Começa a discussão sobre o pacto nacional pós-Bolsonaro, por Luis Nassif

Para ser eficaz, o pacto não pode abrir espaço para espertezas. A bandeira anti-Bolsonaro está se tornando um poderoso aglutinador de reações. Mas, assim como o pacto que garantiu Itamar Franco, após o impeachment de Fernando Collor, não pode abrir espaço para manobras oportunistas.

Vamos por partes.

O ponto de partida é aceitar que o destino de Jair Bolsonaro já está traçado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ontem circulou a informação de que o Ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, visitou o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes em sua casa, em São Paulo.

Não foi pressioná-lo. Pelo contrário, tentava colocar panos quentes nas crises provocadas pelo presidente da República Jair Bolsonaro. Foi uma conversa amena, mas que não demoveu Moraes de seu propósito de levar até o fim o inquérito das fake news – que atinge o coração do bolsonarismo.

O Supremo já firmou convicção de que Bolsonaro é incorrigível e, cada vez mais, uma ameaça à saúde, economia e à paz interna. É o ponto mais próximo que o país jamais esteve de se tornar refém de milícias armadas.

De seu lado, o decano Celso de Mello não autorizou o recolhimento do celular de Bolsonaaro, por não reconhecer a legitimidade da solicitação por um partido político. Mas reiterou que, caso venha a requer e Bolsonaro se recusar a entregar, incorrerá no crime de quebra de decoro.

O dia terminou com Bolsonaro comparecendo à posse de Alexandre Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em uma prova clara de temor, depois dos ataques desferidos por ele e pelo Gabinete do Ódio contra o Ministro. Maomé acabou indo à montanha, como ocorre em países democráticos.

A série de abusos de Bolsonaro está acelerando seu desgaste e enfraquecendo seus seguidores. O Procurador Geral da República, Augusto Aras, depois de uma defesa da intervenção militar – em caso de invasão das atribuições de um Poder por outro -, foi obrigado a voltar atrás, em nota oficial, rejeitando qualquer possibilidade de considerar as Forças Armadass como poder moderador.

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Ainda não há um prazo claro de fim desses inquéritos, mas tanto Moraes, com as fake news, quanto Mello, com as denúncias de Sérgio Moro, estão trabalhando em ritmo acelerado, conscientes dos impactos da demora na radicalização das milícias bolsonarianas.

Até agora, o mercado tem traçado cenários enganosos sobre a economia com Bolsonaro.

O primeiro é reagir com otimismo a qualquer sinal de pacificação entre os poderes, sem se dar conta de que

  • Não há a menor possibilidade de solução com Bolsonaro;
  • A saída de Bolsonaro são cartas marcadas.

Quando cair a ficha, o mercado passará a tratar a cassação de Bolsonaro como desfecho de um movimento altista.

A prova maior é o fato da maior fuga de capitais do momento se dar no Brasil, em função da total perda de credibilidade do governo Bolsonaro emenfrentatr a crise de saúde e a econômica.

Esse engano decorre da segunda ilusão,  a de que há qualquer chance de retomada do crescimento com Bolsonaro e Paulo Guedes. Ontem, três meses após a eclosão da pandemia, Guedes jogou a toalha que, sem o Tesouro participando do risco de crédito, os bancos não emprestariam para pequenas e micro empresas. Milhares de empresas e empregos destruídos por um erro óbvio. Mesmo depois dessa constatação, deu-se o prazo de um mês para resolver o pepino.

O fim do governo Bolsonaro será acelerado pelo efeito-demonstração do caso George Floyd, o homem negro morto pela polícia. Há uma revolta generalizada em vários países, não apenas contra o massacre dos negros, mas contra toda uma política excludente, de ódio e anticientífica que se esgotou, conduzida por presidentes sem a menor capacidade de comandar, apontar rumos ou, ao menos, mostrar solidariedade com as vítimas.

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O coronavirus acelerou a volta do pêndulo global para a busca da solidariedade, do entendimento e da racionalidade. É esse movimento que trouxe de volta as propostas de pacto nacional;. E, aí, se chega em um ponto relevante, que abordei ontem por aqui.

