013 6:36 am

    PIB zero na França e EUA demitem brasileiros na véspera do Natal

    Correio do Brasil

    PIB zero na França e EUA demitem brasileiros na véspera do Natal

    24/12/2013 11:56
    Por Redação, com agências internacionais – de São Paulo e Paris

        
    Demissões ocorrem, principalmente, nos setores administrativos do Walmart no Brasil

    Demissões ocorrem, principalmente, nos setores administrativos do Walmart no Brasil

    Apesar dos recentes sinais positivos nas economias norte-americana e europeia, relatório divulgado nesta terça-feira mostra que a economia francesa registrou contração de 0,1% no terceiro trimestre devido ao impacto da queda nos investimentos e nas exportações, informou o instituto nacional de estatísticas. O PIB do segundo trimestre foi revistado para mostrar um crescimento de 0,6%, ante os 0,5% divulgados anteriormente. Com o resultado do terceiro trimestre, caso o desempenho França for nulo no último período do ano, a taxa de crescimento de 2013 ficará em 0,1%, o que implicará em novas demissões no ano que vem.

    Nos EUA, uma das principais lojas de varejo também comunicou, nesta manhã, a demissão de cerca de 300 funcionários no Brasil, na véspera do Natal. Com o fechamento de 25 lojas em novembro no Brasil e uma reestruturação em curso em vários países onde atua, o grupo norte-americano Walmart seguiu com sua política restritiva, principalmente da área administrativa. A empresa informou, nesta terça-feira, que “revisou processos internos e redefiniu estruturas de áreas administrativas, resultando na redução de funcionários em algumas áreas”, mas não confirma o número. O Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que representa a categoria, informa que são 300 demissões.

    O Walmart tem 544 lojas no Brasil e emprega cerca de 80 mil funcionários. Até dezembro do ano passado eram 547 lojas. Neste ano, foram 25 fechadas e outras 22 abertas, de acordo com o grupo. Ricardo Patah, presidente da entidade, afirma ter se reunido há cerca de dez dias com o novo presidente da rede varejista, Guilherme Loureiro, para discutir o processo de reestruturação e a realocação dos demitidos.

    – Estamos em contato com o setor de Recursos Humanos da empresa. O que sabemos é que a dispensa, feita nessa época do ano, o que já mostra um desrespeito aos funcionários e uma prática antissindical, ocorreu no Brasil e pode ocorrer em outros países. Na China também foi feito anúncio de fechamento de lojas – diz o sindicalista.

    Em outubro, a companhia informou que estava tomando várias medidas, entre elas fechar unidades com baixo desempenho em algumas regiões. Na ocasião do anúncio, o grupo informou que tentaria reacolocar parte da mão de obra.

    Dificuldades

    Terceira maior rede de supermercados no Brasil e maior varejista do mundo, o Walmart informou que as medidas eram necessárias porque o cenário econômico era “difícil” e “imprevisível” no mundo inteiro, segundo declaração do presidente-executivo da empresa, Mike Duke. A rede não informa detalhes da dispensa. Afirma que “como parte do processo de melhoria da performance da empresa no Brasil, o Walmart está focando na construção de uma base sólida para o futuro, tornando o negócio mais eficiente para continuar a investir e a crescer no país, oferecendo a melhor experiência de compra para os seus clientes”.

    Ainda de acordo com a empresa, “a companhia fez todos os esforços para realocar o maior número possível de funcionários em outras unidades da rede”. Até o final do ano, o Walmart informa que “irá gerar cerca de 2 mil novos empregos diretos nas 22 novas lojas abertas neste ano, que representaram investimentos de cerca de R$ 1 bilhão”.

    http://correiodobrasil.com.br/ultimas/pib-zero-na-franca-e-eua-demitem-brasileiros-na-vespera-do-natal/672747/

     

  3. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 9:04 am

    Fim de estímulos fiscais muda tipo de crescimento

    Governo aplica estratégia de suspensão de estímulos fiscais a setores incentivados da economia; automóveis e móveis terão retorno do IPI em 1º de janeiro; planejado, movimento aponta para um novo momento no ambiente econômico; depois de socorrer indústria em quadra de dificuldades, governo confia no controle da inflação e na redução de endividamento das famílias para atingir, em 2014, o sonhado crescimento sustentado; aposta vai definir futuro político do Brasil

    O governo acaba de fazer sua principal aposta econômica para 2014. A retirada dos estímulos fiscais para os setores de automóveis e moveleiro, nos quais o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – voltará a ser cobrado nos índices anteriores, após redução que perdurou ao longo de 2013, aponta para um novo caminho.

    Com a retirada, a partir de 1º de janeiro, dos estímulos fiscais setorizados, o governo procura experimentar a sustentabilidade da economia. Trata-se do fim do paternalismo estatal, utilizado num período em que a indústria precisava de uma mensagem objetiva para manter sua produção – e o consumo necessitava de ofertas para se manter aquecido.

    Agora, assim como acontece nos Estados Unidos, em que o Fed já iniciou a retirada de estímulos para a compra de títulos federais, o governo brasileiro entra na fase mais importante de seu plano de crescimento. Com a quebra dos incentivos fiscais para os dois setores de larga capilaridade na cadeia produiva – automotivo e moveleiro -, indica confiança na manutenção dos atuais padrões de consumo e de inflação. Se der certo, os reflexos políticos serão fortes o suficiente para reeleger sem sustos a presidente Dilma Rousseff em outubro. Caso o plano não funcione como o esperado, passar a valer o improviso.

    Abaixo, reportagem da Agência Reuters a respeito:

    Governo eleva IPI de carros e móveis a partir de janeiro

    BRASÍLIA, 24 Dez (Reuters) – O governo estendeu nesta terça-feira o prazo de recomposição das alíquotas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis e móveis, que não vão mais voltar integralmente a partir de janeiro, para até meados de 2014.

    Para automóveis 1.0, a alíquota do IPI passará a 3 por cento em janeiro, ante do atual patamar de 2 por cento. A programação do governo é elevar novamente o IPI para seu patamar integral de 7 por cento em julho, mas a decisão final será tomada posteriormente, conforme informou o secretário-executivo interino do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira.

    Para automóveis acima de 1.0 a 2.0 flex, o IPI sobe para 9 por cento entre janeiro, acima dos 7 por cento em vigor. A programação do governo é subir novamente o tributo para 11 por cento a partir de julho de 2014, mas também isso será decidido mais à frente.

    O aumento gradual do IPI a partir do início de 2014 vinha sendo informado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, diante da expectativa que existia de recomposição total das alíquotas do IPI em janeiro próximo. A alíquota do IPI foi reduzida no início de 2012, com a finalidade de estimular a economia brasileira e suas alíquotas começaram a ser recompostos em janeiro deste ano.

    Para veículos a gasolina acima de 1.0 a 2.0, o IPI passa a 10 por cento, acima dos 8 por cento de janeiro, com possibilidade de subir para 13 por cento em julho.

    Para os veículos utilitários o imposto vai a 3 por cento entre janeiro e junho ante 2 por cento em vigor, com possibilidade de elevação para 8 por cento em julho.

    O IPI de caminhões permanecerá em zero como forma de estimular o investimento no país.

    MÓVEIS

    O governo também continua elevando gradualmente o IPI para móveis a partir de janeiro, com a alíquota subindo para 4 por cento em janeiro, 1,5 ponto percentual a mais do que a em vigor. Em julho, o governo decidirá se o IPI de móveis voltará à alíquota integral de 5 por cento.

    Segundo Oliveira, com essas mudanças no IPI, estendendo o prazo das recomposições das alíquotas, o governo terá arrecadação maior em 1,146 bilhão de reais na primeira metade do ano.

    O governo passa por um momento de dificuldade nas contas fiscais, com receitas afetadas pelas desonerações e pelo desempenho da economia, que ainda não deu sinais consistentes de recuperação.
    (Reportagem de Alonso Soto)

    http://www.brasil247.com/pt/247/economia/124998/Fim-de-est%C3%ADmulos-fiscais-muda-tipo-de-crescimento.htm

  4. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 9:05 am

    Decisão da ONU sobre espionagem expõe maniqueísmo ridículo

    Decisão da ONU sobre espionagem expõe maniqueísmo ridículo do debate político no Brasil
     

    POR BOB FERNANDES

    A ONU, em decisão consensual, mostrou como o maniqueísmo pode se tornar algo ridículo, e não apenas. Pode ser também um redutor da inteligência, do debate público.

    No meio do ano foi revelado pelo ex-agente Snowden: agências dos Estados Unidos monitoravam a correspondência e telefones da presidência do Brasil e de empresas como a Petrobras.

    Não apenas do Brasil. A NSA & Cia espionam governos do mundo todo, inclusive a ONU. A presidente Dilma reagiu com dureza. Terminou por cancelar uma visita de Estado a Obama em Washington.

    Pouco depois, a primeira ministra da Alemanha reagiria. Também Angela Merkel e seu governo eram espionados. As duas chefes de Estado reagiram em conjunto. 

    Em setembro, em seu discurso na ONU, Dilma registrou o protesto e anunciou reação. No início de Novembro, Brasil e Alemanha apresentaram na ONU uma resolução sobre a proteção da privacidade na Era Digital.

    O projeto foi aprovado por consenso de 193 países. Horas depois de um juiz federal dos Estados Unidos decidir: escuta telefônica e espionagem eletrônica indiscriminada são inconstitucionais.

    O que se viu no Brasil quando das denúncias? Manchetes no início e, depois, o habitual. Muitos dizendo que a reação do Brasil tinha um único objetivo: criar cortina de fumaça diante das condenações do mensalão.

    Pensadores de plantão, os de sempre, foram a público e às manchetes. Para dizer que a reação seria um erro estratégico brutal. Seria um erro “brigar” com os EUA por tão pouco.

    Não era “briga”. E não era, não é tão pouco. Era, é seu direito, meu e de todos nós, o direto de não ser espionado.

    No rastro do maniqueísmo mais chinfrim, argumentação também chinfrim.

    “Todos já estamos expostos nas redes sociais”… Foi o que disseram os que preferem, sempre, se render antes. É fato: cada vez mais se expandem os canais para a megaexposição.

    Mas só se expõe quem aceita se expor. Seja por ignorar ou por inocência. E isso é totalmente diferente de ter seu telefone ou computador eternamente grampeados.

    Caro amigo, cara amiga. Na ONU, países do mundo inteiro disseram: “Todos temos o direito à privacidade”. Essa é uma resolução importantíssima para o desenho do que será o futuro. E não apenas do Brasil. 

    Sem ilusões, porém, de que uma decisão como essa impedirá espionagem no atacadão da Era Digital. Não, essa decisão apenas impõe um marco moral, base para ações e reações legais.

    Voltando ao maniqueísmo nos debates de há meses, vale recordar Nelson Rodrigues. Dizia ele: “O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem”.

    Do mesmo Nelson Rodrigues, outra frase definidora e definitiva: tem brasileiro que sofre do complexo de vira-lata. Se coloca, sempre, como um ser inferior diante do resto do mundo.

    http://terramagazine.terra.com.br/bobfernandes/blog/2013/12/24/decisao-da-onu-expoe-maniqueismo-ridiculo-do-debate-politico-no-brasil/

  5. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 9:07 am

    “Escândalo” na Folha: Aeroporto “privatizado” continua estatal.

    folhagale

    A Folha publica hoje com ares de escândalo, que, com a compra de 10% da Odebrecht TransPort, o Governo brasileiro terá 61,4% do consórcio que vai administrar o Aeroporto Tom Jobim, o Galeão do Rio de Janeiro.

