Comentário sobre o post “O programa de Haddad” (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-programa-de-haddad-com-o-caminhoneiro)
Por Aline C Paiva
É duro ter de perder tempo na propaganda eleitoral respondendo a um pusilânime como José Serra.
Cabe a São Paulo fazer finalmente a escolha que lhe cabe e à qual está uns 25 anos atrasada, pelo menos: és uma cidade do século XXI ou da Idade Média?
Vamos discutir abortos e orientação sexual? Vamos discutir religião e cotas raciais? Vamos ainda falar de bobagens como “mensalão” e “Martaxa”? Vamos disputar votinhos na porta de igrejinhas?
Ou vamos entrar no século XXI pensando o habitáculo urbano de milhões com inteligência, equanimidade, modernidade, tecnologia, informação, acessos, meios?
É duro ver um homem formado em Direito, mestrado em Economia e Doutorado em Filosofia, com uma cabeçorra deste tamanho, capacidade técnica já avalizada ao longo de anos de serviço público, e um currículo ficha-limpa sem mácula ou nódoa (desafio qq trolha do blog comparar biografias, Serra, Russomanno com a de Haddad – não são dignos sequer de lhe amarrar os cadarços), ter de descer a baixezas e vilanias como as desse senhor inominável, desqualificado, doente. Penso em Haddad com tanta coisa para propor e debater – mas me dá #nojinho e #vergonhaalheia só de olhar nos rostos dos debatedores na Sabatina UOL. Dá pena de ver jornalistas (sic) a pouco soldo prestando-se a papel tão patético e constrangedor, cristalizados em seus recalques e discurso mal-e-porcamente ensaiado de muezins da direitalha neo-fascista.
São Paulo pode tão mais que isso… e ficam lá parados nos congestionamentos a bordo dos seus ar-condicionados de SUVs, ouvindo CBN, lendo Lya Luft ou Max Lucado, ou Casamento Blindado. Todos sozinhos dentro de seus carros. Como robots. Como zumbis sem alma. Como meros coadjuvantes de uma cidade, um estado, um país, um MUNDO, que poderia ser tão mais. Bastaria que acordassem de sua lobotomização coletiva – anestesia inerte mansamente bovina – sua acefalia movida a Comprar e Ter. O egoísmo de chegar antes no semáforo, de acelerar no amarelo, de estacionar na vaga, de sair antes do vizinho, de abrir antes o portão, de ler e responder antes os e-mails, de tomar banho antes dos filhos ou da esposa e comer antes para ver TV antes para dormir antes para acordar antes – e sua busca pela antecedência, pela primazia, os leva aonde?
São Paulo é o cachorro latindo atrás do carro. Mas finalmente, parece que o carro está parando. E aí paulistanos, o que farão agora? “Era vidro e se quebrou”. Serra quebrou, Russomanno é sujo como pau de galinheiro, Chalita é um tucaninho rebelde, Soninha é o eco do próprio oco a um milhão de quilômetros do nada, e Giannazi e Paulinho da Força são apenas vagões, não locomotivas.
Para qual roda vão latir, finalmente?
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