Para ser eficaz, o pacto não pode abrir espaço para espertezas. A bandeira anti-Bolsonaro está se tornando um poderoso aglutinador de reações. Mas, assim como o pacto que garantiu Itamar Franco, após o impeachment de Fernando Collor, não pode abrir espaço para manobras oportunistas.

A transição será bem-sucedida se for uma pausa para o segundo tempo do jogo, a volta das diretas. Rodrigo Maia tem todas as condições de ser o Itamar Franco da transição, desde que respeite alguns compromissos básicos:

  1. Compromisso com eleições diretas, após o mandato tampão.
  2. Discussão de um plano de salvação nacional com todas as forças democráticas, discutindo com racionalidade as reformas necessárias, interrompendo o desmonte selvagem das redes de proteção social..

3, Superação da ortodoxia econômica cega da Lei do Teto, e discussão aprofundada com economistas que defendem a emissão de moeda como saída para o financiamento da reconstrução nacional.

Se mostrar isenção e a mesma competência que demonstrou nos últimos meses, poderá entrar para a história. E até ser um candidato de consenso para as próximas eleições.

 

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39 comentários

  1. Não li o artigo, mas estou sentindo um cheiro de acordão no ar. Esperávamos um judiciário pra cima dos bolsonaros esta semana, e nada acontece. Aliás, acontece sim. Um papo de que generais procuraram o Kojac em são Paulo, o Celso de Melo em silêncio, a louca fascista da sara winter sem ser imcomadada e o bolsonaro procurando se entender com o Kojac. Quando agente pensa que vem a justiça, começa de novo a sacanagem que todo mundo sabe que termina em collor, sarney e daí por diante. Lamentável|

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    • Anônimo: o perigo maior é que essa “conciliação” nada mais seja que uma antecipação de acerto e repartição do botim de guerra entre os VerdeSauvas (como sempre) e os inescrupulosos de Pindorama. Ou você acha que largarão um osso pelo qual rosnam há 130 anos? Dizem os entendidos safado não dorme do toca…

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    • Você está certo. Tanto é que o TSE marcou a data do julgamento da cassação da chapa para quarta feira que vem. Ou seja, estao com medo de ter provas compartilhadas do processo que está com Alexandre de Morais e serem obrigados a cassar a chapa, até porque tudo indica que Bolsonaro vai se ferrar com os protestos pro-democracia e eles seriam pressionados. . Ora, até parece que o TSE iria cassar uma chapa presidencial com o Brasil em plena pandemia. Entao,
      podemos esquecer uma cassação de chapa.

    • Não só cúmplice. Líder. Liderou a usurpação dos direitos dos trabalhadores. Na impossibilidade de revogar a Lei Áurea, revogaram-se artigos importantíssimos da CLT. E não venham me dizer que foi modernização ou atualização a criação de trabalhadores sem direito a nada (empreendedores segundo a mídia hegemônica porta-voz do mercado parasita), ganhando migalhas, expondo-se a todo tipo de acidentes e condenados a morrerem na miséria porque jamais terão direito a aposentadoria. Quem liderou isso? Maia. Quem é adepto (fanático) das privatizações totais na bacia das almas (fora o abominável Guedes)? Maia. E por aí vai.

  2. Mas, uma aliança com o PT é realmente necessária para a saída e o pós-bolsonaro? Se PSDB, DEM e centrão quiserem a saída ela não se dará mesmo sem o PT?

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    • Você está certo. Tanto é que o TSE marcou a data do julgamento da cassação da chapa para quarta feira que vem. Ou seja, estao com medo de ter provas compartilhadas do processo que está com Alexandre de Morais e serem obrigados a cassar a chapa, até porque tudo indica que Bolsonaro vai se ferrar com os protestos pro-democracia e eles seriam pressionados. . Ora, até parece que o TSE iria cassar uma chapa presidencial com o Brasil em plena pandemia. Entao,
      podemos esquecer uma cassação de chapa.

    • Sinceramente, eu acho que sim.
      Bolsonaro e a direita têm cada um 30 por cento de base. Então, o resultado é um empate. A esquerda tem 40 por cento. Portanto, a esquerda é que define o babado.