    E, para justificar o espanto, recorre ao o professor do Insper Sérgio Lazzarini, que dá a seguinte explicação:

    “”Aeroportos são um ótimo negócio, a geração de receita é imediata, é um monopólio natural. Para que colocar capital público?”

    Curioso, não é?

    Qual seria a razão de não colocar capital público, ainda mais para controlar a maioria do empreendimento?

    Ser um ótimo negócio?

    Gerar receita?

    O BNDES é um banco. Coloca dinheiro no que vai gerar receita e, preferencialmente, seja um ótimo negócio.

    O professor Lazzarini sugere outros investimentos ao BNDES, entre eles, presídios.

    Os argumentos são, é claro, furados.

    Primeiro, porque a modernização do aeroporto vai exigir um grande volume de capital. O poder público não tem condições de aporta-lo sozinho.

    Segundo, porque o que se critica – muitas vezes com razão – nas empresas públicas é a gestão inferior à que tem às privadas. E a gestão será privada.

    Terceiro, porque o retorno deste capital só fortalece o caixa do banco para outros investimentos.

    Aliás, quando o negócio é bom – e aeroporto é muito bom, tanto que a empresa ofereceu pagar – em conjunto com a Chingi, de Cingapura, uma das maiores operadoras aeroportuárias do mundo, R$ 19 bilhões pela concessão do Tom Jobim.

    A mentalidade neoliberal só entende uma forma de negócio entre o poder público e a iniciativa privada.

    O Governo entrega, barato, de preferência.

    Financia, a juros baixos, de preferência.

    E o privado fica com o lucro.

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=11882

  6. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 9:53 am

    Natal é a proclamação da igualdade humana

    Caetano Veloso, um imenso poeta que só se obscurece quando sua necessidade imensa de aparecer eclipsa seu brilho, cantou em seu “Milagres do Povo”:

    Quem é ateu e viu milagres como eu
    Sabe que os deuses sem Deus
    Não cessam de brotar, nem cansam de esperar
    E o coração que é soberano e que é senhor
    Não cabe na escravidão, não cabe no seu não
    Não cabe em si de tanto sim

    Nesta véspera de Natal, crer no Jesus Deus é não é o que nos separa.

    Mas, certamente, crer naquele Deus  humano – e assim conferiu divindade aos homens – é o que nos une.

    Embora a ganância  tenha feito do Natal um dia  onde os shoppings são o templo e os presentes sejam uma espécie de oferenda a pedir perdão por nossas ausências – afetivas, paternas, filiais, fraternais  – este dia, ao menos este dia, deve nos procurar igualar e encontrar.

    Talvez, um dia, este país descubra que é possível que os outros 364 dias do ano também possam ser, à sua maneira, um dia de Natal.

    Um dia onde milenar capacidade das histórias de representar em cenas os mais profundos significados possa mostrar que um deus, ou um homem melhor que todos, possa nascer num recanto miserável e, ainda assim, ser um símbolo de tudo o que de melhor possamos imaginar num ser humano.

    Que centenas, milhares de homens com aquela grandeza pudessem ter sucumbido de fome, de doença, que pudessem ter morrido num calvário sem cruz.

    Por isso, trago hoje um conto de Rubem Braga, talvez o maior cronista brasileiro, escrito há quase 50 anos, de uma tristeza pungente, que prepara os nossos corações para nossos deveres em 2014.

    Por nossos irmãos na condição humana, por nossos órfãos da dignidade que ainda teimam em existir, à espera de um milagre que nós temos o dever de fazer.

    Porque, como ensina o texto bíblico, sem obras, a fé é vã. 

    E nossa fé no Brasil e na felicidade do povo brasileiro, não pode, por Deus, ser vã.

    Um conto de Natal

    Rubem Braga

    Sem dizer uma palavra, o homem deixou a estrada andou alguns metros no pasto e se deteve um instante diante da cerca de arame farpado. A mulher seguiu-o sem compreender, puxando pela mão o menino de seis anos.

    — Que é?

    O homem apontou uma árvore do outro lado da cerca. Curvou-se, afastou dois fios de arame e passou. O menino preferiu passar deitado, mas uma ponta de arame o segurou pela camisa. O pai agachou-se zangado:

    — Porcaria…

    Tirou o espinho de arame da camisinha de algodão e o moleque escorregou para o outro lado. Agora era preciso passar a mulher. O homem olhou-a um momento do outro lado da cerca e procurou depois com os olhos um lugar em que houvesse um arame arrebentado ou dois fios mais afastados.

    — Péra aí…

    Andou para um lado e outro e afinal chamou a mulher. Ela foi devagar, o suor correndo pela cara mulata, os passos lerdos sob a enorme barriga de 8 ou 9 meses.

    — Vamos ver aqui…

    Com esforço ele afrouxou o arame do meio e puxou-o para cima.

    Com o dedo grande do pé fez descer bastante o de baixo.

    Ela curvou-se e fez um esforço para erguer a perna direita e passá-la para o outro lado da cerca. Mas caiu sentada num torrão de cupim!

    — Mulher!

    Passando os braços para o outro lado da cerca o homem ajudou-a a levantar-se. Depois passou a mão pela testa e pelo cabelo empapado de suor.

    — Péra aí…

    Arranjou afinal um lugar melhor, e a mulher passou de quatro, com dificuldade. Caminharam até a árvore, a única que havia no pasto, e sentaram-se no chão, à sombra, calados.

    O sol ardia sobre o pasto maltratado e secava os lameirões da estrada torta. O calor abafava, e não havia nem um sopro de brisa para mexer uma folha.

    De tardinha seguiram caminho, e ele calculou que deviam faltar umas duas léguas e meia para a fazenda da Boa Vista quando ela disse que não agüentava mais andar. E pensou em voltar até o sítio de «seu» Anacleto.

    — Não…

    Ficaram parados os três, sem saber o que fazer, quando começaram a cair uns pingos grossos de chuva. O menino choramingava.

    — Eh, mulher…

    Ela não podia andar e passava a mão pela barriga enorme. Ouviram então o guincho de um carro de bois.

    — Oh, graças a Deus…

    Às 7 horas da noite, chegaram com os trapos encharcados de chuva a uma fazendinha. O temporal pegou-os na estrada e entre os trovões e relâmpagos a mulher dava gritos de dor.

    — Vai ser hoje, Faustino, Deus me acuda, vai ser hoje.

    O carreiro morava numa casinha de sapé, do outro lado da várzea. A casa do fazendeiro estava fechada, pois o capitão tinha ido para a cidade há dois dias.

    — Eu acho que o jeito…

    O carreiro apontou a estrebaria. A pequena família se arranjou lá de qualquer jeito junto de uma vaca e um burro.

    No dia seguinte de manhã o carreiro voltou. Disse que tinha ido pedir uma ajuda de noite na casa de “siá” Tomásia, mas “siá” Tomásia tinha ido à festa na Fazenda de Santo Antônio. E ele não tinha nem querosene para uma lamparina, mesmo se tivesse não sabia ajudar nada. Trazia quatro broas velhas e uma lata com café.

    Faustino agradeceu a boa-vontade. O menino tinha nascido. O carreiro deu uma espiada, mas não se via nem a cara do bichinho que estava embrulhado nuns trapos sobre um monte de capim cortado, ao lado da mãe adormecida.

    — Eu de lá ouvi os gritos. Ô Natal desgraçado!

    — Natal?

    Com a pergunta de Faustino a mulher acordou.

    — Olhe, mulher, hoje é dia de Natal. Eu nem me lembrava…

    Ela fez um sinal com a cabeça: sabia. Faustino de repente riu. Há muitos dias não ria, desde que tivera a questão com o Coronel Desidério que acabara mandando embora ele e mais dois colonos. Riu muito, mostrando os dentes pretos de fumo:

    — Eh, mulher, então “vâmo” botar o nome de Jesus Cristo!

    A mulher não achou graça. Fez uma careta e penosamente voltou a cabeça para um lado, cerrando os olhos. O menino de seis anos tentava comer a broa dura e estava mexendo no embrulho de trapos:

    — Eh, pai, vem vê…

    — Uai! Péra aí…

    O menino Jesus Cristo estava morto.

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=11890

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=QPTKj0N-8Wk%5D

  7. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 10:09 am

    Por que Juan Delgado é o homem do ano de 2013

    :

    Você sabe o porque; assim como a escolha do Papa Francisco, pela revista Time, como Homem do Ano no mundo foi reconhecida à unanimidade como acertada, a mesma distinção, no Brasil, ao médico cubano é a mais lógica e significativa; à direita, gostou-se de vaiá-lo e execrá-lo como “escravo”; não apenas no Ceará, por parte dos médicos brasileiros locais, mas na replicação do preconceito pela mídia familiar para o País; no ângulo da esquerda, Juan Delgado provou-se o homem de novo tipo, que anulou e sublinhou com galhardia o preconceito ideológico-racial-profissional; para quem é apenas humanista, o médico que hoje passa a noite de Natal numa aldeia de índios no Maranhão, anotem, a mais de 300 km de São Luís, onde trabalha para a comunidade local graças ao programa Mais Médicos, é sem dúvida o personagem mais emblemático do polarizado 2013; na boa, um verdadeiro herói!

    Juan Delgado, médico, cubano e negro foi escolhido, pelas circunstâncias, como o homem do ano no Brasil em 2013. Não houve eleição, pesquisa ou enquete, assim com a escolha, pela revista Time, do Papa Francisco como Homem do Ano no mundo foi exclusiva de editores – e reconhecida consensualmente como acertada.

    Para destacar o dr. Delgado, o que valeu para 247  foi a reflexão do que ele simbolizou como resumo sem açúcar do que foi batido no liquidificador político, social e econômico do País nos últimos doze meses.

    Entre todas as polêmicas levantadas contra o governo no debate nacional, o Mais Médicos foi a verdadeira mãe de todas as batalhas. Apostou-se, na virada de 2012 para 2013, no apagão de energia. Mas rapidamente esse espirro de desinformação editorializada se dissipou frente a realidade de abastecimento normal. Os fantasmas da inflação e do estouro das contas públicas assombraram apenas as páginas da mídia familiar, não tendo se materializado até agora, vésperas do Natal. No ano que vem, a propaganda a favor dos fantasmas irá continuar.

    Quanto ao Mais Médicos, foi atacado por um setor da sociedade de bastante peso e grande capacidade de articulação. Estudantes de Medicina, médicos e suas entidades uniram-se como nunca se vira, para atacar com todos os argumentos a iniciativa do governo federal, igualmente inédita no País – a de povoar os rincões com baterias de médicos nacionais e estrangeiros encarregados do primeiro combate aos sinais de doença entre a população.

    Como o fantasma que juntaria o apagão, a inflação e o desemprego não se materializou, não se pode elegê-lo “homem do ano”. Até porque, para tanto, teria ele de ser mesmo homem – ou mulher.