      • A esquerda desunida como é, vai definir o quê? Vão esperar que um bom moço se sente na cadeira do Maia? Não se lançou nem com protagonismo na reação às ilegalidades de Bozo, ficando a reboque e saindo de fininho do movimento de repúdio aos mínions. Sim, a direita Doriana e Morista vai se aproveitar…. e com a esquerda deixando o caminho livre. Não haverá espólio de guerra para esquerda, só há para quem participa do jogo – e não estou dizendo que é para entrar no jogo dos outros.
        E a história avança: “vem, vamos embora que esperar não é saber… quem sabe faz a hora.

  3. Cada um que combata o nazifascismo como quiser e puder, aplaudo a todos. Mas esse negócio de Juntos nada mais é do que uma, mais uma, invenção dos Separados. Ainda bem que Lula, que não teve oportunidade de aprender com estudo acadêmico, desenvolveu a capacidade de aprender pelo cheiro, e sentiu o fedor de muitos dos separados, mesmo que procedentes da massa cheirosa.

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  4. É um plano de salvação pra direita, rpo tucanato ..os verdadeiros progressistas, após desfexo do caso do OGRO, depois de rolarem dum lado pro outro, serão cuspidos tal qual caroço de azeitona.
    ENTENDAM os “POLIANAS”, os JUQUINHAS, o reconhecimento do GOLPE dado em DILMA, e a prisão POLITICA DE LULA, são questões fundamentais de prova de boa vontade e restauro mínimo duma ética que deve primar pela coexistência pacífica inserida num ambiente verdadeiramente franco e democrático.
    FICO imaginado sairmos dessa com uma ANISTIA dada aos fascistas e às milícias, OU com as F.A. e policiais continuando a ter comando e foro próprios, que não respeitam os Poderes do próprio país, e com a mídia IMPEDINDO com que correntes democráticas reconhecidas pela lei e pela constituição sejam IMPEDIDAS de defender seus conceitos, ou mesmo fazer uso da palavra contra as fakes produzidas contra elas (muitas, geradas pelo próprio PIG, inclusive)

    em tempo – acreditar que THC e Temer (entre outros golpistas), ou que as torcidas uniformizadas por ex, são entes aptos a defenderem a democracia, é tomar-se por IDIOTA ..definitivamente eu não comungo do conceito que estas pessoas tem sobre o que seria democracia.

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  5. Neste país onde o twit de um general que perdeu o controle físico de seu destino (ou nem se sabe se foi ele mesmo quem twitou), determinou, através de uma conveniente citação do mesmo no principal telejornal do país, como o STF deveria definir os caminhos da eleição futura, que ajudou a trazer a desgraça ao país, pacto nem com o capeta, pois alguns já se adiantaram em fazê-lo.

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  6. Não acredito em nenhum desses três pontos destacados pelo Nassif ao final do texto. Para mim, Bolsonaro cairá mas Mourão assumirá e tentará manter a base de seu governo retirando de cena os Olavistas e o pessoal mais ligado as milícias. Eventualmente os evangélicos podem ficar ou sair mas a base econômica será mantida. caminharemos para um governo Temer segunda edição.

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  7. Vem aí cem anos de solidão. Quem está por trás do manifesto Juntos é o Lemann que doa para universidades americanas, a Setubal que pegava dinheiro da Dilma para projeto educacional na periferia, o Bracher do sistema financeiro e uma ong especializada em guerra híbrida. Mais abaixo estão organizações de classe média que se julgam civilizados o suficiente para comer as migalhas dos que põe e tiram governos no país. Então já se sabe porque o Maia foi tão “civilizado”. A “democracia brasileira” imposta ditatorialmente por essa gente e seus empregados em altos cargos de governos e instituições quer se livrar de Bolsonaro mas também se livrou do governo civilizado da Dilma Roussef. Não são as conquistas civilizatórias e o humanismo que os movem. É o lucro e o poder.
    Eu e meu espectro polític que se horroriza com a desigualdade social e a miséria que transferem a riqueza do Brasil para quem manipula o seu destino histórico também não cabemos na democracia imposta por eles.São homens desprezíveis e minúsculos perante a história porque não se sensibilizam com a morte diária de brasileiros pela miséria que seu projeto de poder impõe ao país. Manipuladores bilionários e seus empregados nas cortes, casas legislativas, governos e imprensa se cansaram do Bolsonaro genocida mas tanta “humanidade” não os impediu de prender Lula e destruir o Pt porque em sua prática política havia inclusão social e redução da miséria. A diferença de Bolsonaro e a plutocracia brasileira é de graus.

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  8. Se no meu time titular tem jogador fazendo gol contra,troco por reservas brucutus pois o jogo é bruto,se não se emendarem,vou para um time melhor !!

  9. Sim, o stablishment trama outro acordo safado…..mais um….os direitos dos trabalhadores já foram destruídos, a previdencia social já foi destruída, a saude e o ensino publicos já foram destruidos, e todos afiançados pelo sabujo do rentismo podre conhecido por botafogo, meus Deus, e é esse sujeito que acreditam ter o cacife para salvar o país?!!……os vermes do mercado vivem fora da realidade, a bolsa sobe quando a desgraça se abate sobre o povo e desce quando bate o medo de pagarem a conta…….o desejo e a intenção dos abutres é inversa as necessidades do povo……caso contrário, como explicar que um ancora da rede golpe, que comandou um programa que discutiu por meses a pandemia, no dia em que mortes batem recordes no estado e no país, engolir a explicação para a abertura de shoppings e comercio de uma senhora desconhecida, porque sumiram com o sujeito que dizia o contrario, porque o crescimento da doença é desacelerado? O que empobrece o povo, mata e dá desesperança não são as patifarias do imbecil que se diz presidente….são as politicas genocidas do tchutchuka, isso é que faz faltar gas e comida na casa das pessoas….é isso o que importa, o resto é papo furado de gente com a barriga cheia…..e dinheiro aplicado…….

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  10. Pelo menos o nassif acordou e parou com aquela história sem sentido de achar que haddad seria o comandante da transição.
    Só falta agora convencer os filiados ao PT que ainda dão audiência e esse outrora caudaloso portal

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  11. Ao ler o post, lembrei na hora da famosa pergunta do Garrincha ao técnico depois de ele explicar como ele deveria fazer determinada jogada contra o time da ex-URSS =”O senhor combinou com os russos?” Bato na tecla que cassação da chapa é impossível, mesmo que Bolsonaro estivesse hoje com popularidade zero = os militares gostaram de voltar ao poder e não deixarão que essa chance escape através de Mourão. Portanto, Bolsonaro só pode sair por dois meios = 1) por impeachment – e o congresso só abrirá o processo se popularidade dele estiver no mínimo com 15 por cento e derretendo 2) por renuncia, através de um acordo nos bastidores entre líderes políticos e forças armadas : as forças armadas iriam convencer Bolsonaro com uma proposta irrecusável a la Don Corlene e em troca os processos contra os filhos ficariam na justiça em ritmo de lesma. E se a opção for impeachment, não se espere a reação de cordeira que a esquerda teve com o impeachment de Dilma. As PMS, hoje o exército dos Bolsonaros, não pensará duas vezes num banho de sangue antes da saída de Bolsonaro.

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  12. Nassif, acompanho suas análises e gosto muito. Mas nessa tenho que discordar. Rodrigo Maia!!! Desmontando a rede de maldades!! Se não se lembra, era ele que presidia a câmara quando votou e apoiou o teto de gastos, a reforma da previdência, a destruição da CLT e tantas outras barbáries. Sinceramente, Nassif, Rodrigo Maia faz o jogo do mercado e tem lado muito bem definido. Está quieto esperando sentar-se na cadeira para alimentar sua própria vaidade e de seu pai.
    Olha, fica difícil ovelha negociar com lobo ou coelhos com raposas. Sempre vai haver espertezas. Ou seja, se essa solução que vc aponta se efetivar, o país, digo, os pobres e a classe trabalhadora não precisam esperar nada, nada.

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  13. Nassif, nos “compromissos básicos” faltou um ponto:

    1. “Frente ampla” pela saúde pública – com o lema: todas vidas importam.

    Formar um grupo de notáveis com o novo Ministro da Saúde sendo um nome de consenso de todos partidos do espectro político, para debelar de vez a Covid no Brasil. Vários países provaram ser possível.
    E ainda essa política fortaleceria a pesquisa, a indústria, a medicina comunitária dos “mais médicos”.