    DILMA? – Neste caso, a escolha poderia muito bem recair sobre a presidente Dilma Rousseff, o que não seria nenhuma escolha pelo critério chapa branca.

    Afinal, quem estava com a face na vidraça quando as manifestações de massa de junho tomaram as capitais? Quem estava em Brasília como alvo certo no momento em que houve até mesmo incentivo midiático para um quebra-quebra às instituições? Quem mais pelejou em eventos e entrevistas, dia após dia, para garantir a política econômica, evitar crises institucionais, ora assopradas pelo Supremo ora pelo Congresso, ou pular as cascas de banana jogadas às pencas aos seus pés? Dilma.

    Por muitos motivos, e sobretudo pelos resultados de gestão alcançados num ano tão longo e de difícil travessia – com o saldo espetacular das concessões em infraestrutura, a inflação na meta e o saldo recorde de empregos -, a presidente pode ser vista, no Brasil, como a Mulher do Ano.

    Mas para apontar um primeiro de ranking, vamos de Juan Delgado.

    As circunstâncias, repita-se, escolheram o médico cubano para ser a face mais representativa de 2013 no Brasil.

    Entre os mais de quatro mil médicos estrangeiros que desembarcaram no Brasil para tomar lugar no programa Mais Médicos, perto da metade é formada por cubanos. Desse contingente, principal alvo dos médicos e estudantes descontentes com o programa em razão de sua origem cubana – e cor da pele negra -, Juan Delgado virou destaque. Em Fortaleza, a exemplo de todos os seus colegas que chegavam para a primeira ambientação no País, ele foi recebido por um corredor polonês.

    “Escravo!”, gritava a horda de médicos e estudantes de Medicina do Ceará, numa tentativa de humilhação que ganhou adeptos entre colunistas que se consideram civilizados. Inacreditável. Num primeiro momento, Juan Delgado, cuja foto percorreu o País num recorde de publicações, ouviu o coro contra si ganhar a simpatia de muita gente.

    REVIRAVOLTA – Logo depois, porém, mais gente ainda armou a solidariedade a ele, aos profissionais e ao programa Mais Médicos. Uma a uma, todas as provocações e impasses levantados pelas entidades médicas com a colaboração da mídia familiar caíram em instâncias judiciais. O preconceito das críticas tornou-se claro até mesmo quando escondido pela ideologização do debate. A manifestação de racismo de um punhado de cidadãos do Ceará vestidos de branco foi reproduzida por inúmeros setores, mas suplantada pela reação coletiva de uma sociedade que, goste ou não a elite, acabou com a escravidão em 1888.

    Além das circunstâncias, o dr. Delgado agiu efetivamente como um homem referencial em 2013. Posicionou que jamais sentiu-se escravo por viver no regime socialista de Cuba. Ele deixou claro considerar-se um construtor de um mundo mais fraterno e apoiador de um regime que também tem como marca a solidariedade internacionalista. Relevou as críticas, não devolveu nas mesmas moedas as ofensas que recebeu, mas transformou-as em riqueza para a sua causa. Com uma postura que marcou a diferença, ele confirmou a crença de muitos na evolução da sociedade e deu uma lição de comportamento e correção.

    A noite de Natal, Juan Delgado passará ao lado de seis outros médicos e dos índios da aldeia para a qual ele foi enviado, a 316 quilômetros de São Luís, no Maranhão.

    http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/124991/Por-que-Juan-Delgado-%C3%A9-o-homem-do-ano-de-2013.htm

     

  8. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 10:23 am

    “Mercado procura obscurecer

    “Mercado procura obscurecer Jesus e impor Papai Noel no Natal”

    Minha família não fugiu a regra da maior influência religiosa do país. Cresci em meio a pobreza e aos valores católicos que, contraditoriamente à vida, valorizavam essa pobreza. E no Natal, marco maior dessa crença, dividir o pão, comungar o momento, os alimentos e o desejo coletivo de felicidade e melhores dias, me marcaram profundamente.

    Mais tarde, na práxis da vida real, a religião virou pó. Mas alguns de seus valores não.

    Que o Natal sirva, ao menos, para lembrar o quanto melhor seria o mundo… se nosso bem fazer… se nosso bem querer se estendesse para além do umbigo…

    Que o espírito de Jesus, homem com pés da cor de bronze queimado, com pele da cor de jaspe e sardônio e com cabelos feito lã de cordeiro, nos fortaleça em nossa luta diária pela tal justiça, tão desejada entre nós!

    E que sejamos felizes, o quanto for possível.

    Apesar dos pesares, tão bem colocados por Frei Betto na entrevista a seguir.

    Asè!

    ENTREVISTA
    FREI BETTO

    “Mercado procura obscurecer Jesus e impor Papai Noel no Natal”

    Por Guilherme Almeida
    Brasil de Fato SP

    Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como Frei Betto, vive no convento de ordem dominicana, em Perdizes. Autor de 53 livros, já ganhou o Prêmio Jabuti pelas obras “Batismo de Sangue” e “Típicos Tipos – perfis literários”.

    Adepto da Teologia da Libertação, é um grande defensor dos direitos humanos no Brasil e uma das maiores vozes em favor dos movimentos populares. Foi assessor especial do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2004, e coordenou o programa Fome Zero. Desde de que professou na Ordem Dominicana, em 1966, acompanha as mudanças na Igreja Católica.

    Em entrevista concedida ao Brasil de Fato SP, Betto elogia o Papa Francisco, analisa as mudanças no Vaticano e a crise da Igreja Católica no Brasil. Ele demonstra preocupação com o processo de “confessionalização da política”.

    Qual é sua avaliação sobre o Papa Francisco?

    Foi uma grande novidade a eleição do [Jorge Mario] Bergoglio. É um latino-americano e tem muita sensibilidade pela questão social. Realmente, seus primeiros passo são positivos. Começou uma reforma da Igreja de cima pra baixo, o que corresponde à estrutura piramidal da Igreja Católica. Foi um fato praticamente inédito a renúncia do Bento XVI. E ele deixou o cargo deixando claro as razões. Disse que havia uma esquema de corrupção na Igreja, que precisava ser combatido mas que não tinha forças.

    O que mudou com o novo Papa?

    Ele abandonou uma série de símbolos que eram da nobreza, como a capa, o sapato vermelho e a cruz de ouro. Abandonou títulos derivados muito mais do Império Romano do que da tradição cristã como sumo pontífice. Também é interessante o fato dele preferir morar na Casa de Santa Marta, que é uma casa de hóspedes, com um refeitório usado pelo pessoal que trabalha no Vaticano, largando a residência pontifícia.

    Houve alterações na estrutura da Igreja?

    Agora, ele nomeou uma comissão de oito cardeais de cinco continentes para estudar a reforma da cúria, mas só saberemos o resultado no fim de janeiro. O novo Papa deu sinais também de querer reformar ou até erradicar o Banco do Vaticano, que oficialmente tem o nome de Instituto de Obras Religiosas. Os fundamentalistas de direita dentro da Igreja começam a ficar preocupados.

    O que essas modificações apontam?

    Deslocam o debate dentro da Igreja do pessoal para o social. Abre-se pistas para uma nova teologia, principalmente a respeito da moral sexual, que é um tema congelado dentro da Igreja desde o século 16. Acentua-se também a questão da opção pelos pobres e a denúncia da desigualdade social.

    Qual é o principal desafio da Igreja agora?

    O desafio principal está na questão dos ministérios, da ordenação de mulheres e na moral sexual. A questão financeira também é importante, porque há corrupção, mas não é prioritário. O mais urgente é a Igreja se abrir para a pós-modernidade. Portanto, rever questões como o celibato, ordenação de mulheres, patriarcalismo, volta ao ministérios sacerdotal dos padres casados. Quando o Papa fala que a Igreja precisa de uma Teologia da Mulher, está abrindo portas para uma reflexão. Estamos mais perto dessa abertura do que com os pontificados anteriores. Passamos praticamente 35 anos de pontificados conservadores. Agora existe muita esperança de melhora.

    Você fala em diferentes teologias dentro da mesma religião. O que isso significa?

    Tudo depende da Teologia que os agentes pastorais assumem, aqueles que animam a comunidade. Se é uma Teologia fundamentalista, reacionária, ou se é uma teologia da libertação, que coloca todos nós, cristãos, como discípulos de um prisioneiro político. Jesus não morreu de hepatite na cama nem em um desastre de camelo em uma esquina de Jerusalém.

    A morte de Jesus tem um significado…

    Ele foi preso e torturado, julgado com dois presos políticos e condenado a pena de morte dos romanos. Que fé os cristãos tem hoje que não questionam essa desordem estabelecida? A fé de Jesus o levou a ser considerado subversivo, portanto, uma ameaça para a desordem estabelecida. Aí ele foi eliminado. Não é nem questão de politizar a história, é retomar o passado como realmente foi.

    O Natal é um exemplo história religiosa que mudou de sentido?

    O que é o Natal? Um casal de Nazaré, Maria e José, vão para Belém. Lá são rejeitados e convocados pelo recenseamento do Império Romano. Tem várias hipóteses de por quê eles foram rejeitados. A minha é que foram rejeitados porque Maria chegou grávida e eles não estavam oficialmente casados. Então, eles literalmente ocuparam uma terra privada. Eu costumo brincar que, no dia seguinte, o “Diário de Belém” deve ter dado a manchete: Família de sem-terra ocupa propriedade rural. Jesus nasceu em um curral. Isso é muito simbólico. Na época de Jesus, quem lidava com animais, como o açougueiro, era socialmente rejeitado. Está lá na Bíblia visivelmente. Mas muita gente não tem olhos pra ver.

    Mesmo com esse pano de fundo, por que o Natal se transformou em um feriado de troca de presentes?

    A data tem um sentido religioso muito forte e é muito sedutora do ponto de vista de seu simbolismo. O mercado procura cada vez mais obscurecer a dimensão de Jesus de Nazaré e impor o Papai Noel, que tinha originalmente a cor verde. A Coca-Cola impôs a cor vermelha. Isso é histórico. Há uma ‘Papainoelização’ que transforma o Natal em uma festa do consumo.

    O que você indica para retomar o sentido original?

    Eu tenho dito a muitos casais que têm sensibilidade religiosa e filhos pequenos que tenham muito cuidado. Temos que resgatar a espiritualidade e do sentido religioso da festa. Se não vamos entrar no grande paradigma da pós-modernidade, que pode ser o mercado e não a solidariedade. A religião foi um paradigma medieval. A razão foi o paradigma moderno.

    E agora?

    O mercado quer se impor na pós-modernidade. É a mercantilização de todas as dimensões da vida. Isso já ocorre fortemente nas duas grandes datas cristãs, que são o Natal e a Semana Santa. Essa última virou miniférias. Poucos se lembram que é a celebração da morte e ressurreição de Jesus.

    O Brasil passou e ainda passa por um processo de diversificação de religiões. Em números absolutos, mais pessoas se declaram de diferentes religiões, diferentes da católica. O que você pensa disso?

    Eu não acho nem negativo nem positivo. Como católico, eu faço autocrítica. A Igreja Católica vem perdendo terreno pela sua incapacidade de se adaptar aos tempos atuais. Eu gostaria que essa mensagem, do ponto de vista cristão da Teologia da Libertação, tivesse muito mais incidência na sociedade.

    Por quê?

    Quando a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base eram bem vindas na Igreja Católica, havia muito maior número de católicos. Com a repressão e marginalização, houve uma colonização dos movimentos carismáticos e espiritualistas. Aí começou um esvaziamento da Igreja. É o caso de perguntar: é esse o caminho, já que a Igreja está se esvaziando?

    A consequência é a multiplicação de novas religiões…

    Temos um pluralismo religioso que questiona profundamente a Igreja Católica. E isso é muito positivo. Não dá pra competir com as igrejas evangélicas, que formam um pastor em oito meses. Na Igreja Católica, é preciso oito anos: quatro de filosofia, quatro e teologia e ainda a heroica virtude do celibato. Não dá pra competir. Na minha opinião, nem se trata de competição ou de uma disputa. A Igreja Católica está sendo questionada e levada a rever seus métodos de evangelização, o perfil como instituição e o trabalho dos ministros. Tudo tem que ser profundamente revisto.

    Você acha que existe clima para uma revisão dessa magnitude dentro da instituição?

    Com Francisco, sim. Ele está aberto a essa revisão profunda, com tudo aquilo que tem dito. Eu tenho muito otimismo. Agora, as coisas na Igreja são lentas e a instituição tem uma estrutura muito pesada. Não tenho esperança que isso aconteça muito depressa. Mas será desencadeado um processo novo de renovação da Igreja.

    Como você vê a representação política de grupos religiosos na política? Você considera nocivo para a democracia uma figura religiosa disputar um espaço político?

    Não, a figura religiosa pode participar, sem desrespeitar o pluralismo religioso e querer transformar a sua concepção religiosa em lei universal a ferro e fogo. Foi o que aconteceu com o deputado que foi eleito para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e dos Deputados [referência ao pastor da Igreja Assembleia de Deus Marcos Feliciano] na questão da homossexualidade.

    Qual o impacto dessa conduta?

    A política é um espaço laico. Portanto, quando se confessionaliza a política, se nega a laicidade desse espaço. É evidente que os evangélicos fundamentalistas gostariam de impor a sua doutrina, principalmente sua doutrina moral, ao conjunto da população. Para isso, só há um jeito: a persuasão, através da pregação e a conversão. Temo que a gente esteja assistindo silenciosamente a um ascenso de um projeto de confessionalização da política. Seria um passo atrás em relação à modernidade e ás conquistas da autonomia do Estado, do espaço político e da laicidade.

    natal-vendas

    http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2013/12/24/mercado-procura-obscurecer-jesus-e-impor-papai-noel-no-natal/

  9. Luiz Augusto de Jesus Carvalho

    25 de dezembro de 2013 10:35 am

    Fogo amigo ou está difícil esconder?

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/12/1389806-governo-de-sao-paulo-ignorou-recomendacao-para-demitir-assessor.shtml

    Governo de São Paulo ignorou recomendação para demitir assessor

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    MARIO CESAR CARVALHO
    FLÁVIO FERREIRA
    DE SÃO PAULO

    Ouvir o texto

    O governo de São Paulo ignorou uma recomendação da Corregedoria Geral da Administração para que promovesse o “desligamento imediato” de um funcionário sob suspeita por causa de sua ligação com empresas do cartel que atuou em licitações de trens do Estado nos últimos anos.

    O engenheiro Pedro Paulo Benvenuto tinha um cargo de confiança na Secretaria do Planejamento e o deixou por vontade própria na última quarta-feira. Benvenuto era coordenador de planejamento e avaliação da secretaria.

    Outro lado: Secretaria diz que seguiu sugestão da Corregedoria

    A recomendação de “desligamento imediato” foi feita há mais de dois meses, no dia 17 de outubro, de acordo com relatório da Corregedoria do Estado obtido pela Folha.

    A secretaria diz ter seguido a recomendação, mas afirma que ainda tratava do desligamento quando Benvenuto pediu para deixar o cargo e voltar para o Metrô, onde ele é funcionário de carreira.

    O governo abriu um processo administrativo contra Benvenuto, que poderá resultar na sua demissão do Metrô.

    Editoria de Arte/Folhapress

    A Corregedoria pediu a saída do engenheiro com o argumento de que violou o Estatuto do Funcionalismo. O pedido foi baseado em reportagem da Folha, de 23 de setembro, que revelou os negócios paralelos do servidor.

    Ele tem uma empresa, a Benvenuto Engenharia, que prestou serviços ao Banco Mundial nos projetos dos metrôs de Salvador e Fortaleza.

    O Estatuto do Funcionalismo proíbe servidores de participar da gestão de empresas que “mantenham relações comerciais ou administrativas com o governo do Estado”.

    CONFLITO DE INTERESSES

    É um caso de conflito de interesses, segundo o relatório da Corregedoria: “Ficou ainda demonstrado que a empresa do referido agente público está diretamente relacionada com a finalidade do serviço por ele desempenhado”.

    O Banco Mundial financia vários projetos do Metrô e CPTM. O engenheiro foi cedido pelo Metrô à Secretaria de Planejamento em 2007, no governo de José Serra (PSDB). O também tucano Geraldo Alckmin manteve-o no cargo.

    Benvenuto ocupou outro cargo de confiança no governo Alckmin. Era secretário-executivo do conselho gestor de PPPs (Parcerias Público-Privadas), que administra negócios de R$ 13 bilhões, entre os quais a parceira da linha 4 do Metrô, e projetos que podem chegar a R$ 45 bilhões.

    Ele foi desligado do conselho gestor após a publicação da reportagem de setembro.

    A Folha também revelou que havia indícios de que Benvenuto violara o sigilo de dados estratégicos sobre a expansão do Metrô e da CPTM.

    E-mails obtidos pela Polícia Federal mostram que Benvenuto repassou em 2006 ao consultor Jorge Fagali Neto informações sobre o metrô e os trens metropolitanos que não eram públicas ainda.

    Fagali foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de ter intermediado o pagamento de propina para servidores e políticos de São Paulo por ordem da multinacional francesa Alstom, uma das empresas acusadas de participação no cartel dos trens.

    Autoridades da Suíça que investigam o caso bloquearam US$ 6,5 milhões (o equivalente a R$ 15,3 milhões) numa conta de Fagali Neto.

  10. Cláudio José

    25 de dezembro de 2013 10:47 am

    ‘As enchentes me irritam’,

    ‘As enchentes me irritam’, afirma o prefeito Eduardo Paes

    Em entrevista ao DIA, ele admite uma série de erros, promete mais diálogo com a população e opositores e avisa que cariocas vão sofrer com as chuvas neste verão

    AZIZ FILHO , CAIO BARBOSA E FERNANDO MOLICA

    Rio – Reeleito há um ano com 70% dos votos, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, teve de enfrentar as ruas no primeiro ano de seu segundo mandato e garante ter aprendido com as manifestações que pararam a cidade. 

    Nesta entrevista exclusiva ao DIA, o prefeito admite uma série de erros, promete mais diálogo com a população e os opositores, e avisa que os cariocas ainda vão sofrer com as chuvas neste verão devido ao atraso nas obras. Sempre otimista, o prefeito ‘mais feliz e o mais irritado do mundo’ diz que não há chance de o PMDB apoiar a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) em 2014 e afirma que Pezão será eleito governador no ano que vem.

    ‘As enchentes me irritam’, garante Eduardo PaesFoto:  Ernesto Carriço / Agência O Dia

    O Rio continua refém das chuvas. Obras prometidas, como a da Praça da Bandeira, não estão prontas. E o senhor prometeu que não conviveríamos com enchentes em 2014. Como ficaremos? Debaixo d’água?

    Jamais prometi isso. Nós vamos inaugurar o piscinão da Praça da Bandeira agora e vamos continuar tendo transtornos. Isso só vai parar quando o Rio Joana estiver desviado e os cinco piscinões prontos.

    Ou seja, no fim das obras, que estão atrasadas. Por que estão e quando ficarão prontas?

    Não antes de 2015. Está atrasada pela complexidade da obra. A gente está fazendo um túnel por baixo da linha do trem, do Morro da Mangueira, de São Cristóvão. Tivemos um monte de problemas de projeto de ligação.

    E erros?

    A Secretaria de Obras erra. Contestei publicamente o presidente da Rio Águas, que disse que termina os cinco piscinões até o fim de 2014. Não termina! 

    O que mais incomoda o senhor entre todos estes muitos problemas?

    O que está na nossa mão e a gente não resolve, algo que não tem nada a ver com fenômeno da natureza.

    Por exemplo?

    O alagamento da Via Binário. A drenagem da região do porto não está pronta e não estará até 2016, mas nada justifica aquilo porque havia um plano de contingência, com drenagens provisórias que a concessionária Porto Novo não fez. Isso foi tratado em reuniões diretamente comigo.

    Mas a Secretaria de Obras não deveria acompanhar isso de perto?

    Sim, é um erro inadmissível e que eu assumo.

    E em quanto tempo isso estará resolvido?

    Já está, eles garantem. Se não estiver, eu afogo eles. E me afogo junto (risos).

    Vamos falar de política. Há chance de o PMDB apoiar o senador Lindbergh Farias (PT) ano que vem? 

    Nenhuma. O candidato do PMDB ao governo se chama Luiz Fernando Pezão.

    Mesmo muito mal nas pesquisas?

    Vou usar um exemplo que todo mundo usa, que é o meu. Em 2008, comecei a campanha com 8% e ganhei.

    Mas o senhor tinha apoio de governador popular…

    Não. O Cabral estava muito impopular na época. As pessoas esquecem. Ele perdeu quase todas as eleições na Região Metropolitana, menos na capital, comigo.

    Mas a situação hoje é bem pior.

    A popularidade do Pezão virá durante o processo eleitoral. Nunca me angustiei com isso. Acho até que ele está melhor do que eu imaginava nas pesquisas.

    Só que no ano que vem haverá PT contra PMDB?

    ‘O PT é sócio do governo do há sete anos. Vai soar hipócrita se fizer críticas no ano que vem’Foto:  Ernesto Carriço / Agência O Dia

    Espero que não. Será uma burrice se for assim. Torço para o PT continuar conosco. Se não continuar, faz parte da vida. Mas tenho uma visão relaxada sob esse aspecto porque tenho certeza que o Pezão vai ganhar a eleição.

    Mas não será uma maluquice, por exemplo, o vice prefeito Adilson Pires, que é do PT, subir no palanque adversário para falar mal do PMDB?

    Maluquice será o PT falar mal do PMDB, porque eles participaram do governo durante sete anos. Aí cada um faz a maluquice que quiser. Eu imagino que as pessoas vão disputar eleição fazendo propostas, sobretudo quem durante tanto tempo foi sócio do governo. Vai soar hipócrita fazer críticas.

    Por que o senhor acha que há essa desaprovação tão grande do Cabral?

    Dele e minha. Assumo. Acho que houve um momento de desaprovação coletiva que tende a se ajustar.

    O que o senhor compreendeu nos protestos?

    Que é preciso abrir ainda mais o diálogo com a população. Os governos erram. O problema é não reconhecer os erros. Na Providência, por exemplo, foi emblemático. Se eu ficasse dois anos com a casa marcada e sem saber onde morar, também odiaria o prefeito.