    Poderia ser também uma forma de unificar o país, associando essa estratégia a renda mínima, entre outras questões já levantadas no artigo.

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  14. Lula tem grande capacidade de articulação política. Mas tem dificuldade na elaboração de Políticas de longo prazo, estratégicas para a Nação. É um hábil operador e estrategista político para objetivos políticos de curto e médio prazo. Mesmo assim, como todos nós, é falível. Senão, vejamos:
    (1) um negro no STF – colocou Joaquim Barbosa
    (2) uma mulher na presidência – colocou Dilma
    (3) um vice pra garantir governabilidade – colocou Temer
    (4) um poste pra derrotar Bolsonaro – colocou Haddad
    Neste exato momento Lula cria obstáculos para “justificar” sua não participação na frente ampla pela Democracia que se articula na sociedade. Uma de suas “razões” é a participação de golpistas. Inacreditável esse argumento saindo da boca de Lula. Justamente Lula que abraçou Maluf, Sarney, Cunha, Temer, Renan, Roberto Jeferson, Waldemar Costa Neto etc. etc.
    Nas condições que estão dadas, Lula não quer participar da frente. Seus argumentos são falsos, suas premissas são falsas. A causa verdadeira é a seguinte:
    Lula não aceita entrar na Frente.
    Lula só participa se estiver à Frente.

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  15. – Parece mesmo que o Brasil não tem jeito!!! Já estão empurrando o gordinho Rodrigo Maia como estadista e pronto para salvar o país e a nação. Alguém ainda recorda do choro convulsivo dele quando foi aprovada a reforma trabalhista? E a previdenciária? Alguém recorda que ele é do DEM, antiga ARENA, partido que deu sustentação “democrática” à raivosa ditadura militar de 64? Melhor mesmo é “tirar uma nota de protesto”!!!

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  16. Pelo amor de deos, Rodrigo Maia? Entrega logo ao Roberto Jefferson ou ao Cunha! Nem Maia, nem Renan, nem os demais golpistas merecem esse prêmio de capitanear o navio pós Bolsonaro.