    E a postura dos homens públicos na vida privada?

    Estou há 20 anos na vida pública e sempre fui muito zeloso com a minha vida privada. Mas só posso falar sobre mim.

    Que tem a vantagem de ter medo de helicóptero…

    É verdade (risos). Até seria bom para mim, com aquele heliponto na Lagoa. Mas não ando porque tenho medo mesmo. E porque acho que andar pela cidade é importante. Por isso farei uma sede da prefeitura em Madureira, para despachar de lá às sextas e depois fazer uma roda de samba. A minha grande tristeza é não poder tomar meu chope no (restaurante) Cachambeer, mas por outro lado, faço a alegria da minha mulher. Fico mais em casa. Não poder tomar minha cerveja faz uma falta danada.

    Só não pode querer fazer isso em Paris agora…

    Adoro Paris, Londres e Nova York, mas não viajo com prazer agora. Até consegui ir para o interior de Portugal agora, era meu aniversário e da minha filha. Adorei. No avião ainda teve uma passageira que tirou uma foto minha e eu vi no celular ela colocando ‘dormindo com o prefeito’. Ia mandar para alguém. Eu cutuquei e falei com ela que se quisesse eu tiraria a foto abraçado. Ela ficou sem graça e disse: ‘Gosto muito do senhor e não resisti’. Mas no aeroporto do Porto tinha brasileiro tirando foto para mandar para a coluna do Fernando Molica (‘Informe do DIA’) dizendo: ‘Olha ele aí na Europa’ (risos).

    O senhor fala em diálogo com a oposição , mas a Lapa, reduto do Freixo, está abandonada.

    Fiz seis reuniões lá só este ano, antes dos protestos. Conversamos com artistas, comerciantes, reabrimos a rua. Tudo isso fruto do diálogo. Mas a Lapa é caso de polícia, já falei com o Cabral.

    Mas o (José Mariano) Beltrame, secretário de Segurança, rebate e diz que é social?

    A gente coloca assistente social, mas não podemos recolher as pessoas porque o Ministério Público não deixa, e vocês (jornalistas) adoram. A mesma imprensa que fala em população de rua fala em direitos humanos quando a gente recolhe.

    Mas legislação permite o recolhimento de usuários de drogas em casos extremos como vemos lá.

    Este talvez seja nosso maior desafio. O Adilson Pires (vice-prefeito) esteve na Europa e nos EUA vendo sistemas de abrigamento e novas tecnologias. Já temos atendimento compulsório, consultório de rua, abrimos dois ou três CAPs (Centro de Atenção Psicossocial) este ano e vamos abrir mais dez no ano que vem.

    O que mais te irrita como prefeito?

    Bilhões e bilhões de coisas. Não ter transformado a Lapa no paraíso que todo mundo gostaria, por exemplo. Ver o trânsito na minha cidade e as enchentes também me irritam.

  11. alexis

    25 de dezembro de 2013 10:59 am

    Parauapebas?

    Assis,

    Cedo li uma matéria sua muito interessante sobre Parauapebas. Eu fiz até um aporte para o tema.

    Mas, vejo que ela foi retirada?

    1. Assis Ribeiro

      25 de dezembro de 2013 1:08 pm

      Aqui vai o link

      http://www.brasildefato.com.br/node/26967

      Um grande abraço

  12. Kamerval Tivita Marinhos

    25 de dezembro de 2013 11:36 am

    O Escrete do Jornalismo Reaça 2013(Os Imorais)

    Os jornalistas mais reacionários de 2013: minha seleção

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    Postado em 24 Dec 2013por : Merval e Ayres Britto:quem disse que jornalista não tem amigo?

    Merval e Ayres Britto:quem disse que jornalista não tem amigo?

    Bem, final de ano é tempo de retrospectiva.

    O DCM acompanhou a mídia com atenção, e então vai montar sua seleção de jornalistas do ano, o Time dos Sonhos do atraso e do reacionarismo, o TS, o melhor do pior que existiu na manipulação das notícias.

    A cartolagem é parte integrante e essencial do TS: Marinhos, Frias, Civitas, Mesquitas etc.

    À escalação:

    No gol, Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo. Devemos a ele coisas como a magnífica cobertura da meia tonelada de cocaína encontrada no famoso Helicóptero do Pó, pertencente à família Perrella.

    Kamel é também notável pela sagaz tese de que não existe racismo no Brasil.

    Na ala direita, dois jogadores, porque pela esquerda ninguém atua. Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes são os selecionados. Os blogueiros da Veja são entrosados, e pô-los juntos facilita o trabalho de treinamento do TS.

    Azevedo se notabilizou, em 2013, por ser comparado por diferentes mulheres a diferentes animais, de pato a rottweiler.

    Nunes brilhou por lances de genialidade e inteligência – e total ausência de preconceito —  como chamar Evo Morales de “índio de franja” e classificar Lula de “presidente retirante”.

    Uma disputa interessante entre Nunes e Azevedo é ver quem utilizou mais a palavra “mensaleiros”. Gênios.

    Na zaga, uma inovação: duas mulheres. Temos a cota feminina no TS do DCM. Eliane Cantanhede, colunista da Folha, e Raquel Scherazade, a versão feminina de Jabor.

    Ambas defenderam valentemente o país dos males do lulopetismo, e fizeram a merecida apologia de varões de Plutarco da estatura de Joaquim Barbosa, o magistrado do apartamento de Miami.

    No meio de campo, três jogadores de visão: Jabor, Merval e Míriam Leitão. Sim, a cota feminina subiu durante a montagem do TS.

    Jabor se celebrizou em 2013 pela rapidez com que passou da condenação absoluta à louvação incondicional das jornadas de junho quando seus superiores na Globo lhe deram ordem para mudar o tom.

    Merval entrará para a história pelo abraço fraternal em Ayres de Britto, registrado pelas câmaras. Merval conseguiu desmontar a tese centenária e mundialmente reverenciada de Pulitzer de que jornalista não tem amigo.

    E Míriam Leitão antecipou todas as calamidades econômicas que têm assaltado o país, a começar pela redução da desigualdade e pelo nível de emprego recorde.

    Numa frase espetacular em 2013, Míriam disse que só escreve o que pensa. Aprendemos então que ela é tão igual aos patrões que poderia ser o quarto Marinho, a irmãzinha de Roberto Irineu, João Roberto e Zé Roberto.

    No ataque, dois Ricardos, também para facilitar o entrosamento. Ricardo Setti e Ricardo Noblat. Setti foi uma revelação, em 2013, no combate ao dilmismo, ao lulismo, ao bolivarianismo, ao comunismo ateu e à varíola. Noblat já é um jogador provado, e dispensa apresentações. Foi o primeiro blogueiro a abraçar a honrosa causa do 1% no Brasil.

    Para completar o trio ofensivo, Eurípides Alcântara, diretor da Veja. Aos que temiam que a Veja pudesse se modernizar mentalmente depois da morte de Roberto Civita, Eurípides provou que sempre se pode ir mais adiante.

    Suas últimas contratações são discípulos de Olavo de Carvalho, o astrólogo que enxerga em Obama um perigoso socialista. Graças a Eurípides, em todas as plataformas da Veja, o leitor está lendo na verdade a cabeça privilegiada de Olavo.

    Na reserva do TS, e abrindo espaço para colunistas que não sejam necessariamente jornalistas, dois selecionados.

    O primeiro é Lobão, novo colunista da Veja e novo olavete também. No Roda Viva, Lobão defendeu sua reputação de rebelde ao fugir magistralmente de uma pergunta sobre o aborto.

    O outro é o professor Marco Antônio Villa, que conseguiu passar o ano sem acertar nenhuma previsão e mesmo assim tem cadeira cativa em todas as mídias nacionais.

    O patrono do TS é ele, e só poderia ser ele: José Serra.

    Mas Joaquim Barbosa pode obrigar Serra a cedê-la a ele, JB, nosso Batman, nosso menino pobre que mudou o Brasil e, nas horas vagas, arrumou um emprego para o júnior na Globo.

     

    Paulo Nogueira

    Sobre o Autor

    O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

     