  17. Eu venho dizendo já há um bom tempo em meus comentários aqui no GGN, que o Sr. Luis Nassif está se deixando levar irrefletidamente e mesmo irresponsavelmente por seu desejo pela destituição do atual presidente (desejo que, creio eu, é o de todos nós críticos do atual des-governo), isto se considerarmos que a falta de uma reflexão séria e profunda é uma irresponsabilidade da parte de qualquer jornalista. Os seus artigos que tratam da possibilidade do impeachment do atual presidente são de um institucionalismo estrito e estreito, apresentam sem razão fundamentada alguma uma crença irrazoável nas” instituições” políticas e jurídicas brasileira e apresentam-nas, ou pelo menos as tem apresentado em seus artigos recentes, com uma abstração de dar dó (neste artigo que estamos comentando chega a dizer que Maomé foi a montanha como em países democráticos. Mas parece que este “como”, que denotaria comparação com países cujas instituições são fortes e de orientação pública, na verdade denota a idéia de uma realidade inescapável e subjacente às instituições “democráticas”). Ora o Sr. Luis Nassif aponta todas as suas esperanças para o STF e para o TSE, esperando que eles assumam a frente de batalha pela destituição do atual presidente, passando mesmo por cima de suas atribuições e exercendo um ativismo jurídico excedente, talvez para compensar a inércia do legislativo e executivo estaduais (e isto tudo com uma crença abstrata na abstração inescapável e subjacente à essas próprias instituições jurídicas “democráticas”, e tal abstração inescapável e subjacente seria o próprio fato delas serem instituições “democráticas”); Ora ele aponta as suas esperanças (com o mesmo nível de abstração) para o congresso nacional, isto é, para o seu representante Rodrigo Maia, acreditando ou esperando que ele seja um elemento determinante em um futuro pacto nacional e que tenha grandeza política para tanto (mais uma vez com uma crença abstrata que assim será, por efeito da abstração democrática inescapável e subjacente à instituição legislativa e ao cargo de presidente da câmara).
    Em ambos os casos o Sr. Luis Nassif ignora: 1- O fato de que qualquer ação assertiva do STF e TSE contra Bolsonaro é motivada não por um sentimento de dever na defesa da democracia e constituição nacionais, mas por um instinto político de defesa e conservação de suas posições jurídico-políticas determinantes no país e de tudo o que decorre daí sob a forma de privilégios e prestígios, e assim passa por alto toda a realidade das orientações e articulações políticas de seus membros (foram estes membros do judiciário que fomentaram o golpe e lançaram o país no caos em que se encontra hoje); 2- Ignora que Rodrigo Maia bem como Davi Alcolumbre são uns pusilânimes, e que como tais não podem e devem liderar nada salvo os bons e velhos acordões de por debaixo dos panos. Assim, ao invés de depositar qualquer esperança neles deveria fazer uma análise crítica severa da mediocridade real e geral do congresso nacional, da impossibilidade de qualquer tomada de iniciativa verdadeira por parte dele contra o presidente, e exigir ou colocar a necessidade de que pelo menos os ditos partidos de esquerda do país (se é que eles ainda existem) se unam e marquem posição firme contra o governo e pela sua destituição. A partir de uma união dos ditos partidos de esquerda contra o atual presidente (união que signifique também mobilização dos militantes e de quantos da sociedade civil se possam agregar à luta pela destituição de Bolsonaro, porque é preciso deixar claro que para o momento o mais decisivo é a retirada dele e da sua família do poder), estes poderão então pensar em formas de ação contra o presidente em conjunto com os partidos da direita brasileira. É preciso que se exija veementemente essa tomada de posição dos partidos de “esquerda” e das ditas lideranças progressistas do país, principalmente do PT que é o maior partido da “esquerda”, bem como de Lula que é ainda a mais carismática liderança, e o argumento de que existe uma rejeição muito grande a ambos no país não pode ser uma desculpa para algo mais grave que é a omissão. É preciso deixar claro mais uma vez: Se omitir neste momento será fatal. A idéia de que o PT e a esquerda não tem obrigação de lutar contra o que a direita criou (como eu já vi em comentários aqui), ou de que Lula não deve assinar manifestos em conjunto com membros da direita porque seria como assinar um cheque em branco (como o Sr. Luis Nassif escreveu em artigo de ontem), é grave! Porque do que se trata é de uma situação concreta bem específica, e que é a destituição de Bolsonaro do poder (e com isto impedir a formalização do estado de ditadura que já se vive no país. Isto não deve estar condicionado por interesses partidários ou políticos de qualquer figura, ao menos que se tenham tais interesses como superiores ao asseguramento da ordem básica de liberdade no país). Pensar que este é um momento de acordos ou pacto nacional com respeito ao desenvolvimento futuro do país ou ao estabelecimento de uma ordem econômica mais razoável é não atinar ao que se impõe concretamente como desafio, é confundir a necessidade de uma decisão clara e pragmática ante um momento crítico com desejo ideológico ou político. O Sr. Luis Nassif também demonstra o seu institucionalismo estrito e estreito, na ignorância e mesmo no afastamento (em todo este debate) das ações e manifestações políticas populares contra Bolsonaro, chegando mesmo a expressar preocupação pelas possíveis consequência violentas do embate entre forças contra e a favor do atual presidente, consequências como uma guerra civil (mesmo sendo evidente que já vivemos em um ambiente de guerra civil e de ditadura declarada).

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  18. Prezados camaradas
    Muito bonito, precisamos mesmo nos livrar de Bozo, mas não apenas isso: se Bozo, seus garotos e toda a escuma se agrupou a ele saírem impunes, nada feito. Um país e uma sociedade civilizada não podem deixar crimes (falamos de bandidos mesmo, há assassinatos, roubos e extorsão; com uso de DINHEIRO PÚBLICO) impunes. Devem ser julgados por juízes (fora moro) imparciais, passarem pelo devido processo legal. Condenados (e vários juristas listam os crimes da quadrilha Bozo), pegarem uma cana.