  13. Gilberto .

    25 de dezembro de 2013 11:40 am

    A presença do estado nas pequenas cidades

    Do Estado

     ‘Ação federal no interior é o que explica avanço do PT’, diz cientista político  Para cientista político, multiplicação das parcerias do governo com prefeituras tem mais peso eleitoral que Bolsa Família  25 de dezembro de 2013 | 2h 02   ROLDÃO ARRUDA – O Estado de S.Paulo A proximidade das eleições presidenciais reavivou os debates e as análises sobre as possíveis influências eleitorais do  Bolsa Família, que hoje beneficia 13,6 milhões de famílias no País, e o seu futuro. Na avaliação do cientista político Vitor Marchetti, porém, o foco desse debate está errado. Para ele, o fenômeno político mais importante a ser analisado e compreendido é o gigantesco aumento das parcerias que o governo federal tem feito diretamente com os municípios. Veja também: Bolsa Família tem ‘boom’ em São Paulo, mas índice de cobertura ainda é baixo Desafio é encontrar quem ganha até R$ 70  Elas começaram no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, prosseguiram com Dilma Rousseff e estão sendo intensificadas com vistas a 2014. A presidente tem ido a pequenos municípios de diferentes regiões do País até para distribuir tratores e caminhões-pipa. Segundo Marchetti quase todas as creches que estão sendo construídas hoje nas pequenas cidades contam com verbas de algum programa federal, das pastas da Saúde, Educação, Desenvolvimento Social e outras. Para o cientista político, seria essa interiorização do governo federal a principal responsável pelo fortalecimento do PT em municípios de pequeno e médio porte, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O Bolsa Família não teria folego para explicar sozinho a mudança. Ele faria parte de uma política muito mais ampla, segundo o analista, que é professor da Universidade Federal do ABC, na região metropolitana de São Paulo, e também coordena o curso de políticas públicas daquela escola. Uma das críticas mais comuns ao Bolsa Família é a de que funcionaria como uma espécie de curral eleitoral para o PT. Os pobres votariam no partido com medo de que o programa acabe se houver troca no comando político do País. Acha possível estabelecer essa correlação? Os elementos empíricos para uma análise desse tipo ainda são poucos. Do que tenho visto, porém, acho raso e pouco complexo apontar o programa como o equivalente a uma compra de voto, um tipo de coronelismo adequado à nossa época. Essa ideia parte do princípio de que o cidadão se sentiria em dívida com quem lhe deu os recursos. Acontece, no entanto, que a imagem do Bolsa Família, apesar de estar ainda fortemente atrelada ao PT, se aproxima cada vez mais da imagem de uma política do governo federal, sem ligação direta com o partido que está no poder, seja ele qual for. Nas eleições presidenciais de 2012, os partidos foram cautelosos. Nenhum o deu a entender que extinguiria o programa. Sim. Está ficando claro para o cidadão que se trata de uma política de governo que vai continuar, não importando qual partido vença a eleição. É pouco verdadeiro atribuir ao Bolsa Família o avanço que o PT teve em regiões mais pobres, em municípios pequenos e médios do interior do País. A que atribuiria então esse avanço petista na direção dos chamados grotões eleitorais? O que tem impacto eleitoral é um conjunto de políticas públicas que começaram a ser adotadas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que são focadas em regiões onde a presença do Estado sempre foi muito fraca, como o Norte e o Nordeste do País. Falam do Bolsa Família mas esquecem do Luz Para Todos, que leva energia elétrica para o sertão nordestino, para as regiões mais esquecidas da região Norte. Esse programa é um exemplo do movimento que intensificou a presença do governo federal nas regiões mais carentes. O fenômeno político importante a ser analisado no momento é esse: o gigantesco aumento das parcerias do governo federal feitas diretamente com os municípios. Isso aconteceu porque os municípios tinham assumido várias prerrogativas que não tinham condições de cumprir. Foram prerrogativas definidas na Constituição de 1988. Exatamente. Numa ação política muito peculiar, a Constituição de 1988 elevou os municípios à condição de entes federados, ao lado da União e dos Estados. Os municípios assumiram a responsabilidade, entre outras coisas, pela construção de creches e os serviços básicos de saúde. Mas eles não têm condições para isso. O que o Lula fez, então? Intensificou as alianças do governo federal com os municípios. O repasse direto de recursos federais para eles, nas áreas da saúde e educação, aumentou muito. Quase todos os municípios estão construindo creches atualmente, mas quem verificar com atenção a origem dos recursos irá constatar, quase invariavelmente, que provêm de algum programa específico do governo federal para o setor. Eles revelam o quanto o governo federal pegou atalhos para se tornar mais presente na vida do cidadão, no seu cotidiano. Isso aconteceu principalmente em municípios do Norte e Nordeste. A presidente Dilma deu continuidade a essa política. Ela foi além disso. Está intensificando essa política em seus preparativos para o ano que vem. Veja o caso da distribuição de tratores para os municípios mais pobres e com maior vocação agrícola. Trata-se de um programa federal e é comum a presidente ir entregar, pessoalmente, o trator. O que chama a sua atenção é o fato de se tratar de um programa federal? Estou apontando algumas questões que mudaram nas relações entre os entes federados. São elas que ajudam a explicar melhor a força que o PT passou a ter em regiões onde não conseguia nenhuma penetração. O partido sempre teve mais força nas capitais e grandes cidades do País, mas agora tem crescido principalmente em municípios de pequeno e médio porte. Está dizendo que o Bolsa Família não explicaria sozinho a mudança no cenário eleitoral? O programa teve uma indiscutível repercussão no padrão de consumo das famílias, mas se trata de uma variável fraca para explicar sozinha o sucesso do PT no rumo da interiorização, a sua influência nas prefeituras de pequenos e médios municípios. O Bolsa Família não tem fôlego para sustentar isso. Ele está amarrado a um conjunto mais amplo de políticas públicas para intensificar a presença do governo federal nos municípios. Sobre essa proximidade do Bolsa Família com uma política federal mais ampla, é bom lembrar que o programa acabou produzindo, como efeito colateral de sua montagem e organização, uma base de dados sobre os cidadãos mais carentes que o Brasil nunca teve antes. O Cadastro Único, administrado pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Sim. É um cadastro inédito do ponto de vista de informações sobre a realidade econômica, educacional, sanitária e social dos cidadãos mais pobres. A política de interiorização da presença do Estado exigiu essa sofisticação na identificação desses cidadãos. O cadastro tem sido usado para definir políticas públicas que vão da área da educação a atividades na agricultura familiar. Curiosamente, porém, uma das críticas que o PSDB faz às ações do governo federal é a falta de foco, como se ele não conhecesse a realidade na qual atua. E ele conhece? O debate sobre o perfil dessas políticas e se são mais ou menos focadas tem sido muito acadêmico e com pouca relevância no cenário eleitoral. O fato é que o PT, a partir deste cadastro, que se torna cada vez mais refinado, sabe quem são os demandantes de políticas públicas, quem precisa ser atingido. O partido conseguiu construir políticas com todos os perfis. Identificar quem é o cliente, a partir de uma base de dados consistente e nada descartável, é fundamental para a definição de políticas públicas – sejam elas focadas ou generalistas. Em quais setores o governo federal estaria investindo mais agora, para reforçar a busca da interiorização? Educação e saúde são duas áreas em que está atuando muito. Hoje, qualquer reforma de escola municipal, qualquer programa local de capacitação de professores, de compra de computadores para estudantes está atrelado a algum programa federal, ao Ministério da Educação. São políticas que já nascem com o foco nos municípios e que têm efeito político. Nas eleições de 2012, era difícil encontrar prefeitos do interior que criticassem o governo federal e o PT. Eles sabem que o eleitor vota de acordo com o seu nível de satisfação: se está satisfeito vota na situação, se está contrariado, na oposição. Se ele percebe que o Bolsa Família lhe traz renda, melhora suas condições de vida, isso vai influir na decisão. É importante notar, porém, que os patamares de satisfação não duram para sempre. Depois de atingir um certo patamar, o cidadão começa a querer atingir outro e passa cobrar e exigir do governo. Mapas eleitorais mostram que programas surtem mais efeito nas regiões mais pobres. Nos Estados com maior força econômica e financeira, a presença do governo federal não é tão intensa. Por isso, registram maior polarização política.    NOTÍCIAS RELACIONADAS: Cadastro melhorou quando Kassab se aproximou de DilmaDesafio é encontrar quem ganha até R$ 70Bolsa Família tem ‘boom’ em São Paulo, mas índice de cobertura ainda é baixoSalvador comemora por receber dois clássicos na Copa do MundoTópicos: Bolsa familia, 

  14. Antonio Carlos Silva - RJ

    25 de dezembro de 2013 3:28 pm

    Velha mídia quer a

    Velha mídia quer a Presidência de presente de Natal

    Enquete feita entre colunistas do mais tradicional veículo da velha mídia mostra o que eles pretendem em 2014: mandar na política e ditar a opinião pública

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    Antonio Lassance Arquivo

     

    O jornalista Ancelmo Góis fez uma enquete junto a outros colunistas do jornal O Globo para saber o que eles esperam de 2014. Merval Pereira espera que as coisas continuem ruins no ano que vem, mas acha que vão piorar. Carlos Alberto Sardenberg, Míriam Leitão e Zuenir Ventura torcem por mais protestos – “protestos vigorosos”, quer Sardenberg. Ricardo Noblat pediu a Papai Noel que dê discernimento aos brasileiros para escolher o próximo presidente da República. Se é para dar, supõe-se que é porque ainda não temos.

    A enquete deixa claro o que o mais tradicional veículo da velha mídia está preparado para fazer em 2014. É o mesmo que fez em 2013: pegar carona na insatisfação popular para tentar influir decisivamente no mundo da política. Desgastar aqueles de quem não gosta para dar uma força àqueles que são seus prediletos.

    A mídia que foi escorraçada das ruas e teve que mascarar as logomarcas de seus microfones quer repetir o que sempre fez em eleições presidenciais: entrar em campo e desempenhar o papel de partido de oposição.

    As corporações midiáticas se organizam para, mais uma vez, interferir no resultado das eleições porque disso depende o seu negócio. De novo, entram em campo para medir forças. Já estão acostumadas a partir para o tudo ou nada. Vão testar, pela enésima vez, a quantas anda seu poder sobre a política. Disso fazem notícia e assim agem para deixar os políticos e os partidos de joelhos, estigmatizados, envergonhados e obsequiosos.

    Como nos ensinou Venício Lima, uma Presidência, um Congresso e partidos achincalhados são incapazes de propor uma regulação decente da mídia, nem mesmo para garantir a liberdade de expressão, a diversidade de fontes de informação, a pluralidade de opiniões e um mercado da comunicação não cartelizado.

    Em 2013, as corporações midiáticas, mais uma vez, anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar. E não é que o tal do mundo não se acabou? Quando os protestos de junho tomaram as ruas, o preço do tomate tinha ido às alturas. O PIB de 2012 se tornou conhecido e seu crescimento havia sido próximo de zero. Os reservatórios estavam bem abaixo do normal e “especialistas” recomendavam rezar para que não houvesse apagão. O caso Amarildo fez derreter a quase unanimidade que havia em defesa do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (as UPPs).

    Parecia que o país ia mal das pernas e que um modelo de governança estava esgotado e ruindo. Tudo levava a crer que a presidência Dilma havia entrado em um beco sem saída. Mas saiu. Ela recuperou sua popularidade, enquanto seus adversários potenciais caíram em preferência de voto e aumentaram sua rejeição.

    O ano terminou melhor do que começou, para o governo e para o País. A inflação vai fechar dentro da meta. Assim deve permanecer no ano que vem, por mais que alguns analistas queiram, usando razões que a própria razão desconhece, nos fazer crer que o limite da meta é algo fora da meta (quem sabe os dicionários, no ano que vem, tragam um novo sentido para a palavra “limite”). Não houve apagão e as térmicas foram desligadas mais cedo do que se imaginava.

    O crescimento do PIB, em 2014, deve ser maior do que o deste ano. Educação e saúde terão mais recursos e têm saído melhor na percepção aferida em pesquisas. O Brasil, no ano que vem, continuará com um dos maiores superávits primários do mundo, ainda mais com a entrada de novos recursos vindos da exploração do pré-sal e das concessões de infraestrutura.

    Mas os pepinos continuam sendo muitos. Alguns serão particularmente difíceis de se descascar no ano que vem. Um é a ameaça de as agências de avaliação de risco rebaixarem a nota do Brasil. Outro é o descrédito das políticas de segurança pública, em todos os estados, mas respingando no Governo Federal.

    O terceiro e, possivelmente, o mais explosivo, seria o mesmo de 2013: uma nova onda de aumento das tarifas de ônibus, o que tradicionalmente acontece no primeiro semestre de cada ano. A derrota do aumento do IPTU em São Paulo, na Justiça, tirou do mapa a única situação que se imaginava sob controle. O eixo Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte é o que mais preocupa o Planalto. Se algo der errado, no ano que vem, terá como epicentro provável essas três capitais, podendo alastrar-se para as demais.

    Os protestos de 2013 foram uma tempestade perfeita. Várias questões mal resolvidas e acumuladas no estresse diário dos cidadãos se transformaram em revolta nas ruas, juntando alhos e bugalhos. Imprevisíveis, tempestades perfeitas, como foram as jornadas de junho, são também difíceis de se repetirem. Difíceis, mas não impossíveis.

    Basta um pequeno risco para se ter uma grande preocupação. Os três problemas mais sensíveis do momento (a percepção internacional sobre a economia do país, a segurança pública e as tarifas de ônibus) conformam a agenda prioritária do primeiro trimestre de 2014 a ser toureada diretamente pelo Palácio do Planalto. Os meses de janeiro a março de 2014 serão mais agitados do que o normal, pelo menos, na Esplanada dos Ministérios.

    O trimestre seguinte, de abril a junho, será o período mais crítico. Ali se concentram as datas-base da negociação trabalhista de várias categorias; a briga de foice de muitos interesses para entrarem na pauta do esforço concentrado do Congresso; o período final do acerto das candidaturas presidenciais e estaduais; finalmente, claro, a Copa do Mundo de Futebol.