  19. Mesmo achando difícil de acontecer a limpeza geral deste maldito governo
    Não vejo outros caminhos para tal, nos princípios democráticos
    Tem que ser com congresso ,supremo , elite, mídia e tudo.
    E com desanimada sinceridade , digo à aqueles que ainda acham que neste e até em outros países , com os quatro poderes e tudo
    Caibam pautas e atenção dedicadas aos mais necessitados, e ainda mais solicitando o protagonismo da esquerda .
    Podem esperar muito, mais muito mais do que uma quarentena

  20. Parece que a turma do dinheiro já embarcou em outro barco. Quando vi estes sobrenomes na matéria abaixo não tive dúvidas:

    “(…) Atualmente, o Pacto Pela Democracia é uma organização com sede própria … Entre os patronos estão Maria Alice Setúbal, Beatriz Bracher, Fundação Lemann e a National Environment for Democracy, ONG americana ligada ao Congresso. (…)”

    https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/bilionarios-como-jorge-paulo-lemann-sao-patrocinadores-do-manifesto-pela-democracia/

  21. Nassif, nosso iluminista de tantos anos.
    Sempre foi bom buscar seus artigos, sempre nos confortou na escuridão.
    Não haverá deposição de Jair Bolsonaro, teremos de aguentar essa tragédia até dezembro de 22.
    Estou conformado desde o início.
    O que realmente me preocupa é que não vejo nenhum movimento político para criar uma candidatura sólida na oposição para as próximas eleições gerais. Vejo Lula de mau humor, Ciro Gomes de maus bofes, os tucanos apostando na luta do João Doria contra o coronavírus…
    É e tem sido difícil demais.

  22. Nassif:
    Nos últimos dias, brotaram diversas iniciativas de oposição suprapartidária ao Governo Federal que chegaram a despertar menções à formação de uma frente ampla e, até mesmo, comparações com o movimento Diretas Já, dos anos 1980. Para mim, tanto uma, quanto outra, são totalmente descabidas, especialmente a comparação com o Diretas Já.
    Em 1982, havia todo um conjunto de objetivos comuns, que iam muito além da convocação de eleição direta para a Presidência:
    • Recuperação da democracia e do estado de direito,
    • Reforma constitucional e institucional do Estado, com a implementação de órgãos, estatutos e instrumentos garantidores da democracia e do estado de direito, e
    • Remoção de instrumentos e estatutos incoerentes com a democracia e o estado de direito (o famoso, à época, “entulho autoritário”).
    E isto apenas no campo político.
    Mas a redemocratização da década de 1980 só chegou efetivamente aos campos social e econômico no século XXI, com a eleição de Lula e a implementação das políticas de inserção e distribuição. Antes, até houve algumas medidas e programas, mas muito aquém do necessário: persistia a “Belíndia” (lembram?).
    As políticas desenvolvidas pelos governos do PT, notadamente o de Lula (a rigor, Dilma não conseguiu governar) lograram reduzir a porção “Índia” do país, sem prejuízo da porção “Bélgica”, cabe ressaltar. Mas a presença de empregadas domésticas em aeroportos e voos e a saída do armário de comunidades antes desprezadas incomodaram alguns.
    Esses incomodados, depois de perderem 4 eleições, tomaram a lei nas mãos e levaram a cabo um verdadeiro golpe de estado, de altíssimo nível de chicana e de hipocrisia. Tiraram a esquerda do poder, mas não conseguiram por no seu lugar a direita “civilizada”, cuja incompetência já tinha sido mais que comprovada. No seu lugar, assumiu uma quadrilha de milicianos que, espertamente, soube atrair parte das Forças Armadas à participação no governo. Isso apesar do chefe da quadrilha ter sido alvo de uma expulsão mal disfarçada, justamente pelo desprezo a seus 2 pilares: disciplina e hierarquia.
    Mas, à falta de preparo, competência, honestidade e mínima capacidade de convívio democrático veio se juntar a maior pandemia em 100 anos, que expôs totalmente todos esses fatores negativos e mais a sociopatia e desprezo pela democracia e pela vida e sofrimento humanos. E, em poucos meses, a sucessão de erros grosseiros, atitudes incompatíveis com a situação, episódios de falta de caráter, controle, respeito e decoro, autoritarismo, cinismo, e hipocrisia, entre outros, fez debandar um grande número de apoiadores.
    Cabe destacar que essas características já eram evidentes antes, muito antes, décadas antes, da eleição de 2018, daí classificar alguns interesses no seu afastamento como de ocasião. Muitos que, agora, querem seu afastamento concordam com suas políticas econômica, social, cultural, de meio ambiente, externa, sanitária, etc.
    Assim, o que existe, atualmente, é uma mera confluência de interesses, alguns sinceros e outros de ocasião, quanto à necessidade de afastamento do ocupante da Presidência da República, dado seu notório despreparo para o cargo (e qualquer outro cargo público) e sua visível intenção autoritária e ditatorial.
    Eu estou entre os que não querem somente o seu afastamento, ainda que por cassação da chapa eleitoral e consequente convocação de novas eleições. Quero a anulação, legal e institucional, de todas as violências, arbitrariedades e falsidades cometidas por aqueles que, hoje, querem gritar “fora Bolsonaro” comigo, quando esta é a única bandeira que temos em comum.
    Daí a minha mensagem a Moro, Lava Jatistas, MBL, Lobão, FHC, Globo, enfim, toda essa leva de arrependidos, por ação ou omissão, que nos trouxeram a essa triste, tristíssima situação de perda quase total de autoestima, entre outras coisas: até podemos gritar, juntos, mas muito separados.

  23. Estou com o Nassif. Lula perdeu a oportunidade de liderar o pacto necessário para tirar o boçalnaro. Claro que ele está certo quanto ao golpe que o prendeu e tirou a Dilma, com supremo e com tudo, mas temos que pensar agora numa pauta comum frente ao ataque à nossa frágil democracia e o desmonte da economia.

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  24. Pacto sem Lula não será pacto (como você, Nassif, disse há algum tempo. Mudou de opinião?). Para isso, 2016 e o que veio depois, com a condenação de Lula, precisam ser revistos. Claro que não dá para trazer a Dilma de volta (assim, o golpe são águas passadas). Mas anular a condenação de Lula é mandatório. Aí, as agendas políticas e sociais para o país poderão ser livremente expostas e decididas em eleições limpas.

  25. Que tal as seguintes articulações:? 1) Encontrarem uma saída para tirarem o Maia da jogada, eis que, se cassada a chapa boçal/mourão, parece que legalmente assumiria o presidente da câmara – que não é confiável porque a) é do DEM- partido do demônio; b) não abre mão de revogar o teto de gastos e as reformas previdênciária e trabalhista, e isto naturalmente afasta as esquerdas mais conscientes de que o pior de tudo nem é a imbecilidade crônica do boçal e seu vice mas sim a política econômica neoliberal, que tem que ser manda a p.q.p. 2) Chamar Roberto Requião (MDB) para compor com alguém do PT e partirem juntos para a próxima eleição; 3) Para o governo de transição, até a mais breve possível nova eleição, assumiria um triunvirato composto por alguém do STF, alguém eleito por seus pares no Congresso Nacional e alguém das forças armadas no lugar do Executivo, argumentando que foi o próprio executivo atual que deu tanta força a militares. Quanto ao Ciro, sugerir a ele que se candidate e mostre, no gogó, que tem capacidade de governar esse país…sugerindo-lhe ainda que escolha para seu vice o Olavo de Carvalho, que já demonstrou estar à altura do Ciro. E quanto ao Maia e ao presidente do Senado, convencê-los de que esperem (sentados_ por nova oportunidade, pois agora eles serão muito necessários na transição……….

  26. Galera, o sacolejo não é só aqui! O tsunami vai varrer a economia capitalista de 30 a 50% do PIB, o que sobrar de EUA, Canadá e da Zoropa vão se juntar em um polo Capitalista e a China/Rússia/Irã vão atrair quem tiver soberania e o resto vai por força de inércia, capital atrai capital e comunista, essa desgraça kkk atrai pobre.
    Entonces, quando tiver combinadim, façam como Feola, perguntem aos Russos rs A chance do Brasil é emplacar no BRICS. PRA isto Bozo nuzinferno e a esquerda que está na rua, esperando PT/PCdoB e outros, prontinha pra debutar rs

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