    Que venha 2014. Que venha mais ousadia de todos os governos e partidos. Que venham mobilizações em favor dos mais pobres e com os mais pobres nas ruas, com suas organizações sociais, populares e seus partidos –  até para que os partidos possam abrir menos a boca e mais os ouvidos. Que os brasileiros mostrem que a voz das ruas não é aquela fabricada pelas manchetes das corporações midiáticas. Que a opinião pública mostre, ao vivo e em cores, que a sua verdadeira opinião é normalmente o avesso da opinião publicada. Que venham surpresas, pois são delas que surgem as mudanças.

    (*) Antonio Lassance é cientista político.

  15. Gão

    25 de dezembro de 2013 3:35 pm

    Prefeitura de SP terá cota de 20% para negros

    Prefeitura de SP terá cota de 20% para negros

    São Paulo – Uma lei publicada nesta terça-feira, 24, no Diário Oficial da Cidade de São Paulo estabelece que 20% das vagas em cargos efetivos e comissionados do serviço público municipal sejam destinados a pessoas negras. O decreto é assinado pelo prefeito Fernando Haddad (PT). A lei prevê que “todos os órgãos da administração pública direta e indireta do município de São Paulo ficam obrigados a disponibilizar em seus quadros de cargos em comissão e efetivos o limite mínimo de 20% das vagas e/ou cargos públicos para negros, negras ou afrodescendentes”.

    Ainda de acordo com texto, que foi aprovado em novembro na Câmara Municipal, “consideram-se negros, negras ou afrodescendentes as pessoas que se enquadram como pretos, pardos ou denominação equivalente, conforme estabelecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou seja, será considerada a autodeclaração”.

    De acordo com a publicação, as novas regras também se aplicam a vagas de estágio profissional no âmbito da Prefeitura. Também “será garantida a equidade de gênero para composição das ocupações a que se refere a presente lei”. Caso não haja o preenchimento do porcentual mínimo para negros, “as vagas remanescentes serão distribuídas aos demais candidatos”. O poder executivo tem 90 dias para regulamentar a lei, que partiu de um projeto apresentado pela bancada do PT na Câmara Municipal.

    Outras esferas

    O governador Geraldo Alckmin (PSDB) já havia anunciado, no início do mês, a reserva de 35% das vagas na administração direta e indireta (empresas públicas) para negros e indígenas. Em novembro, a presidente Dilma Rousseff encaminhou ao Congresso Nacional um projeto para destinar um quinto das vagas em concursos públicos federais para a população negra.

    Leia mais em: http://zip.net/bhlV2t

     

  16. Gão

    25 de dezembro de 2013 4:23 pm

    Feliciano deixa a Comissão de Direitos Humanos e Minorias
    Feliciano deixa a Comissão de Direitos Humanos e Minorias 

    Mandato termina em fevereiro mas, com o recesso parlamentar de fim de ano, sua última sessão foi ontem (18)

    Por Redação

    Antes de assumir a presidência da CDHM, Feliciano fez declarações racistas e homofóbicas no twitter (Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr)

    Na quarta-feira (18), Marco Feliciano ocupou pela última vez o posto de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Seu mandato termina em fevereiro mas, com o recesso parlamentar de fim de ano, sua atuação termina agora. Durante sua gestão, a comissão tomou diversas decisões contrárias às causas gays.

    Pelo Twitter, Feliciano pediu perdão a quem se sentiu ofendido por ele e agradeceu personalidades, desde o bispo Manoel Ferreira até Sabrina Sato. O parlamentar também prestou agradecimentos a quem o “perseguiu” durante sua gestão, e declarou:  “Democracia é o convívio entre os diferentes. Podemos divergir sem nos desrespeitar. Podemos ser adversários, mas não precisamos ser inimigos.”

    Antes de tomar posse, Marco Feliciano tinha feito declarações preconceituosas na rede social. Por isso, enfrentou resistência logo nos primeiros dias como presidente da comissão. O deputado chegou a publicar que “os africanos são amaldiçoados” e “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime e à rejeição”, mas alegou que suas palavras foram deturpadas.

    O primeiro projeto polêmico a ser aprovado pela CDHM foi a “cura gay”, que se tornou pauta durante as manifestações de junho. Com o PL, o deputado queria suspender uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbe psicólogos de oferecer tratamento para homossexualidade. Entretanto, a proposta foi rejeitada imediatamente pela maioria da Casa.

    Em novembro, a comissão voltou a ser alvo de críticas. No Dia da Consciência Negra, a CDHM ignorou a questão racial para votar projetos que envolviam a causa LGBT. Foi aprovada uma proposta que visava a implementação de um plebiscito sobre a união civil homossexual, e em seguida foi aprovado um projeto de decreto legislativo que refutava a proibição da recusa do casamento homoafetivo. No mesmo dia, uma proposta de igualdade jurídica aos homossexuais na declaração como dependentes, para fins previdenciários, de seus companheiros foi rejeitada.

    http://revistaforum.com.br/blog/2013/12/feliciano-deixa-a-comissao-de-direitos-humanos-e-minoria/

  17. Gão

    25 de dezembro de 2013 4:25 pm

    After neo-Nazi attack, thousands rally in Sweden against racism

    After neo-Nazi attack, thousands rally in Sweden against racism

    Rally follows neo-Nazi attack in which bottles, firecrackers were thrown.

    By Reuters | Dec. 23, 2013 | 12:31 PM   An anti-racism protest in the Swedish suburb of Karrtorp, Dec. 22, 2013.An anti-racism protest in the Swedish suburb of Karrtorp, Dec. 22, 2013. Photo by Reuters 

    Thousands of Swedes took to the streets of Stockholm on Sunday in a protest against racism following a neo-Nazi attack on a similar but much smaller rally last weekend, police said.

    The protest followed events last weekend when around 30 neo-Nazis attacked another anti-racism rally in the same suburb, Karrtorp, throwing bottles and firecrackers at protesters. Two people were stabbed and 26 neo-Nazis were detained by police.

    Sweden, long seen as a bastion of tolerance, has seen a rise in support for the far right as immigration has grown. Anti-immigration party Sweden Democrats has reached around 10 percent in the polls ahead of a parliamentary election next year.

    Stockholm was hit by the worst riots in years in May in mainly poor immigrant Stockholm suburbs, with youths throwing rocks at police and setting cars on fire for more than a week.

    The violence in one of Europe’s richest capitals shocked a country that prides itself on a reputation for social justice, and fuelled a debate about how Sweden was coping with youth unemployment and the influx of immigrants.

    The organizers of Sunday’s demonstration estimated more than 16,000 people took part. The crowd chanted “End racism now” and “No racists on our streets”, and prominent Swedish artists played on a stage set up on a soccer field.

    Parts of Karrtorp, which does not have a particularly large migrant population compared to other areas of the city, were sprayed-painted with swastikas and Nazi slogans before last week’s protest.

    http://www.haaretz.com/jewish-world/jewish-world-news/1.564925

  18. Gão

    25 de dezembro de 2013 4:30 pm

    Bronca na Globo e rapadura; veja como foi a recepção às campeãs

    Bronca na Globo e rapadura; veja como foi a recepção às campeãs do handebol

     

    Com a emoção de ter conquistado no último final de semana o título mais importante da história do handebol brasileiro, o Mundial de 2013, realizado na Sérvia, a seleção feminina desembarcou em Guarulhos na manhã desta terça-feira. Agora estrelas e recepcionadas por diversos fãs, as jogadoras não esconderam a alegria pelo título e extravasaram: teve bronca de familiares das atletas com a TV Globo, jogadora que quer ser mãe e comparações do título a uma rapadura.

     

    “Na hora que vencemos eu não conseguia nem pensar em nada. Só ria, chorava, ria. Estava com uma felicidade enorme. Bem doce, como rapadura”, comparou Dani Piedade, que passou por um derrame no ano passado, mas se recuperou em tempo de conquistar o mundo com o País. “Achava que nunca mais jogaria e fui campeã mundial”, disse.

     

    Goleira Babi era uma das mais empolgadas no desembarque Foto: Bruno Santos / Terra Goleira Babi era uma das mais empolgadas no desembarque Foto: Bruno Santos / Terra

    As brasileiras não acreditaram na recepção no Aeroporto de Guarulhos, onde desembarcaram por volta das 8h (de Brasília). Cerca de 50 torcedores, além de familiares, curiosos e da presença de dezenas de profissionais de imprensa que se aglomeraram no Terminal 1, garantiram a festa. Com som de pandeiro, choro, bandeiras e cartazes, elas se mostraram surpresas.

     

    “É uma surpresa estar aqui diante de tanta gente, mas uma surpresa muito boa, não esperava por isso. A gente está até se sentindo estrelas. Que seja só o começo”, disse a goleira Babi, um dos principais nomes da impecável campanha brasileira na Sérvia, com direito a duas vitórias contra as donas da casa – a última delas na decisão, por 22 a 20.

     

    Entre a emoção pelo retorno, houve até espaço para reclamações. Eliane Costa, mãe da ponta direita Mariana, aproveitou o espaço cedido para jornalistas antes da chegada da filha para reclamar da TV Globo, que não comprou os direitos de transmissão da competição – o canal Esporte Interativo ficou como responsável. 

     

    “A Rede Globo foi ingrata, isso foi para ela aprender. Agora está aí, querendo passar em todos os canais, veja quanta gente da mídia aqui”, esbravejou a professora de educação física, minutos antes de rever a atleta e cair em lágrimas. “Tem que aproveitar agora, pois logo ela já vai embora de novo”, continuou Eliane, se referindo ao fato de a filha atuar no HK Dínamo Volgograd, da Rússia, e passar distante a maior parte do ano.

     

    Em desembarque, Dara revela planos para futuro: quer ser mãeClique no link para iniciar o vídeo Em desembarque, Dara revela planos para futuro: quer ser mãe

    Falando em mãe, a pivô Dara, capitã da equipe, era só alegria. Após ser a primeira a desembarcar e chegar com a taça de campeã nos braços, a jogadora de 32 anos “foi para a galera”. Abraçou fãs, tirou fotos e se emocionou antes de avisar: “o ciclo desse time não acaba aqui. Agora, vamos comemorar e depois focar nos jogos de 2016. Quero jogar a Olimpíada e depois realizar o sonho de ser mãe”, confessou a veterana.

     

    Primeiro time sul-americano a ser campeão do mundo de handebol feminino, o Brasil entra agora no ciclo olímpico como um dos favoritos. Por isso, após as celebrações pelo título inédito, o grupo promete entrar forte nos treinos. “A pressão estava muito alta e agora vai diminuir um pouco. Agora, sabemos que podemos e vamos mais confiantes”, avisou Duda, eleita melhor jogador do torneio na Sérvia. Antes da Olimpíada, entretanto, as brasileiras tentarão o pentacampeonato nos Jogos Pan-Americanos, em 2015.

    http://esportes.terra.com.br/bronca-na-globo-e-rapadura-veja-como-foi-a-recepcao-as-campeas-do-handebol,c0f02bd9ec423410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

  19. Gão

    25 de dezembro de 2013 5:21 pm

    A brasileira por trás do caça Gripen

    A brasileira por trás do caça Gripen

    Índice

    clippingFuselagem do jato sueco, que agora tem aval da presidente Dilma Rousseff, já é desenvolvido por empresa do Vale do Paraíba há anos.

    A decisão da presidente Dilma Rousseff, que na semana passada colocou um ponto final no impasse demais de uma década do governo sobre a compra de caças ao anunciar a escolha do sueco Gripen NG, vai ampliar a estrutura e encurtar os prazos da única empresa nacional envolvida desde praticamente o início do projeto.

    Há cinco anos, quando o protótipo nórdico ainda parecia uma distante realidade para o Brasil, a Akaer, de São José dos Campos, já embarcava com seu portfólio de soluções em engenharia Aeronáutica para desenvolver a fuselagem assinada pela Saab. “É difícil precisar o que vai acontecer de agora em diante. Isso vai depender da negociação que será feita ao longo do próximo ano pelo governo brasileiro. Mas certamente o ritmo será mais intenso”, diz Fernando Ferraz, diretor de engenharia da empresa.

    O calendário inicialmente estipulado pela Saab para entrega do primeiro avião em 2020 já foi deixado para trás quando a Suíça formalizou em setembro a intenção de aquisição de 22 unidades do caça em desenvolvimento. Com a injeção de recursos por parte do governo brasileiro — que deve gastar cerca de US$ 4,5 bilhões por 36 aeronaves—, o projeto naturalmente ganha fôlego para caminhar com maior velocidade.

    Nada que atrapalhe a programação dentro da sigilosa sala que toca os projetos da Saab, onde é preciso vencer três barreiras de segurança, a última com leitor biométrico, dentro da Akaer. “Eu diria que nós nos preparamos durante todo esse tempo. Não tem pressão. Agora é o momento bom, de execução”, acrescenta Ferraz.

    O primeiro voo do novo caça deve ser realizado até o fim do próximo ano, com outros dois anos de rigorosos testes. A produção das peças já começou. Esse avião-modelo será feito integralmente na Europa. Do primeiro contato com os atuais parceiros, em 2008, a empresa alocada na região central de São José dos Campos entrou em fase de adaptação para estar certificada com o ISO 27.001 e, assim, entrar no projeto.

    Tal título é concedido às empresas que adotarem rígidas normas de segurança, monitoramento e controle de acesso, comum para bancos e instituições financeiras. “É um projeto na área de segurança, com elevado grau de sigilo. Nem mesmo estrangeiros podem entrar na equipe do Gripen. Somente brasileiros”, explica Kenzo Takatori, diretor de relações da empresa.

    Com um link direto de comunicação com a Suécia, os atuais 37 engenheiros (equipe que será expandida anualmente) trocam informações e compartilham modelos tridimensionais da fuselagem central, traseira, asas, portas e trem de pouso, as partes que hoje estão sob responsabilidade da Akaer. Tal modo de operação foi estabelecido há quatro anos, depois que todos os engenheiros retornaram de um intercâmbio de três meses na região de Linköping,onde é desenvolvido o caça, no sul da Suécia.

    “No fim do primeiro semestre de 2009, eles enviaram um request, um pedido sobre como seria ofertada a fabricação. Não temos fabricação própria, então montamos um consórcio no qual temos a liderança”, detalha Ferraz. Parceiras da Embraer, empresas como Inbra-Aerospace, de Mauá (SP), Magnaghi Friuli e Winnstal, estas duas de São José dos Campos, com expertise em execução de projetos e tecnologia de materiais, fazem parte do grupo.

    A decisão sobre onde a produção da fuselagem vai ocorrer ainda está em aberto. É então que a entrada do governo brasileiro pode abrir caminho para a Akaer. “São Bernardo do Campo é uma possibilidade. É onde o governo indica que fará a montagem”. A relação entre brasileiros e suecos ainda pode render boas divisas para a companhia do interior paulista.

    Além das cifras contratuais, que são mantidas em sigilo, a Saab fez um empréstimo conversível de até 15% do controle acionário da Akaer. O prazo de carência, para que essa opção seja exercida, é 2015. Um acordo ainda prevê que a participação dos suecos chegue a 40%da companhia. Todo o restante da empresa segue nas mãos de seu fundador, o engenheiro ex-Embraer Cesar Silva, que fundou a Akaer em 1992.

    O vai-e-vem acionário, no entanto, pode acontecer de outra maneira, segundo Fernando Ferraz. Dependendo do que for acordado para a futura unidade fabril, a Saab e Akaer poderiam liderar uma joint venture. O executivo, por fim, é taxativo quando questionado se sabia de decisão do governo pelos suecos.

    “Se você encontrasse alguém que dissesse que sabia o que estava acontecendo, você podia dizer que conhecia um mentiroso. Nunca vi um programa com tanta gente garantindo que sabia e que era a favor desse ou daquele projeto. Desde 2009, ouvi todas as versões e histórias possíveis. Brinco que só vou acreditar em tudo isso seis meses após a assinatura do contrato”.

    Embraer será beneficiada, mas atraso na escolha gerou perdas

    A diferença fundamental entre a série Gripen e seus concorrentes está na maneira como os projetos suecos são concebidos. “Eles usam o que chamam de COTS, que são equipamentos de prateleira, soluções já implementadas em outros modelos e melhoradas no atual”, explica Fernando Ferraz.

    A proposta, que reduz consideravelmente o custo, é o oposto da maioria das soluções embarcadas nos caças americanos ou franceses, onde são desenvolvidas novas soluções de acordo como atual projeto. “Isso não quer dizer que um é melhor do que o outro. O que é possível concluir é que essa maneira de pensar dos suecos traz uma maior confiabilidade, uma vez que já foi utilizada em maior escala”.

    Esses recursos, como radares ou sistemas de comunicação, poderão ser personalizados, transformados, retirados ou substituídos por outras soluções aqui no Brasil, de acordo o modelo de transferência de tecnologia previsto. E quem será a principal beneficiária é a Embraer, responsável pela integração dos sistemas.

    “Eu diria que esse é o filé mignon. E ela faz isso com excelência. O maior desafio para esse projeto é a falta de espaço. A quantidade de equipamentos que devem ser embarcados na aeronave e a falta de espaço formam um cenário desafiador para qualquer engenheiro”, considera Ferraz.

    O tempo de espera do governo brasileiro para a tomada de decisão, segundo o executivo da Akaer, fez com que o país deixasse de participar de importantes estágios no desenvolvimento do projeto. No entanto, ainda é possível recuperar o tempo perdido. “Se a gente considerar o Brasil de uma maneira geral, tivemos algumas perdas.

    Se a decisão tivesse sido tomada há dois anos, a gente teria participado mais. Essa perda acontece porque o projeto já andou. Mas ainda é possível. Estamos muito próximo do linear. Se fosse adiado para mais um ano, a participação do Brasil seria consideravelmente menor. O país entrou em um momento-chave”.

    Fonte: Brasil Econômico

    http://www.defesaaereanaval.com.br/?p=34996

  20. macedo

    26 de dezembro de 2013 12:16 am

    Competição de robôs

    http://idgnow.uol.com.br/ti-corporativa/2013/12/25/cientistas-fazem-desafio-para-criar-robos-humanoides-contra-catastrofes/

    Cientistas fazem desafio para criar robôs humanóides contra catástrofes

    25 de dezembro de 2013 – 13p0

    A segunda etapa do DARPA Robotics Challenge 2013 reuniu 16 times de diversas partes do mundo e seus robôs de duas pernas. Última fase acontece em 2014

     

     

    A segunda etapa do DARPA Robotics Challenge (DRC) 2013, realizado na cidade de Homestead, Flórida, nos dias 21 e 22 de dezembro, atraiu 16 robôs humanóides de várias partes do mundo. O evento é patrocinado pela DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), o braço de pesquisas do Departamento de Defesa americano.

    O objetivo da competição, que terá sua terceira e última etapa em 2014, é acelerar o desenvolvimento de robôs que possam entrar em ação para ajudar em ações de salvamento e recuperação durante e depois de desastres naturais ou provocados pelo homem.

    Durante dois dias, os 16 robôs tiveram que colocar em teste suas habilidades de executar oito tarefas, incluindo subir escadas, dirigir automóveis e atravessar terrenos acidentados. A competição aconteceu na Homestead Miami Speedway, pista de corridas utilizada pela Nascar.

    O time japonês Team Schaft, que construiu seu próprio robô humanoide de duas pernas, conquistou 27 do máximo de 32 pontos da competição. O primeiro lugar teve mais mérito por conta de que os japoneses desenvolveram sua própria tecnologia, enquanto que outros times utilizaram robôs criados por empresas especializadas em robótica.

    O segundo lugar ficou com time IHMC Robotics, do Florida Institute for Human and Machine Cognition da cidade de Pensacola, que marcou 20 pontos. O terceiro lugar foi conquistado pelo Tartan Rescue, time da Universidade Carnegie-Mellon, com 18 pontos; seguido do time do MIT, com 16 pontos (quarto lugar) e do RoboSimian, criado pelo Jet Propulsion Laboratory da NASA, que ficou em quinto lugar com 14 pontos.

    Em sexto, sétimo e oitavo lugares ficaram, respectivamente, o texano TracLabs Inc. que marcou 11 pontos; o time da Worcester Polytechnic Institute, também com 11 pontos (mas em sétimo porque os humanos tiveram de ajudar mais seu robô que o concorrente da TracLabs); e o Trooper, um time criado pelo Lockheed Martin Advanced Technology Laboratories, com 9 pontos.

    Os oito colocados agora estão classificados para a próxima e última etapa do desafio, a se realizar em 2014. Esses oito times poderão agora entrar em licitações do governo para fornecer seus robôs e se classificaram para receber até 1 milhão de dólares em fundos para pesquisa.

    Robôs para salvar os homens

    Durante entrevista antes da competição, o diretor do DARPA, Arati Prabhakar, agradeceu aos times por mostrarem a capacidade humana de criar e trabalhar duro para encontrar uma tecnologia que auxilie nos momentos de desastre. “Mostraremos ao mundo que é possível utilizar robôs quando as catástrofes acontecem. Os times estão aqui para mostrar às pessoas que podemos enxergar e fazer um futuro melhor com apoio da robótica”.

    Gill Pratt, gerente de programação do DARPA e responsável pelo DRC, comentou que o lugar escolhido, Homestead, já passou ele próprio por devastações promovidas por desastres naturais e precisou de ajuda em 1992, depois que o Furacão Andrew passou pelo terreno próximo dizimando a Base Aérea de Homestead, matando 65 pessoas e causando mais de 26 bilhões de dólares em prejuízos.

    Mas uma catástrofe mais recente – o desastre nuclear de Fukushima, em março de 2011 – inspirou o DARPA a criar a competição DRC. Se na época robôs similares aos que competem hoje no DRC tivessem disponíveis, ele s poderiam ter sido usados para evitar o desastre. “Robôs que vemos hoje são fatos científicos e não personagens de ficção científica”. disse Pratt.

    * Com reportagem de Sharon Gaudin – Computerworld (US)

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    Aqui alguns vídeos da competição:

     

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=UmvAiMp80Ys%5D

     

     [video:http://www.youtube.com/watch?v=diaZFIUBMBQ%5D

     

    Reportagem da BBC sobre a competição. Está em inglês mas tem uns vídeos com os robôs em competição

    http://www.bbc.co.uk/news/technology-25493584

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